terça-feira, 24 de junho de 2014

PAS333. Gado contra a vedação


-- Oiçam, oiçam ! gritou Henry.

No meio de profundo silêncio ouviram um rumor, ampliado pelas paredes do desfiladeiro, retumbando progressivamente como um trovão.

-- Que diabo vem a ser isto? -- inquiriu Cari Doyle, assombrado.

Chegaram-lhe então aos ouvidas os agudos gritos de AI Rosen:

— Reed lança-nos em cima o seu gado à desfilada!

Era uma manobra com que Desmond não tinha contado. Elmer Reed não hesitava em sacrificar parte do seu gado, se deste modo pudesse abrir uma larga passagem.

-- Isto torna-se sério, muito sério mesmo— afirmou Carl. — Vou ver se acerto nas vacas da frente.

A primeira manada apareceu ladeada por cavaleiros, gritando e disparando para o ar as suas pistolas. A muralha viva de carne estacou, tentando fugir da outra muralha de fogo aberta pelos Doyle e por Desmond. Mas os cavaleiros do «Três Fontes» puseram-na de novo em corrida em direção à vedação. A espingarda nas mãos de Desmond ia aquecendo, e a cada tiro caía urna rês. Mas a manada enlouquecida continuava a avançar, e nada a poderia deter. Desmond praguejou selvaticamente ao ver a horda de patas e chifres a investir contra a vedação, perto do manancial. Os bicos cortavam-lhes as carnes, mas os animais de trás empurrando os da frente, obrigavam estes a investir com afinco. Entre mugidos, a poeirada começava a dificultar a visibilidade. Um caos ruidoso, de gritos, disparos, pó...

-- Retirar -- gritou Desmond, furioso.

-- Retirar, irmãos !

Os Doyle abandonaram a sua trincheira. Os cavaleiros de Reed concentraram o seu fogo. Des-mond viu Burt tropeçar, e cair de bruços. Depois foi Carl que agarrava entre os seus braços o ferido Ego. Desmand disparou, abatendo dois cavaleiros mais avançados, que se aproximavam do seu cavalo. A vedação tinha cedido, e os cavaleiros irrompiam já de cada lado da manada enlouquecida. A voz de Elmer Reed dominou o tumulto:

-- Big Valley volta a ser passagem livre! Recolham o gado ! Como uma maré a manada voltou a agrupar-se. Vários tiros tentaram impedir Desmond de atingir o seu cavalo. Deitou-se no chão, e o chumbo mordeu a terra em torno de si. Voltou a levantar-se, correndo de novo. Acudindo, Al Rosen disparou, cobrindo-o, para lhe permitir chegar ao seu cavalo. Raivosamente, Roseli gritou:

— Maldito Reed ! Fez matar uma centena de reses e meia dúzia de homens... mas derrubou a vedação!

—Vai para casa. Diz aos Doyle que tirem as mulheres, e se escondam no barranco. Reed continuará a destruir, agora que pode terminar o que começou.

Entre nuvens de pó, Desmond obrigou o baio a galopar em direção às escarpas. Deteve-o entre dois altos penhascos. Entre os redemoinhos de pó, esperou para identificar os cavaleiros do Três Fontes. E só então abriu fogo. Derrubou um cavalo, e ao disparar de novo, silvaram em torno de si as balas em respostas pronta. Por duas vezes descarregou a sua «Winchester», mas a poeira foi-se tornado cada vez mais espessa, formando uma cortina.

Voltou ao seu cavalo e, meia hora depois, contemplava os resultados da refrega. Ao longe, colunas de fumo, assinalavam um grupo de cavaleiros: os Doyle e Rosen dirigindo-se para o rancho. Brenda Hunter e «Ma» Doyle estariam dentro em pouco a salvo, no desfiladeiro.

Possivelmente, Elmer Reed mandaria levantar uma nova vedação. Era inegável que tinha ganho aquele primeira combate. O sol ia descendo e as primeiras sombras invadiram o vale quando se aproximava dos edifícios de Big Valey. Não estava ninguém. Salvo atiradores ocultos, um dos quais lhe disparou do armazém. Elmer Reed tinha deixado alguém para o impedir de voltar a casa. Desmond Hunter empreendeu outra retirada e, ao anoitecer, chegava diante dos onze túmulos.

Leu em voz alta, gravemente:

«Hunter
Esta terra é vossa».

E também em voz alta prometeu:

-- Hei-de consegui-lo, pai.

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