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quarta-feira, 9 de agosto de 2023

ARZ161.00 Lutar por uma «Terra Amarga»

O grande chefe Moose John nunca terá pensado nas consequências da sua oferta de um conjunto de seis pepitas de oiro ao cartógrafo O’Donnell como prémio da sua habilidade para produzir explosões. Se conhecesse a maldade dos homens, talvez não passasse mais de trinta dias da sua vida preso numa choça enquanto os seus irmãos de raça enchiam sacos e sacos de pepitas sob a ameaça de lhe roubar a vida.

E não se pense que os instintos bélicos se ficaram pela equipa de O’Donnell. É que um grupo de “pacíficos” quakers, homens e mulheres que recusavam a utilizar as armas para se defender ou atacar os seus semelhantes, acabaram por massacrar a tribo de arapahos quando a equipa do cartógrafo já não era problema.

Oiro, maldito oiro! Tu converteste, sob a pena brilhante de Cesar Torre, um local de esperança numa terra amarga, transformando as geladas terras de Lemhi num mar de sangue.

«Terra Amarga» é um excelente livro publicado na Coleção Arizona como número 161 e que aqui reproduziremos ao longo dos próximos dias. Nele, o autor exibe toda a capacidade para demonstrar que, na sua mente, um conflito nunca está resolvido já que das suas consequências se podem produzir diferentes réplicas. A tradução, a cargo de M. Correia, deixa perceber devidamente o conteúdo, nada havendo a apontar-lhe.

domingo, 16 de julho de 2023

CLF052.00 Aristocratas do Oeste, a imagem da decadência

Quando chegou ao seu número 52, a Coleção Califórnia apresentou-nos um livro de conteúdo um tanto estranho, com o título «Aristocratas do Oeste» e autoria de Meadow Castle , cuja ação se passa em Holbrook, a capital do distrito do mesmo nome e lugar de resistência dos ganadeiros, rancheiros, agricultores e colonos enriquecidos, os quais encarregavam com toda a responsabilidade os seus homens de confiança de construir uma casa no sítio mais central da povoação e longe dos lugares onde tinham enriquecido.

Com uma tradução de Francisco Silva, o texto da novela dá-nos por vezes a sensação de estar no tempo errado, o que, apesar de tudo, passe a deselegância, não prejudica a compreensão. E assim somos levados a saber que a maioria das pessoas que moravam em Holbrook deitava-se tarde e levantava-se quando os raios solares tinham perdido a força transformando nesse intervalo a rua principal da cidade num verdadeiro formigueiro de gente ocupadíssima em demonstrar que estava preocupada com qualquer coisa proveitosa.

E, com a ideia de falar com o filho de rancheiro que vivia à grande na cidade, aí chegou a jovem Katie que ficou boquiaberta ao contemplar o impecável criado que abriu a porta daquela mansão construída de pedra imitando o mármore, a qual parecia um palácio encantado.

Note-se que o «impecável criado», Pierce, apesar de ter chegado àquele ponto de conhecimento que lutar com cavalos ou com domadores de cavalos era a última coisa que um homem inteligente devia fazer na vida, não era pera doce, mas na sequência de um duelo e de ter perdido tudo o que tinha numa partida de cartas ficou sob a «proteção» do elegantíssimo Dester Bon, o homem a quem Katie procurava, o qual o admitiu como criado.

Contrariamente ao que esperava, Bon compreendeu a mensagem da jovem e resolveu abandonar a sua vida decadente para voltar ao rancho e proceder ao seu desenvolvimento e exploração, mudando radicalmente a ideia que tinha acerca de vaqueiros o que para ele antes era dizer sujidade, homens primitivos, desconhecedores dos ensinamentos da civilização.

Dester não viu brutalidade nos olhares dos homens, nem maldade nos das mulheres. Viu que eram homens e mulheres tal como os tinha criado o Criador.

«São naturais, sensatos, humildes. São mil vezes melhores que os parasitas de Holbrook. São... São mil vezes melhores do que eu fui até agora» — concluiu.

A verdade é que o abandono do ambiente da aristocracia de Holbrook não soou bem aos ouvidos de alguns corruptos da cidade, um dos quais exercia funções de juiz e não hesitou em mandar assassinar o próprio xerife e ele e Pierce tiveram de mostrar a sua habilidade com armas nas mãos.

 

terça-feira, 27 de junho de 2023

ARZ138.00 Quem não sente «Nojo por um cobarde»?

O número 138 da Coleção Arizona traz-nos uma obra cuja autoria é atribuída ao prestigiado Clark Carrados com o título «Nojo por um cobarde». No entanto, uma indicação de Copyright inserida numa das páginas iniciais faz-nos acreditar que a obra não é deste autor, mas sim de Vicente Adam Cardona, mais conhecido por Vic Adams, um escritor mais dedicado à ficção científica e recentemente falecido (Dezembro de 2018). 
Tal suspeita é reforçada pelo argumento que, como dizemos adiante, é excessivamente forçado relativamente às situações descritas e ainda pelo facto de a escrita de Carrados nos parecer mais elaborada do que a do presente livro. Portanto, acreditamos estar aqui perante mais um erro dos responsáveis da APR.
A tradução foi executada por Adelino dos Santos Rodrigues, um nome que, embora não saibamos se corresponde à mesma pessoa, é fácil de encontrar na Internet como tradutor de livros de aventuras como por exemplo «O Conde de Monte Cristo». É curioso encontrar entre os tradutores destes livros, nomes que, mais tarde, terão tido alguma relevância no panorama literário ou na atividade de tradução. 

«Nojo por um cobarde» é uma história em que uma mulher incita o noivo a bater-se em duelo com um pistoleiro cruel com o objetivo de se ver livre dele e de lhe ficar com o rancho. 
Paul Mayers, o noivo, era um jovem rancheiro rápido com as armas, mas que nunca tinha vertido sangue humano e a situação foi para ele de tal modo confrangedora que todos o julgaram um cobarde. Incitado a bater-se em duelo, acabou por acertar no seu adversário e num cúmplice desse e foi, a partir dali, um perseguido pela Lei. 

Na fuga que encetou acabou por ser contatado por alguém que o desafiou a procurar a reabilitação através da participação na destruição de uma quadrilha famosa que atuava na região. Não demorou a encontrar alguns homens dessa quadrilha e a infiltrar-se na mesma. E, coisa curiosa, depois de muito penar, veio a descobrir que o chefe oculto da mesma era o homem que o desafiara para um duelo e que lhe roubara a noiva. 
O livro é interessante, com alguma carga de dramatismo, mas a trama é excessivamente forçada. As coisas só funcionaram assim, porque a mente do senhor Carrados (ou do senhor Adams de acordo com a nossa suspeita) o quis, tudo está um pouco afastado da realidade. 
A própria presença de uma jovem beldade entre os bandidos que lhes faz a comida, mas que a respeitam, é de excessiva ingenuidade. Claro, era necessário dar um final feliz à novela e qual o melhor local para arranjar uma noiva para o rancheiro atraiçoado? Na quadrilha, claro… 
«Nojo por um cobarde» será publicado ao longo dos próximos dias…

terça-feira, 6 de junho de 2023

CLF028.00 Quem quer jogar um «Poker de Morte»?



No seu número 28, a Coleção Califórnia traz-nos «Poker de Morte, um texto de Peter Debry autor venerado em Espanha no género policial. 
A tradução é de Pereira da Silva e temos de reconhecer que é  uma das melhores que temos encontrado na IBIS tão profícua em textos incompreensíveis.

Nesta fase ainda inicial da coleção, a editora por vezes introduzia uma nota de apresentação do autor e da obra que, neste caso, aqui reproduzimos

Esta é uma novela de amores e desamores enquadrada pelo grave conflito social entre granjeiros, amantes de cultivar terras em pequena propriedade vedada por arame farpado, e rancheiros que defendiam a grande propriedade para levarem as cabeças de gado para prados verdejantes e terem água em abundância.

Regressado do trabalho nas minas durante dois anos, depois de ter morto um homem em legítima defesa em Cliff Town, Brod Norton, bem conhecido como desordeiro, vê-se desprezado pelo irmão e integrado na lista negra de «intrusos», designação pela qual eram considerados os granjeiros que pretendiam estabelecer-se em territórios cedidos pelo Governo.

Um golpe de sorte num jogo de morte permitiu que conseguisse dinheiro para adquirir algumas terras em disputa e isso acabou por o opor ainda mais a um dos rancheiros mais poderosos que não permitia o estabelecimento de qualquer exploração na sua vizinhança.

A relação de Nolan com as mulheres também era de molde a despertar a ira dos irascíveis rancheiros de Cliff Town. Primeiro foi a mulher do irmão, antes sua namorada, que o assediou dando origem a falatórios na cidade que acabaram por conduzir o familiar à morte. Depois, a própria viúva do homem que tinha morto, agora prometida do poderoso Ron Miller, grande proprietário, acabou por ter um papel decisivo em momentos em que a sua vida esteve por um fio.

A tenacidade de Nolan acabou por desmascarar os que em Cliff Town se julgavam reis e senhores e uma nova era abriu-se para a cidade e para os que até então eram considerados intrusos.

Na contracapa encontramos mais uma estrela de entre a Chuva de Estrelas com que a Bertrand nos brindava: Jill St. John.

«Poker de Morte» será publicada neste espaço ao longo dos próximos dias.

segunda-feira, 15 de maio de 2023

ARZ077.00 Vamos conhecer mais uma «Viagem Heróica»

«Viagem Heróica» é um livro de John Weiber publicado na Coleção Arizona, número 77 numa fase em que esta coleção denunciava algum desnorte em capas e conteúdos.

Traz-nos a história de um grupo de pessoas muito diferentes, mas quase todos tinham o mesmo objetivo: deixar o passado para trás, esquecer. Se isso foi possível para alguns, o remorso e o medo levaram a que outros enlouquecessem ou fossem sujeitos aos mais inesperados encontros. 

O grupo começou por formar-se em St. James, integrando homens, mulheres, pistoleiros… e pouco depois partia formando uma espécie de «caravana de desesperados». Apesar de tudo iam carregados de esperança.

Resistiram ao ataque de tribos de índios, reforçaram os seus laços de amizade e até desenvolveram histórias de amor, mas, num momento em que já se julgavam a salvo a caminho da terra prometida, mais um negócio malvado se intrometeu no seu percurso: o negócio de seres sem escrúpulos que os faziam enganar-se nas rotas com o objetivo de lhes ficarem com os bens. E foi aqui que, mais uma vez, o amor venceu e fez com que um daqueles que parecia ir participar no massacre dos seus anteriores companheiros tivesse um rebate de consciência e transformasse a expedição num caso de sucesso.

A novela é um relato eficiente de uma expedição muito igual a tantas outras que nos faz pensar em quão dura terá sido a vida dos que se aventuraram pelo selvagem oeste num momento em que por ali não se fazia turismo. Será objeto de publicação ao longo dos próximos dias.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

CLF054.00 Quem assassinou «O Cantor do Texas»?

O volume nº 54 da Coleção Califórnia é uma obra de Cliff Bradley com o título «O cantor do Texas». Podia pensar-se que se trata de uma obra onde a canção e a paisagem detêm um papel principal, mas a verdade é que ela é portadora de uma carga dramática assinalável como pode adivinhar-se a partir dos três parágrafos que seguem.

Eram dois homens exatamente iguais. As mesmas feições, o mesmo sorriso, a mesma destreza no disparo, a mesma capacidade para dedilhar uma viola. 

Um dia separaram-se e foram percorrer o Oeste. Um deles envolveu-se com uma rapariga que era «pertença» de um perigoso pistoleiro. 

No duelo daí decorrente, a arma encravou-se na funda, foi abatido e enterrado no cemitério de Dodge City

.

Breve, o outro soube do que se tinha passado e, seis meses depois, ali chegou para vingar a morte do irmão, semeando o pânico entre a população que julgou estar perante um fantasma quando a sua voz, acompanhada da viola, cantava versos que pareciam fazer recordar o que se passara.

Na sua companhia, seguiu uma jovem desprotegida de insuperável beleza, gerando-se um romance que atingiu o ponto culminante bem antes de a novela terminar.

Resta dizer que este texto de Cleff Bradley exibe muitas das qualidades deste autor, embora não se consiga libertar de algumas aleivosias reacionárias e racistas e, por outro lado, não seja dotado de uma tradução brilhante. Mas contém algumas passagens bem divertidas devido à atuação do espectro e outras de romantismo acentuado.

Vamos proceder à sua publicação…

quarta-feira, 5 de abril de 2023

CLT026.00 E há quem prometa: «Matálos-ei, bandidos!»

 

Chegou o momento de proceder à publicação do número 26 da Coleção Colt, uma obra de Sam Fletcher, depois de nos ter trazido Cliff Bradley, Donald Curtis, Keith Luger e outros.

E que podemos dizer num breve resumo?

O agente federal Norman Wright recebeu como missão aprisionar ou abater o famigerado bandoleiro Jules Blackfield, um homem sanguinário que, na região de Riverside, se dedicava às mais truculentas atividades, sob a capa de um rancheiro bem sucedido.

A sua chegada àquela cidade foi estranhamente precedida pela assistência ao ataque de um bando a um homem isolado a quem infrutiferamente tentou auxiliar. O pobre foi abatido e ele deu-lhe piedosa sepultura sem saber de quem se tratava,

Em Riverside a sua entrada foi meteórica em termos de duelos com bandidos ligados a Blackfield. E o seu encontro com uma mulher que trabalhava num «saloon» não o deixou muito confiante em relação a esta, apesar de ela se confessar humilhada pelo bandido.

Norman veio a integrar-se melhor no ambiente de Riverside a partir do momento em que teve a sorte de salvar uma jovem das garras de um urso a qual era filha de um dos principais rancheiros da região o qual detestava o bandido embora não tivesse coragem para o enfrentar sozinho. Aqui a novela ganhou em interesse, pois estabeleceu-se um laço romântico com a jovem o qual era presenciado com ciúme pela cantora de «saloon» e veio a despertar a inveja do bandido. Na festa de anos desta, a tensão subiu ao extremo e atingiu um ponto sem retorno com a aparição do cavalo de um rancheiro amigo e que Norman reconheceu como a montada do homem a quem tinha infrutiferamente ajudado.

Seguiram-se os duelos do federal com os bandidos. Sempre numa posição de desvantagem, Norman acabou por ser ajudado pela cantora de «saloon» e por um federal que o acompanhara desde o início da sua integração naquele corpo. Mas era um pouco tarde para aquela jovem mulher e foi com um sorriso magoado que acabou por assistir ao enlace de Norman com a rapariga a quem tinha salvo.

Eis uma novela de Sam Fletcher com excesso de tiroteio, mas com algumas passagens que lhe conferem algum encanto. A tradução deixa bastante a desejar, havendo por vezes frases sem sentido.

Finalmente...
Na contracapa encontramos mais um elemento da Chuva de Estrelas com que a IBIS nos brindava regularmente.

sexta-feira, 17 de março de 2023

6BL007.00 Pistoleiro famoso


(Coleção 6 Balas, nº 7)

Esta novela traz-nos um conjunto de personagens muito interessante: o pistoleiro famoso conhecido em toda a parte com os mais diversos nomes; a bela Maria que não teve encanto suficiente para reter o homem que a excitava; o frade que enveredou pela religião depois de ter sido um perigoso pistoleiro; um bandido sem escrúpulos que não hesitou em matar um cego porque este cantava uma canção que não lhe agradava…

Resta dizer que, após esse assassinato, o famoso pistoleiro decidiu dar cabo do bandido e seus acólitos que perturbavam o descanso da população de Barreal, uma povoação no México onde ele se sentia feliz. E assim, ajudado pelo mexicano Porfírio Lopez, Colorado Silver, também conhecido por Gringo Sonora, iniciou uma cruzada contra o famigerado Carbajal, um ser abjecto sujeito às mais incríveis humilhações durante a infância.

Pela mão de M. Saavdrovitch, vamos tomando conhecimento do perfil psicológico de cada um dos intervenientes e, apesar de, de um ponto de vista literário, a novela não surpreender, pode dizer-se que toda a sua trama é bastante engraçada e digna de ser lida. Por isso, a vamos publicar ao longo dos próximos dias…

Na Coleção Pólvora, foi publicado um livro deste mesmo autor com o título "Colorado Silver". Impõe-se, portanto, uma investigação no baú do Lobo Sentado. E, se o que suspeitamos for verdade, comparar as edições e inventariar alterações...

Este volume da Coleção 6 Balas informa ainda acerca do próximo número e traz mais um cromo da coleção Cleópatra.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

ARZ116.00 Encontro com «Um xerife valente»

O juiz Grant andava apreensivo com a criminalidade em Lenox onde nenhum representante da lei conseguia conservar a vida por mais do que dois ou três dias e onde alguns proprietários de ranchos e bares e outras atividades estavam sujeitos a ameaças que justificavam a extorsão de fundos sob a capa de proteção.

Num primeiro momento, enviou o irmão àquela cidade para apurar o que se passava e as suas preocupações aumentaram ao tomar conhecimento que ele se relacionara com uma bela mulher, irmã do principal cabecilha de foragidos.

As suas preocupações aumentaram quando em momento de eleições (nota: o autor não especifica para que cargo), o seu nome começou a ser apontado pelo principal opositor como incapaz de fazer voltar a ordem à cidade.

Fez assim mais uma tentativa, enviando a Lenox, empossado no cargo de xerife, um jovem que aceitara como noivo para a sua filha, a bela Rosália.

É neste contexto que Max Mac Bride parte para aquela cidade com a firme disposição de acabar com os atos dos bandidos e de descobrir o que acontecera ao irmão de Grant. Conseguiria cumprir a sua missão? A avaliar pela descrição do autor, teve pleno sucesso, embora não nos seja revelado o que aconteceu ao advogado corrupto Moore que se opunha a Grant e apoiava os bandidos nem à bela Sara, a mulher que encantava o irmão do juiz o qual, num momento de recuperação de consciência, morreu batendo-se pela Lei.

Este livro, não sendo literariamente emocionante, tem algumas passagens engraçadas, outras enfadonhas, aqui sendo publicado ao longo dos próximos dias para V. julgamento.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

CLT017. É altura de conhecer «Um para a forca»

 

Um homem de honestidade inquestionável, excelente no manejo de armas, que gozava das simpatias da população de Pau Verde, uma pequena aldeia perto de El Paso, e que exercia funções financeiras na Anaconda Company, desapareceu sem deixar rasto.

Depois de buscas infrutíferas, foi com enorme surpresa que os habitantes da aldeia viram chegar um forasteiro montando o seu cavalo o qual, ainda por cima, ostentava manchas de sangue na sela.

Tanto bastou para o considerarem culpado do desaparecimento do conterrâneo e tentarem apanhá-lo para o julgar por assassínio o que indubitavelmente o conduziria à forca. Mas, apesar das suas tentativas, o presumido homicida escapou com estranha cumplicidade e tudo fez para não ser «Um para a forca».

Eis um livro interessante de Keith Luger apesar de muito centrado nos duelos da personagem central para escapar aos esforços das autoridades e dos populares que o perseguiam. A presença de uma jovem muito bonita que mais tarde se soube ser a noiva do desaparecido dá indubitável sabor à novela. Por outro lado, é algo estranho o início do livro concentrando a atenção num miúdo, Tim Farr, que aspirava a ser ajudante de xerife e que parecia ir ter papel fulcral na história. A verdade é que não voltou a ser falado, mesmo quando o xerife Smilles entendeu mudar de ajudantes.

A tradução de Francisco Silva, não sendo confrangedora, faz-nos lembrar por vezes o português do Brasil.



Deixamos a imagem de algumas páginas deste livro onde podemos recordar os primeiros títulos da Coleção Colt e alguma publicidade a outras obras publicadas pela IBIS.

Na contracapa encontramos mais uma estrela (Virginia Mayo) da chuva de estrelas que então se divulgava amplamente nos livros da IBIS.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

CWB299.00 O assassino de Cheyenne

(Coleção Cow-boy, nº 299)

Quem seria o assassino de Cheyenne? O homem que casou com a bela Hellen ou o que ela abandonou? 

Tudo se conjugou para Joe Donkey ser o acusado e perseguido por tão vil acto. Ele várias vezes se tinha confrontado com o irmão da beldade e a arma de Joe apareceu junto ao corpo deste. O presumido assassino teve de fugir, passar a um Estado onde não seria procurado.

A verdade é que houve vários reencontros. Primeiro com o rival que também aspirava à beldade, que lhe enfiou um tiro nas costas, depois com a beldade, que não teve coragem para lhe dar o tiro fatal e, finalmente, com o pai desta que, convencido da sua inocência, tudo fez para lhe salvar a vida.

Joe Donkey, afinal, era um homem de sorte pois alguém aparecia sempre em momentos em que arriscava a vida. E, depois do velho Miller, foi o próprio xerife de La Junta que o ajudou em momentos decisivos, convidando-o ainda para seu ajudante na luta pela limpeza da cidade.

Finalmente, Hellen veio a acreditar na versão de Donkey e o verdadeiro assassino, o rival que ela tinha rejeitado, acabou por ser descoberto.

O maior defeito deste livro de Joe Mogar é ser extremamente resumido, notando-se que lhe terão sido cortadas as passagens mais ricas do ponto de vista literário, dando ao texto um tom corrido onde tudo o que acontece é em velocidade acelerada. Os encontros com Hellen e Diana mereciam muito melhor tratamento tal como o autor já nos tinha habituado em obras como «O regresso de Bob Ó Hara» ou «A orgulhosa de Fowler». Também a definição geográfica não é das mais recomendáveis: o texto corre de tal maneira que nunca sabemos se estamos em Pueblo, La Junta ou Cheyenne… As pressões das editoras deviam ser terríveis…


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

BUF145.00 O regresso de «O proscrito»


Era um homem perseguido por ter morto um oficial do exército vencedor e, desde então, toda a sua vida se tinha mantido graças à sua destreza com as armas. 
Um dia, resolveu voltar à sua terra e comoveu-se com as recordações dos tempos passados enquanto crescia, tempos em que fora feliz e em que nada lhe anunciava a triste vida que levava.
Reencontrou a mãe e a irmã e voltou a matar por esta ter sido abandonada por um indivíduo sem escrúpulos. Foi ferido e os favores de um criador de cavalos permitiram-lhe resistir e recuperar. As filhas deste enamoraram-se dele e, quando quis partir, o apelo do amor foi mais forte.
Trata-se de uma novela de Fred Dennis que mostra como aquele sentimento pode derrubar todas as barreiras, embora torne transparente que o vil metal pode comprar muitos daqueles em quem confiamos... A honra e a traição estão, aqui, sempre presentes.


quarta-feira, 9 de novembro de 2022

CLT022.00 Encontro com «O Ressuscitado»

 Insólito!

Descrição digna de um filme de terror!

Cemitério de Watson City...

No silêncio sepulcral, sob a luz lunar e o olhar de um mocho, a cruz de uma campa cai. A terra move-se, aparecem uns dedos, depois uma mão, por fim o corpo de um homem que parece aparvalhado.

Sob a pena brilhante de Keith Luger, esta novela leva-nos a conhecer o que levou àquela cena e o que se seguiu à mesma. Quem possibilitou que aquele homem “ressuscitasse”? Como vai ele reagir perante os que o conduziram ali? E que fará aquela a quem tanto amou?

Para o saber, há que seguir este espaço ao longo dos próximos dias.

domingo, 23 de outubro de 2022

BRV014.00 Uma fórmula para nos livrarmos de «Veneno no sangue»

A jovem Beatriz estava farta duma vida de tédio a ser assediada por ébrios num bar de Columbia e decidiu partir para Oeste, terra de homens bravos, galanteadores e aventureiros. Mal sabia que iria encontrar-se com um indivíduo, um cavaleiro todo vestido de negro, que não hesitava em atirar-se a qualquer rabo de saia e enfrentar os seus maridos se estes tentassem defender a sua honra.

Mas o seu destino iria também cruzar-se com o de um rico rancheiro a quem a sua voz e o seu canto encantaram num dia em que fez uma visita ao bar de Wichita. Em pouco tempo, o rancheiro Erdman desfez-se em amabilidades com ela e acabou por lhe propor casamento.

Mais uma vez, o destino levou-a a encontrar-se com o cavaleiro de negro e a traição ensombrou de novo a sua vida. Parecia que transportava «Veneno no sangue»… Será que algo iria fazer com que alguma vez se livrasse desse estigma?

Este é talvez o melhor livro de Fred Dennis, um livro que vale a pena ler apesar do tom jocoso com que por vezes nos brinda nas palavras proferidas pelo «cavaleiro de negro». Por esse motivo, vamos publicá-lo a partir dos próximos dias.

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

BIS207.00 Quem vai ficar com o «Dinheiro Maldito»

Matt Coleman deixou a filha à guarda de uma família em Turidilla e partiu para longe, procurando um meio de ganhar sustento. Não conseguiu mais do que comportar-se como um bandido chantagista que, apoiado nos seus subordinados, fez fortuna à conta dos que lhe pagavam os serviços de «segurança». Mas a sua saúde degradou-se e, perante a notícia de que não teria mais do que uns meses de vida, tentou fazer chegar a sua fortuna à filha que, entretanto, tinha morrido num acidente.

Desconhecendo a triste sorte da filha encarregou um médico honesto de procurar a família de acolhimento para lhes entregar o dinheiro. Estes, ao saberem do que se tratava, fizeram com que uma das suas filhas passasse pela filha de Matt Coleman e receberam a fortuna do bandido.

O problema é que alguns dos que serviram Coleman também se achavam com direito ao dinheiro e resolveram perseguir os seus novos possuidores sem sucesso, Para complicar a questão, a menina impostora resolveu apaixonar-se pelo médico e um primo de Coleman apareceu a reclamar a fortuna como seu legítimo herdeiro e denunciou a aldrabice, chegando a levar o médico junto da campa onde repousavam os restos mortais da verdadeira filha de Coleman.

Cesar Torre mostra nesta novela toda a sua mestria para a construção de situações de difícil solução. Tudo se desenrola com naturalidade e a narrativa ganha um crescendo de emotividade e mistério, fazendo com que o leitor tome o partido do médico e da menina impostora, mas nunca se desligando da simpática figura do ferreiro que acolheu a menina. E o final não poderia ser melhor do que o narrado para a população de «Llano Escalado» um local que este autor parece privilegiar nas suas novelas.


segunda-feira, 19 de setembro de 2022

CLF050.00 Ao que vem «Um forasteiro chamado Parker»?

O pai de Parker, um comerciante estabelecido em San Martin, foi assassinado e ele, vindo não se sabe de onde, chegou à cidade para o vingar. Inicialmente, pressionou um antigo amigo do pai, julgando que ele tinha participado e que conhecia o verdadeiro assassino. Perante a convicção da negação deste, o qual tinha uma filha ultra bonita, acabou por o deixar em paz.

Mas Parson e a rapariga não ficaram tranquilos e, preparando-se para fugir da povoação, acabaram por informar Parker acerca de uma quadrilha que ali dominava fazendo chantagem sobre agricultores e outros para obterem rendimentos usurários pelo crédito concedido.

A novela passou a desenvolver-se em tiroteios envolvendo de um lado Parker e os agricultores e, do outro, usurários e uma quadrilha de bandidos. Claro que os bons acabaram por ganhar, apesar dos contantes apelos do reverendo Whitney para se perdoarem e manterem a paz. Terrivelmente dramático é a morte do cavalo de Parker, o fiel «First», sacrificado em momento de tiroteio e assim salvando a vida do dono.

Enfim, um livro que se lê, onde tem alguma graça o relacionamento de Parker com a filha de Parson, designadamente no momento em que se encontram no final de uma perseguição e onde nunca se percebeu muito bem o papel da sobrinha do reverendo e do seu noivo, Pat, que a certa altura parece ter partido em perseguição de um dos agiotas e nunca mais se soube dele…

Para fazerem o V. juízo, vamos publicá-lo ao longo dos próximos dias.

 

sábado, 27 de agosto de 2022

CLF036.00 Reencontro com «Caça de morte»

Este é o relato da incansável perseguição de Anthony Mills ao homem que, sem qualquer motivação, lhe assassinou o irmão, depois de lhe ter disparado para os pés para ele saltar o que ele recusou.

O destino de Mills cruzou-se com o de Murray, um homem nobre e trabalhador que procurava salvar o seu rancho e devolver uma vida decente à mulher e filha.

O Mundo é pequeno e, assim, Bloody, o homem que assassinara o irmão de Anthony, trabalhava para Donovan, o homem que procurava extorquir o rancho a Murray e assediar a sua filha.

E a caçada foi completa…

Na publicação a que procedemos, as ilustrações utilizadas nada têm a ver com a história.


quarta-feira, 10 de agosto de 2022

CLF002.00 E que fazer quando «Restam cinco balas»?

 

 

E eis como o livro que hoje trazemos é apresentado pela editora:

«A COLECÇÃO CALIFÓRNIA — orgulha-se de incluir entre os seus autores selecionados, o nome de M. L. Estefânia, bastante conhecido do público português através das suas obras já publicadas.

«Estefânia tem um estilo muito próprio. Um autêntico estilo de sabor norte-americano. A frase é sempre curta, precisa, objetiva, e traduz de uma maneira direta o pensamento.

«Estefânia não se prende com metáforas literárias. Interessa-lhe ação e dá ação ao leitor num ritmo demoníaco. Poucos escritores do Oeste conseguiram até hoje uma popularidade tão grande. Os seus livros vendem-se em tiragens assombrosas. Esse êxito deve-se, sem dúvida, às características excecionais da sua obra.

«Repare-se nos diálogos violentos e condutores da intriga, ou ainda nos argumentos que servem as suas novelas.

«O presente romance— «RESTAM CINCO BALAS» — além de apresentar uma história de bastante colorido e movimento, oferece a novidade de ser quase totalmente dada em diálogo.

«Estefânia será um dos autores com grande presença nesta Coleção, onde desde já se pode anunciar nomes de categoria excecional dentro deste género de literatura.»

O texto de «Restam cinco balas», as que sobraram depois de o herói ter morto sete adversário, vai ser apresentado ao longo dos próximos dias.

Por curiosidade, aqui fica alguma publicidade da época e a contracapa do livro como habitualmente dedicada às estrelas de cinema.


 

sexta-feira, 22 de julho de 2022

CLF048.00 Reencontro com «O homem que comprou Cheyenne»

 

Que segredo guardaria aquele indivíduo para, depois das manifestações de ódio que o opunham a Mac Gregor e das tentativas deste para o arruinar, haver um pedido expresso do seu perseguidor para nenhum dos seus assalariados o matar.

O simpático mexicano Pancho Suarez conseguiu desvendá-lo, mas uma bala certeira fez com que o levasse para a cova num momento em que acudia ao seu amo. Quanto à bela Marah, só veio a conhecer as razões de tão estranho procedimento, através de uma revelação na fase final da novela.

De resto, o autor retrata bem o confronto entre Mac Gregor e Richard Kennedy, o homem de belas e perfeitas feições. O primeiro procura, através dos seus rendimentos, tudo fazer para arruinar o rival, estragando-lhe os negócios. Porquê é a dúvida que permanece até ao final.

A figura de Mac Gregor é o tradicional herói de Joe Mogar. Duro, mal disposto, mandão, rápido com as armas, violento com as mulheres a quem parece temer. Estes traços surgem-nos nesta novela e em muitas outras do mesmo autor. Pena que a tradução da atual lhe retire um certo encanto. Há passagens de que não se percebe o sentido, outras fazem-nos lembrar o Português do Brasil.

De qualquer forma, um livro para ler ao longo dos próximos dias. Quem será que descobrirá o segredo de Richard Kennedy?

quinta-feira, 12 de maio de 2022

FBV159 A lei de Lynch

Ao chegar às imediações de Misoula, Dave Steiner teve a grande surpresa de se deparar com o corpo de vários homens dependurados de árvores.

Misoula era uma povoação de suporte a pesquisadores de ouro entre os quais se encontrava o seu irmão Gilbert entretanto enriquecido e que o convencera a vir até junto dele.

Dave estava muito longe de supor o espetáculo que iria encontrar. Para além da estranha mania de deixar homens dependurados, Gilbert apareceu-lhe como um idiota que utilizava balas de ouro para ostentar a sua riqueza.

Ciente dos perigos dos actos do irmão, entretanto a abusar do álcool, Dave avisou-o com a possibilidade de alguma armadilha e a verdade é que estava a pensar corretamente. Um dia, o juiz Marlowe, pai da encantadora Elizabeth cortejada por Gilbert e pelo malvado advogado Merrill, apareceu morto com uma bala de ouro.

A cruzada de Dave para demonstrar a inocência do irmão foi infrutífera durante a vida deste, mas serviu para mostrar que é sempre bom saber escolher os sócios em explorações mineiras.

Esta novela, de um autor praticamente desconhecido (Bernard Lee) é muito interessante, apesar da escrita cheia de reticências por vezes se tornar desagradável. A Lei do Lynch, que pareceu a Dave tão selvática, acabou por demonstrar a sua necessidade e este teve de aplica-la contra indivíduos pouco sociáveis.

A capa do livrinho é excelente contrastando com o vendaval de capas horrorosas que se seguiria nas coleções da APR e constata-se o facto de a coleção já não apresentar o número seguinte o que era uma prática muito interessante. Na contracapa, mais um cromo da História de Lisboa sem a respetiva indicação e sem identificar autoria que supomos de Carlos Alberto Santos.