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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

CLT017.15 Sem margem para recuar

Lee Carey andava pelos trinta e cinco anos e me, dia um metro e setenta e cinco de altura. Robusto de forte constituição, cabelos loiros e queixo pontiagudo.

— Como estás, querida? — disse, dirigindo-se Lídia.

A jovem estava mortalmente pálida. Tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu. Então, Lee Carey olhou para Tony Trevor e disse:

— Você é um tipo muito esperto, rapaz. Como deu com a verdade?

— Já lhe disse que foi à questão de uns minutos. Exatamente no momento em que apareceu Murray.

— Como?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

CLT017.14 E o morto reaparece em quarto do «Bom Samaritano»

Lídia Howells enxugava com um lenço as lágrimas que brotavam dos seus olhos. Estava junto da varanda aberta contemplando as estrelas.

Tony Trevor havia descoberto a grande verdade da sua vida. Ela nunca amou Lee Carey. Foi Lee quem impôs a sua vontade e a dobrou habilmente.

Os acontecimentos haviam-se precipitado nos últimos dias e agora à jovem parecia-lhe um turbilhão. Pela sua mente passaram as cenas com uma rapidez meteórica, naquela selvagem intriga.

Fechou os olhos e apertou as fontes com as mãos. Então soltou um grito.

— Não!... Não posso resistir mais!... Não posso!...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

CLT017.13 Suspeitas infundadas desvanecem-se

Ronald soltou um uivo e abriu a mão. O revólver escapou-lhe dos dedos e caiu lá em baixo. Então, Tony fincou o joelho no estômago do ajudante do «sheriff» e arrojou-o para longe. Levantaram-se os dois ao mesmo tempo, respirando ofegantes. Tony não podia dar oportunidade ao seu rival para sacar o outro revólver. Deu-lhe um soco no estômago.

Ronald uivou de dor e dobrou-se, mas ao mesmo tempo que o fazia disparou uma esquerda que atingiu Tony nos lábios.

Trevor cambaleou e esteve a ponto de cair, mas fazendo um esforço sobre-humano saltou para a frente. Entraram novamente em contacto e continuaram a golpearem-se. Os seus punhos sulcavam o ar e por vezes encontravam no caminho os alvos a que eram dirigidos.

Ao chegarem ao esgotamento, os seus movimentos começaram a ser lentos e cada um punha nos seus punhos o resto de energias, procurando pôr fora de combate o seu inimigo.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

CLT017.12 Caçada fora de El Paso

Tony Trevor baixou a mão até ao coldre, mas 'lesse momento a voz de Ronald ameaçou:

— Um movimento mais com essa mão e aperto o gatilho, Trevor.

O jovem ficou quieto.

— Separa-te dela.

Lídia tentou detê-lo a seu lado, mas Tony desviou-se e recuou dois passos.

— Que vais fazer, Ronald? — perguntou Lídia.

O ajudante do «sheriff» de Pau Verde desatou a rir outra vez e fechou a porta nas suas costas com um forte empurrão.

— Trevor é um fugitivo da Lei... E nas presentes circunstâncias, posso meter-lhe uma bala no coração sem nenhuma responsabilidade.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

CLT017.11. Como uma rês marcada

Tony Trevor acabou de contar a Lídia Howells os últimos acontecimentos passados no «Hotel Bom Samaritano». A jovem deu um suspiro e comentou:

— É uma lástima. Jackson teria demonstrado a sua inocência.

— O mesmo posso conseguir com Murray.

— Mas a estas horas ele deve estar muito longe de El Paso.

— Não creio.

Lídia surpreendeu-se.

— Porquê? Que razões tem para pensar que Murray não foge daqui depois do ocorrido?

— Existe uma coisa importante: A morte de Jackson.

— Não o compreendo.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

CLT017.10. A testemunha perdida

 — Olhe quais são os meus procedimentos, senhor Trevor — os olhos de Jackson eram tão brilhantes como os de uma raposa. — Não tive nenhum ataque de tosse. Os meus pulmões são ótimos. Só o queria surpreender.

— E conseguiu. 

O rosto de Jackson endureceu.

— Porque veio a El Paso?

— Escapei de uma cela quatro horas antes de ser enforcado.

— E possível? — disse Jackson com a cara mais ingénua.

— Sim, Jackson.

— Que foi que fez em Pau Verde? Roubou o banco? Ou raptou a filha de algum rico cidadão? Ou levou a coleta da igreja episcopal?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

CLT017.09. Uma cantora providencial

Tony Trevor e Peter Morrow penetraram em «A Estrela de Prata», em El Paso. Era o décimo estabelecimento que visitavam naquela manhã. Até agora não tinham obtido o mínimo resultado. Tony havia perguntado a umas vinte pessoas, mas nenhuma delas lhe soube dizer nada dos dois indivíduos por quem se interessavam.

Havia deixado Lídia Howells descansando no quarto do Hotel República.

Pediram dois copos de «whisky». Depois de beber um trago, Tony comentou, enquanto deitava o chapéu para trás:

— Este assunto põe-se feio... Julgava que esses tipos se encontrariam aqui.

— Bem, será questão de termos paciência. Roma não se conquistou num dia.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

CLT017.08. Um revólver sob a saia

 — Boa noite, «sheriff» — saudou Lídia.

Sobreveio outra pausa e em seguida ouviu-se a voz de Ronald.

— Procuras-me, Lídia?

— Não. Não vim procurar-te. Só quero falar com o preso.

— Com o preso? — a voz de Ronald estalou como um chicote. — Para quê?

— É um assunto meu — respondeu a jovem.

— Proíbo-te, Lídia! — gritou Ronald furioso.

— Não és tu precisamente quem o pode fazer. Permite-me você, «sheriff»?

Smilles soltou um grunhido. Decorreram uns segundos, e, finalmente, respondeu:

— Está bem, pequena. Vamos lá.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

CLT017.07. A última esperança reside numa mulher apaixonada

 Peter fez uma careta de estupefação.

— A própria noiva do morto?... Por cinquenta mil garrafas de «whisky»! Se foi ela precisamente quem teve a culpa de te apanharem em sua casa!... Que classe de loucura é essa?

— Escuta, Peter. Tu sairás daqui esta noite à meia-noite. Restam-me ainda seis horas. E quando I ousares os pés na rua, vais direito a casa de Lídia Howells e contas-lhe as minhas suspeitas.

— Dirá que sonhaste.

— Lídia conhece perfeitamente os sentimentos de Ronald Donovan a seu respeito. Quem sabe, talvez julgue interessante a minha ideia. E a minha última oportunidade.

— Nunca ouvi maior disparate em toda a minha vida. Como vai ela prestar-se para uma coisa dessas? Teria de entrar no escritório com um revólver escondido debaixo da roupa, surpreender Smilles e Luke, apanhar as chaves e abrir-te a porta. Como vai ela fazer isso, quando se trata precisamente do homem que está condenado por ter matado o seu futuro marido?... Oh, não!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

CLT017.06. Condenado à forca

 — Levante-se o acusado para ouvir a sentença do Júri— disse o juiz Arthur Frinch.

Tony Trevor pôs-se de pé. O escrivão do tribunal aproximou-se do estrado do Júri e recolheu do presidente um papel dobrado, que entregou ao juiz. Este desdobrou o papel e leu o conteúdo do mesmo por cima dos óculos. Em seguida, anunciou:

— Os doze homens que constituem o Júri declaram culpado o réu.

Houve uma ligeira agitação na sala e o juiz deu duas marteladas na mesa.

— Silêncio ou ordeno que a sala seja evacuada.

Quando os rumores se extinguiram Frinch olhou para Tony Trevor e disse:

— De acordo com as leis deste Estado, eu te condeno, Anthony Trevor, a ser pendurado numa árvore e enforcado até que o teu corpo exale o último suspiro. A sentença será levada a cabo no próximo dia catorze às seis horas da manhã. Está encerrada a sessão.

domingo, 29 de janeiro de 2023

CLT017.05. Uma noiva desesperada e armada

Tony Trevor sentiu um calafrio pela espinha. Fechou a porta que tinha na sua frente e voltou a cabeça enquanto levantava a pistola um pouco. A voz dela soou outra vez forte e seca:

— Tem dois segundos para deixar cair a arma no chão!... Um!...

Tony abriu a mão e o «Colt» caiu no chão.

— Muito bem — disse Lídia. — Agora volte-se.

Tony girou sobre os calcanhares e contemplou a outra parede do quarto. Os olhos de Lídia relampeavam de ira e o seu peito agitava-se. Por cima da sua cabeça, pregada á parede, havia uma vitrine. Nesta notava-se o sítio onde tinha sido tirado o revólver que a jovem lhe apontava.

— Que se passa, senhora? — disse Tony. — Não compreendo a sua atitude.

Ela abanou a cabeça e sorriu sem vontade.

sábado, 28 de janeiro de 2023

CLT017.04. Um javali acossado por cães

Tony Trevor deu conta perfeita da sua situação. Antes de cinco minutos encontrar-se-ia encurralado.

Enquanto corria junto à parede de uma casa, olhou até ao fundo da rua, pedindo ao céu que houvesse ali um cavalo, mas não teve sorte. A rua estava deserta.

Podia travar uma luta de morte com os seus revólveres, mas, que ganhava com isso? Mataria meia dúzia de homens e em seguida... se não sucumbisse também na luta, não havia poder divino nem humano que o livrasse da forca.

Mordeu o lábio inferior até fazer sangue.

Nesse momento viu uma janela aberta. Foi algo instintivo. Não se deteve a pensar. Passou uma perna para o outro lado e logo a outra, deslizando silenciosamente para o interior.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

CLT017.03. Fuga frustrada

Soou um estampido.

Ronald soltou um grito e deixou cair a arma. Em seguida Tony deu um salto para trás enquanto movia o revólver em forma de leque.

— Quietos, todos!... Todo aquele que se mover leva um tiro!

A sua mão direita não ficou parada. Puxou a pistola .do mesmo lado. Luke largou o revólver antes de Tony acabar o seu aviso.

Carrol mostrou-se mais teimoso, mas ao ver o olhar frio do forasteiro, estendeu o braço e encostou a espingarda a uma cadeira. Somente Smilles conservava a sua pistola, mas continuava a apontar para o chão.

Na janela não se via ninguém. Aquela parte da rua havia ficado deserta ao dar-se o disparo.

Ronald agarrou na mão esquerda e soltou uma ameaça:

— Maldito!... Hás-de pagar isto caro!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

CLT017.02. Uma sela suja de sangue seco

Trevor ficou com a mão no ar, e o dinheiro entre os dedos, e voltou os olhos observando o revólver que o «sheriff» apontava.

— Que se passa? — inquiriu com surpresa.

— E você que vai responder a umas perguntas. E sou eu quem as vai fazer.

— Que mosca lhe mordeu?

Trevor começou a baixar o braço. Ronald e Luke avançaram cada um empunhando um revólver.

— Cuidado, Trevor! — advertiu-o Smilles. — E possível que chegue a tocar num dos seus revólveres, mas antes que possa apertar o gatilho o seu corpo ficará crivado de balas.

O jovem observou os três negros canos, que convergiam para o seu corpo e sacudiu a cabeça.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

CLT017.01 A chegada de um homem enerva as autoridades da pacífica Pau Verde

Tim Farr varria, pela terceira vez, naquela manhã o passeio fronteiro à barbearia. Era o trabalho que menos gostava, mas o seu patrão, Carrol Larsen, não podia vê-lo parado ou sentado numa cadeira esperando um cliente e Tim agora resmungava baixo parque o tinham mandado para a rua precisamente quando tinha mais interesse em estar lá dentro.

Gostava de falar com o «sheriff» Smilles, e era o representante da Lei a quem nesse momento o seu patrão estava fazendo a barba.

Tim tinha só dezasseis anos. Não gostava da sua profissão e Deus sabia bem que estava ali à força. Sua mãe era muito amiga de Carrol e aquele velho rabugento, necessitando de um empregado, conseguira convencer a velhota para ter a sua colaboração. E, tudo por dois dólares por semana! Maldita sorte! Que raio de justiça havia na terra! Carrol enganava-se ao pensar que ele aguentaria muito tempo aquele negócio.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

CLT017. É altura de conhecer «Um para a forca»

 

Um homem de honestidade inquestionável, excelente no manejo de armas, que gozava das simpatias da população de Pau Verde, uma pequena aldeia perto de El Paso, e que exercia funções financeiras na Anaconda Company, desapareceu sem deixar rasto.

Depois de buscas infrutíferas, foi com enorme surpresa que os habitantes da aldeia viram chegar um forasteiro montando o seu cavalo o qual, ainda por cima, ostentava manchas de sangue na sela.

Tanto bastou para o considerarem culpado do desaparecimento do conterrâneo e tentarem apanhá-lo para o julgar por assassínio o que indubitavelmente o conduziria à forca. Mas, apesar das suas tentativas, o presumido homicida escapou com estranha cumplicidade e tudo fez para não ser «Um para a forca».

Eis um livro interessante de Keith Luger apesar de muito centrado nos duelos da personagem central para escapar aos esforços das autoridades e dos populares que o perseguiam. A presença de uma jovem muito bonita que mais tarde se soube ser a noiva do desaparecido dá indubitável sabor à novela. Por outro lado, é algo estranho o início do livro concentrando a atenção num miúdo, Tim Farr, que aspirava a ser ajudante de xerife e que parecia ir ter papel fulcral na história. A verdade é que não voltou a ser falado, mesmo quando o xerife Smilles entendeu mudar de ajudantes.

A tradução de Francisco Silva, não sendo confrangedora, faz-nos lembrar por vezes o português do Brasil.



Deixamos a imagem de algumas páginas deste livro onde podemos recordar os primeiros títulos da Coleção Colt e alguma publicidade a outras obras publicadas pela IBIS.

Na contracapa encontramos mais uma estrela (Virginia Mayo) da chuva de estrelas que então se divulgava amplamente nos livros da IBIS.