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terça-feira, 9 de maio de 2023

CLF054.15 Duelo às nove / Epílogo

A nervosa chamada à porta do quarto acabou com o plácido idílio que se estava desenrolando ali dentro. Rich Nelson levantou-se, enquanto Dixie arranjava o cabelo, perguntando:

— Quem bate?

— Sou... Morris, senhor Nelson. McCoy acaba de chegar...

Dixie respirou profundamente e pôs-se em pé de um salto. Nelson esboçou um sorriso pensativo.

— Obrigado. Espere-me lá em baixo.

Enquanto o nervoso hoteleiro obedecia, voltou-se para a rapariga, que o agarrou com força pela camisa.

— Chegou o momento...

— Sim. E já desesperava. Também os meus nervos se começavam a alterar. E tu como te sentes?

segunda-feira, 8 de maio de 2023

CLF054.14 O assassino do cantor chega a Dodge City

O comboio deteve-se na estação de Dodge às oito e nove minutos da tarde.

Escurecia.

«Killer» McCoy desceu primeiro e relanceou o olhar à sua volta, receoso, perspicaz. Abott e Gaskell seguiram-no em idêntica atitude.

— Isto está muito tranquilo...

— Demasiado. Não me agrada nada. E não vejo Lawson, nem ninguém a esperar-nos. Eh, Browne, vem cá!

O empregado da estação, que tinha saído a entregar o correio ao chefe do comboio, ficou conversando com ele, e o maquinista, olhando para os três, despediu-se dos outros e acercou-se com passo lento.

domingo, 7 de maio de 2023

CLF054.13 Cantar enquanto se espera pelo assassino

Umas horas mais tarde encontraram Raines, quando as primeiras raparigas e os primeiros criados desceram ao local.

Lawson, avisado imediatamente do que ocorrera, apresentou-se de mau humor na companhia do seu ajudante.

— Por onde andam Rhodes, Winckel e Smithers?

Ninguém o sabia. E uma minuciosa investigação levou-os a descobrir que os três tinham picado esporas nas suas cavalgaduras antes do nascer do sol.

— Para mim a coisa é bem clara — disse o «sheriff» ao seu ajudante — Raines não quis deixar passar uma oportunidade de dar um desgosto a Nelson, para se convencer da sua invulnerabilidade. Mandou os seus guarda-costas liquidá-lo. A seguir, quando descobriu que a coisa tinha falhado, o medo apoderou-se dos três tipos. Discutiram, apunhalaram-no, roubaram o cofre e escaparam-se todos ao mesmo tempo. Bem, isso satisfaz-me...

— Satisfaz-te? Não te compreendo...

sábado, 6 de maio de 2023

CLF054.12 Como receber o pagamento apesar de não ter morto o espectro

Lawson ficou a olhar, incrédulo, para Julie Anderson.

A arriscada rapariga do «saloon» encontrava-se encolhida a um canto do quarto, com o rosto desfigurado e o olhar alucinado. Mas, além disso, o cabelo, até então ruivo, tinha-se tornado branco, quase por completo. Parecia que tinham passado por ela vinte e cinco ou trinta anos...

O aspeto de Molly Pitcher também era pouco melhor. Quanto aos dois guarda-costas de Raines, estavam bastante nervosos e a fumar.

Depois de um breve momento de silêncio bastante tenso, o «sheriff» fez a primeira pergunta em tom compassivo.

— Como vai isso, Julie?

Ela olhou-o como se o não visse. Tremiam-lhe os membros, e balbuciou com voz rouca, fraca:

— Não... Não é um ser de carne e osso, como nós... É um fantasma!

sexta-feira, 5 de maio de 2023

CLF054.11 Truques que ajudam a salvar vidas

Depois de ter assustado de tal maneira todas as pessoas, Rich Nelson regressou com toda a calma ao hotel, cumprimentou o evidentemente assustado empregado e subiu as escadas, assobiando uma canção. Uma vez no corredor, chegou à porta do quarto de Dixie e bateu.

— Ainda estás acordada, Dixie?

— Sim. Um momento.

Trinta segundos mais tarde abriu-se a porta. A jovem não se tinha despido e olhou-o apreensiva.

— Que aconteceu? Pareceu-me ouvir um tiro...

— Importas-te que entre?

Dixie vacilou uns segundos. A seguir afastou-se para o lado.

— Entre.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

CLF054.10 Dodge City em pânico por causa de um morto

Os homens que entraram no cárcere para averiguar o que Nelson tinha feito ao «sheriff» e ao seu ajudante, tiveram uma surpresa muito maior do que se os tivessem encontrado mortos. Como a cela estava fechada, não havia maneira de se aproximarem dos dois homens inconscientes; só lhes restava esperar, fazendo conjeturas acerca do que poderia acontecer.

O primeiro a recuperar os sentidos foi o «sheriff». Abriu os olhos, sentindo uma forte dor de cabeça, e ficou a olhar incredulamente, primeiro para as pessoas que se encontravam no vestíbulo, e, a seguir, para as mãos que estavam algemadas.

— Que raio aconteceu? — grunhiu —. Quem foi o miserável?...

A meio da pergunta deteve-se, recordando os factos da noite anterior. Com o olhar procurou Nelson... No entanto, não pronunciou o seu nome.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

CLF054.09 O desafio do espectro chega ao seu assassino

«Kyller» McCoy encontrava-se naquele momento a bastante distância de Dodge, dedicado à importantíssima tarefa de reunir um pequeno e eficiente grupo de valentes que, às suas ordens, se dedicariam durante o Verão a assaltar as pequenas bagagens dos viajantes, as pequenas equipas de ganadeiros do Texas e os vaqueiros que, embriagados de licor e diversões, deambulavam sozinhos por Dodge durante a noite.

No Verão anterior, tais atividades tinham produzido a «Killer» suficiente dinheiro para levar uma vida de rei, manter abastadamente a sua amante oficial e alguma outra que não o fosse, e ainda guardar algum dinheiro. Tinha passado o Inverno fazendo formosos planos e, agora, falava com o que fazia de seu lugar-tenente, um tal Chuck Abbot, pessoa de absoluta confiança.

terça-feira, 2 de maio de 2023

CLF054.08 O espectro adormece o xerife e beija uma mulher

As pessoas que estavam a beber e a conversar ficaram sem palavras quando a guitarra lançou para o ar os seus acordes. Continuavam assim ainda, quando Rich Nelson abandonou o hotel e saiu para a rua.

Front Street possuía ainda aquela ruidosa e violenta animação que a tornara famosa. Mas já os múltiplos «saloons» começavam a despovoar-se, não faltando luzes e animação pelas ruas.

Nelson encostou-se a um dos salientes edifícios e começou a tocar. Pelo canto do olho, viu o «sheriff» aproximar-se, caminhando apressadamente...

O representante da Lei deteve-se um pouco atrás, com uma das mãos no cinto e a outra levantada, sustendo um cigarro já em meio, à altura do queixo.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

CLF054.07 O beijo do espectro

Quando entraram na rua principal, viram-na cheia de gente. E na altura todos os olhares se fixaram nos dois. Mas foi significativo o facto de as pessoas se irem encostando à parede, no meio de um silêncio sepulcral, que nas suas costas se tomava num murmúrio de conversações.

Nelson caminhava erguido, sorridente, alerta. A seu lado, Dixie, caminhava de rosto erguido e um olhar desafiante. Para ela a situação tinha um sabor diferente...

Chegaram ao hotel sem novidade. Havia vários homens no vestíbulo que deixaram de conversar quando eles entraram. O hoteleiro, nervoso, respondeu ao seu cumprimento com um grunhido. E ao estender-lhe a chave, respondeu, sem olhar de frente para Nelson:

— Oiça, Nelson: não o leve a mal, mas... gostaria que procurassem outro alojamento.

domingo, 30 de abril de 2023

CLF054.06 O segredo do espectro

Nelson e o «sheriff» encontraram um grupo de pessoas alteradas quando chegaram ao vestíbulo. Mas não houve ninguém que levantasse a voz, nem sequer para fazer uma pergunta. Limitaram-se a afastar-se, olhando para Nelson com apreensão...

Uma vez na rua — naquela altura também cheia de gente que fazia saborosos comentários acerca de uma notícia tão extraordinária e que deixaram de o fazer para os olhar com curiosidade —Nelson indicou ao «sheriff» com um gesto irónico:

— Vamos, «sheriff».

— Você à frente.

— Os dois lado a lado. Não gosto de ter às minhas costas gente de pouca confiança.

sábado, 29 de abril de 2023

CLF054.05 O espectro dispara sobre dois homens

Carregado com o embrulho de roupas femininas, Nelson deixou o armazém onde ficava uma mulher no chão, desmaiada e outra não deixava de gritar, enquanto o pai, também nervoso, tratava de a acalmar, encaminhando-se de regresso ao hotel.

Não deixou de observar que o ambiente de Front Street tinha mudado. Uma mulher, nervosa, relatava em grandes gestos o sucedido, a um grupo de pessoas, um pouco mais abaixo. E, ao vê-lo aparecer, calou-se, ficando todos a olhá-lo como se fosse o diabo em pessoa.

Havia no grupo quatro homens. Dois deles pareceram pegar nas armas. Nelson, com a maior tranquilidade, passou o embrulho para debaixo do braço esquerdo, sem abrandar o passo. As duas mulheres recuaram, encostando-se à parede, assustadas. Os outros dois homens fizeram o mesmo. Os outros, de semblante carregado, agressivos, apertaram o passo. Um deles interpelou-o:

— De modo que anda a brincar, assustando mulheres com contos de fantasmas, forasteiro?

sexta-feira, 28 de abril de 2023

CLF054.04 A aparição faz desmaiar várias mulheres

Em fins de Abril, Dodge era ainda uma povoação tranquila. Os rebanhos procedentes do Texas encontravam-se muito longe, próximo do rio Rojo. E os aventureiros de toda a espécie começavam a desesperar-se, preparando-se para os grandes dias de Verão.

Quando Rich Nelson e Dixie Winters entraram em Front Street era perto do meio-dia. Três ou quatro vaqueiros e uma dúzia de cavalos encontravam-se junto do passeio. Um cavaleiro entrava preguiçosamente pelo outro lado da rua. Oito ou dez homens conversavam nos passeios e uma ou outra mulher caminhava por eles.

Coisa curiosa: não se via nenhum rapaz. E era porque Dodge ainda não estava em condições para que as crianças pudessem ir para a rua brincar.

quinta-feira, 27 de abril de 2023

CLF054.03 Ambos tinham um destino

O relincho de um cavalo despertou Dixie, obrigando-a a erguer o olhar, sobressaltada. O dia era já bastante claro, ainda que faltasse muito para nascer o Sol. A fogueira começava a apagar-se e o texano, de cócoras junto dela, tentava reacendê-la. Adivinhou o seu movimento e olhou para ela, cumprimentando-a alegremente:

— Olá, Dixie! Dormiste bem?

Apoiando-se num cotovelo, Dixie contemplou-o com interesse. À tosca claridade do dia, certificou-se da sua impressão do dia anterior. Era um homem bastante simpático e que não devia ter ainda trinta anos. Por seu lado, ele olhava-a com tanta firmeza, que com um gesto instintivo levou uma mão ao peito, baixando-a rapidamente ao compreender o significado da mesma, deitando-se de novo, enquanto respondia:

quarta-feira, 26 de abril de 2023

CLF054.02 Encontro na pradaria

Dixie Winters era uma missuriana de pura cepa. Com isto está tudo dito. O seu irmão mais velho tinha morrido em combate com as tropas de Longstreet e o seu pai e irmão mais novo lutaram também, enquanto ela — naquele tempo uma menina de poucos anos — ajudava a sua mãe e a sua irmã mais velha, na herdade.

A seguir, com o triunfo dos nortistas, as coisas puseram-se mal para muita gente do Missouri, e entre essa gente estavam os Winters.

Viram-se forçados a emigrar assim que, o jovem Dan deu um tiro a certo indivíduo bem considerado pelos vencedores, e, acto contínuo, escapou para juntar-se à banda dos Younger.

A própria Dixie, com escassos onze anos, teve certo dia de ser testemunha da brutalidade vergonhosa de uns homens que desonraram o seu uniforme ofendendo a sua irmã mais velha. Oito dias mais tarde, o seu pai e o seu irmão, emboscados juntamente com uns amigos, deram a morte a dois daqueles homens, capturaram ferido um terceiro e penduraram-no no ramo de uma árvore. Depois daquilo só lhes restava um caminho: a densa espessura das terras semisselvagens do noroeste do Missouri, refúgio de tantos e tantos sulistas fugitivos...

terça-feira, 25 de abril de 2023

CLF054.01 Oh! Não me enterrem na pradaria solitária…

Tinha um sorriso nos lábios quando saiu do «Fancy Saloon» para se encontrar com o famoso «Killer» McCoy, na não menos famosa Front Street de Dodge City, a violenta cidade onde a vida humana valia muito menos que o chumbo com que se arrebatava. Um sorriso fanfarrão e confiante...

Aquele sorriso continuava ainda nos seus lábios quando o recolheram do poeirento e ensanguentado centro da rua para o levarem para a casa mortuária no meio de um silêncio sepulcral, enquanto McCoy, com um duro gesto nos lábios cruéis, rodeado dos seus amigalhotes e da inevitável chusma de aduladores, entrava no «Fancy» para beber em homenagem à sua nova vitória.

Enterraram-no na «Boot Hill», sem outro acompanhamento de que meia dúzia de vaqueiros texanos, pertencentes ao grupo de que ele tinha tomado parte, conduzindo um rebanho ao largo da Senda de Chisholm.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

CLF054.00 Quem assassinou «O Cantor do Texas»?

O volume nº 54 da Coleção Califórnia é uma obra de Cliff Bradley com o título «O cantor do Texas». Podia pensar-se que se trata de uma obra onde a canção e a paisagem detêm um papel principal, mas a verdade é que ela é portadora de uma carga dramática assinalável como pode adivinhar-se a partir dos três parágrafos que seguem.

Eram dois homens exatamente iguais. As mesmas feições, o mesmo sorriso, a mesma destreza no disparo, a mesma capacidade para dedilhar uma viola. 

Um dia separaram-se e foram percorrer o Oeste. Um deles envolveu-se com uma rapariga que era «pertença» de um perigoso pistoleiro. 

No duelo daí decorrente, a arma encravou-se na funda, foi abatido e enterrado no cemitério de Dodge City

.

Breve, o outro soube do que se tinha passado e, seis meses depois, ali chegou para vingar a morte do irmão, semeando o pânico entre a população que julgou estar perante um fantasma quando a sua voz, acompanhada da viola, cantava versos que pareciam fazer recordar o que se passara.

Na sua companhia, seguiu uma jovem desprotegida de insuperável beleza, gerando-se um romance que atingiu o ponto culminante bem antes de a novela terminar.

Resta dizer que este texto de Cleff Bradley exibe muitas das qualidades deste autor, embora não se consiga libertar de algumas aleivosias reacionárias e racistas e, por outro lado, não seja dotado de uma tradução brilhante. Mas contém algumas passagens bem divertidas devido à atuação do espectro e outras de romantismo acentuado.

Vamos proceder à sua publicação…