
Larry atravessava um momento de terrível tensão nervosa.
Podia fazer quantas hipóteses quisesse sobre o possível procedimento de
Crackett seguindo a lógica, mas quem é capaz de adivinhar ao certo os impulsos
de um homem? Também de um momento para o outro poderia surgir do «Colt» do
humilhado pistoleiro uma chuva de balas como definitiva expressão do seu ódio
mortal.
Larry seguia cozido com as paredes das casas, embora
procurasse aparentar naturalidade. Não ouvia sinal algum que lhe indicasse que
era seguido. Chegara ao fim da rua. Para se dirigir ao hotel tinha de
atravessar uma praça deserta.
Deitou fora o cigarro.
Os segundos eram
longos como séculos. Frente a frente era um lutador com suficiente confiança em
sipróprio para demonstrar a sua têmpera de aço, mas, ante o perigo
desconhecido, na iminência de um ataque traiçoeiro, a respiração tornava-se-lhe
agitada. Principiava a considerar quanto seria estúpido morrer às mãos de
Crackett, a quem tinha ensinado como um homem deve lutar. Estaria a esperá-lo
ou seguia-o à distância?
«Lobo cobarde!» - murmurou.
O local não podia ser mais solitário. Nenhum melhor que
aquele para ser levado a cabo o plano que atribuía a Crackett. Colou-se com a
parede. Esperaria ali, a pé firme. A sorte estava lançada.
De súbito, pareceu-lhe ver uma sombra. Mal a distinguira
logo viu brilhar um clarão. Perante a simples suspeita, Larry lançou-se
rapidamente para o solo e mais rápido ainda disparou para o fulgor avermelhado
que já apenas existia na sua imaginação. Fora seguido. O ataque era efetuado
pelas costas, agora milagrosamente salvas pela parede de uma casa em construção
que o cobria. Sentiu o chiar de uma bala que se alojava perto do seu corpo. Uma
nova detonação e depressa se originou um verdadeiro tiroteio.
Um grito soou na noite, um grito de dor e agonia. Larry
acertara na alvo.
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