segunda-feira, 16 de julho de 2018

ARZ166.06 Nirva corre perigo

— Não sei do que estão a falar — replicou o dono da taberna, do outro lado do balcão.
Era Samuel quem interrogava, enquanto Johnny se mantinha na expectativa, observando todos os cantos do local.
-- Talvez precises que te refresque a memória, Brown... Estamos a falar de três tipos que, sem alimentos, já teriam morrido.
— Repito que não sei nada. Sou comerciante.
Sam, inesperadamente, estendeu os braços por cima do balcão e sujeitou o outro pela camisa, atraindo-o, a si e demonstrando, uma vez mais, todo o seu vigor e fortaleza física ainda na plenitude.
— Com quem diabos julgas que estás a falar?
— Larga-me, Sam!
Bem longe de lhe obedecer, Sam puxou-o por cima do balcão, levando Brown a atirar ao chão, e a partir, uns copos e uma garrafa de uísque.
Um tipo, de arma em punho, saiu de um dos cantos da taberna. Johnny deu-se conta do facto e, acto contínuo, disparou o revólver. O desprevenido sujeito viu como a arma se lhe escapava das mãos e, então, procurou a ajuda de um banco, que agarrou e arremessou, violentamente.

domingo, 15 de julho de 2018

ARZ166.05 Ouro... maldito ouro

Era um tipo franzino e com muito mau aspeto, que tinha uma pequena cabana no povoado de Shangow, a uma centena de milhas de Chattahoochee.
Chamava-se Fergusson e eram muitos os que acudiam a ele. Não o faziam por gosto, claro, mas sim por necessidade. Fergusson era como uma espécie de usurário e fora à custa da infelicidade dos outros que amealhara uma razoável fortuna.
Apesar da sua sovinice, ultimamente vinha gastando mais do que o usual na taberna do povoado, um tugúrio muito igual ao que Brown explorava na cidade vizinha.
Inclusive, muitas pessoas o tinham visto bêbedo, o que não era nada normal, já que Fergusson costumava beber
em casa e das garrafas que comprava a qualquer vendedor ambulante por lhe ficarem mais baratas. As consequências das suas bebedeiras não se fizeram esperar. Alguém lhe desatou a língua com a maior facilidade.
— Encontraste algum tesouro, velho avarento ?

sábado, 14 de julho de 2018

ARZ166.04 A taberna dos planos sinistros

Brown era homem de poucos escrúpulos. Nunca se conseguira provar nada contra ele, mas mais de um perdera as suas peles na taberna que possuía nos arredo-res da cidade. Vendia as peles que os caçadores lhe levavam e que ele pagava por baixo preço. Outras vezes, as peles nada lhe custavam, já que, ajudado por um pequeno grupo de indesejáveis, recuperava o dinheiro depois de embebedar o incauto vendedor.
Além dessas façanhas, que nada o abonavam, organi-zava partidas de dados ou de cartas com os «espertos» que nunca lhe faltavam. A sua taberna, no entanto, era bastante concorrida, porque constituía a única diversão de uns quantos homens que trabalhavam do nascer do dia até noite cerrada, labu-tando nas terras onde haviam fundado os seus lares.
Larry era um velho conhecido de Brown e sabia que poderia tratar com ele. Assim, algumas noites mais tarde, quando já se dava por perdida a pista dos três facínoras, o próprio Larry, aproveitando-se da escuridão, chegou até às traseiras da taberna.
Bateu, discretamente, à porta e foi-lhe franqueada a entrada por uma rapariga que usava um provocante vestido e que, pelos seus gestos e maneira de se apresenta denotava a classe a que pertencia.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

ARZ166.03 Romance interrompido por conversa preocupante


 


Chattahoochee, mil oitocentos e vinte e quatro.

Dezasseis anos haviam decorrido desde que «Cabeça de Alce» quase provocara uma nova guerra entre os brancos e o povo «cherokee». Johnny ,entretanto, convertera-se num mocetão, hábil caçador, forte com os punhos e certeiro com os ainda rudimentares revólveres.
Depois de alguns anos de ausência, Sam Erikman decidira ficar, definitivamente, em Chattahoochee. O que antes não passava de uma simples cabana, onde ele e o filho estavam algum tempo todos os anos, trans-formara-se numa pequena granja. E ainda que o forte caçador, a quem os anos pareciam não pesar — contava, à altura, quarenta e sete — conser-vasse o seu antigo vigor, pensou que vinha sendo tempo de assentar em algum lugar, abandonando aquela vida de nómada.
Por outro lado, Johnny, com vinte e seis anos, já tinha idade suficiente para ir pensando em fixar-se num sitio determinado e fora ele, precisamente, quem escolhera Chattahoochee para viverem. Sam conhecia, de sobra, os motivos daquela escolha. Os encantadores motivos que tanto fascinavam o filho.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

ARZ166.02 A derrota de «Cabeça de Alce»

Johnny insistia em acompanhar o pai.
—Nunca nos separámos e eu não tenho medo de «Cabeça de Alce» — disse, com a sua voz infantil.
Sam acabou por aceitar a companhia do filho. Na verdade, desde que a mãe morrera, raras vezes se afastara do garoto. Mais do que seu filho, Johnny convertera-se no seu melhor amigo. Tratava-o como a um homem e ensinara-lhe tudo o que um verdadeiro homem deveria saber. A garota ficou no acampamento, entregue aos cuidados da mulher de «Grande Trovão».
Entretanto... «Raposa Cinzenta», que se adiantara aos Erikman, aguardava-os numa rochosa colina. Via-os galopar pela planície e pensou que já não teria tempo de avisar «Cabeça de Alce». Por outro lado, se fizesse sinais de fumo, seriam vistos não só do acampamento mas também pelos Erikman. Por isso, chegou à conclusão de que o melhor seria deter a marcha dos dois cavaleiros. E, se possível, detê-la para sempre.
Com a ajuda de um pau, começou a remover uma enorme pedra, com a intenção de bloquear o caminho.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

ARZ166.01 Ataque à caravana

Nos princípios do século XIX, as montanhas Cherokees, da Geórgia, foram testemunhas de incontáveis guerras entre os índios e os colonos que acorriam a estabelecer-se no Oeste. Firmaram-se vários tratados de paz, sistematicamente quebrados quer por uma quer por outra das partes.
Um dos homens que mais fizeram pela sã convivência entre brancos e peles-vermelhas foi o caçador Samuel Erikman.
Sam perdera a sua jovem esposa e restava-lhe, apenas, o seu filho Johnny. O garoto crescera sem outra companhia que o pai e, aos dez anos, sabia quase tudo o que um bom caçador deve saber.
Acompanhava, frequentemente, o pai nas caçadas, ou quando ele guiava algumas das caravanas que se aventuravam pelo Oeste.
Alguns emigrantes, confiados no último tratado de paz, atreviam-se a atravessar, sozinhos, as montanhas. Mas, no entardecer de um dia do mês de Maio de 1808... «Cabeça de Alce», à frente de trinta guerreiros, observava a passagem de uma das muitas caravanas, pelo fim do desfiladeiro de Chattahoochee.
— Belos dez carros — murmurou.
«Raposa Cinzenta», envergando uma pele da mesma cor do animal que lhe dava o nome, assentiu:
— Será difícil surpreendê-los.
— Esperem até que eu dê o sinal— continuou o chefe daquele grupo de «cherokees» disposto ao ataque.

terça-feira, 10 de julho de 2018

ARZ166. «Cherokee"!

 
(Coleção Arizona, nº 166)
 
Afastada a influência de um índio rebelde, «Cabeça de Alce», que conduziu a nação «Cherokee» a alguns morticínio, Sam Elkman e o seu filho Johnny viviam em comunhão com os índios. Uma jovem adotada por estes na altura dos massacres era a paixão de Johnny.
Mas a descoberta de pepitas de ouro por alguns indivíduos sem escrúpulos foi a gota de água para esta paz ser quebrada.
Vic Logan faz-nos uma excelente narrativa deste conflito que aqui vamos reproduzir por inteiro.

ARZ165. O pistoleiro enigmático

(Coleção Arizona, nº 165). Capa e texto indisponíveis

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