Em cima da cómoda do quarto havia um velho relógio de madeira. Carmen olhava-o, continuamente. Em dado momento, depois de o mirar uma vez mais, deu um profundo suspiro. Juan Rode compreendeu. — Está na hora, não é verdade? Devem estar prestes a chegar ao cofre... Isso quer dizer que, dentro de alguns minutos, esse rapaz, Robert Joyce, e a família dele serão assassinados. Creio que, lá em casa, vivem ele, os pais e uma criada. Todos vão ser liquidados, Carmen.
— Cala-te! — suplicou a jovem, com voz alterada. —Não sabes o que dizes! Não vai acontecer nada!
— Não sejas cobarde, minha filha, e enfrenta a verdade. Jim Galluro odeia Bob e, além disso, não quererá deixar perigosas testemunhas do roubo. Conheço este «ofício», desgraçadamente. Não ficará ninguém vivo, para contar pormenores nem para descrever o aspeto dos assaltantes. Ë o que sempre se faz, nestes casos. Se um dia fossem apanhados, ninguém poderia afirmar, em tribunal, «foi este homem!». Galluro bem o sabe.
— Falas como um bandido, como um profissional do crime, pai!
— Sim, é verdade. Mas asseguro-te que jamais assassinei ninguém. Mesmo nesta vida, há várias categorias de pessoas. Tu sabes que Jim Galluro pertence à mais baixa. Viste, por acaso, como ele e os homens do seu bando assassinaram todos os passageiros da caravana em que ias e da qual só tu escapaste?
