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Quanta diferença existia entre o Teatro que ela imaginava e o que ele era na realidade!...
Mas não desanimava. Tinha fé no êxito e tudo o que não fosse isso para ela não tinha valor.
…
Ao agradecer os apausos, a jovem atriz descobriu Lester e não pôde reprimir um gesto que denotava grata surpresa. A partir daquele instante trabalhou para ele, dedicando-lhe todas as excelências da sua capacidade artística. Tinha ocasiões em que se transfigurava por completo.
O público parecia eletrizado. Nunca tinham visto Karin como naquela tarde.
As frases de uma romanza de amor, cheias de beleza e ternura, desassossegaram o rancheiro. A intérprete cantou-a sem o olhar, mas ele teve a certeza de que lhe era dirigida e uma série de estranhas emoções perturbou-o até ao ponto de esquecer o sítio em que se encontrava.
A voz doce, cálida, da linda rapariguita, era um sussurro acariciador, uma melodia inefável.
Rebentou uma ovação estrondosa. Karin olhou-o então, numa espécie de oferenda sem palavras e vendo-o aplaudir com entusiasmo agradeceu-lhe com um sorriso, enquanto os seus olhos se enchiam de pranto…
(Coleção Bisonte, nº 42)
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