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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

PAS125. Um xerife sem esperança

Amava-a. Amava-a da pior maneira que se pode amar: sem esperanças. Ele não passava dum pobre xerife com as mãos manchadas de sangue e um passado misterioso… Era pois muito melhor não acalentar esperanças impossíveis.
De repente, uns gritos atraíram a sua atenção. Não longe dele, alguém, uma mulher, gritava desesperadamente. Uma rapariga jovem e bonita cobria a cara com as mãos enquanto um cavaleiro forte e com ar de triunfo a sacudia por um braço. Outros dois cavaleiros, de aspeto o semelhante ao primeiro, contemplavam a cena, rindo rudemente.
Um deles, de revólver na mão, mantinha em respeito um grupo de pessoas que, impotentes, olhavam para o que se estava passando.
O do revólver ria, dizendo:
- Essa rapariga agrada-nos muito, vamos, pois, beijá-la. E que ninguém se oponha.
O que se agarrara à rapariga tentava com toda a força atraí-la a si enquanto dizia:
- Já te domino, minha menina.
De repente, um tiro soou acima das vozes e dos risos dos cavaleiros. O que sustinha o revólver viu a arma voltear e ir cair bem longe.
Os outros dois voltaram-se para ver quem ousava ataca-los. No meio da rua, via-se um homem alto e esbelto que os olhava friamente.
O que ficara desarmado e o seu companheiro soltaram um grito apavorado:
- Perry Latimer!
Sem acrescentar outra palavra deitaram a correr desaparecendo rua adiante, impulsionados por um terror sem nome.
Ficou o terceiro cavaleiro, que não pôde fugir logo por causa da rapariga que o atrapalhava. As suas feições tinham perdido o ar fanfarrão que até aí ostentavam. Pálido, compreendeu que estava diante do xerife e que não conseguiria fugir.
Largou a rapariga, tremendo de medo, e exclamou levantando apressadamente os braços:
- Não, Latimer, não me mate!
 
 
E agora? O que vai o xerife, desgostoso com a sua amada, fazer?
 

PAS124. Escudo humano

Os clientes da casa de jogo corriam por toda a sala, empurrando-se e derrubando-se uns aos outros, procurando um sítio onde esconder-se com segurança.
De repente, uma bailarina alta e elegante passou junto de Ferguson. Este agarrou-a por um braço, servindo-se dela como se fosse um escudo. Depois, gritou:
- Sai cá para fora, Latimer. Vem , se te atreves.
 O primeiro tiro, sem dúvida nenhuma, seria a rapariga que o receberia, dando-lhe assim tempo para abater Perry. Eram estes os cálculos do bandido.
A bailarina tremia, tentando livrar-se da garra com que o mundo lhe prendia o braço. Mas este meteu-lhe o revólver nas costas, imobilizando-a. As companheiras da rapariga gritaram aterrorizadas. Viam-na já morta, seria assassinada diante dos seus olhos..
 
E agora? Que acontecerá à pobre e bela bailarina? A resposta está em “Juiz da paz”…

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

PAS098. Um inferno de ciúme e ódio

A rapariga (Carmen Orozsco) pôs-se em pé de um salto. Subitamente, meteu a mão entre as saias e, ao tirá-la, estava armada com um pequeno revólver. No mesmo instante, Casey saltou para diante, agarrando-lhe o braço e torcendo-o sem contemplações. Com um grito de dor a rapariga soltou a arma. Casey segurou-lhe os braços atrás das costas, apertando-a contra o seu peito.
- É assim que me pagas? Não me obrigues a ser duro contigo depois de ter querido fazer-te um favor.
- Larga-me! Não acredito! Já sei que és um”Rural”! Queres desfzer-te dele e julgaste que o conseguirias por meu intermédio, mas enganaste-te. Conter-lhe-ei tudo e ele matar-te-á.
- E depois mata-te a ti, se não o fizer primeiro. Ouve e não sejas estúpida.
Foi falando lentamente e, pouco a pouco, a rapariga foi cedendo. Quando ele terminou, soltando-a, ficou meio atontada.
- Tudo o que te disse, se ainda tens alguma dúvida, podes comprová-lo facilmente.
Nos olhos dela brilhava agora um inferno de ciúme e ódio.
 
(Coleção Bisonte, nº 30)

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

PAS071. Nova esperança

Deanne sentia-se agora aliviada. Larry estava vivo. Conseguira falar-lhe e conhecia agora as suas verdadeiras intenções. Que mais podia pedir à vida? Já lhe fora concedida a paz… Esqueceu todos os seus antigos ressentimentos e os pesares da sua primeira juventude. Todos os seus desenganos passaram a ser uma longínqua recordação. A intensidade das horas vividas ultimamente havia feito dela uma outra mulher, cheia de esperanças como outrora, quando acreditava que a vida era um sonho cor de rosa.
 
A seguir: Coleção Búfalo nº 26

terça-feira, 10 de setembro de 2013

PAS070. O remorso de Deanne


Deanne ia tão absorta nos seus pensamentos que nem sequer reparara na impressão que estava causando. É que, no seu espírito, se tratava uma batalha descomunal. Se na verdade se tinha imposto a si mesma uma conduta de certo modo inteligente, afastando por vezes os seus generosos impulsos, não lhe saia do pensamento o rosto de Larry assim como a sua crítica situação.
«Não quero que morra» - foi o pensamento que lhe cruzou a mente num segundo, fazendo-a estremecer.
«Não queres que morra e fugiste?» - interrogava a voz da consciência.
Mas de novo voltava a pensar: «Não sejas tonta, Deanne, foge da fogueira. Todos os homens leem pela mesma cartilha. O outro, Frank, Larry… todos».
Entretanto, a diligência prosseguia o seu caminho.
 
A seguir: Nova esperança

PAS069. A fuga

Os quinze minutos decorriam lentamente. Deanne sentia-se angustiada. Se a sua fuga fosse descoberta, expor-se-ia a sérias represálias. Frank Stern, apesar dos modos de cavalheiro que sabia utilizar quando era preciso, não conseguiria nunca iludi-la. Era um sádico, um homem perverso que se sentia bem impondo a sua lei terrorífica aos outros, oferecendo sempre a morte a quem o não secundava nos seus planos ou desejos.
Que teria acontecido a Larry? Novamente o seu pensamento se deteve na recordação daquele bravo moço condenado a desaparecer obscuramente com o corpo trespassado por balas mercenárias. Mas que poderia ela fazer? Mordeu os lábios, nervosa. Quando partiria aquela maldita diligência?
Chegou enfim o momento. Deitou um último olhar à cidade, já sentada no banco de duvidosa comodidade, partilhado por um velhote fumador de cachimbo e um «cowboy» magricela. Um suspiro profundo desafogou o seu perturbado coração.
Os cascos dos animais levantaram o pó da rua, estalaram os chicotes no ar, vibraram as vozes dos cocheiros e principiou a mover-se aquela pesada bisarma de rodas. Começara a viagem…
 
A seguir: O remorso de Deanne
 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

PAS054. Desenlace Fatal


Pum!
O tiro de espingarda pulverizou o vidro da janela e a pesada bala de chumbo incrustou-se nas costas da rapariga. Lou deixou escapar um gemido e cambaleou sobre as pernas. Estendeu os braços para a frente esperando encontrar qualquer coisa onde agarrar-se para não cair. Edgar, com os olhos muito abertos, precipitou-se para ela e agarrou-a:
- Lou!
A rapariga agarrou-se a ele. O oficial sulista tomou-a nos braços e saiu fora da linha de tiro, protegendo a jovem de novas balas.
- Cum…priu… a sua… amea…ça…
Edgar aconselhou:
-Não fales, Lou.
Ao mesmo tempo tirou o revólver e olhou da janela na direção de onde partira o tiro. Do outro lado da rua, um telhado de leve inclinação fora a plataforma ideal para a realização do atentado. Mas o assassino desaparecera, depois de fazer o seu único e mortífero tiro.
- Mor… ro… Edgar…
A bailarina agarrou-se ao pescoço do jovem. Byron sentiu uma profunda pena no seu peito e, transportando-a com o máximo cuidado, depô-la delicadamente num sofá.
- Não digas isso. Hás-de curar-te e voltarás a cantar e a bailar.
Ao mesmo tempo que falava dirigia-se para a porta para pedir auxílio, mas este já vinha personificado em Boulder, alarmado com aquele tiro.
- Não te vás embora, Edgar! – suplicou ela.
Da porta, o rapaz pediu ao dono do «saloon»:
- Procurem um médico! Lou foi ferida por uma «Winchester».
Boulder deu a ordem por sua vez a um dos empregados e acabou de subir as escadas. Edgar regressou para junto do sofá, onde Lou começava a delirar, no prelúdio do fatal desenlace.
- Se me salvasse… não queria… dançar. Viveria só… para ti… Porque tu… amas-me… não é verdade?
- Não fales, Lou, não fales.
- Eu também te… amo. Sabes porque… não saí… da cidade? Esperava… que voltasses… outra vez… Por isso… não fiz caso… do papel…
Pouco a pouco, a sua voz foi-se tornando mais fraca e as suas mãos mais frias. Os longos e delicados dedos de Lou que acariciavam as mãos duras do rapz, perderam a elasticidade e…
- Edgar…!
Endireitou-se e, com os olhos muito abertos, fitou a parede. Depois, num sussurro, rezou:
- Meu Deus, perdoa-me… arrependo-me… de todos os meus… pecados…
Os seus lábios continuaram a mexer-se durante um longo instante até que uma repentina tosse a fez estremecer. Um segundo depois, os seus belos olhos negros já não viam o que olhavam…



(Coleção Arizona, nº 19)

PAS053. A ameaça

Lou aproximou-se de uma cómoda e tirou da gaveta superior uma caixita de madeira perfumada, em forma de estojo.
 Abriu-a e tomou uma folha de papel dobrada ao meio.
- Não lhe liguei importância e até hoje não voltei a preocupar-me com ele. Tomei-o como uma brincadeira… embora não saiba quem poderia ter conhecimento que o ajudei. Eu vou lê-lo.
Aproximou-se da janela e puxou o cortinado para entrar mais luz. Depois, desdobrando o papel, começou a ler:









A seguir: Desenlace fatal

domingo, 18 de agosto de 2013

PAS052. Lou Belle









Empurrou o guarda-vento e entrou. Lou Belle exibia-se no palco e nem uma invasão de apaches seria capaz de arrancar os espetadores daquele sítio. Era bonita e cantava bem. Nem as frases publicitárias nem o artista do retrato mentiam. Depois de ter tido a morte tão perto, sentia-se satisfeito contemplando a vitalidade que emanava daquele corpo de mulher.

(Coleção Arizona, nº 19)




A seguir:

 

 
 

sábado, 17 de agosto de 2013

PAS050. Reflexões em tempo de guerra

A guerra estava longe de Big Spring. Mas mesmo assim, chegavam ali os últimos abalos com que o terrível monstro sacudia os recantos mais afastados do sacrificado Sul. As mulheres caminhavam apressadas pelas ruas e quando se encontravam duas amigas, cochichavam entre si as notícias recebidas de seus filhos que lutavam na Virgínia, Carolina ou na Geórgia.
Estas notícias traziam sempre a tristeza a todos os rostos, pois embora no ano de 1862 a Confederação tivesse ainda a iniciativa dos combates, muitos rapagões louros, morenos, altos ou atarracados, fertilizavam com o seu sangue as cálidas terras do Sul. Mesmo com a Vitória, a Morte é sempre terrível.
Big Spring perdera grande parte do bulício que a caracterizava. As crianças e os velhos enchiam as largas e longas ruas, outrora sempre agitadas por alegres galopadas, risos, chalaças e algum tiro uma vez por outra.
 Agora quase sempre reinava o silêncio. E esse silêncio pressagiava em muitos corações que, uma vez terminada a guerra, nem tudo voltaria à situação anterior. As disputas bélicas mudam a fisionomia dos povos e marcam o ponto final de épocas, melhores ou piores, mas que nunca voltam. Com frequência, as guerras destroem a crosta de civilização dos homens, deixando a descoberto as suas mais violentas paixões e apetites; numa guerra há demasiados motivos para perder o cavalheirismo, a fidalguia e a razão. Em tais circunstâncias, a selvajaria e a brutalidade reinam até que a morte põe fim a tais horrores

(Coleção Arizona, nº 19)


A seguir:
 



 

sábado, 3 de agosto de 2013

PAS039. Esther, a bêbeda

Naquela noite, Esther, «a bêbeda», encontrava-se no bar «Os três sois», sentada a uma mesa e bebendo. Era esse o seu hábito e ninguém estranhava, embora um ou outro lhe dirigisse o seu dichote, mais ou menos pesado. Ela umas vezes aceitava-os com uma risada, outras, repelia-os com indignação, conforme o estado de espírito ou os copos de whisky ingeridos ou ainda a simpatia pelo brincalhão.
Era uma mulher curiosa, esta Esther. Na sua juventude, fora artista de «cabaret». Mais formiga que cigarra, amealhou tudo quanto pôde. E, quando se encontrou em declínio, comprou um rancho nas imediações do rio Redwood, arrendou-o em boas condições e instalou-se numa casita em Kneeland, dedicando-se a viver a sua vida como melhor lhe apetecia. O «viver a sua vida» consistia em dar largos passeios a cavalo, sozinha, embora quase sempre tivesse guarda-costas a soldo, embriagar-se todos os dias, frequentar os bares como um homem, dizer as verdades cara a cara sem medo de ferir suscetibilidades e rir-se de alguns galãs que lhe apareciam de quando em quando atraídos pela sua beleza e pela sua bolsa que supunham recheada. Esther divertia-se com eles, mantendo-os à distância não os deixando nunca ultrapassar as conveniências. Muito boa era, consentindo algumas brincadeiras. Esqueciam-se da experiência que ela adquirira em longos anos de luta pela vida.
Não obstante, possuía um coração sensível… e feriram-lho. Aborrecia-a pensar em tais «incidentes». Sempre que deles se recordava pedia um Whisky duplo.
Naquela noite, farta de ouvir falar sobre o mesmo assunto, perguntou com um berro:
- Querem estar calados ou mudar de assunto? Que caturras! Só sabem falar no mesmo!
Um protesto daqueles, quando toda a gente considerava o caso como o mais importante da ocasião, emudeceu a assistência, reagindo cada qual À sua maneira.
- Por favor, Esther, não se aborreça!
- Então o assunto não lhe interessa?
- Não façam caso!
Hilary Tarento, sentado perto com vários amigos, repetiu a frase de um vaqueiro:
- Não façam caso! – e acrescentou: - Está bêbeda.
Esther fuzilou-o com o olhar.
- É possível que esteja, mas não bastante, que a língua desentorpecida não possa ainda chamar-lhe carneiro!
Em volta soaram risos. Hilary fez menção de se levantar, mas os amigos impediram-no. Esther nâo esboçou o mais leve receio. Com desprezo, bebeu outro copo.