Mostrar mensagens com a etiqueta BUF040. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BUF040. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

PAS125. Um xerife sem esperança

Amava-a. Amava-a da pior maneira que se pode amar: sem esperanças. Ele não passava dum pobre xerife com as mãos manchadas de sangue e um passado misterioso… Era pois muito melhor não acalentar esperanças impossíveis.
De repente, uns gritos atraíram a sua atenção. Não longe dele, alguém, uma mulher, gritava desesperadamente. Uma rapariga jovem e bonita cobria a cara com as mãos enquanto um cavaleiro forte e com ar de triunfo a sacudia por um braço. Outros dois cavaleiros, de aspeto o semelhante ao primeiro, contemplavam a cena, rindo rudemente.
Um deles, de revólver na mão, mantinha em respeito um grupo de pessoas que, impotentes, olhavam para o que se estava passando.
O do revólver ria, dizendo:
- Essa rapariga agrada-nos muito, vamos, pois, beijá-la. E que ninguém se oponha.
O que se agarrara à rapariga tentava com toda a força atraí-la a si enquanto dizia:
- Já te domino, minha menina.
De repente, um tiro soou acima das vozes e dos risos dos cavaleiros. O que sustinha o revólver viu a arma voltear e ir cair bem longe.
Os outros dois voltaram-se para ver quem ousava ataca-los. No meio da rua, via-se um homem alto e esbelto que os olhava friamente.
O que ficara desarmado e o seu companheiro soltaram um grito apavorado:
- Perry Latimer!
Sem acrescentar outra palavra deitaram a correr desaparecendo rua adiante, impulsionados por um terror sem nome.
Ficou o terceiro cavaleiro, que não pôde fugir logo por causa da rapariga que o atrapalhava. As suas feições tinham perdido o ar fanfarrão que até aí ostentavam. Pálido, compreendeu que estava diante do xerife e que não conseguiria fugir.
Largou a rapariga, tremendo de medo, e exclamou levantando apressadamente os braços:
- Não, Latimer, não me mate!
 
 
E agora? O que vai o xerife, desgostoso com a sua amada, fazer?
 

PAS124. Escudo humano

Os clientes da casa de jogo corriam por toda a sala, empurrando-se e derrubando-se uns aos outros, procurando um sítio onde esconder-se com segurança.
De repente, uma bailarina alta e elegante passou junto de Ferguson. Este agarrou-a por um braço, servindo-se dela como se fosse um escudo. Depois, gritou:
- Sai cá para fora, Latimer. Vem , se te atreves.
 O primeiro tiro, sem dúvida nenhuma, seria a rapariga que o receberia, dando-lhe assim tempo para abater Perry. Eram estes os cálculos do bandido.
A bailarina tremia, tentando livrar-se da garra com que o mundo lhe prendia o braço. Mas este meteu-lhe o revólver nas costas, imobilizando-a. As companheiras da rapariga gritaram aterrorizadas. Viam-na já morta, seria assassinada diante dos seus olhos..
 
E agora? Que acontecerá à pobre e bela bailarina? A resposta está em “Juiz da paz”…

PAS123. Procurando ver Helga

Perry dirigiu os seus passos para a vivenda do juiz. Não tinha nenhuma razão especial para fazê-lo, mas sabia que ela o receberia bem e que a seu lado ia encontrar a coragem que necessitava para continuar a luta em defesa da paz na cidade.
Deteve-se em frente da porta de casa. Apenas tinham trocado entre si algumas palavras, jamais houvera entre eles a menor confidência. Parecia absurdo que o rapaz se propusesse vê-la, que pretendesse encontrar naquela desconhecida a amizade que nunca tivera.
No entanto, tinha a certeza de não se ter equivocado. Nos olhos da jovem descobrira uma compreensão que não encontrara em ninguém. Assim, sentia, quando estava a seu lado, a corrente de simpatia que os unira desde um princípio.
Bateu, esforçando-se por acalmar-se, temendo ter-se enganado mais uma vez. A criada abriu a porta, inclinando-se com um sorriso. O jovem ficou um momento indeciso. Que havia de dizer? De que maneira iria explicar que estava só e que precisava de falar com alguém a quem o unisse alguma coisa mais que uma simples amizade?
- Bom dia – cumprimentou. – Queria falar com…
Interrompeu-se, sem saber exatamente o que pretendia dizer.
De dentro, uma voz fresca e decidida exclamou:
- Entre, «mister» Latimer!
A criada afastou-se e o rapaz cruzou o umbral, dirigindo-se para onde estava a jovem, que o esperava com um sorriso. Helga parecia mais formosa que nunca. Sorridente e amável, estendeu a mão a Perry. Nesse momento o jovem compreendeu que não precisava explicar-lhe os motivos porque fora visitá-la: ela compreendia-os de sobra.

PAS122. O pensamento da bela menina

Helga pegou no bastidor para continuar o bordado. Não tinha trabalhado nele desde a última vez que vira Perry.
Surpreendida, levantou a cabeça. Por que contaria o tempo segundo as visitas de Perry Latimer?
Devia reconhecer que pensava nele muito mais do que convinha. Pensou no que faria Perry e onde se encontraria naquele momento. Por que não teria voltado a visitá-la?
Perry precisava de voltar a falar com ela. Não sabia porque estava tão segura, mas tinha disso a certeza absoluta. Perry estava sempre muito só, sem um amigo, sem ninguém em quem confiar. Precisava tanto vê-la, como ela precisava vê-lo a ele.
Estava disposta a oferecer-lhe a amizade de que tanto necessitava e que lhe faltara durante toda a sua vida.
Não poderia explicar porque estava tão certa de todas aquelas coisas, mas sentia-as. A corrente espiritual que se estabelecera entre ela e Latimer, desde que se conheciam, fazia com que se compreendessem sem necessidade de palavras.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

PAS121. Devaneios de bandido

Skype encostou-se ao balcão, inchando o peito com orgulho. Triunfaria. A sua fama seria a maior do Oeste. Todos o apontariam como o homem que matara Perry Latimer. Barton Mc Lean, inclusivamente, teria de fazer novos contratos com ele, e fazer as coisas tal com ele quisesse.. Não se podia tratar como a um inferior o homem que matara Perry Latimer.
Seduzido pelos seus belos sonhos, esperou que Perry, como o fazia todas as manhãs, entrasse no «Saloon». Os seus dois amigos colocaram-se como ele tinha indicado, um em cada extremo da sala. No momento preciso, em que ele dissesse a palavra «cobarde», Will atiraria uma garrafa ao chão, para que o estrondo distraísse Perry. Nesse momento, Allan deitaria a correr para chamar-lhe a atenção. Durante uma fração de segundo, Latimer estaria atento a eles e Skype teria ocasião de disparar sobre ele.
(Coleção Búfalo, nº 40)

PAS120. A visão de Helga

Helga levantou os olhos para a porta que se abria. O jovem ficou um momento imóvel, como que surpreendido.
A rapariga não pôde esconder um rubor. Tinha pensado muito nele, desde que o vira no dia anterior pela primeira vez. Agora estava ali. Sem dar por isso, olhou-o no fundo dos olhos. Viu neles a mesma expressão, ainda que um pouco velada. A jovem pensou qual seria o motivo porque o homem de ferro tinha no fundo da alma uma dor tão grande.
- Queria alguma coisa? – perguntou.
Latimer, com a sua voz bem timbrada de entoação lenta, explicou:
- Queria ver o seu pai, o juiz. A criada fez-me entrar para aqui, sem dúvida, devido a qualquer engano. Desculpe tê-la incomodado.
- O meu pai não está em casa – disse ela.
- Então – respondeu o xerife – tenho que pedir-lhe de novo que me perdoe. Voltarei mais tarde. Bom dia.
- O meu pai não deve demorar-se – apressou-se Helga a dizer. – Se quiser pode esperá-lo.
Depois quase se envergonhou de dizer aquilo, mas um impulso que não pôde conter fizera-a falar, quase sem dar conta do que dizia.
O jovem inclinou-se novamente, esboçando um tão leve sorriso que não passou dum movimento de lábios. As suas pupilas não modificaram a expressão que tanto a tinham incomodado.
Aproximou-se de uma cadeira e sentou-se, deixando o chapéu noutra. Depois, pegou num cigarro, ao mesmo tempo que perguntava:
- O fumo incomoda-a, «miss» Helga?
A rapariga negou com um sorriso.
- Não, «mister» Latimer. No oeste todos os homens fumam.
Perry acendeu o cigarro sentindo-se um pouco aborrecido, mas ao mesmo tempo interessado como nunca estivera.
Tinha visto Helga uma vez apenas mas o aspeto da rapariga causara-lhe vivíssima impressão. Ainda que ele não quisesse reconhecê-lo, despertava-lhe a recordação de algo muito afastado na sua memória, mas que não deixava de ser doloroso.

BUF040. O juiz de paz


(Coleção Búfalo, nº 40)
 
 
Muito novos, Perry Latimer e o seu amigo Eddy saíram da sua terra natal para a Califórnia na esperança de fazerem fortuna, pesquisando ouro.
Uma noite, após terem acumulado uma quantidade substancial cruzam-se com um indivíduo a quem permitem pernoitar e fornecem comida, um indivíduo que exibia uma sinistra cicatriz no braço proveniente de mordedura de serpente. Durante o sono, o indivíduo apodera-se do ouro e Perry é obrigado a fugir. Quando volta ao acampamento, humilhado, encontra o seu amigo morto e sente toda a raiva por nada ter feito por ele. A partir daí, a vida de Perry consistiu em abater todos os malfeitores com quem se encontrava na esperança de encontrar o homem da cicatriz. 
Até que, um dia, chegou a Newchatle… onde o aguardavam uns belos olhos...
 
Eis uma novela de J. Leon com alguns elementos estranhos, designadamente, uma viagem de avião para a Califórnia.


Passagens selecionadas:


PAS120. A visão de Helga
PAS121. Devaneios de bandido
PAS122. O pensamento da bela menina
PAS123. Procurando ver Helga
PAS124. Escudo humano
PAS125. Um xerife sem esperança