sexta-feira, 21 de março de 2014

PAS269. A luta com o bruto enlouquecido


Jane Millbunr tentou encaminhar a sua montada em direção aos currais para evitar o contato com o novilho, mas todos os seus esforços resultaram estéreis. Aquele cavalo parecia impossível de dominar, correndo com uma rapidez terrível, completamente desbocado, sem que ela o conseguisse dominar.
McCool continuava lançado em correria desesperada, procurando ir dar a um lugar onde pudesse deter o enlouquecido animal, salvando, dessa maneira, a vida da jovem.
Jane devia ter-se agarrado com todas as suas forças às crinas do cavalo, visto que continuava completamente deitada para a frente, com as pernas cingidas ao corpo da montada, mas já sem forças para se manter por muito tempo em cima dele.
                                                                    
Uma vez passados os efeitos da dor produzidos pelo ferro incandescente, o novilho tinha-se afastado para o ponto em que os outros se encontravam. Mas com ele já ninguém se preocupava. Agora toda a atenção estava concentrada na dura luta que McCool travava contra aquele cavalo desgovernado, que continuava a galopar como o vento.
De repente, observou que o cavalo tomava a direção de uma elevação de terreno mais pronunciada, diminuindo a velocidade da sua carreira. McColl acreditava ser aquela a única oportunidade possível para se aproximar dele, ou, pelo menos, de o obrigar a tomar a direção da planura, com o que se conseguiria que se cansasse, ou caísse, rebentado pelo esforço. Por muito dano que a jovem sofresse, nunca seria como expor-se a cair despenhada por um dos barrancos, próximos da montanha.
E esporeou o animal com fúria, obrigando-o a lançar-se para a frente, com toda a rapidez possível. Uns minutos mais tarde tinha conseguido roubar ao cavalo desbocado uma considerável vantagem, lançando-se, agora, obliquamente, na direção dele e procurando sempre empurra-lo para a planície. Mas os desejos do vaqueiro eram uns e os do cavalo eram outros muito diferentes. À distância a que se encontravam, agora, dele, McCool podia apreciar o esgar de terror que se estampava no rosto empalidecido da jovem. Via-a oscilar sobre a sela e temeu que a cilha se quebrasse, com o que, irremediavelmente, se precipitaria sobre os enormes calhaus que juncavam o solo.
Nem uma só vez voltou a cabeça para observar os homens do grupo que continuavam a observar a cena, agora a grande distância. Toda a sua atenção se concentrava em alcançar aquele cavalo, em obriga-lo a deter-se, de qualquer modo.
MCCool, dominado por intensa emoção, penetrou, como um relâmpago, pelo fundo do vale próximo e, ao chegar ao lado oposto, verificou que se encontrava a menos de duzentas jardas do quadrúpede desgovernado. Até pensou que a jovem o tinha notado, lançado em carreira desesperada. Viu-a aferrar-se com dobrada força à sela e às crinas suadas do animal, cujas belfas gotejavam espuma sanguinolenta.
Um esforço ainda mais poderoso e logrou colocar-se, por fim, a par do cavalo, gritando, então, a plenos pulmões:
- Agarre-se bem! Vou saltar sobre ele e…
Não terminou a frase. Tinha chegado quase à altura do cavalo desbocado e, erguendo-se sobre os estribos, tirou o pé direito de um deles e tomou impulso. Imediatamente se lançou para a frente num salto prodigioso, apertou com uma mão o pescoço do corcel e ficou aí pendurado em acrobática posição e, em seguida, sujeitou-lhe, com a mão esquerda, as belfas, quase lhe cortando a respiração.
McCool esteve, por várias vezes, a ponto de ser projetado da sua posição, por causa das poderosas cabriolas, mediante aquelas sacudidelas estentóricas do solípede, mas soube manter-se firme, transpirando por todos os polos, numa luta infernal contra o bruto enlouquecido.
Por fim o animal começou a ceder no seu impulso, obrigado a diminuir a carreira, a abrandar no seu empenho de continuar a diabólica e desesperada voragem a que se tinha entregado.
Jane Milbunr acabava de saltar da sela e, depois de ser arrastada alguns metros pelo solo, pôs-se de pé contemplando, com olhos aterrorizados, a cena. Minutos mais tarde o jovem tinha logrado o seu propósito; a salvo ela, McCool desprendeu-se do pescoço do cavalo e saltou para trás, caindo de costas sobre a dura terra. Imediatamente se levantou, sacudindo as roupas manchadas, limpou o suor do rosto e permaneceu imóvel, contemplando a filha do ganadeiro.
Em passo lento foi-se-lhe aproximando e um sorriso de contentamento lhe brilhou no rosto.
Jane examinou-o dos pés à cabeça. Os seus olhos azuis despediam chamas de alegria. Tinha sido salva milagrosamente e, a poucos passos dela, estava o homem que, jogando a vida, acabava de vencer a fúria do cavalo enlouquecido.
(Coleção Bisonte, nº 58)

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