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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

PAS162. De como a bofetada da formosa judia convidou ao beijo apaixonado

- Você é má, rancorosa e vingativa… - dizia Ron para «miss» Patrícia Diamond – porque tem nas veias sangue de judeu e de selvagem pele-vermelha, que a fazem ao mesmo tempo mesquinha e avarenta, sanguinária e violenta… A força é a sua lei e o ouro o seu único deus. A Lei, a verdadeira lei protege os seus interesses, embora de uma maneira que lhe não agrada. Para quê intentar ações em juízo contra uns desgraçados que ganham o pão arriscando a pele? Deles não pode você receber dinheiro, mas apenas aborrecimentos e despesas de ações. E, no fim duns meses de prisão, voltariam à mesma. Ah! Não! Isso não lhe agrada. É melhor fazer voar em pedaços alguns deles, para que os restantes fujam em debandada deixando-lhe o campo livre. Isso poupa-lhe tempo, maçadas, despesas com a justiça e os ordenados dos seus espiões e pistoleiros. A sua cartada saiu mal, porque há uma Lei de Deus e Ele dispôs as coisas de forma a deixar o rasto do seu crime. Agora, receia as consequências e vem para mim, com os seus grandes olhos cheios de lágrimas, tentar convencer-me de que não interveio no assunto. Mas você sabe tão bem como eu que esses desgraçados estão mortos porque assim o determinou.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

PAS106. Reencontro com a traição

Tom dirigiu-se para a casa onde alugara um quarto ao chegar À cidade. Pretendia analisar os seus próprios sentimentos, e isso só o conseguiria na solidão do seu quarto, a sós consigo mesmo.
Estranhava-se a si próprio, sentia-se diferente do que sempre fora. Repelia o mundo onde até ali vivera. Já assim não acontecia com a companhia de Norma. Combinara visitar a sua quinta. Que aconteceria quando a família daquela rapariga soubesse que ele era o famoso Tom Dickens?
Entrou no quarto atirando o chapéu para cima da cama. Por hábito, nem se lembrou de tirar o cinto. Ali era perigoso estar desarmado. Preferia não se expor À inveja dos bandoleiros que infestavam a cidade.
De repente, notou a presença doutra pessoa no aposento contemplando-o com emoção.
Sentiu uma estranha vibração. Aqueles olhos verdes e aqueles lábuos rubros e suaves tinham sido seus durante muito tempo.
- Clara! – exclamou.
A rapariga, pois era ela, deixou escapar um soluço e correu a refugiar-se nos seus braços. Tom sentiu aquele corpo esbelto junto a si e as mãos de Clara aferradas ao seu pescoço, enquanto murmurava com uma voz que parecia embargada pela emoção.
-Tom! Tom! Da minha vida.
Depois ergueu o rosto para ele. Dickens contemplou-a. Estava mais formosa. Os cabelos louros e a pele acetinada exalavam um perfume embriagador. Sempre que pensava nela, recordava-a somente como a mulher que o traira para fugir com o seu melhor amigo e nunca como a mulher que tanto amara. Agora, ao voltar a encontra-la, sentia-a mais feminina que outrora, e as pupilas exprimiam uma suavidade e doçura desconhecidas.
- Tom – disse Clara, baixando os olhos – soube que estavas em Vinegarrom e vim procurar-te. – acariciou-lhe o rosto enquanto exclamava: - Parece um sonho que estejamos juntos novamente.
Em Dickens não se produziu qualquer alteração. Voltou a contemplá-la, enquanto à sua mente voltavam os três anos passados entre as paredes da prisão. Malamoa era um forte contraste com aquele mulher de beleza provocante.
Todavia, sentia que aqueles olhos, nos quais tantas vezes se reviu, o dominavam, minando a sua vontade e envolvendo-o numa atmosfera irreal, dominadora….
 
Iria Tom sucumbir aos encantos daquela traidora?

 
A seguir: uma amazona em perigo

sábado, 5 de outubro de 2013

PAS101. Caída sobre o pó da cidade

-Ela ( Louise) era a verdadeira dona do local. Ela e Cardigan. Este colocara Carmen, uma antiga amante sua, na direção. E Carmen sabia demasiadas coisas. Não sei como Louise se inteirou da visita que eu lhe fiz, mas o caso é que o soube e decidiu suprimi-la quanto antes para evitar que falasse. O mau para ela foi que Carmen já tinha falado. E eu sabia tudo – disse, encarando a viúva – E entre o que Carmen me contou e as minhas suspeitas, pude ver bem claro o teu plano, Louise. Um plano perfeito, mas que falhou num simples detalhe: eu nunca te quis na realidade, e estou enamorado de outra. Por isso, não cerrei a boca.
O que ocorreu então sucedeu com velocidade de um relâmpago. Sabendo-o inutilizado, haviam-se descuidado de vigiar Cardigan. Haviam-se esquecido que o ódio e a ânsia de vingança podiam dar insuspeitadas energias. Com um gesto incrivelmente veloz, dado o seu estado, arrancou o revólver do coldre de um mineiro e empunhando-o com ambas as mãos, encarou Louise Hughes.
-Toma, cadela! – rugiu, ao mesmo tempo que apertava o gatilho. – A tua paga!
Louise gritou horrorizada, tentando escapar À morte. E quando o chumbo se cravou no seu ventre emitiu um gemido aterrorizado, levando a ele as suas mãos crispadas.
Um segundo depois, dez pares de punhos se abatiam sobre Cardigan, desarmando-o e arrastando-o até às árvores mais próximas. Os seus ajudantes, aqueles que não haviam podido fugir, estavam seguindo o mesmo caminho para aplacar a fúria vingativa da multidão. E Louise Hughes, com duas balas no ventre, caía sobre o pó da cidade de que sonhava ser dona.
(Coleção Bisonte, nº 30)

PAS100. Uma embuçada na noite escura

Fechou a porta e desceu a escada vagarosamente, enquanto colocava outra bala no carregador. Depois de se convencer que a rua estava tranquila, avançou em direção oposta à Main Street. Alcançava a rua Grant quando viu em sentido oposto uma figura feminina embuçada e apressada. Deitou o chapéu sobre os olhos, apesar de não haver luar suficiente para reconhecer o seu próprio irmão e desviou o rosto ao passar pela desconhecida que, por sua vez, efetuou a mesma manobra, passando rápida ao seu lado.
Mas Casey perdeu repentinamente toda a sua pressa… Aquele perfume!
No entanto continuou a andar, sem voltar a cabeça, subitamente apreensivo. O frio da manhã era bastante intenso, mas não foi isso que lhe esfriou o sangue, arrepiando-o.
Acelerou o passo até chegar ao muro das traseiras de Carmen Orozsco e depois de olhar rapidamente para ambos os lados, saltou. O pátio estava vazio e as janelas fechadas. Avançou rápido, com passos de lobo, sobre a erva. Para Casey foi tarefa fácil escalar até à varanda. Tampouco lhe deu trabalho abrir a janela que dava para o comprido corredor. Estava tudo silencioso.
Avançou com a cautela de um gato. A porta dos aposentos de Carmen estava fechada, mas abriu-se suavemente ao empurra-la. O candeeiro emanava uma luz débil. Entrou, fechando-a atrás de si.
Carmen Orozsco, vestida com o traje “grenat” com que ele a havia conhecido, jazia no divã. Sobre o seu coração destacava-se o cabo de um punhal.
 
 
(Coleção Bisonte, nº 30)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

PAS097. Perfume irresistivel

Aproximou-se e colocou-lhe as mãos sobre os ombros. Os seus olhos tinham agora o brilho de outros tempos e o seu corpo emanava um perfume a que era impossível resistir. Casey abraçou-a com força, beijando-a, sem que ela opusesse resistência.
- Não, Dan. Não estaria bem…
Mas ela sabia bem que Dan Casey não se importava que as coisas estivessem bem ou mal, desde que as desejasse fazer
 
(Coleção Bisonte, nº 30)

PAS096. Como uma mulher honrada

Hughes era um bom homem, engenheiro de profissão e brando de coração como todos os que chegam aos quarenta sem terem tido tempo disponível para mulheres. Casou-se com ela e levou-a para o Arizona, sem lhe perguntar nada sobre o seu passado. Pelo menos, foi isso o que Louise contou a Dan Casey, dez dias antes da boda, pedindo-lhe que cortassem as suas relações, pois daí para o futuro, queria portar-se como uma mulher honrada. Ele prontamente acedera aos seus desejos, comovido por aquela regeneração.
Por isso, agora, ao receber a sua carta, havia acorrido imediatamente. Àparte as boas recordações que guardava de Louise, revoltava-o que alguém lhe tivesse inutilizado os seus bons propósitos, matando-lhe o marido. E agora ela confessava que lhe havia querido…
A mulher separou-se um pouco e perguntou-lhe:
- Quando chegaste, Dan?
- Esta noite.
- Não… não vieste na diligência que…
- Já o sabes? Sim. Vinha nela. Mas não creio qe tentassem eliminar-me a mim. Como foi isso do teu marido?
Ela libertou-se completamente do seu abraço e a sua voz tinha agora uma dureza quase metálica.
- Tu já sabes que John era engenheiro. Engenheiro-chefe da 2Independance”. Ninguém tinha qualquer razão contra ele, todos o apreciavam. E éramos… éramos muito felizes – a sua voz quebrou-se logo voltando a endurecer-se. – Uma noite, há três meses, trouxeram-mo para casa com uma bala na cabeça. Disseram que o tinham encontrado assim no escritório da mina. O xerife afirmou que era um suicídio e todos o acreditaram menos eu. Eu sabia que John não tinha motivos para se matar. Naquele mesmo dia tínhamos estado a fazer projetos e ele mostrou-se tão… Bem, como sempre! Ele não se suicidou, Dan!
Começou a soluçar e voltou a procurar refúgio nos seus braços…
 
(Coleção Bisonte, nº 30)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

PAS049. Beijo da Morte

Consuelo Fajardo colocou as suas botas sobre a rocha e meteu os pés na água do límpido charco.
Avançou dois passos levantando a saia, quando a água atingiu os joelhos. Olhando por cima da rocha, certificou-se de que Syd Jones não podia vê-la. Dissera-lhe que desejava só uns minutos para se «refrescar».
Calculou que sentando-se podia tomar um banho completo, visto que em volta do manancial havia matagais e não podiam vê-la da estrada nem do arvoredo, entre o qual o vaqueiro prendera os cavalos.
Voltou a sair da água para tirar o colete que pôs junto das botas. Estava desabotoando a blusa quando, reprimindo uma exclamação de desgosto, olhou fixamente para Syd Jones.
O vaqueiro, contornando as rochas, parou a dois passos. A sua voz, enrouquecida, suplicava:
- Eu posso fazer-te esquecer qualquer amor passado, Chelo. Por ti, estou disposto a tudo.
Ela tentou afastar o perigo, gracejando:
- Trabalharias, Syd? Vamos, não sejas criança, e continuemos a ser amigos como até agora…
Syd Jones, impelido pelo instinto que aquecia o seu sangue jovem, embaraçou a mexicana num apertado abraço. Os seus lábios percorreram com ansiedade a face da rapariga, procurando a boca.
Ela tentava desprender-se, revoltando-se com ferocidade. O musgo escorregadio fê-los cair a ambos, abraçados. A ofegante respiração de Syd Jones queimava o rosto da jovem que tentava esquivar os lábios.
A boca dele colou-se-lhe à face e toda a sua feminilidade se revoltou, porque Syd Jones era agora um vaqueiro enlouquecido, de pernas rígidas e difícil de ceder.
Consuelo Fajardo sentiu nas ancas o duro contacto cilíndrico; a sua mão escorregou até segurar a coronha. Premiu o gatilho…
A esmagadora ferocidade de Syd Jones converteu-se de repente em abandono desconcertante. Ela fugiu para um lado, empurrando Syd Jones que ficou estendido de bruços com os braços abertos.
(Coleção Arizona, nº15)

sábado, 20 de julho de 2013

PAS021. Pirilampo do rio

Chamava-se Crystal Dumeine.
E chamavam-lhe o pirilampo do rio.
Alta e esbelta. De curvas fascinantes capazes de perturbar o capitão do barco onde se encontrava. Era orgulhosa e altiva. Morena, de olhos rasgados, grandes e negros como um cume ou um poço.
A boca de lábios carnudos, vermelhos e sensuais incitava ao beijo. O seio era altivo e erecto, a cintura fina, quadris de ânfora e pernas altas e maravilhosas metidas em meias, preta a maioria das vezes.
No dizer de quantos a conheciam, Crystal era uma verdadeira dama crioula, embora, como em todos os casos, houvesse quem tinha opinião contrária. Mas todos concordavam em que era tão perigosa como uma cascavel ou um jaguar das planícies do Texas.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

PAS017. A arte de domar uma gata raivosa

Subitamente, tomei-a nos meus braços levantando-a facilmente e, sentando-me na cama, deitei-a de bruços nos meus joelhos.
Esperneou furiosa, tentando escapar-se e intentou morder-me, mas, apoiando o meu cotovelo esquerdo na sua nuca, obriguei-a a mergulhar a cara contra a roupa da cama e, em seguida, dediquei-me a, conscienciosamente, dar-lhe uma boa sova na parte mais carnuda do seu corpo. Jovem e forte, debatia-se furiosamente mas, apesar de tudo e ainda que me dirigisse profusamente ameaças e impropérios, meio sufocada, lutando para tirar a cabeça, para que a colcha não abafasse as suas palavras agressivas, não pensou, nem um só instante em pedir auxílio ou, pelo menos, absteve-se de o fazer. Indubitavelmente o seu orgulho impedia-a de gritar.
- Bem, Maureen – disse por fim, - se agora estiveres quietinha, soltar-te-ei e partirei tão pacificamente quanto tu o desejares.
Sem esperar a sua resposta soltei-a, levantando-me vivamente, pois temia bastante que aquela gata raivosa se atirasse sobre mim, tentando arranhar-me. Mas fi-lo com tal rapidez que não lhe dei tempo a levantar-se e caiu no chão de onde voltou para mim a sua cara molhada pelas lágrimas e, com grande assombro, surpreendi uma luz estranha nos seus enormes olhos.
Tinha esperado encontrar neles desejos de vingança, labaredas de cólera homicida e, em vez disso, apareciam-me húmidos, mansos, vencidos. A irascível e orgulhosa Maureen Kinney estava domada!
(Coleção Arizona, nº 6)

domingo, 14 de julho de 2013

PAS015. Insulto Perigoso

Levantei-me sem pressas e, apanhando um maço de notas das grandes, separei a quantia que lhe devia.
- Aqui tens o que é teu.
Pu-las num extremo da mesa e, depois de leve hesitação, aumentei o monte até dez mil dólares
- Aqui tens mais dois mil. É suficiente não é verdade?
O inesperado insulto deixou-a branca como papel. Estava ali muita gente já, todos deviam saber onde eu tinha passado a noite e, seguramente, imaginavam como.
- …!
Mimoseou-me com uma obscenidade e, ato contínuo, friamente, esbofeteei-a com as costas da mão. Ao mesmo tempo, baixei a mão esquerda empunhando o revólver daquele lado e um leve torção de cintura permitiu-me ver como Wilson tinha quase sacado já a sua prateada «Derringer» . pelo que, sem mais contemplações, fiz fogo. Rolou para um dos lados, sem qualquer obstáculo, para se precipitar pesadamente de bruços, no chão, onde produziu um surdo baque.
(Coleção Arizona, nº 6)

sábado, 13 de julho de 2013

PAS014. Último olhar

Olhei o louco que se tinha arruinado de forma tão absurda e senti verdadeira pena, ao mesmo tempo que me punha em guarda pois parecia de tal forma alterado que poderia intentar qualquer disparate. Agradar-me-ia ter-lhe dito, então, algo, mas há certas coisas que não devem fazer-se em público e, além disso, compreendi que valia mais esperar um pouco, pois no seu actual estado de ânimo não seria fácil entendermo-nos. Por outro lado, tão pouco me parecia um desses tipos que se matam a tiro quando se encontram em apuros e talvez uma noite em claro o fizesse meditar e mostrar-se mais reflexivo pela manhã. Não era minha intenção despojá-lo do que era seu e, uma vez serenado, facilmente nos poríamos de acordo.
- Agora estou sem um cêntimo, Maureen – disse com voz rouca – e tenho a impressão de que isto altera a nossa amizade.
- Claro, filho – concordou ela, sorrindo, zombeteira. – Quando quiser transformar a minha casa num asilo de indigentes, avisar-te-ei.
- Cadela! – rugiu Reed, congestionado pela raiva. – Levaste a maior parte do meu dinheiro e, sem embargo, não tens sequer uma frase amável para mim. Eu te darei…
Foi tudo tão rápido e eu estava tão desprevenido que nada pude fazer para evitar o desenlace. O enfurecido rancheiro saltou, com as mãos estendidas na direção da delicada garganta de Maureen Kinney, a qual o fixou, desafiante, sem a menor amostra de medo, e, no mesmo instante, soou um disparo que, a julgar pelo seu ladrido, devia proceder de uma arma pequena. Pistola «Derringer», de cano duplo, com todas as probabilidades. Reed deteve-se de chofre, como se tivesse topado com um muro invisível. E, levando as mãos ao peito, olhou a formosa mulher com uma expressão de assombro enquanto o sangue lhe escorria, lentamente, entre os dedos. Deu ainda um passo vacilante e caiu, de bruços com surdo estrondo, imobilizando-se no solo, enquanto o seu largo chapéu «Stetson» rodava aos pés dela. Estava morto!
(Coleção Arizona, nº 6)