Mostrar mensagens com a etiqueta POL053. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta POL053. Mostrar todas as mensagens

sábado, 22 de fevereiro de 2014

PAS258. A paixão invade uma caravana de desesperados


Naquela noite, depois de cearem em silêncio, Estevão disse:
- Amanhã iremos inscrever-te, Spade. Todos confiamos em ti.
- Farei o melhor que puder … - respondeu o rapaz.
Viu Lilian sentada sobre um caixote, junto do seu carro, e encaminhou-se para ela. A jovem, ao vê-lo chegar, deu a volta ao carro e esperou-o encostada ao tronco de uma árvore.
Tyson parou, sentindo que o seu coração batia com violência. A luz do luar coava-se entre as ramagens, iluminando suavemente o rosto da rapariga, e Evan esteve quase a voltar para trás. Mas Lilian chamou-o.
- Anda cá…
Tyson aproximou-se, parando em frente dela. Lilian ficou calada durante uns momentos, e depois disse devagar:
- Sentes-te em condições de entrar amanhã no «rodeo»?... – perguntou. – Não gostaria que fizesses um papel ridículo por nossa causa.

PAS257. Sem memória e com a identidade do bandido


Tyson só acordou oito horas depois quando o sol já se aproximava do ocaso. Estevão e os seus companheiros estavam sentados em redor da foqueira, porque do rio vinha um ar fresco que se metia na pele. As chamas recortavamas faces duras e bronzeadas de todos eles.
- Julgas que esse Tyson nos ajudará?... – perguntou Craig.
- Com certeza que sim, homem… - respondeu Leight. – Conheço-o bem e sei que fará o que puder por mim. Fomos muito amigos noutros tempos e agora que ele é rico e poderoso, segundo dizem, graças ao dinheiro que lhe deixei para vir para a Califórnia, tenho a certeza de que se recordará de mim, apesar de terem decorrido muitos anos.
- Deus te oiça… - suspirou Fel. – Esse homem é a nossa última oportunidade.
Leight ia dizer qualquer coisa, mas Lilian aproximou-se do grupo.
- Acordou… - disse ela. – Quer comer.
- Então não deve estar muito mal… - comentou Craig.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

PAS256. Repouso inconsciente em águas mansas

Tyson agarrava-se com desespero aos fortes ramos que o protegiam. Na queda o tronco deu duas ou três voltas no ar, e finalmente mergulhou na concavidade formada pela força da água ao cair.
Sentia os pulmões prontos a rebentar, mas com um enorme domínio sobre si mesmo manteve a boca fechada. O tronco não tardou a voltar à superfície, mas para se submergir de novo so o choque brutal da massa líquida que caía agora sobre ele.
Assim decorreu um curto período de tempo, que para Tyson teve a duração de um século. Por duas vezes conseguiu aspirar uma pequena quantidade de ar, e por fim o tronco encontrou a corrente salvadora que o afastava do tremendo choque das águas precipitadas desde cima.
Tyson suspirou profundamente, abandonando-se um tanto, mas o perigo ainda não tinha passado porque o rio estava cheio de rochas, contra as quais o tronco chocava de momento a momento, obrigando-o a manter-se tenso.
O rumor da catarata começou a ficar para trás e Tyson já se julgava alvo quando, subitamente, se viu lançado ao ar com terrível força. O carvalho chocara tremendamente com uma enorme rocha que surgira no seu caminho.
Tyson fechou os olhos. Sentiu que caia de novo na água, muito perto da magem, e a sua cabeça bateu contra uma pedra, dando-lhe a sensação de que o mundo se desmoronava sobe ele.
Fez um esforço desesperado para não perder os sentidos, mas não o conseguiu e, depois de um breve esbracejar, mergulhou no mundo da escuridão e ficou imóvel junto da pedra com a qual havia chocado ao cair, enquanto as águas do Colorado lhe roçavam brandamente o corpo, como arrependidas de o terem tratado com tanta crueldade.
(Coleção Pólvora, nº 53)

PAS255. Arrastado para a catarata

Tyson caiu como um fardo para o fundo do barranco. Por instantes sentiu o vento zumbir-lhe aos ouvidos, na queda, acabando de devolver-lhe a consciência, e as tumultuosas e sujas águas do Colorado passaram fugazmente diante dos seus olhos, subindo ao seu encontro com a rapidez de um raio.
Aspirou ruidosamente o ar, enchendo os pulmões, e encolheu-se quanto pôde, esperando o choque com a água – que não tardou.
Por sorte mergulhou de lado, amortecendo com o ombro a força do choque, e fechou os olhos até sentir que tocava no fundo do rio, sem dano de maior.
Sentia náuseas e um calafrio percorreu-lhe o corpo, mas teve a necessária presença de espírito para dar um golpe de pernas, conseguindo chegar à superfície ao mesmo tempo que a corrente o levava rio abaixo.
Apetecia-lhe deixar-se afundar novamente, procurando o descanso definitivo na fresca e macia massa líquida que o rodeava, mas o desejo de viver foi mais forte do que a fadiga e começou a nadar penosamente, com um imenso esforço, tentando cortar a corrente em diagonal, na direção da margem.
Desafivelou o pesado cinturão, mas a corrente era forte demais e ele verificou, com angústia, que não podia alcançar a margem do rio.
Um rumor que aumentava a cada instante chegou até ele, mas Tyson, no estado de esgotamento em que se encontrava, não pôde identifica-lo. Esbracejava desordenadamente, num último esforço para manter-se a flutuar.
O rio arrastava-o implacavelmente na direção da catarata como se o tivesse poupado no terrível mergulho para o despedaçar pouco depois…
(Coleção Pólvora, nº 53)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

PAS254. De como o «cow-boy» Tyson perdeu a identificação



Os tiros foram como um acicate que renovou as energias do fugitivo. Tyson abrigou-se por trás de uma grossa pedra e, apoiado nela, respondeu por momentos ao fogo do inimigo, observando que Koler avançava penosamente, atrás dos outros.

Uma náusea insuportável começou a invadi-lo, com um zumbido intenso nos ouvidos, que era talvez consequência da perda de sangue.

Tyson correu outra vez, cambaleando mais. De uma das vezes caiu no chão e ouviu o brado de triunfo de Just, atrás dele. Mas conseguiu ainda levantar-se e, com os olhos meio fechados e a respiração agitada, alcançou a beira do precipício, ao fundo do qual corriam as turbulentas águas do Colorado.

Olhou para baixo, tomado de vertigens. Depois, ofegante, olhou para trás, vendo que Spade e Just se separavam para cortar-lhe a passagem ao longo da aresta do barranco, enquanto Koler formava o centro daquele triângulo de morte.

«Não tenho outra solução senão atirar-me à água… - pensou . – É a minha única oportunidade, e quanto mais me demorar, tanto pior para mim».

Levantou-se, provocando novos tiros dos seus perseguidores. Spade, seguro de que ele não poderia agora escapar, adiantava-se lentamente, com o corpo inclinado para a frente.

Tyson curvou-se para descalçar as botas, disposto a lançar-se para o abismo, mas quando ia atirar-se Spade pulou sobre ele, derrubando-o.

- Agarrei-o!... – bradou.

Sentou-se sobre o corpo de Tyson e o fugitivo fechou os olhos, esperando a derradeira bala – que todavia não chegou.

Just e Koler aproximaram-se e Spade olhou para eles sorridente.

- Mata-o!... – grunhiu Koler.

Apontou o seu revólver à cabeça de Tyson, mas Spade afastou a arma, com uma pancada seca.

- Espera!...

Tyson mergulhou na incosnciÊncia, enquanto o bandido lhe revistava os bolsos da camisa, tirando-lhe os documentos, entre os quais o que comprovava a sua identidade, que guardou.

- Agora podes fazer o que quiseres… - disse ele a Koler.

(Coleção Pólvora, nº 53)