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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

PAS578. O dia em que Jane se juntou ao seu amado

Passaram-se quarenta anos sobre os factos que acabámos de relatar.
Kansas City tinha-se desenvolvido extraordináriamente e agora é uma cidade próspera e bela, cheia de movimento.
Naquele dia fazia precisamente quarenta anos que Nelson Montgomery morrera.
Como sempre sucedia todos os anos, uma caleche parou no cemitério da cidade. Era a quadragésima vez que tal se verificava àquela mesma hora e naquele mesmo dia.
Uma velhinha encarquilhada e trôpega desceu do veículo ajudada pelo cocheiro. Com passas incertos, dirigiu-se para o portão que abriu e atravessou, Na mão, levava um belo ramo de rosas brancas.
Depois de percorrer diversos arruamentos deteve-se em frente de uma campa.
Na lápide lia-se apenas:

Nelson Montgomery

Ajoelhou-se e com devoção depositou na fria lousa as flores. Orou com fervor. Não chorou. Havia quarenta anos as lágrimas secaram-se-lhe para sempre.
Levantou-se com dificuldade e teve uma pequena hesitação. As pernas tremeram-lhe e caiu desamparadamente sobre a campa agora florida.
Alguns indivíduos que por casualidade iam a passar observaram a cena e acorreram pressurosos. Nada puderam fazer. Jane Taylor, pois era ela, acabava de entregar a sua alma ao Criador.
Uma pomba branca esvoaçou sobre o cemitério...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PAS577. Reabilitação que chega em momento de duelo fatal

Os dois adversários encararam-se, tensos, as mãos a tocar nas coronhas. Ambos se conheciam de sobra e sabiam com o que podiam contar.
Na praça o silêncio era impressionante e finalmente, de entre aquela vasta assistência ouviu-se uma voz possante:
— Um... dois... TRÊS!
BUM! Ninguém conseguiu explicar como as coisas se passaram. Ambos empunharam e sacaram os revól veres mas apenas um tiro maior que um trovão se ouviu.
Nelson Montgomery estremeceu violentamente e caiu de costas desamparado.
Um ah! de admiração ouviu-se em uníssono. O valente rapaz fora atingido e pelos vistos com gravidade.
Como uma só pessoa todos olharam para o bandido. Este sorria e os seus revólveres ainda fumegavam. Mas sempre a sorrir, o bandido foi vergando as pernas ao mesmo tempo que dois fios de sangue lhe escorriam pela face, provenientes de dois buracos abertos na testa.
Por fim caiu. Estava morto. O sorriso era somente o esgar da morte.
Entretanto Jane, ao ver o seu adorado cair, perdera os sentidos sem um queixume e caíra também.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

PAS576. Momento estragado pelo aparecimento inesperado do bruto Kansas Kid

Levantou-se e despiu a roupa que envergava. Dirigiu-se à casa de banho e dentro de momentos refrescava-se com um banho de água fria. Depois daquele duche resolveu, fazer a barba, que havia seis dias não era feita.
Em seguida penteou-se com esmero, envergou roupa., limpa e passados momentos percorria as ruas de Kansas City.
Seis dias de imobilidade haviam-lhe emperrado as pernas e andando um bocado a pé, desentorpecia-as.
Todos o fitavam com certo receio e respeito, pois eram já conhecedores das atitudes do rapaz.
Sentiam por ele grande admiração, não só pelo seu procedimento violento, como também pela coragem que demonstrara ao salvar de uma morte certa a filha do rancheiro Taylor.
Haviam-se criado dois partidos. Um, desfavorável ao rapaz, considerava a salvação de Jane como um acaso furtuito. O outro, favorável, considerava aquele ato como prova dos bons sentimentos do jovem forasteiro, relegando para segundo plano as suas qualidades de brigão, que atribuíam à sua juventude fogosa.
Nelson Montgomery continuou o seu passeio, completamente alheio ao que se passava em seu redor.
Não lhe interessava o modo como o classificavam, pois tinha a certeza de que, dentro em breve, a opinião pública se inclinaria a seu favor.
De repente ouviu o barulho de um carro puxado por cavalos e olhou.
Frank Taylor e Jane acabavam de chegar à cidade. Não o viram e pararam em frente de um estabelecimento pertencente a um Dal Cooper, onde se vendiam os mais diversos artigos para ranchos.
Nelson, ansioso por estar com a rapariga, resolveu fazer-se encontrado com eles.

domingo, 31 de janeiro de 2016

PAS575. E, naquele momento, o cavalo tomou o freio nos dentes

No dia seguinte, Nelson Montgomery, para se familiarizar com a cidade, montou o seu cavalo e começou a percorrer as ruas ao acaso. A certa altura, num cruzamento, quase ia sendo atropelado por uma «charrete» puxada por dois belos cavalos brancos e guiada por uma jovem de estonteante beleza.
O cavalo empinara-se de súbito e, se não fosse o sangue-frio do rapaz, este teria caído e serra apanhado pelas rodas do veículo.
Furioso com o acontecimento, Nelson, depois de dominar a sua montada, pensou lançar-se em perseguição da rapariga para a chamar à ordem pela sua falta de senso em andar pelas ruas da cidade com aquela velocidade.
Foi então que reparou que alguma anormalidade se estava a passar com os cavalos que puxavam o carro.
A rapariga fazia esforços 'inauditos para parar o veículo. Os cavalos porém não lhe obedeciam e continuavam no seu louco galopar. Certamente que haviam tomado os freios nos dentes e se ninguém os conseguisse dominar 'a vida 'daquela jovem estaria em perigo. A vida dela e a dos diversos transeuntes que porventura se não desviassem a tempo.
Em face disso, não hesitou. Esporeou violentamente o seu cavalo que protestou com um relincho e se lançou em perseguição do carro que estava já a cerca de sessenta metros 'de distância.

sábado, 30 de janeiro de 2016

PAS574. Um passado pouco recomendável

Nelson Montgomery viera ao mundo vinte e sei anos antes. Precisamente naquele dia, fizera o seu vigésimo sexto aniversário. Nascera numa aldeola dos confins de Nevada e era filho de um casal de trabalhadores rurais, pobres mas honrados.
A sua infância fora, na sua quase totalidade, passada entre gente pobre e os seus companheiros andavam tão andrajosos como ele. Cedo, começara a conhecer a dureza da vida, poi o trabalho de seus pais e os seus ganhos para pouco mais davam que para comer e por vezes bastante mal.
Assim, para ajudar o sustento dos seus, começo a fazer recados, pelos quais ia recebendo algumas gorjetas que entregava integralmente a sua mãe que via obrigada a aceitá-las.
As más companhias, no entanto, perderam-no. O mal foi terem levado a cabo o primeiro roubo do qual se saíram airosamente.
Ao primeiro sucedeu o segundo, depois o terceiro e por aí fora numa rápida sucessão, até que pela primeira vez, um dos que estavam a ser assaltados reagiu travando-se uma luta violenta entre os quadrilheiro nessa altura espigadotes, o mais novo dos quais tinha quinze anos, e um grupo de honrados cidadãos que acorrera aos gritos de socorro.
Dessa contenda resultou uma morte.
Um dos companheiros de Nelson agredira com uma barra de ferro um dos cidadãos, esmagando-lhe a cabeça. Foram todos presos, menos Montgomery, que conseguira evadir-se.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

BUB105. Vida por amor


 
(Coleção Búfalo, nº 105)
 
Nelson Montgomery era um rapaz brigão e cedo teve de fugir da terra que o viu nascer devido à falsa acusação de que havia morto alguém, deixando a mãe com a tarefa de arranjar provas da sua inocência. O seu percurso não foi nada recomendável com assaltos em que procurou não ferir ninguém até que chegou a Kansas City onde viria a conhecer a mulher dos seus sonhos.
Associado a um bandido mexicano, veio a saber que este se preparava para atacar o rancho da sua amada e tudo fez para o defender. No momento da chegada da sua mãe a Kansas City com o indulto tinha acabado de enfrentar o chefe da quadrilha, matando-o, mas ficando moribundo. Foi triste o adeus de Nelson Montgmory o que deu a «Vida por amor» uma tonalidade comovente.
Tal como demonstraremos oportunamente, a capa nada tem a ver com o livro, mas com o número seguinte da coleção Búfalo, do mesmo autor, e com o titulo «Território Índio». Mas foi assim que foi publicado e assim seguiremos com algumas passagens.