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sábado, 11 de janeiro de 2014

PAS218. Morrer a rir

Gidconese, sem deixar de rir, continuou a avançar. E, de súbito…
A rapariga premiu o gatilho da arma que empunhava, embora sem a intenção de feri-lo. Apontou por cima da cabeça, convencida de que daquele modo se faria obedecer.Mas…
A detonação foi repetida várias vezes pelo eco das paredes. Eva teve a impressão de haver disparado várias vezes. Viu Gidconese estacar, petrificado, oscilar e fazer esforços para não perder o equilíbrio, e finalmente, tombou no solo.
Já não se ria. Da sua cabeça jorrava sangue…
- Kerry! – gritou ela, horrorizada. – Eu não quis… Oh! Meu Deus!
Deixou-se cair de joelhos ao lado dele, precisamente no instante em que o xerife, descalço, assomava à porta do quarto.
- Que sucedeu, Eva? Como? Um homem ferido? Está morto! Diabo! Gidconese! Por que fizeste isso, menina?
A jovem, em cujo rosto se pintavam o assombro e o terror, mirou-o de olhos fora das órbitas.
- Não quis… Disparei… Mas… Meu Deus1 Tem piedade de mim!
Weston, o xerife, moveu a cabeça como se prestasse atenção a qualquer coisa.
Muito próximo, ouviam-se já numerosas vozes de homens que chamavam Gidconese, o lenhador, em alta gritaria.
- Corre! Depressa! – exclamou Weston, obrigando a rapariga a levantar-se e empurrando-a para o quarto. – Foge daqui. Esses homens já estão irritados só de julgarem que não respeitaste o seu chefe. Vamos! Corre e esconde-te na floresta. Quando tudo serenar, irei buscar-te.
Ela obedeceu maquinalmente. E, enquanto saía pelas traseiras da casa, murmurava:
- Matei o Kerry! E ele ria-se…!
Aterrada, desapareceu na escuridão da noite. No ar havia um eco sinistro, sibilando, que lhe percutia nos ouvidos:
«Mataste-o! Mataste-o! E ele ria-se!»
(Coleção Búfalo, nº 54)
 
Weston convence Eva que matou Kerry e leva-a a fugir. Mas será que tanto eco escondia mais algum tiro do que o da jovem?

PAS217. Brincar aos índios

Garry ficou só.
Na comprida varanda, ponto estratégico para contemplar uma magnífica paisagem da montanha, Garry fechou-se nas suas recordações.
Três rapazitos brincavam aos índios. Nas suas brincadeiras havia sempre o Grande Chefe, o Pequeno Chefe e o Rosto Pálido. Trocavam estes papéis entre si, mas o Grande Chefe era sempre o traidor, enquanto o Rosto Pálido era o herói do drama. Por seu turno, o Pequeno Chefe era o índio amigo. O que livrava sempre o seu o seu Irmão branco do sangrento «tomahawk» do Grande Chefe cruel.
Depois os seus pensamentos rumaram noutro sentido. Até à cabana do «Amigo das Sombras». Relembrando o que lá se passara na noite anterior, Garry murmurou de súbito:
- Como é que pudeste fazer isto, Schuyler? Tu e eu odiámos sempre o suicídio. Achávamos que era uma cobardia.
Mal pronunciou estas palavras, Garry estremeceu. Assim…
- Não acredito! – exclamou em voz alta. – Schuyler não se matou!
(Coleção Búfalo, nº 54)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

PAS216. Na cabana do «Amigo das Sombras»

Encontrou a porta aberta. Tinha tomado a precaução de perguntar em voz alta se havia alguém. Como não obteve resposta, atravessou o umbral e acendeu um fósforo.
A sua primeira impressão foi de não estar lá ninguém. Viu uma janela aberta, um fogão enferrujado e uma cama tosca coberta de mantas. E no chão…
No chão estava qualquer coisa. Foi ver melhor, mas, tendo-se consumido o fósforo, teve de o largar para não queimar os dedos.
Seguidamente acendeu outro. E, assim que se fez claridade…
Sufocou um grito na garganta. Acabava de descobrir o cadáver de um homem. Uma bala atravessara-lhe a cabeça. Parecia adormecido, apesar da terrível mancha na fronte e do charco de sangue negro que ainda brilhava no chão.
Mas não era isso que o tinha petrificado. Era…
Era o seu primo Schuyler Slade! Aquele que, segundo os seus cálculos, se devia encontrar muito longe dali.
(Coleção Búfalo, nº 54)

BUF054. O amigo das sombras


(Coleção Búfalo, nº 54)



Este livro, de Rogers Kirby, começa, como é da praxe, com um pouco de história sobre a Califórnia e sobre a cidade dos esqueletos, imagem genérica das cidades abandonadas após a febre do ouro.
Depois, este livro é um tanto confuso. Garry comprou através de um amigo o rancho Peak Meadow e, quando regressa para tomar posse do mesmo, auxilia um primo que foge à injustiça da justiça fácil que o acusa da morte de um homem. Garry toma o lugar do perseguido, mostrando-se e fugindo no seu cavalo, para lhe dar tempo ara escapulir-se para o México.
Quando já se encontra perto do seu destino, é preso por um grupo de lenhadores, mas uma cumplicidade suspeita do xerife faz com que mostre a sua inocência. Entretanto, o seu primo aparece morto, admitindo-se a hipótese de suicídio.
Aos poucos a figura do perigoso “Amigo das Sombras” é introduzida na novela, sem lhe atribuir um papel relevante, sabendo-se que é um indivíduo perigoso, que não fala, que dispara por tudo e por nada e se esconde numa cabana.
Garry toma conta do seu rancho, estranhando não encontrar o amigo que o comprara para ele. Aos poucos, Kirby conduz a trama para vir a considerar o xerife como o criminoso e a fazer confundir a sua pessoa com o “Amigo das Sombras”… Tudo parece fácil, as pessoas aparecem e desaparecem conforme o autor quer, os potenciais criminosos mudam com a facilidade com que o dedo pode apontar.
Interessante de início, o livro vai caindo na vulgaridade à medida que a leitura avança…

Passagens selecionadas:

PAS216. Na cabana do «Amigo das Sombras»
PAS217. Brincar aos índios 
PAS218. Morrer a rir