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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

PAS157. Lágrimas de felicidade

Com um grito e um ligeiro esticão das rédeas deteve o enorme garanhão quando este chegava junto da escadaria de mármore; baixou-se, enlaçou a condessita pela cintura levantando-a com incrível facilidade, para sentá-la na sela; conteve o oficial que se lançava sobre ele dando-lhe um pontapé em pleno rosto que o atirou ao chão com o nariz partido, e então, como desesperado recurso, cravou as esporas nos flancos de «Flash» que, com um salto tão violento que esteve ao ponto de atirar ao chão a sua dupla carga, partiu como uma flecha até à sebe mais próxima, pisando os maciços de flores.

PAS156. Em paz com a condessa

- É o cavalo mais bonito e inteligente que ainda vi – disse inesperadamente uma voz agradável e de ricas tonalidades com ligeiro acento estrangeiro, que fez dar um salto a Gary, que estava selando «Flash» com quem ia chalaceando como se o nobre bruto pudesse entendê-lo. Velho hábito adquirido nas longas jornadas solitárias nas planícies do Texas, quando durante dias e dias o cavalo era o seu único companheiro.
- Alteza – sorriu, tirando o chapéu depois de uns instantes em que ficou paralisado pelo assombro. – A verdade é que me alegro duplamente de vê-la antes de marchar.
- Duplamente? – perguntou ela com um gracioso sorriso de estranheza.
- Sim, condessa. Sempre…
- Por favor, Mac Call. É certo que na Rússia tinha esse título, mas aqui não sou mais que «miss» Olga Selanova.
- Aqui e em qualquer parte merece a senhora um trono por ser bonita. E sempre digo que é agradável poder admirar uma beleza como a sua, mas neste caso, além disso, queria pedir-lhe perdão pelo meu brutal comportamento desta manhã. Não consigo explicar como pude chegar a semelhantes extremos, e, ainda que não possa esperar que me desculpe, uns olhos tão maravilhosos como os seus só podem conceder perdão, porque seria um crime anuviá-los com rancor.
-É verdade… o senhor afirma coisas muito bonitas – sorriu encantadoramente a condessita.
Gary não saia do seu assombro. Aquela nova versão de uma Olga sensível e sorridente parecia-lhe impossível. A rapariga embelezava-se extraordinariamente de cada vez que o coral dos seus lábios frescos e carnudos se entreabria para mostrar o nacarado tesouro do seus dentes iguais e pequenos.
(Coleção Búfalo, nº 42)

PAS155. Um par de açoites na condessa

Através da janela aberta filtrava-se um raio de luz. Ainda não eram sete horas, mas por um lado o velho hábito de levantar-se com o Sol, por outro os sucessos da véspera, mantinham-no inquieto e incapaz de conservar-se mais tempo na cama. Decidiu levantar-se para dar um passeio que lhe permitisse pôr as ideias em ordem.
Lavado e vestido, saiu silenciosamente do quarto, atravessou o corredor e começara a descer a escadaria quando se lembrou de que no dia anterior vira uma biblioteca no isso que acabara de deixar e decidiu voltar atrás para escolher uma novela, pois talvez encontrasse algum lugar agradável para ler um pouco antes do pequeno almoço. Depois propunha-se ir buscar «Flash», visto que o pobre devia estar ancilosado por melhor que o tratassem na espçosa e limpa cavalariça de Lovejoy.
Apenas havia descido alguns degraus quando o assaltou a ideia que o obrigara a deter-se, e voltando atrás dispôs-se a subir de novo; mas conteve-o o ruído de um vivo bater de tacões que se aproximava rapidamente, e no mesmo instante alguém dobrou a esquina formada pelo corredor ao começar a escadaria, saltando alegremente os primeiros degraus com o ímpeto de quem está seguro de encontrar o caminho livre.

domingo, 10 de novembro de 2013

PAS154. O cristalino murmúreo de um arroio de água fresca

Lovejoy saltou da caleche e dirigiu-se ao interior da casa. Gary desmontou então calmamente e, dando uma palmada em «Flash», subiu também ao encontro da rapariga com ares de princesa, que parecia esperá-lo.
- Vinha com «mister» Lovejoy? – perguntou ela com voz que recordou ao vaqueiro o vivificante e cristalino murmúrio de um arroio de água fresca e clara em pleno deserto, com um estranho acento desconhecido para ele.
Não pôde logo responder porque estava ocupado em admirar a perfeição daquele rosto que se erguia para ele, deslumbrando-o com a luz de uns olhos glaucos tão maravilhosos como nunca vira.
Mas a sua descarada observação pareceu desagradar à rapariga, que tomou uns ares de princesa ultrajada, pretendendo fulminá-lo com o desprezo que uma rainha sentiria pelo mais miserável dos seus vassalos que ousasse importuná-la. Não obstante, essa repulsa tornou-se inofensiva para a alegre desfaçatez do jovem que abriu os lábios num ligeiro sorriso mostrando a fila branca dos seus dentes sãos e fortes, que contrastavam com o tisnado do rosto.
- De onde se escapou a senhora, princesa? – perguntou com a sua maneira lenta e arrastada de falar, sem afastar os olhos dela, de modo que por fim a fez pestanejar e desviar os seus. – Apenas aos marinheiros ouvira histórias de sereias tão formosas como um bocado do sol no Texas.
Um leve rubor de indignação tingiu as acetinadas faces da rapariga, e por um momento pareceu que ia dizer alguma coisa, mas pensando melhor deu meia volta e atravessando o amplo pórtico desapareceu na cas, altiva e airosa como ninguém.
- Bem – resmungou Gary consigo, tirando tabaco e enrolando um cigarro. – Quem será esta orgulhosa preciosidade?
(Coleção Búfalo, nº 42)

PAS153. São Francisco

Quando os cascos do seu soberbo cavalo golpearam as pranchas de madeira que retumbaram qual gigantesco tambor, Gary Mac Call deteve-o com um ligeiro esticão da brida, e apoiando-se sobre aborraina da negra sela mexicana, magnificamente lavrada e com rutilantes incrustações de prata, ficou absorto contemplando o agitado e ensurdecedor tráfego dos extraordinários molhes. Acres e acres tinham sido roubados ao mar, e sobre fortes estacas assentavam aqueles estrados sobre os quais rapidamente haviam sido construídos, nos mais dispares tamanhos, armazéns, lojas, tabernas e habitações.
Entre estes edifícios os espaços livres apareciam abarrotados de amontoadas mercadorias e por toda a parte se agitava uma multidão que febrilmente trabalhava para produzir a confusão que a chegada quase constante de novos barcos tornava caótica. Junto da linha grácil dos veleiros que haviam dobrado o cabo Hornos, aparecia o pesado vapor de rodas proveniente das rotas de Nova Iorque e Panamá. Buques das mais distantes partes do mundo chegavam cheios de gente em busca de fortuna, que desembarcava açodadamente como se temesse chegar tarde, agregando-se à multidão que se apinhava ao longo da costa, seguida a maior parte das vezes pela própria tripulação, e, assim, o porto ia-se enchendo de uma frota silenciosa, cujos mastros, como braços que clamassem ao céu, se elevavam formando um fantástico bosque de erectas árvores mortas, entre o lúgubre clamor dos cordames agitados pelo vento.
Aquilo era São Francisco!
(Coleção Búfalo, nº 42)

BUF042. Califórnia


Neste livro, um jovem cowboy, desejoso de se estabelecer num rancho no Arizona, chega a S. Francisco da Califórnia em busca de fortuna e, após truculentas cenas de tiros e pancadaria, encontra uma condessa russa, fugida à perseguição no seu país, pela qual vem a apaixonar-se...

Tex Taylor é um autor muito experiente que demonstra alguma capacidade para a descrição paisagística, mas por vezes deixa-se levar pela receita destas novelas e brinda-nos com infindável pancadaria. Valha o final feliz.

O nome do livro refere-se a um saloon onde se desencadeou uma cena chave da acção.

A capa, de autor desconhecido, não assinada, mostra a entrada atenta do herói nesse bar. Algo o espera, algo vai passar-se...
 
 
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