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domingo, 7 de novembro de 2021

ARZ133.12 O xerife encontra uma noiva e termina a sua missão

Uma das coisas que mais surpreendera o xerife fora o ódio repentino que Max Tyler sentira pelo jogador Douglas. Outro pormenor, bastante suspeito, era a personalidade de «mistress» Tyler. A esposa do prefeito era uma mulher aborrecida, incapaz de sustentar uma conversa devido à sua surdez. 

O'Farrell soube mais tarde que as senhoras Tyler e Coleman quase nunca se encontravam e que não eram bastante amigas para fazerem confidências uma à outra. Ela dissera-lhe que não sabia nada do cofre de Coleman e que o marido fora amigo de Barnes. 

Pensava o xerife que Coleman fora atingido pelas costas durante o tiroteio que travara com ele. Isto parecia muito estranho, como se Tyler e Barnes tivessem preparado os acontecimentos e o prefeito houvesse dado ao assassino um bom maço de notas para que desaparecesse de S. Luis. 

sábado, 6 de novembro de 2021

ARZ133.11 Um homem de teatro e cultura morre ao comando do seu barco

William Chapman bebia uma chávena de café sentado no seu minúsculo gabinete do «Loving Kate». Era fácil deduzir que se encontrava satisfeito a contemplar os montes de moedas que pusera em cima da secretária, a primeira boa receita da temporada. Bateram à porta. 

— Entrem. Ainda não se foram deitar? 

O primeiro que apareceu no limiar foi Perry Douglas, logo seguido de Mackley e Alex. O empresário franziu os lábios, surpreendido com tão intempestiva e inesperada visita. 

— Olá, Douglas. Contava a receita do espetáculo. 

Entraram os três e fecharam a porta atrás deles. Alex sentou-se na cama. Mackley fez soar os dólares que estavam em cima da secretária. 

— A sorte das pessoas é variável como um dia de Outono — disse Perry, que passeou a vista pelo aposento. — Você subiu e nós, pelo contrário, estamos quase enterrados. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

ARZ133.10 Manifestação de puritanos contra a artista impúdica

A brigada encarregada de fiscalizar os espetáculos do embarcadouro obteve um êxito que nem os mais otimistas esperavam. Com o prefeito Tyler à frente, que se convertera em seu paladino, patrulhavam o porto e até, desprezando os preceitos legais, obrigavam os clientes mais assíduos dos «saloons» flutuantes a mudar de caminho. Certa vez, uma multidão exaltada entrou na sala de jogo. 

— Estas mesas têm batota! — gritou o organizador do protesto. 

Puxaram de alavancas e machados e bateram brutalmente nas roletas e nas mesas de pano verde. Douglas não se encontrava lá e os seus ajudantes não se conseguiram opor. 

Esta reação colérica e sistemática prejudicou gravemente os interesses do jogador. Parte da população, a mais ativa, juntara-se para o derrubar. 

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

ARZ133.09 Atraído ao local do crime

Chovia ligeiramente naquela noite, como prenúncio da tempestade que pairava no ar. O vento uivava nas árvores que se erguiam ao longo do paredão. 

De longe, ouviu-se o galope de um cavalo. Um pouco mais tarde, o cavaleiro apareceu na travessa e avançou mais algumas jardas. Chegado a umas grandes portas falsas, desceu do cavalo e, sem o largar, abriu e entraram. 

O xerife O'Farrell saiu do esconderijo formado por um recanto entre a fachada e o paredão. Ficou imóvel diante da entrada, expectante e silencioso. Não ouvia nenhum ruído lá dentro, nem passos, nem o cavalo mexer-se. O mesmo acontecia na rua. 

Aproximou-se da porta, empunhou o revólver e levantou o fecho. Rapidamente, entrou na cavalariça. Olhou à sua volta. Era um barracão que servia para resguardar dois carros. Mais adiante havia um pátio e a seguir uma cavalariça. Fora em tempos remotos a casa solarenga dos Coleman, mas o último descendente não a utilizava. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

ARZ133.08 «Saloons» flutuantes: prós e contras

 Com o correr dos dias, tornou-se mais firme a decisão do prefeito Tyler no tocante ao negócio de diversão em S. Luís. Recebeu uma comissão de puritanos, os quais exigiam uma limpeza drástica da cidade, e prometeu-lhes uma ofensiva em regra contra os negociantes do género de Perry Douglas. A tarde haveria uma reunião municipal, que se calculava seria de grande importância. Não faltou um só vereador de quantos representavam os diversos bairros. 

Max Tyler, tão congestionado como sempre, com a sua grande e desbotada blusa de caçador, cheia de franjas, que vestia, sem dúvida, para significar a sua devoção aos primeiros pioneiros que conquistaram as pradarias através dos antigos caminhos de Santa Fé e Oregão, levantou-se do estrado principal e declarou: 

— O clamor do povo chegou até mim, exigindo que ponhamos termo aos desmandos, aos roubos e à imoralidade. Jogadores, pistoleiros, mulheres de vida fácil, artistas de perna ao léu e espectadores que se embebedam... toda esta gente maldita se instalou na nossa cidade e a emporcalha. Não podemos consentir que isto continue. 

terça-feira, 2 de novembro de 2021

ARZ133.07 Luta por uma mulher bela, mas enganadora

 Passara um mês desde o assassínio de Roy West. Ruth, a jovem viúva, nada pudera revelar ao xerife, porque nada sabia. 

Embora a conspiração do silêncio começasse a ceder, ainda se mantinham muitos pontos escuros e algumas personagens-chaves davam a calada por resposta. O que parecia esclarecido era a origem da fortuna do jornalista: recebera uma parte dos lucros da diversão, sem que o xerife soubesse qual fora a sua participação no negócio. Entre Perry Douglas e Coleman estava o segredo. 

Uma noite, O'Farrell encontrou no restaurante de «mister» Halper o juiz Copeland. Jantaram juntos numa mesa afastada. 

— Vejamos, xerife -- disse Cove S. Copeland, entre duas garfadas. — Cada dia que passa, prendemos mais curtos os jogadores. Conforme você recomendou, publicou-se uma ordem judicial destinada a sanear a festa do «rodeo». Consta-me que terminaram as trapalhices. 

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

ARZ133.06 Boicote à tragédia grega a partir do «saloon» flutuante

 Sentou-se num banco e pôs o chapéu em cima das pernas. Quando virou a cabeça, descobriu o prefeito, que tirava uma cadeira de um canto do camarote, para se sentar a sua excessivamente adornada esposa. Tyler também o viu. 

— Suba, xerife — convidou-o, depois de o comprimento. — Terei muito prazer em assistir ao espetáculo na sua companhia. Dizem que o de hoje é muito bom. 

E acrescentou ao ouvido de O'Farrell: 

— Nas outras noites adormeci. Não o pude evitar. As tragédias dos grandes autores gregos são joias do teatro mundial, mas maçadoras como os bêbedos. 

O xerife sentou-se e cumprimentou cerimoniosamente a esposa do prefeito. Ocupou um lugar à direita de Tyler, na parte mais afastada do palco. Faltavam apenas dois ou três minutos para o espetáculo começar, o que não impedia que a sala ao ar livre estivesse menos de meia. 

domingo, 31 de outubro de 2021

ARZ133.05 A mulher fascinante que assistia ao «rodeo»

O'Farrell foi assistir ao «rodeo» porque, caso estranho, tomava parte nele Driver, conhecido jogador da quadrilha de Douglas, mas desconhecido na sua nova versão de vaqueiro. Dava-se, além disso, a circunstância, muito tentadora para O'Farrell, de Piky Laura também assistir, entre os bandidos do «saloon» flutuante. 

Driver acabava de se apresentar montado num potro baio, com manchas cor de cinza. Dominou-o com magnifica mestria; nem uma só vez abandonou a sela, apesar de serem muitos os esforços do cavalo. Fê-lo galopar velozmente, saltou por um lado, voltou a subir e atirou-se pelo outro lado. Parecia ter asas nos pés. Fazia verdadeiras diabruras a cavalo; mudava constantemente de posição, saltava por um flanco e aparecia por outro. Mas ainda não estava plenamente satisfeito com o seu trabalho. 

— Agora vão ver! — exclamou. 

sábado, 30 de outubro de 2021

ARZ133.04 Um beijo roubado

Cove S. Copeland encontrava-se sentado no seu gabinete a examinar uma porção de documentos. Atrás dele, na parede, havia um retrato litográfico do atual presidente, William McKinley. Em cima da secretária via-se um tinteiro, um cofrezinho e uma pequena balança, que, convenientemente nivelada, representava a lei. 

Por fim, levantou os olhos. Teria cerca de sessenta anos, era, ossudo e seco, e possuía uma expressão tão dura que se tornava desagradável. 

— Foi um crime político. West tinha ligações com altas personalidades que lhe proporcionavam pingues benefícios. Donde vinha o dinheiro? Da não observância das leis. Os dólares que deviam entrar nos cofres municipais e, por acréscimo, do estado, ficavam a meio do caminho, justamente pela lamentável situação em que se encontra São Luis. 

Cove S. Copeland pôs as mãos atrás das costas e passeou algum tempo, silencioso e grave. 

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

ARZ133.03 Dono do império flutuante

Com o chapéu na mão, o xerife subiu a prancha que conduzia ao «saloon» flutuante de Perry Douglas. Trazia fato escuro e laço preto no pescoço, sobre a camisa de seda branca. Excecionalmente, metera a insígnia de xerife no bolso do colete, sem dúvida porque lhe interessava dar uma vista de olhos sem chamar a atenção. Era a primeira vez que entrava ali. Esteve uns minutos indeciso, com a mão na balaustrada. 

Os três barcos fluviais permaneciam fundeados no embarcadouro, dois «saloons» e um teatro. Na realidade, aqueles faziam uma concorrência desleal ao último, cujas receitas provinham das peças que representava. 

Os «saloons» transportavam passageiros de um ponto para o outro do rio, como linha regular de transporte, exploravam os divertimentos e exibiam no palco as artistas mais bonitas. Mas naquele momento o palco tinha o pano descido e os espectadores olhavam para a escada, coisa que surpreendeu o xerife. Olhavam-no a ele? Virou um pouco a cabeça. 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

ARZ133.02 Matança no «saloon» flutuante


 A verdade é que visitou de novo os «saloons» flutuantes. Estes faziam uma longa viagem de Kansas City a Memphis, mas ancoravam durante meses em São Luís. Tinham palcos e salas de jogo, onde os viciados arriscavam o que tinham e o que não tinham. 

Vaqueiros, jogadores profissionais, rancheiros, mulheres desejosas de aventuras, senhores de sobrecasaca preta e chapéu de coco, tais eram os frequentadores habituais dos «saloons» flutuantes, cujo vírus contaminara os teatros fluviais, de tal maneira que às vezes o jogador do «saloon» explorava ao mesmo tempo o barco da farândola. 

— A cheirar por cá, hem? Tome qualquer coisa comigo — convidou-o Mark Dondée, proprietário do «saloon» flutuante rival de Perry Douglas, um jovem muito bem--educado, tão correto que não trazia armas. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

ARZ133.01 A morte de um jornalista subitamente rico


S. Luís do Missouri, com os seus cento e cinquenta mil habitantes nos fins do século, era uma cidade mais importante do que Kansas City, esta situada a montante do Missouri. 

Em S. Luis juntavam-se os rios mais caudalosos da União, circunstância que permitia a passagem dos «barcos-saloons» e dos teatros flutuantes, famosos na história do Oeste, os primeiros pela sua turbulência, os segundos pelo seu romantismo. 

Mais do que os problemas de pastos e de linhas férreas que atravessavam os ranchos, como acontecia noutros condados, proliferavam os conflitos de consciência social. Era uma espécie de paraíso dos jogadores e desse mundo tão característico e fascinante que constitui o teatro. 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

ARZ133.00 O xerife e a artista


«O xerife e a artista» é um título enganador, talvez para tornar este livro mais sugestivo. 
A ação decorre em S. Luis do Missouri, cidade com mais de cento e trinta mil habitantes, onde se juntavam os rios mais caudalosos da União, circunstância que permitia a passagem dos «barcos-saloons» e dos teatros flutuantes, famosos na história do Oeste, os primeiros pela sua turbulência, os segundos pelo seu romantismo. 
Tudo começa com a morte de um jornalista que tinha feito fortuna sem se saber como. O xerife O' Farrell decidiu-se a descobrir as causas da sua morte e acabou por se envolver numa atividade frenética para a destruição de uma rede de corruptos, batoteiros e ladrões. 
Um dos principais facínoras gozava dos encantos de uma bela artista pela qual o xerife se sentiu atraído. Mas a pobre rapariga acabou por desaparecer da história depois de uma manifestação de pessoas honestas contra a atividade de «saloons» flutuantes onde mulheres e batoteiros chupavam o dinheiro aos que trabalhavam arduamente. O desprezo final do xerife pelos seus encantos foi suficiente para não mais se ouvir falar nela…
É preciso chegar ao capítulo XI desta novela para desfrutarmos de uma cena verdadeiramente dramática e que dá uma certa qualidade ao texto: a morte do defensor de peças de teatro nos moldes tradicionais de autores gregos e outros clássicos. O homem permaneceu ao leme do seu barco enquanto o fogo o destruía.
De resto, o texto é francamente pobre e abusa de tiroteio para a resolução de problemas…