segunda-feira, 18 de novembro de 2013

BUF047. O peso do revólver


(Coleção Búfalo, nº 47)
 
 
«A amizade que ligava Bem-Tim Coleman ao jovem Drew Solvay tinha a firmeza de uma rocha. Drew era um rapaz insociável e teimoso, quase a transformar-se num homem. Havia dez anos que perdera os seus pais. Nessa altura Bem-Tim levara-o para o pequeno rancho que possuía em Devil Valley. A criança resistira desesperadamente, como qualquer cachorrinho que um rafeiro tivesse agarrado pelo cachaço, para o afastar do seu pequeno mundo».
Bem-Tim ensinou tudo ao jovem Drew. Inclusivamente o manejo de armas, até que em determinado dia concluiu que o jovem já atirava melhor que ele e sentiu que a sua missão poderia terminar. Mas não estava completamente dentro da razão. Pouco a pouco, outros foram conhecendo como ele era hábil com as armas. Um dia foi gozado por pistoleiros que tinham chegado à cidade não se sabia a soldo de quem. E acabou por fazer justiça pelas suas mãos sem se aperceber que com isso entrara na trama de um ricalhaço dono de uma enorme extensão de terras e endividado perante uma família do Alabama. A chegada desta família à cidade, que tinha sido precedida pela chegada do filho mais velho entretanto assassinado o que levou à acusação de Drew, fez  que este conhecesse na jovem Elsa o amor da sua vida e o levasse a afastá-la da influência do poderoso da terra.
Este livro de Alone Gregory é muito interessante e muito bem estruturado. Os capítulos são curtos, talvez uma média de meia dúzia de páginas, e todos têm título. A partir deles quase é possível refazer a história. Para além disso, é de fácil leitura e convincente.
 


domingo, 17 de novembro de 2013

PAS166. Sem tempo para esperar

A penumbra envolvia-os como se fosse um cúmplice a ocultá-los dos olhares de todos e o silêncio obrigava-os a ouvir o bater compassado dos róprios corações; sem que disso se dessem conta os seus rostos aproximaram-se a pouco e pouco.
- Também tenho para ti uma mensagem pessoal – murmurou Lena.
- Entregar-ma-ás quando tiver terminado o meu trabalho, o trabalho que tenho de fazer aqui.
Os ombros de Lena tremeram. Então, Loman viu que os seus olhos se tinham desviado, que se voltavam para qualquer sítio.
- Amo-te – disse Lena em voz baixa. – Preciso de dizer-te antes que seja tarde, Bruce, amo-te.
Bruce Loman compreendeu imediatamente a razão por que a rapariga falava assim, a razão por que adiantava a sua confissão e sobretudo a razão por que tinha desviado os olhos.
À porta estavam três pistoleiros.
(Coleção Búfalo, nº 46)
 

PAS165. Ódio de mulher

O último pensamento de Bruce Loman foi este: «Enforcar-me-ão dentro de casa».
Não havendo por aqueles sítios árvores suficientemente altas, os seus captores deviam ter pensado que dentro da choça encontrariam alguma viga. E por isso se dirigiam para ali.
Loman odiava morrer num lugar sórdido. O seu último desejo teria sido pedir que o deixassem acabar À luz do sol. Mas nem isso pôde fazer. A fadiga e a dor impediram-no de modular uma palavra.
Ao voltar a si, estranhou não sentir no pescoço a pressão da soga. Mas sentia-se tão dolorido que teve a impressão de que estava a ser enforcado. Respirou intensamente, ergueu os olhos e viu Lena junto de si.
Era ela, não havia dúvida. Estava ali serena e sozinha.

BUF046. Fada Negra


(Coleção Búfalo, nº 46)
 

 
Quando Bruce Loman, um agente federal infiltrado na quadrilha de Derringer, abateu em duelo o xerife de Tucson, estava longe de calcular que a noiva deste iria desempenhar a partir daí um papel que em muitos momentos complicou a sua missão. Ela vestiu de negro, ela pegou em armas, ela colocou ao peito a estrela que o noivo usara e a partir daí todos os indesejáveis que existiam na cidade passaram a ter alguém que não lhes facilitava a vida. Transformou-se numa verdadeira Fada Negra.
A memória do xerife abatido acabou por ser ensombrada pelo conhecimento de que este colaborara com bandidos e colhera benefícios disso. E em determinado momento, uma notável mudança de atitude fez que a fada negra se aproximasse sentimentalmente do homem que lhe abatera o noivo.
A segunda obra de Silver Kane na Coleção Búfalo é menos conseguida do que “Caminhos Sinistros”, mas tem momentos de significativa intensidade.
Eis algumas passagens selecionadas:

PAS165. Ódio de mulher
 


AUT002. Silver Kane: a novela negra do Oeste

Nascido em 1927, premiado em 1948 por um juri em que se encontrava Somerset Maughan, Francisco Gonzáles Ledesma escreveu milhares de novelas tendo o Oeste como um dos principais focos e utilizando como pseudónimo o nome de Silver Kane. Ninguém pode ficar indiferente aos seus escritos, sempre extremamente fortes e emocionantes. Ler um livro de Silver Kane é sentir todas aquelas emoções que só ele sabe transmitir: o medo, o asco, o sabor da doença e da morte...
O ser humano é dissecado em toda a sua fraqueza, mas geralmente transporta consigo uma capacidade enorme de regeneração. Tendo passado pelas masmorras franquistas, Ledesma terá ficado marcado pelo ambiente negro que as mesmas trouxeram ao povo espanhol.

sábado, 16 de novembro de 2013

PAS164. Pesadelo

Contexto da passagem: escapando aos perseguidores, But chegou a New Orleans onde tomou conhecimento com a filha do assassinado a quem pôs ao corrente de todos os factos e foi descansar para uma pensão degradada e ruidosa, mas…

 

Ao cabo de dez minutos pareceu-lhe descansar deitado em cima de uma nuvem de algodão. Estava tão esgotado que não tardou a adormecer, apesar dos constantes ruídos que se infiltravam através das frágeis janelas de cada quarto.
Sonhou que um homem estava à beira de um abismo, agarrando-se, desesperadamente, com as mãos a uns arbustos. O homem tentava subir de cada vez mais alto, mas sempre escorregava. A sua situação era já aflitiva. But passou por lá num dado instante e ouviu gritos de socorro. Imediatamente se dispôs a ajudar o homem em perigo e correu para o local de onde vinham os gritos. Mas, de repente, ele viu surgir, detrás de uma pedra, uma mulher de prodigiosa formosura, cujos cabelos louros dançavam ao vento. Ela levantou os braços, convidando-o a juntar-se-lhe. Aquele homem que, irremediavelmente, caía no abismo, seguia, gritando, uns gritos mudos porque ele não podia ouvir nada. A mulher começou, então, a afastar-se, sem, todavia, deixar de o chamar – e ele foi atrás dela… De súbito, ouviu-se um alarido: o do homem que caía no abismo… But despertou nessa altura, com um pequeno salto.
Encontrava-se banhado em suores, em suores frios…
Repentinamente, o grito de há pouco repetiu-se. Mas agora estava But bem desperto. Não era um grito de um sonho. Era um grito verdadeiro. Algo se passava na rua. Escutou. Ouviu uma voz gritar:
- É a Polícia que cercou o bairro.

 

 Iria a Polícia incomodar But? Seria quilo proveniente de alguma denúncia para But não cumprir a sua missão?
(Coleção Búfalo, nº 45)