Drew fez o cavalo dar meia volta e, sem articular uma
palavra, iniciou o caminho do regresso. O outro continuou a rir e só
interrompeu a sua hilaridade para exclamar fingida tristeza:
- Pobre parolo! Fizemos-lhe grande ofensa!
Drew escutou-o mas seguiu o seu caminho, sem estremecer.
- Oiça! – gritou finalmente e Drew deteve-se sem voltar a
cabeça. – Quero dizer que você tinha muita razão! O cavalo não é tão veloz como
me pareceu quando chegou… Ou pelo menos é mais lento na retirada.
Drew permaneceu imóvel. Algo muito frio e duro penetrara na
sua alma. Agora podia «ver» com assombrosa nitidez. A vida e as pessoas
revelaram-se naquele instante na sua autêntica realidade. Tomaram cores vivas
como num quadro em que um pintor clarividente distribui pinceladas a cada
figura para lhe dar o matiz peculiar, o tom que por natureza lhe pertence.
