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sexta-feira, 11 de abril de 2014

PAS286. Reencontro

Contexto da passagem: Clay partiu em busca de Bentley, Parker e Dusty. Entretanto, Digby foge da prisão. Mildred olha pela janela na esperança de ver regressar o seu amado Clay…
 
 
Não tirava os olhos do caminho, esperando que o jovem regressasse. E os dias passavam sem que o visse surgir no horizonte.
A nuvem de pó aproximava-se de casa. Então pôde distinguir melhor os caminhantes. Não eram vários cavaleiros, mas sim um único que era seguida por uma mula carregada de bagagens.
Avançava a todo o galope em direção ao edifício. Estava certa de que conhecia a sua maneira de montar e sentiu um júbilo irreprimível.
Era Clay que voltava para seu lado.
Começou a correr pelo caminho ao encontro daquele homem, agitando a mão no ar,, enquanto os olhos se lhe enchiam de lágrimas de felicidade.
O cavaleiro também agitou a mão e fincou esporas redobrando o galope em que vinha lançado.
De súbito, a rapariga parou, horrorizada. Não sabia nem o que dizer, nem, o que fazer.
Era uma surpresa tão grande que a deixou aturdida. O cavaleiro deteve a montada muito perta dela. Só então Mildred teve força para dizer:
- Tu?!
(Coleção Búfalo, nº 67)

PAS285. As dúvidas chegam aos valores da formosa bailarina

Mildred estava arrepiada.
- Foi horrível. Julguei que morria de medo quando os vi atirarem-se sobre mim. Na verdade o único índio bom é o índio que já está morto…
Clay encolheu os ombros. Tinha uma expressão dura e grave.
- Conheci índios melhores que muitos brancos. Dantes eles não eram assim. Os brancos trataram-nos duma forma pouco exemplar. Como são homens valentes seguiram o caminho da guerra.
Mildred estava cada vez mais surpreendia.
- Parece-lhe bem que os homens lutem para se defenderem?
O rapaz não respondeu. Deixou-se cavalgar mais algumas dezenas de metros. Depois falou no mesmo tom.
- Quando não têm quem os proteja, quando não existe a Lei, é natural que empunhem as armas para defender a vida!
Nada mais disseram durante algum tempo. Os cavalos galopavam através do bosque. Era uma correria que parecia a Mildred nunca mais ter fim.
Clay parou a montada, por fim, e aconselhou:
- Deve desmontar. Vamos descansar um pouco.
Mildred suspirou, aliviada. Estava arrasada do corpo e dos nervos.
Abriu os alforges para tirar o imprescindível café.
O rapaz gritou-lhe:
- Não acenda lume. Não há nada melhor para atrair os índios.

PAS284. Nem à formosa bailarina a Providência negou ajuda

Sabia-se perdida.
Estava só, abandonada, naqueles penhascos, entre uns índios que a contemplavam com expressão pouco tranquilizadora.
Não tinha salvação nem maneira de sair duma situação daquelas.
Retumbou uma detonação.
Um dos índios caíu, gritando de pavor.
Em seguida, entes que os pele-vermelhas se pudessem refazer da surpresa, soou outro disparo.
Novo índio foi atingido mortalmente. Então os pele-vermelhas soltaram-na, dispostos a defenderem-se.
Mildred, ainda estendida no chão, procurou com o olhar quem era o salvador providencial que surgira num momento de tanto perigo.
Foi com surpresa que o reconheceu.
Era Clay Pearson.
(Coleção Búfalo, nº 67)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

PAS283. A formosa bailarina cai em poder dos índios

O galope dos cavalos obrigou Mildred a voltar a cabeça. E viu como os seus indesejáveis «amigos» fugiam a toda a velocidade, deixando-a entregue aos índios.
De momento ficou aturdida. Não podia compreender como havia homens capazes de semelhante ação, sobretudo quando se afirmavam tão amigos de Digby, o seu pai adotivo.
Mas logo em seguida compreendeu o perigo em que se encontrava. Estava ali sozinha e os indios iriam prendê-la. A única solução era defender-se e fugir por entre os matagais, para evitar os tiros dos pele-vermelhas.
Era inútil dirigir-se para o cavalo porque,  certamente, os índios, já de sobreaviso, não lho permitiriam. Já tinham dado conta da fuga dos seus companheiros e não queriam que aquela última presa se lhes escapasse.
Conseguiu internar-se na espessura e continuou a correr, ouvindo como o alarido dos índios se elevava nas suas costas.
Como tinham percebido que se tratava de uma mulher, os selvagens não disparavam mas perseguiam-na com fúria.
De súbito, três índios cortaram-lhe o passo, como se tivessem saído debaixo do chão. A rapariga premiu o gatilho mas o percutor golpeou o vácuo.
Desesperada, ao dar conta que a arma estava sem utilidade, empunhou-a pelo cano, ergueu-a no ar e descarregou-a com força sobre os índios.
Um deles caiu, atingido na cabeça. Mas o outro conseguiu enlaçá-la pela cintura e atirá-la ao chão.
Depois sorriu e murmurou, com voz rouca:
- «Squaw», ela não ter medo. Índio gostar…
Imobilizada, a rapariga viu, com horror, que mais pele-vermelhas se dirigiam para ela.
(Coleção Búfalo, nº 67)

PAS282. De como a formosa bailarina pôs três meliantes em sentido


Mildred contemplava, em silêncio, a chama da fogueira que ardia na noite.
Bastante separada dos restantes, permanecia em silêncio, olhando obcecada para o lume onde se preparava uma ceia simples.
O seu aspeto mudara completamente. Mas a beleza não diminuía com as roupas de homem.
Vestia uma camisa de quadrados, com as mangas arregaçadas, o que mostrava os braços bem torneados. Tinha umas calças dobradas sobre as botas de montar.
Percebia que os homens a fixavam com interesse e que falavam entre eles, maravilhados e subjugados com a sua beleza.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

PAS281. Dois defensores da lei cobardemente assassinados


Mildred mostrava-se satisfeita e excitada.
Bentley esperou tranquilamente. Na rua, ouviam-se os passos dos dois polícias que conversavam alheios ao perigo que os esperava.
Uma lanterna iluminava a rua, em frente do «saloon».
John alçou o percutor do revólver e murmurou:
- Dusty…
Este, de revólver empunhado, correu para o seu lado e apontou. Não se ouvia na rua mais do que o suído seco das pisadas dos dois amigos que se aproximavam sem pressas mas sem hesitações.
Por fim, as silhuetas destacaram-se sob a luz da lanterna e, nesse momento, Bentey e Dusty comprimiram o gatilho por várias vezes.
Estoiraram as detonações no interior da casa e viu-se como ambos os homens caíam sem vida, no vão intento de empunhar as armas.
John voltou-se satisfeito para os outros dois que o fixavam com distintas reações. Peter parecia mais assustado do que antes, mas Mildred limitava-se a contemplá-los com surpresa e com asco, como se não esperasse assistir à cena.
Depois, murmurou, desdenhosa:
- Isto é uma cobardia! Julguei que se apresentassem cara a cara. Pensei que se iriam bater com eles.
(Coleção Búfalo, nº 67)

BUF067. O defensor da lei


(Coleção Búfalo, nº 67)
 
 
 
Os bons foram mortos pelos maus. Depois, os que estavam no limbo, numa ação de regeneração assinalável, executaram os maus.
Mildred fora criada por um facínora que se dedicava ao roubo de gado, mas a respeitava. Preso e condenado a vários anos, deixou na jovem bailarina de saloon uma recordação paternal que a levava a esperá-lo e a achar natural viver no mundo putrefato da banditagem…
Clay Pearson foi um bandoleiro na juventude. Preso por dois representantes da lei, foi por estes reconduzido ao bom caminho e tornou-se seu ajudante.
Saídos da prisão, dois bandoleiros abateram aqueles dois representantes da lei, levando Mildred consigo, na ilusão de se reencontrar com o pai adotivo algures numa exploração mineira.
Clay Pearson resolve vingar os representantes da lei. Ele tornou-se um «defensor da lei» tendo por lema que os que não se afastam do bom caminho não têm de ser incomodados por facínoras. Perseguidos por índios, os dois bandidos acabam por abandonar Mildred que é salva por Clay de uma morte horrível. E assiste-se então a uma suave transformação na bela bailarina que a vai aproximar irresistivelmente de Clay.
Neste livro, J. Leon, mais uma vez, traz uma boa história e deixa-a bem contada e definida.