quinta-feira, 31 de março de 2016

PAS609. O destino dos que sabem demais

— Minha senhora! O doutor está a dizer-lhe adeus. Não lhe quer corresponder?
Maria Bustillo, a jovem mexicana, fitava Helena Morgan, admirada. Com um suspiro, Helena virou-se para trás e agitou a mão. Enquadrado no umbral da porta estava Ulisses Morgan que, muito risonho, lhe acenou em sinal de despedida. Helena virou-se novamente para a frente e ficou a olhar para o filho que estava ao colo de Maria, procurando agarrar as rédeas, pois era a mexicana quem conduzia o carro.
— Vamos? Não percamos mais tempo. Quero chegar a Santa Fé quanto antes.
— Não percebo como o senhor doutor a deixa partir com o menino, sem arranjar uma escolta para nos acompanhar. Santa Fé fica muito longe!
— Nada receies, Maria. Viajaremos apenas de dia.
— Qualquer pessoa diria que a senhora não sente pena de se separar do seu marido!
Helena sentiu-se corar. Com modos bruscos, cortou:
— Basta de comentários, Maria. Se não queres conduzir, eu seguro nas rédeas.
Maria Bustillo agitou as rédeas, incitando os cavalos. Não percebia nada do que se estava a passar. E, para consigo, comentou:
«É mais que certo que se zangaram. Isto, embora se tenham esforçado por aparentar que nada se passou»,
Resolveu não se preocupar mais com o assunto, permitiu ao pequeno Cris apoderar-se das extremidades das rédeas. O menino ria satisfeitíssimo, ao mesmo tempo que sua mãe começava a chorar silenciosamente. Maria achou que o melhor era fingir que não via.
Pouco a pouco, Helena foi readquirindo a calma. Começou então a falar com Maria acerca do que se lhes ia deparando pelo caminho, ou ainda sobre Santa Fé e a casa de seus pais, onde havia passado a mocidade.
Estavam a atravessar um terreno montanhoso, coberto de pó. De repente, surgiram três cavaleiros que pareciam ter brotado do solo. Apareceram pela frente, vindos da parte inferior da montanha. Maria, que foi a primeira a vê-los, soltou um grito que fez que a senhora Morgan emudecesse no meio da frase que estava a pronunciar.
— Minha senhora! — exclamou alarmada a rapariga mexicana. — Repare! Estão mascarados. Isto é um assalto!
Um dos cavaleiros destacou-se um pouco mais do grupo e, a pleno galope, disparou na direção do veículo, fazendo silvar um projétil por cima da cabeça das duas mulheres. A detonação assustou o cavalo que, valendo-se do facto de as rédeas irem quase soltas, deu um forte esticão.
Maria Bustillo era uma rapariga decidida e que não se intimidava facilmente. Pondo-se de pé, puxou violentamente por uma das rédeas, obrigando o cavalo a rodopiar sobre si próprio e a lançar-se de novo sobre o caminho que acabavam de percorrer. Porém, a manobra havia sido muito tardia. Os três cavaleiros, rindo com um som abafado devido aos sujos lenços que traziam sobre o rosto, rodearam o carro. Um deles lançou a mão ao freio do cavalo, obrigando o animal a deter-se.
— Eis o tipo de mulher que me agrada! Morena e com vistosa aparência! — gritou um dos bandidos aproximando-se de Maria e quase lhe encostando o cano do revólver ao peito.
— Pois vocês não são o tipo de homens por quem eu sinta simpatias. Cobardes e ladrões que se dedicam a assaltar mulheres, sempre me enojaram! E agora, saiam da frente. Esta senhora é a esposa do doutor Ulisses Morgan! Espero que não se atrevam a deter--nos!
Maria não parecia nada impressionada pelo revólver que lhe continuava apontado. Os homens riram, divertidos.
— Entregue essa bolsa, senhora. Talvez contenha alguns valores que nos façam arranjo.
Terrivelmente pálida, Helena Morgan estendeu a bolsa perdida. O conteúdo desta foi logo espalhado no solo. O homem apoderou-se do dinheiro, deixando o resto. Outro dos bandidos estava a passar revista à cesta onde levavam as roupas. O pequeno Cris começou a chorar. Notava-se que reinava um certo nervosismo entre os três cavaleiros.
— Vamos embora! O melhor é não falarem a ninguém deste encontro, minhas beldades. Somos uns cavalheiros e, por isso, as deixamos partir sem mais exigências. Têm de concordar que não nos era possível demonstrar maior dignidade, tanto mais tratando-se de duas belezas como vós!
O que estava a fazer este discurso mantinha o seu revólver apontado às duas mulheres. Maria não parara de os insultar, ora em inglês, ora em espanhol. A senhora Morgan, apertando muito o filho conta si, mantinha-se imóvel. Apesar disso, o homem que empunhava o revólver, dirigindo-se a ela, gritou:
— Não faça isso, senhora! De que está à procura?
Helena Morgan olhou-o espantada, ao mesmo tempo que sentia algo embater-lhe no peito. O ruído do tiro coincidiu com o grito de Maria.:O cavalo que puxava o carro, assustado, partiu 'a galope, obrigando a rapariga, a cair para trás sobre o assento. Ainda ouviu o bandido a dizer:
— A...maldita procurava tirar um revólver! Tive de abatê-la!
Com muito custo, Maria conseguiu dominar o cavalo e obrigá-lo a parar. Tentou descobrir os cavaleiros, mas estes já haviam desaparecido. Muito ao longe, divisavam-se as suas silhuetas. Tinham abandonado o ter: reno.
— Senhora Morgan! Que loucura foi essa? Parece impossível!
Helena Morgan, muito inclinada para a frente, continuava agarrada ao filho. Maria puxou Cris para si. Ao ver o sangue que brotava por entre os dedos enclavinhados que Helena mantinha sobre o peito, a rapariga ia desfalecendo.
— Eu não tinha qualquer arma, Maria. Nem seque me mexi. Esse homem.... estava de tal modo assustado…
— Meu Deus! Eu bem disse que esta viagem era muito arriscada! Como se sente, minha senhora?
— Bem, Maria... Peço-lhe um favor. O menino... Não volte para Mesilla... Não o leve para junto do pai...
— Não mostre rancor numa altura destas, minha senhora! Já sei que se zangaram, mas não se queira vingar assim! E agora, deixe-me ver o que posso fazer. Talvez que...
— Não o leve para Mesilla, Maria! Não o leve! Trate você dele... Eu...
De repente, tombou no fundo da carruagem. A rapariga tentou segurá-la, mas não o conseguiu. Ao levantar-lhe a cabeça, Maria soltou um grito abafado.
Cris chorava aos pés de sua mãe. A senhora Morgan acabava de falecer. Maria, com os olhos rasos de lágrimas, não sabia que fazer. Estendeu o corpo da morta na parte de trás do carro e cobriu-o com urna manta. Depois, decidiu-se a regressar a Mesilla, pois ignorava a razão por que Helena pedira para ela afastar o seu filho de Ulisses Morgan.

quarta-feira, 30 de março de 2016

BIS107. Mãos traidoras


(Coleção Bisonte, nº 107)


«Nas suas longas viagens pelas montanhas, os pesquisadores de ouro não costumavam usar os cavalos como meio de locomoção. Os cavalos não só caíam com muita frequência, como se negavam em absoluto a passar pelos estreitos e escarpados caminhos que os solitários (mineiros tinham de percorrer para alcançar os ribeiros onde por vezes apareciam os tão desejados «coloors». Por isso davam a preferência a resignados burros que carregavam com o material necessário para ias explorações, indo eles a pé e à frente dos animais.
Nunca houvera um pesquisador tão otimista que se lembrasse de levar consigo um saco destinado a armazenar o ouro que viesse a encontrar, isto porque nenhum deles acreditava muito que essa possibilidade se viesse a verificar.
Quando a sorte bafejava um desses homens, competia ao asno transportar a fortuna que o dono tinha encontrado. E, nessa altura, lá vinha o pobre bicho ajoujado ao peso duma carga pessimamente distribuída por tudo que servisse para transportar o valioso metal: sacos de víveres, bacias de lavar minerais, peneiras de passar a areia, latas de conserva, o que calhava.»
É neste contexto, que Cesar Torre nos descreve a vida dupla de um médico que se dedicava a salvar a vida das pessoas, granjeando por isso elevada simpatia coletiva, mas que se dedicava a organizar assaltos aos desprotegidos pesquisadores ao ter conhecimento que estes transportavam algo através da troca de mensagens transportadas por pombos. As  mãos que salvavam eram também mãos traiçoeiras…
Um dia a sua atividade foi descoberta ela mulher que se tentou afastar, tendo sido sujeita a violento assalto e abatida. E o tempo foi passando, pensando o médico passar impune pelos seus crimes, até que alguém chegou à cidade e tudo se modificou.
 

 

terça-feira, 29 de março de 2016

PAS608. Os avanços da civilização

Lorde Patrick, sem poder pronunciar uma palavra, seguia com emoção os movimentos daquela jovem que ele havia insultado. Pela primeira vez, depois de longos anos, lorde Patrick sentiu as lágrimas a inundarem-lhe o rosto.
Abraçou-se ao filho, seguindo os movimentos da Iuta.
Heddy, seguida, de oito cavaleiros, surgiu como um furacão diante de Leclair, os seus braços moveram-se com extraordinária rapidez e perto de vinte homens caíram crivados de chumbo.
— Essa mulher é um demónio! — gritou o rancheiro gordo.
A luta prosseguiu. Bergson projectou-se contra os guerreiros índios com dez homens. Estrondos violentos cobriram o espaço e perto de trinta guerreiros foram sacudidos das seus cavalos.
— O velho do chapéu de palha é um monstro! — gritou uma mulher magra.
«Lobo Vermelho» deixou escapar uma praga e correu ao encontro de Bergson com os seus guerreiros. Mas Bergson, o terrível Bergson, queria provar àquele mundo de imbecis aquilo que fora. Ergueu-se sobre o cavalo e o seu corpo dobrou-se para a frente, enquanto os seus «Colts» vomitavam morte.
Dezenas de guerreiros rolaram para o solo crivados de chumbo.
«Lobo Vermelho», com um ombro a escorrer sangue, recuou entre os homens que lhe restavam para depois projectar-se para a frente com fúria diabólica.
A multidão paralisada seguia emocionada o terrível duelo de morte.
Heddy continuava a suprimir o bando de Leclair; da sela do seu cavalo, surgiam com rapidez de relâmpago «Colts» carregados que despejava sem interrupção.
Leclair, furioso, procurava defender-se para não ver perecido o seu poder diante da multidão que o adorava.
— Ah! Como me faz falta uma arma — lamentou Roberto.
— Tenho fé de que tudo terminará com a nossa vitória — respondeu lorde Patrick, sem perder de vista a jovem.
«Lobo Vermelho», de lança em riste, parecia um leão entre os seus guerreiros.
Por fim, uma descarga de Bergson atirou-o do cavalo abaixo. Tentou erguer-se mas as forças abandonaram-no e ficou sem, movimento.
Os seus guerreiros, vendo-o, morto, puseram-se em debandada.
Então, Bergson correu a auxiliar Heddy que parecia um fantasma no meio da refrega.
E o duelo prosseguiu cada vez mais sanguinolento. Mas os homens de Heddy, treinados para enfrentar grandes atiradores, não se deixavam abater, apesar de Leclair apresentar um número maior.
Por fim, Leclair e Heddy ficaram frente a frente. Heddy abandonou o cavalo e avançou para o seu terrível adversário. Leclair, que se havia apossado do cavalo de um índio, desmontou também.
O povo mal respirava. Roberto tremia, apesar de ter toda a confiança na sua amada.
Heddy e Leclair fitaram-se com ódio, bem patente. Ambos eram morenos, ambos eram possuidores de olhos negros e cabelos negros, ambos eram portadores daquela expressão selvagem que no momento da luta os tornava parecidos.
— Não desejava que morresses cedo, Leclair — disse Heddy, avançando para ele.
— Estás convencida disso?
— Tenho a certeza, Leclair. Bem te avisámos.
À distância, Bergson estava alheio ao que se passava. Todo o seu espírito se encontrava em. derrubar o bando de Leclair, que continuava a resistir.
— Veremos quem fica.
— Quero ver o caminho de ferro a atravessar Oregon e seguir o seu curso, Leclair. Estou farta de diligências.
Os dois foram avançando um para o outro.. A distância foi encurtando. Correu um segundo. Heddy, firme, tinha o corpo um pouco inclinado. Leclair, lateralmente dobrado para a esquerda. Os seus olhares não se despregavam.
Mais meio segundo e...
Roanpeu um estrondo ensurdecedor. Ouviram-se gritos na multidão. Roberto caiu sem forças nos braços do pai, depois precipitou-se como um louco para o lugar sinistro que o fumo da pólvora encobria.
O fumo foi-se extinguindo, lentamente; viu-se Leclair cambalear e cair nos braços de um homem que havia acorrido naquele instante.
Firme, com expressão de desprezo nos lábios, Heddy guardou os «Colts». Roberto, com louca alegria, tomou-a nos braços.
 O homem que segurava Leclair, quase sem vida, fixou Heddy, com aborrecimento.
— Disse-te que não fizesses fogo contra ele.
— Um bandido tem de ter a sua conta, Bergson.
Bergson sacudiu a cabeça com tristeza.
— É um bandido, mas é teu irmão. Nunca devias ser tu a matá-lo.
Heddy olhou o velho, assombrada.
— Meu irmão?
— Teu irmão, Heddy.
Todos que haviam acorrido, incluindo lorde Patrick, estavam impressionados com o sucedido.
Heddy desfez-se do abraço de Roberto, deu um passo e atirou com os «Colts» ao chão. Depois, perante o olhar comovido de todos abraçou o corpo ensanguentado daquele que era seu irmão e que o trágico destino fizera que viesse sucumbir em suas mãos.
O olhar de Leclair, quase a apagar-se, fixou Heddy, um pouco assombrado.
— Tony — pronunciou Bergson. — Ela é tua irmã. Heddy é tua irmã. Não vês que são parecidos?
Tony, ou Leclair, ergueu o olhar para quem o segurava e falava. Um ligeiro estremecimento sacudiu o seu corpo tingido de sangue e quase a ser entregue aos horrores da sepultura.
— Bergson! Tio Bergson!
— Meu filho — murmurou o velho com lágrimas nos olhos.
Heddy, aquela mulher que havia momentos dera provas de um poder infernal, soluçava como uma criança desprotegida.
— É minha irmã? — interrogou o moribundo,
— É filha de «sir» Gordon, teu pai.
O infeliz fechou os olhos. A cabeça tombou no peito de Heddy e, uma golfada de sangue brotou de três buracos feitos no-peito.
Voltou a reabrir os olhos e deteve-os em Heddy. E sorriu. A seguir uma nuvem de tristeza tingiu o seu rosto:
— Pequei muito — disse a custo. — Tio Bergson, quis fazer alguma coisa de mim, mas eu andava doido pelo «Colt».
Depois voltou a sorrir e o mesmo sorriso foi desaparecendo conforme o rosto empalidecia.
Foi o último sorriso, aquele sorriso belo de Leclair ou Tony Gordon.
De entre a multidão pôde ouvir-se uma voz comovida:
— Leclair morreu.
O corpo moveu-se num último estertor e ficou rígido nos braços de Bergson, Heddy e Roberto.
A glória daquele jovem que se havia erguido com rapidez, afundara-se da mesma maneira. De odiado e adorado, passara a despertar compaixão.
Bergson fez sinal para quatro dos seus homens, para que transportassem o corpo sem vida de Leclair.
Heddy aproximou-se de lorde Patrick.
— Milorde, seu filho pode continuar com o caminho de ferro. Custou a vida de meu irmão o progresso da Civilização em Oregon.
E sem dar tempo de lorde Patrick pronunciar uma palavra, Heddy montou o seu cavalo e afastou-se abrindo caminho entre a multidão que a olhava com respeito e admiração.
Lorde Patrick olhou para o filho que também se mantinha triste. Depois afastaram-se.
No recinto livre, divisavam-se os  dois «Colts» de Heddy, adormecidos no sangue de Leclair, seu irmão, como documento indestrutível' do preço da civilização em Oregon.
O caminho estava livre para lorde Roberto. Podia continuar com o caminho de ferro. Lorde Patrick podia introduzir novos métodos governamentais, baseados na civilização de todos os povos.
«Lobo Vermelho» e Leclair já não existiam.
 

segunda-feira, 28 de março de 2016

PAS607. Salvos pela filha da escória

Quatro bandidos armados, surgiram no limiar da porta com Leclair à frente.
Lá fora o povo lançava gritos, os mesmos gritos de «Viva Leclair, o libertador».
Leclair, com aspecto imponente do homem que mede a responsabilidade dos seus actos, avançou dois passos e parou.
— Milorde. O povo reclama. a vossa presença.
— Está tudo pronto? — perguntou lorde Patrick, com a mesma autoridade que lhe era conhecida, quando falava para um inferior.
— Tudo pronto, milorde.
Lorde Patrick voltou-se para o filho.
— Vamos, Roberto. Precisamos de mostrar a essa canalha como morre um nobre.
Ao terminar, com a cabeça erguida e expressão de desprezo estampada no rosto altivo, caminhou para a porta precedido pelo filho e pelos bandidos.
O povo, ao vê-los, começou a blasfemar e lançar insultos.  Mulheres desvairadas atiravam-lhes punhados de terra.
Lorde Patrick, sempre de cabeça erguida, passou no meio da turba, cercado por dezenas de bandidos e índios. Uma massa de gente seguia atrás, ora gargalhando ora lançando insultos.,
Roberto correu o olhar pela multidão a ver se distinguia pelo menos a figura do velho Bergson, mas nada viu. Deixou escapar um suspiro enquanto caminhava. Estava tudo perdido, a última esperança que ainda animava a vida daquele jovem afundara-se para sempre. Agora restava-lhe morrer como um nobre, como dizia seu pai.
Foram conduzidos diante das forcas. Lá estavam elas firmes, prontas a mandar as suas almas para a eternidade. Pela primeira vez, Roberto sentiu um ligeiro estremecimento ao encarar aqueles dois instrumentos lúgubres, que pareciam desafiá-los.
Porém, lorde Patrick não perdia a sua serenidade.
Dezenas de bandidos e guerreiros índios rodeavam as forcas para manter o povo em ordem.
Leclair e «Lobo Vermelho», como júris daquele drama, vigiavam a iniciativa.
— Precisam de um padre, milordes? — perguntou Leclair.
— Apressem-se, canalhas! — foi a resposta.
— É de uma coragem extraordinária, milorde — disse Lectair, sem se ofender.
— Sou um descendente de Darnley. Está pronto?
Quatro homens fizeram subir lorde Patrick para cima de um tambor.
— Enforcamo-lo à moda da sua terra — disse Wood, o carrasco.
Mas no momento que ia passar o laço ao pescoço de lorde Patrick, perto de vinte cavaleiros comandados por uma mulher e um velho entraram como um furacão no recinto. Soou uma descarga, o carrasco e seus quatro ajudantes rolaram para o chão.
— Heddy a mulher infernal! — gritou Leclair, assombrado.
Depois projectou-se para a frente como um louco, enquanto a sua voz trovejava:
— Fogo, rapazes!
Heddy e Bergson pareciam dois fantasmas, semeando a morte em todos os lados. Com rapidez extraordinária enquanto as suas mãos se abriam automáticamente semeando a morte, Heddy passou rente a lorde Patrick e a Roberto, descarregando os seus «Colts». Com grande assombro os dois homens viram-se livres das cordas.

domingo, 27 de março de 2016

PAS606. Uma plebeia de nobre atitude

Lorde Patrick ia a dobrar uma esquina a cavalo quando uma figura de mulher montada também a cavalo atravessou uma rua.
Franziu a testa e voltou o cavalo em perseguição mulher. A mulher chegou diante de um «bar» e desmontou. Lorde Patrick também fez o mesmo e entrou. Foi direitinho a ela de testa anuviada e lábios contraídos,
— Ainda bem que a encontro, «miss» Heddy — disse ele sem cumprimentá-la.
A jovem fingiu assombro, depois arrastou uma cadeira e fez sinal a lorde Patrick para que se sentasse.
— Queira sentar-se, milorde.
Lorde Patrick recusou, dizendo:
— Este lugar não é digno de um par da Escócia. É próprio para os meus criados.
A jovem mordeu os lábios, mas dominou-se.
— Em que posso servi-lo, lorde Patrick?
— Em nada. Em coisa alguma. Venho apenas avisá-Ia que não volte a encontrar-se com lorde Roberto Patrick Darnley. Compreende o que quer dizer? Lorde Roberto Patrick Darnley, um senhor da Escócia, um descendente dos reis da Escócia, não pode e não deve apaixonar-se por uma filha da escória.
A jovem corou até à raiz dos seus cabelos negros. Teve um movimento instintivo de revolta e fixou com ódio lorde Patrick.
— Tem mais alguma coisa a dizer-me, lorde Patrick? — perguntou com violenta altivez. 
— Que se afaste de lorde Roberto.
A jovem ergueu-se do assento, fixou lorde Patrick dos pés à cabeça e ripostou:
— Assim o espero, lorde Patrick..
— Também eu.
— Boa tarde, lorde Patrick.
— Passe bem.
A jovem abandonou o «bar», saltou sobre o cavalo e desapareceu. Levava na alma o golpe de um tiro de canhão, mas a sua cabeça conservava-se erguida como a de uma rainha.
Lorde Patrick, aprumado no seu cavalo ficou a olhá-la até perdê-la de vista e não pôde deixar de murmurar:
— Tem uma atitude nobre, a plebeia.
E sorriu. Depois afastou-se.
O dono do «bar» que se havia mostrado humilde diante de lorde Patrick, quando o viu afastar-se, ergueu os punhos e gritou:
— Ah! Ladrão! Os teus dias estão quase terminados! Ainda hei-de ver pendurada numa corda essa cara de jaguar.

sábado, 26 de março de 2016

BIS106. Dança dos "Colts"

(Coleção Bisonte, nº 106)
 
 
 
Um nobre escocês, senhor de razoável fortuna, que reivindicava para si a qualidade de ascendência real, estabeleceu-se no Oregon, onde construiu ume espécie de fortaleza protegida por homens armados a partir da qual realizava os seus negócios e geria os seus projetos. O seu poder era de tal ordem que dominava as próprias autoridades sendo detestado pela população em geral.
O asco do povo ao nobre aumentou quando o filho concluiu o curso de engenharia, regressou à cidade, e o nobre, convencido que era o paladino da civilização, decidiu avançar com um projeto de instalação do caminho de ferro que iria interferir com as explorações dos populares e com o território dos índios.
Desenhou-se a partir daqui particular resistência com dois campos bem definidos. Os populares contrataram uma série de pistoleiros para combater o projeto, conseguindo ainda o apoio dos índios, mas, após um conjunto de peripécias, o autodenominado arauto da civilização conseguiu implementar as suas ideias.
Nesta história, pouco credível mas engraçada, intervém ainda uma jovem com substancial destreza com as armas, que se veio a descobrir ter sangue azul nas veias, a qual foi personagem chave para eliminar o terrível chefe dos pistoleiros.
Dado o interesso do texto aqui deixamos para download a «Dança dos Colts».