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terça-feira, 2 de agosto de 2016

PAS649. Chegada oportuna do amor

O galope de um cavalo tinha cortado em seco o impulso dos vaqueiros que, recompostos, da impressão causada nos seus espíritos pelos acontecimentos terríveis, se lançaram sobre Jimmy disposto a acabar com ele. Abrindo caminho, Nelly Travers, que acudia à povoação após ele, compreendeu o que se passava.
Antes que a pudessem impedir, tinha-se arrojado do cavalo sobre o corpo de Jimmy, beijando-lhe os lábios frios, o rosto, e chorando sobre ele ao julgá-lo morto.
A jovem, levada por um impulso incontível, levantou-se, enfrentando os vaqueiros.
Os seus olhos chamejavam e os soluços sacudiam o seu peito.
Parecia muda de dor e de fúria, o espírito da vingança. Não conseguia articular uma só palavra, mas os seus olhos falavam por ela, amaldiçoando terrivelmente.
Dan Mack tentou aproximar-se dela. A jovem repeliu-o com um gesto violento. O seu corpo guardava, guardaria até à sua última gota de sangue, o corpo amado. Os vaqueiros calaram-se, respeitando a sua dor.
De súbito, Nelly levou as mãos à boca, tendo visto os corpos ensanguentados dos bandidos. Os seus soluços cessaram e balbuciou:
— O «Cavaleiro Negro», Searles, o «Cavaleiro Negro».
O velho rancheiro, compreendendo pelo estremecimento de Nelly e pelas suas palavras a verdade, reagiu, lançando-se para o texano.
— Vive, Nelly, vive! — exclamou.
A jovem afogou um grito na garganta e ajoelhou Junto de Jimmy.
Segundos depois, o seu ouvido, colado ao peito heroico ouvia o bater do coração de Jimmy.
Vários vaqueiros, mudos, envergonhados, levantaram o ferido, levando-o através da multidão, que abria alas.
Os olhos cheios de lágrimas de Nelly contemplavam a desolação do povoado, sobre o qual brilhava a manhã.
As mãos dela procuraram as de Jimmy, de quem não se afastou um passo.
A multidão seguia-os, e atrás deles, o cavalo do texano e o que ela usara para chegar a tempo de salvá-lo, o de Wah.
No coração de Nelly Travers a emoção punha um mundo de sentimentos e de amor. Por cima da tragédia espantosa, os seus lábios sorriram, pressentindo a felicidade.
E não se equivocava. As feridas de Jimmy «Zaragateiro», se bem que numerosas e de gravidade, não foram suficientes para matá-lo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

PAS648. O fim do Cavaleiro da Noite

Empunhando os revólveres, os cinco bandidos formavam um leque, em cujo vértice estava Jimmy, inalterável, tão imóvel, que parecia uma imagem estampada no vazio pelo resplendor das chamas.
Era uma cena de terrível intensidade, de tanto dramatismo, que parecia ultrapassar o real.
Os cinco bandidos avançavam lentamente, passo a passo, com as feições crispadas ante a serenidade do inimigo.
— Searles! — falou Jimmy, pronunciando as palavras entre os dentes. — Searles! — repetiu. — Ante os mortos que nos rodeiam, ante os homens que podem ainda morrer, acuso-te de seres o «Cavaleiro Negro»!
Antes que a última sílaba se perdesse no ar, falaram as armas. A cena ficou envolta pelo fumo da pólvora.
Ao mesmo tempo que os secos estampidos, rasgarem o ar gritos e maldições; depois, nada; um silêncio pesado, as asas negras da morte pousando na terra.
Cem pares de olhos olharam, como que hipnotizados, a tragédia. Jimmy tinha caldo, segundo parecido crivado de balas, e erguia-se sobre os joelhos.
Três bandidos, Carl, Hartlhey e Stanley, jaziam no solo, mortos, de boca para cima, com as testas atravessadas por balas.
Coberto de sangue, horroroso na sua atitude de besta que repugnava à vista, Searles lutava contra o negro manto da morte que tapava já os seus olhos.
Doe, alcançado em cheio no ventre, revolvia-se no solo, uivando
Nem um só dos espectadores se moveu, fixos na luta. Fazendo um esforço sobre-humano,
Jimmy recarregou os tambores das suas armas.
Conseguiu-o tateando os revólveres, ajudado pela sua grande experiência, enquanto o seu corpo se estremecia, sacudido violentamente pela dor.
Os seus olhos inundados de sangue, viram o rosto de Nelly, sorrindo-lhe na distância, animando-o.
Conseguiu levantar-se ainda mais.
Em frente dele, horrível, bramindo sacudido pelos últimos arrancos da sua ferocidade, o «Cavaleiro Negro» levantava o «Colt» e procurava-o, afastando as trevas que o cegavam com a mão esquerda, que era já uma garra impotente e enclavinhada.
As armas de Jimmy despejaram o seu mortal fogo, regando o corpo do bandido, que se paralisou no ar, para dobrar-se •convulsivamente, morto.
Jimmy tentou recarregar de novo, mas não o conseguiu. Os seus joelhos, subitamente leves, inexistentes, enterraram-se no vazio, arrastando-o para a morte.
Riscas vermelhas de fogo atravessavam-lhe o cérebro, e todo o seu corpo, coberto de sangue, ia ficando pesado como chumbo.
O valente texano, cumprida a sua vingança, dobrou-se sobre si mesmo, deixando de lutar.
Mas não tinha perdido os sentidos. Vagamente, confusamente, ouviu gritos à sua volta, muitos passos.
Conseguiu entreabrir os olhos e viu, envoltas em névoa, fantasmagóricas, muitas pernas que o cercavam, negras bocas de revólver que apontavam para ele. Algumas palavras soltas, irreais, chegaram ao seu cérebro.
— É o «Cavaleiro Negro»... Acabem com ele... Acabem com ele.
Então compreendeu o que se passava: morto Searles, continuavam a pensar que era ele o «Cavaleiro Negro».
Lutou para libertar-se do vazio que o prendia, da imobilidade absoluta que o vencia, e conseguiu apenas enterrara-se mais, como se estivesse preso num pântano.
Viu que uma bota lhe pisava a cara, sem o sentir, e ouviu, longe, muito longe, um estampido que abria na sua carne quase insensível uma marca silenciosa, um escorrer lento.
Tudo o que o rodeava voltou a emudecer. As pernas retrocediam. Ouvia o galope de um cavalo? Não; era silêncio, tudo silêncio.
Os incêndios aumentavam ante os seus olhos, um resplendor enorme, enchendo as suas pupilas, queimando--lhe a respiração débil, cada vez mais débil.
Sim; eram incêndios..., uma cascata de ouro, uma cabeleira. Beijavam-no beijava-o Nelly, distante e presente; Nelly.

domingo, 31 de julho de 2016

PAS647. A ansiosa espera pelo Cavaleiro da Noite

Velozmente, rompendo o silêncio com o golpear dos seus cascos, os sete cavalos atravessavam Silvered Valley (1).
Eram os «Cavaleiros da Noite», negros na escuridão sem lua, sinistros como a própria noite, portadores da ignomínia, quando não da morte.
Desciam dos contrafortes da montanha que fechava como uma cadeia purpúrea, o vale.
Sombras de uma realidade horrenda, demónios à solta, ávidos de sangue e de extermínio.
A sua passagem, nos ranchos e no povoado que atravessaram como centelhas, semeando uma chuva de chispas no sol endurecido, ficava marcada uma senda de terror.
Só quando caia a noite saiam da sua guarida ignorada, mas eles eram a Lei, uma Lei caprichosa e maldita, imposta à força de sangue e de fogo.
Silvered Valiey tinha lutado de início denodadamente contra a onda de crimes perpetrados pelos malfeitores, mas pouco a pouco, caldos os seus melhores homens, aterrados os outros, arruinados e saqueados os rancheiros, teve que dobrar-se à vontade dos misteriosos cavaleiros.
Nunca ninguém os tinha visto senão de noite, com os rostos cobertos por lenços até aos olhos, entre uma cortina de chumbo.
Os corcéis, esporeados sem piedade, deitando espuma pelas bocas, húmidos de sangue os flancos incessantemente feridos pelas esporas de aço, corriam separados, formando um círculo.

sábado, 30 de julho de 2016

POL120. O cavaleiro da noite

(Coleção Pólvora, nº 120)


Um homem é maltratado por uma série de rufiões que o deixam à beira da morte, mas, escapando por milagre, resolve voltar ao local da agressão e vingar-se. Trata-se de Jimmy, «o zaragateiro», designação que diz bem da força do indivíduo.
Jimmy entra em contato com uma jovem cuja habitação foi vandalizada e saqueada pelo mesmo grupo de indivíduos, apelidados de «Cavaleiros da Noite». Ao ver seu pai morrer às mãos deles a rapariga fugiu não sem antes o pai lhe confiar a identidade do chefe do bando. Conhecendo a sua história, Jimmy resolve ajudá-la. E tudo chega a bom porto, embora o nosso herói acabe por ser confundido com o Cavaleiro da Noite e pago por isso mais uma vez recebendo balas que procuravam matá-lo.