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segunda-feira, 25 de abril de 2016

PAS624. Furacão de saias em galope desenfreado

Glenn Bogart entrou no Armazém Geral, onde se vendia de tudo, desde um maço de cigarros a um caixão.
Depois de fazer algumas compras, pediu que lhas mandassem ao hotel, e voltou a sair.
Como se o seu aparecimento fosse um sinal, surgiu um tumulto, bruscamente, alterando a calma da povoação. Instintivamente, Bogart levou a mão à coronha do "Colt", mas retirou-a rapidamente. O alarme era produzido por um facto sem importância.
Dum golpe de vista, verificou que a causa de todo aquele alvoroço, não passava dum carro ligeiro, que irrompera num dos extremos da rua, arrastado pelo galope desenfreado dos seus dois cavalos.
O veloz veículo avançava, como um furacão de rodas, forçando toda a gente a fugir, para não ser atropelada.
Na boleia, de pé, muito direita, ia uma mulher, jovem e bonita, que parecia lutar, desesperada, com as rédeas, procurando, sem dúvida, deter a louca correria dos seus cavalos.
Bogart, pensando que a jovem estava numa difícil situação, resolveu-se a ajudá-la.
Dum salto, montou no primeiro cavalo que encontrou, lançando-o a galope, até que conseguiu emparelhá-lo com os desbocados animais que puxavam o carro. Então saltou da sela, habilmente, e foi cair no lombo dum dos cavalos de tiro. Manejando as rédeas com firmeza, pouco depois, obrigava a parelha a parar, cerca do fim da rua.
Mantendo os animais seguros pelos freios, Bogart disse, simples e cortesmente:
— Nao se assuste, menina. Já passou tudo.
A jovem, que teria apenas dezoito anos, era alta, esbelta, tinha uns olhos muito grandes e longa cabeleira, vermelha como o fogo, que lhe caía sobre os ombros. Olhou, com assombro, Bogart, medindo-o dos pés à cabeça... fulminando-o.
— Afaste-se! — exclamou, com tal acento, de irritação, que o cavaleiro ficou pasmado.
— Mas... — balbuciou Bogart.
— É forasteiro, não? Só assim se compreende que tenha cometido a estupidez de arriscar a vida, para deter a marcha dos meus cavalos.
— Oh! Eu... eu pensei que se encontrava num apuro, menina. Que os cavalos se haviam desbocado e que...
— Sei governar os meus cavalos, forasteiro! — cortou a rapariga — O que acontece é que tenho pressa. Pressa, ouviu? Portanto, afaste-se, intrometido!
Bogart teve de dar um salto para o lado, porque a brava jovem, juntando o gesto à palavra, fez estalar o chicote no dorso dos animais, corno se fosse um tiro de espingarda, e os cavalos retomaram a sua louca correria.
— Que mulher! — murmurou Bogart, coçando na cabeça — É como se fosse um furacão de saias!... Mas muito bonita.
— Essa ferazinha governa-se sozinha, forasteiro — esclareceu um velhote — Por isso, a sua intervenção a ofendeu. E uma rapariga valente!
— Não passa duma criança. Quem é ela?
— Jenny Hopper, forasteiro. O seu avô pensou, quando ela nasceu, que se acabara a raça dos Hopper. Mas nenhum homem seria capaz de superar o que essa garota está a fazer, para evitar a ruína do "Vale".

domingo, 24 de abril de 2016

PAS623. Um olhar ansioso de vida

Bruscamente, o cavalo de Glenn Bogart estacou. Na sua frente, a uma dúzia de metros, estava um homem, enforcado, numa árvore. Fora "aquilo" o que fizera parar o animal, repentinamente. Pouco antes dali chegar, Bogart ouvira, claramente, o súbito galope dum grupo de cavaleiros que se afastavam em direção do Vale Escondido. Aquilo era o final da fuzilaria, que ouvira a distância, anteriormente. Que significaria aquele tiroteio? Quem eram os que disparavam? Contra quem? Quem seria aquele homem de aspeto venerável? Porque o teriam enforcado? De repente, Bogart ouviu um som lúgubre, arrepiante, mas que indicava que o vaqueiro enforcado ainda vivia. Aproximou o cavalo da improvisada forca. Tirou do cinto a navalha e, pondo-se de pé nos estribos, cortou a corda. Não obstante o seu esforço, não conseguiu segurar o corpo de Slim que caiu pesadamente, no chão.
Bogart desmontou, dum salto, e ajoelhou-se junto do pobre velho, libertando-o da corda que lhe apertava o pescoço. Que olhar ansioso de vida! Bogart correu a buscar um cantil de uísque. Foi difícil fazer beber o moribundo.
— Obri... ga... do! — balbuciou, com um fio de voz.
— Quem lhe fez isto? — perguntou Bogart.
— O. . . Ma... nan. . ci. . . al. . .
O pobre velho estremeceu, e caiu, pesadamente, para trás. Bogart depositou-o lentamente no chão. Estava morto. Piedosamente, fechou-lhe os olhos.
Horas depois, o cavaleiro solitário chegava à entrada duma povoação, que se erguia em frente da sarda da garganta rochosa, confinando com o oculto vale. Uma tabuleta, pregada num poste, anunciava: Vale Escondido.

sábado, 23 de abril de 2016

PAS622. Tiro fatal

Glenn Bogart, o cavaleiro solitário, levantava o seu improvisado acampamento de uma noite, junto das montanhas, donde soprava um vento frio e penetrante.
Ele sabia que, no sopé daquelas montanhas de alvos picos, ficava o Vale Escondido.
O "vale", entalado entre montes inacessíveis, tinha uma considerável extensão de terras de bons pastos, e a água dum pequeno rio assegurava frescas forragens.
Alguns ganadeiros haviam ali construído os seus ranchos e existia, também, uma pequena povoação, tranquila, onde toda a gente vivia em paz.
Apenas algumas horas separavam aquele solitário viajante do chamado Vale Escondido.
Glenn Bogart era jovem ainda, alto, forte, mas estranho, sombrio, taciturno. Parecia um homem sem família, sem lar, um cavaleiro nómada, como havia muitos, cavalgando ao longo e ao largo do selvagem Oeste. Vinha pobremente equipado, sendo o seu cavalo e as armas, o único excelente que possuía.
Não longe dali, uns três quilómetros para o norte, junto do rio que se dirigia para o Vale Escondido, um velho vaqueiro, de barba branca, acabava de lavar a louça, que servira ao frugal primeiro almoço dos seis homens que, com ele, compunham o grupo de vaqueiros, encarregados de conduzir uma pequena manada.
De repente, como a explosão duma inesperada tempestade, a quietude do amanhecer foi abalada pelo rugir das armas de fogo, que desencadearam um inferno de chumbo e fogo sobre o acampamento.
O velho vaqueiro não era, decerto um cobarde, mas quando ouviu os tiros, os gritos e risadas dos atacantes, de mistura com o gemer dos feridos, escondeu-se entre os arbustos e, caindo de joelhos, rezou para que os traiçoeiros atacantes do acampamento o não descobrissem.
Deslizando como répteis, entre o matagal, um grupo de quase vinte indivíduos caiu sobre os vaqueiros. O primeiro a cair foi o jovem Black, que estava de sentinela. Quando deu pelo bandido que o atacava, recebeu duas balas no peito. Cambaleou e caiu para trás, de cabeça, despenhando-se no rio.
Os sonolentos vaqueiros, envolvidos por um círculo de fogo, quase não tiveram tempo de utilizar as suas armas. Rob, o capataz do grupo, a seguir os jovens Tom e Jeff, e por fim Tiger e Jonas, foram tombando, crivados de balas, numa orgia de sangue e morte.
Quando as armas se calaram, Slim, o velhote, que se refugiara entre os arbustos, à beira do rio, atreveu-se a levantar a cabeça e espreitar.
O que viu gelou-lhe ainda mais o sangue nas veias. Todos os seus camaradas estavam mortos, e os ferozes pistoleiros começavam a revistar os cadáveres, e a despojá-los de todos os valores que levavam consigo. Viu que quem comandava aqueles bandidos era Dummy, o cruel e sanguinário capataz do rancho "Manancial".
De repente, o feroz Dummy parou em frente dos cavalos. Eram seis os mortos, e havia sete cavalos!
Slim esteve prestes a desmaiar, ao compreender o que iria passar-se. Transformados em cães de fila, os pistoleiros de Dummy começaram a revistar o terreno, palmo a palmo, na caça ao homem.
Slim resolveu atravessar o rio. Era a única saída, para se afastar do terreno batido pelos pistoleiros. Do outro lado, a vinte ou trinta metros da margem, começava um bosque. Se conseguisse lá chegar...
Com a água pela cintura, protegido pelos altos arbustos da margem, que o ocultavam da vista dos seus perseguidores, Slim atravessou o rio. Ofegante, quase sem alento, correu quanto pôde, para o bosque.
Naquele momento, ouviu uma detonação, e uma bala silvou sobre a sua cabeça. Depois, alguém gritou:
— Lá vai ele! Acaba de meter-se no bosque! Vamos!
Vários dos bandidos meteram-se à água, enquanto os restantes retrocederam a buscar os cavalos.
Ao ver-se encurralado no bosque, o velho vaqueiro verificou que a sua situação era desesperada. Nao podia esperar salvação, nem clemência... Só podia fazer uma coisa: morrer, matando!
À sua esquerda, viu aparecer um homem, que empunhava uma espingarda. Ao descobrir Slim, apontou e apertou o gatilho. Demasiado tarde! O revólver do vaqueiro disparara uma fração de segundo antes, e o pistoleiro tombou para trás, morto.
Mas aquele tiro foi fatal para o homem encurralado. A detonação atraiu, àquele lugar, todos os que rastejavam pelo bosque. O revólver de Slim entrou, novamente, em ação, semeando balas à sua volta. Mas as munições esgotaram-se, em tiros inofensivos.
Um dos pistoleiros disparou-lhe a espingarda, quase à queima-roupa. Atingido no ombro, a violência do choque derrubou o velho, de costas.
— Não o matem. Deixem-no para mim! — gritou uma voz — Ele matou o meu irmão Joe.
O energúmeno lançou-se sobre o desgraçado vaqueiro, à coronhada e pontapé, nas costelas, na cabeça...
Slim quase não deu pelo seu verdugo, que o arrastava por uma perna até junto duma árvore, em cujos ramos um outro facínora amarrara uma corda, com um nó corrediço.
Meteram-lhe o pescoço no laço e ergueram no ar. Slim, recorrendo às suas derradeiras energias, agarrou-se à corda, que lhe apertava o pescoço. Os seus esforços, inúteis, fizeram rir à gargalhada os bandidos que presenciavam a execução.
Bruscamente, o vaqueiro deixou de forcejar, de lutar, de estremecer. Deixou cair os braços, flácidos, ao longo do corpo. Os olhos tinham uma expressão de terror, de desespero, de morte...

sexta-feira, 22 de abril de 2016

CWB178. Um cobarde xerife

 
(Coleção Cow-boy, nº 178)

Glen Bogart, um cavaleiro solitário, dirigia-se para a povoação do Vale Escondido quando foi surpreendido com o encontro de homens que acabavam de ser atacados e roubados. Um deles conseguiu ainda dizer-lhe algo que era uma pista sobre os responsáveis por aquele massacre.
Glen acabou por ir até à povoação e acabou por encontrar motivos para aí ficar, acabando por ajudá-la a livrar-se de «Um cobarde xerife».