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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

PAS818. Reconciliação

Ao terminar a luta, apareceram alguns curiosos para tirar informes e assistir ao aprisionamento dos bandidos pelos vaqueiros de Slayton para serem entregues ao xerife.
Apenas Virgil abandonara o saloon para se dirigir à praça, Elizabeth teve uma violenta reação. Conhecia Jerry melhor que ninguém e tinha quase a certeza de que, ajudado pelos seus pistoleiros, acabaria por matar Virgil. E enlouquecida com a ideia de que Virgil pudesse ser mais uma vítima dele, tomou uma decisão.
Rapidamente pôs o primeiro vestido que encontrou à mão e, tirando duma gaveta um pequeno revólver, empunhou-o firmemente. Se Jerry matasse Virgil, ela vingá-lo-ia, e depois não se importaria de morrer. E deitou a correr para a praça, empunhando o pequeno revólver. Estava quase a alcançá-la, quando ouviu o ruído dos tiros e dando um grito aterrador, penetrou na praça, clamando:
— Virgil!... Virgil!... Este, ao ouvir a sua angustiosa chamada, separou-se do rancheiro e correu para ela, detendo-o entre os seus potentes braços. Ela não o parecia reconhecer e tentava soltar-se.
— Que fazes, Elizabeth?... Onde vais com esse revólver?
— Matá-lo, quero ser eu quem...
— Calma, querida... Jerry está morto e não necessita de mais cuidados.
Ela, ao ouvir a afirmação, rompeu num pranto histérico e desmaiou. Virgil, voltou-se para o rancheiro e disse:
-- Desculpe, vou levá-la a casa. Mais tarde encontramo-nos. Diga o local.
-- No escritório de Wiscosin, se não estivermos no do xerife.
— Está bem.
E tomando nos braços o corpo da rapariga desmaiada, dirigiu-se para o saloon, para a depositar na sua alcova. O desmaio de Elizabeth foi breve. Pouco mais tarde, acordou para chorar nos braços de Virgil. Por fim, ela serenou e murmurou:
— Tudo terminou, Virgil. Vingaste as patifarias desse bandido, e eu... eu fiquei livre dele, mas, como? A minha vida está destroçada para sempre.
— Não penses nisso. És jovem, valente e não tens nada a temer. Ainda te fica muita vida.
— Chamas vida a isto? Um dia sonhei pôr fim a ela e ser feliz com um homem. A fatalidade veio ao nosso encontro e tudo destroçou. Posso esperar coisa melhor que isto?
— Podes esperar, se estás disposta a isso. Eu também julguei um dia que a mulher em quem depositara o meu amor e a minha confiança me atraiçoara, no entanto, a realidade demonstrou-me que não fora assim. Nós fomos vítimas da fatalidade, sem que tivéssemos culpa e se foi assim, porque não deitamos tudo para detrás das costas e só pensamos no futuro? Nessa altura tinha algum dinheiro. Hoje só tenho a roupa que trago vestida. Mas espero ser reabilitado, e então... então... se tu quiseres.
Ela deitou-lhe os braços ao pescoço dizendo, com os olhos marejados de lágrimas:
— Virgil! Serias capaz de esquecer e... e... não me olhar com desprezo por tudo o que sofreste por minha causa?
— Esqueci tudo e só quero olhar para o futuro. Diz-me se queres voltar ao ponto de partida?
— Quero, sim, querido. Agora amo-te ainda mais pois és o homem melhor do mundo. Não me importa que não tenhas nada. O que tenho é teu. Uma parte ganhei-a, a outra é a que te devia aquele canalha pelo que sofreste por ele. Se quiseres, podes ficar até ao fim da temporada, e depois, venderemos isto, e partiremos para qualquer canto e aí viveremos felizes e esquecidos deste inferno, como se tivesse sido um horrível pesadelo.
Ele não disse nada. Abraçou-a e beijou-a apaixonadamente.
Já era bastante tarde, quando procurou Slayton que o esperava no escritório de Wiscosin.
— Desculpe — disse, radiante de felicidade. — Atrasei-me um pouco, pois estive a tratar dum assunto importante. Há alguma coisa a resolver?
— Absolutamente nada. Contei ao xerife tudo o que se passou e os homens de Jerry confessaram a verdade. A manada está vendida. O senhor Wiscosin adiantou-me o dinheiro para pagar aos vaqueiros e aqui tem os seus cem dólares. Amanhã voltamos ao Texas na diligência; quiser vai connosco.
— Obrigado, mas fico aqui. Resolvi a minha situação com Elizabeth... e não a posso deixar sozinha. Ficarei ao seu lado até ao fim da temporada e... talvez até ao fim da vida.
—Que seja em boa hora.
— Obrigado. Quero despedir-me de vós e dar um abraço muito fraternal a Colorado, pois foi um grande amigo e foi devido a ele que fui contratado e vim a Dodge, e aqui encontrei a mulher do meu coração e saldei as contas com aquele miserável.
— Pois se é assim, aqui estão os meus braços, Kentukyano.
—E eis os meus, texano do diabo.
No dia seguinte, quando a diligência partia para o Texas levando o rancheiro, Colorado e dois dos seus vaqueiros, um par feliz e sorridente dizia-lhes adeus.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

PAS817. Duelo no leilão de gado

Ainda faltava meia hora, quando a praça começou a animar-se. Não só os negociantes estavam interessados no leilão, como também alguns rancheiros recém-chegados, que deviam esperar turno para tomar parte nele, queriam conhecer o novo mecanismo e auscultar a situação. Também havia bastantes curiosos e alguns vaqueiros, embora poucos. A estes, interessava-lhes mais visitar os saloons, para saciar a sua sede de álcool, que assistir a uma operação que em nada lhes interessava, e era privativa dos seus patrões.
Wiscosin fora dos primeiros a chegar, mas não fizera o menor gesto para se aproximar de Slayton e saudá-lo. Tinha que dar a ideia de não ter intimidades com o', rancheiro. Slayton esperava o momento crucial passeando, aparentando uma tranquilidade que não tinha. Temia que alguma coisa falhasse e algum dos seus homens pagasse com a vida o desejo de ajudá-lo. Wiscosin saudara já os compradores e apenas o fizera, dois vaqueiros destacaram-se dissimuladamente, tentando não se afastar muito deles. Cada qual tinha uma missão e cumpria-a sem vacilar. Colorado andava dum lado para o outro sem perder contacto com Wiscosin e assim, se ia tecendo aquela estranha malha, cujo final ninguém podia prever.
Pouco mais tarde chegou Jerry. Bastou olhar para o ar soberbo de homem impressionante, para adivinhar quem era. Acompanhava-o um tipo de estatura mediana, de rosto duro e agressivo. Vestia bastante decentemente, mas notava-se que não ia bem com o traje. Com um fato de vaqueiro, sentir-se-ia mais no seu elemento.
Quase ao mesmo tempo que o par, foram aparecendo outros curiosos que não eram senão os esbirros às ordens de Jerry. Cada um pareceu procurar com o olhar algo determinado e, depois, separaram-se para se irem aproximando dos compradores que já estavam na praça.
O que se aproximou mais de Wiscosin, era um tipo alto e forte, de rosto sombrio, muito escuro. Parecia mestiço de mexicano a julgar pela cor da pele e pelo brilho dos olhos negros. Colorado mediu-o com a vista e compreendeu que não era inimigo pequeno; mas não se assustou por isso. Também ele era duro e além disso gozaria da lei da vantagem.
Pouco antes das doze, havia oito compradores na praça sem contar com Jerry e minutos antes da hora fixada, apareceram outros dois tipos exóticos, pois vestiam, um calças ajustadas e o outro jaqueta negra muito apertada. O primeiro era leiloador e o seu companheiro transportava o livro das inscrições em que tomava todos os apontamentos depois do remate.
Jerry manobrou para se pôr ao lado do leiloador, tendo junto dele o seu guarda-costas, enquanto o resto dos compradores formavam círculo bastante amplo. Um rapaz pôs uma mesa junto do leiloador e entregou-lhe um martelo de madeira.
Slayton olhou em volta. Formara-se uma roda bastante compacta, e de fugida pôde verificar que por detrás de cada comprador havia um homem e, detrás de cada homem estava um vaqueiro seu. Respirou com alívio. As coisas podiam falhar, mas não por falta de preparação e decisão dos que iam dar o golpe.
O leiloador agarrou no livro, lançou um olhar ao que escrevera na última página e consultando o relógio esperou uns momentos. Ainda não era meio-dia em ponto e o tipo parecia muito meticuloso. Por fim, após consultar mais duas vezes o relógio, deu uma sonora pancada na mesa com o seu martelo e gritou:
— Meus, senhores, está aberto o leilão! «Há para esta manhã três manadas inscritas. Como devem ser leiloadas por ordem de inscrição, começaremos pela primeira. «Pertence ao rancheiro David Slayton, traz, segundo declaração a comprovar no momento próprio, quatro mil e quinhentas cabeças de gado, e garante que pesam na média quatrocentos quilos cada uma.
Houve um murmúrio ao ouvir-se o peso. Muito poucas vezes chegava gado daquela envergadura.
— Comprovou-se o peso? — perguntou um comprador. Não se pesaram, mas os nossos fiscais que examinaram o gado, garantem que pesam isso, mais quilo, menos quilo.
«O proprietário, aqui presente, quer quinze dólares por cada rês, e que não venderá por um centavo menos, mas quem compra são os senhores, por isso dirão a última palavra.
Houve um silêncio sepulcral, que durou um minuto. Wiscosin não queria ser o primeiro a oferecer e esperava que qualquer outro começasse. Por fim, uma voz não muito segura disse:
— Onze dólares. Oferecem onze dólares, senhores... Quem dá mais?
Wiscosin adiantou-se e disse:
— Ofereço doze. Naquele momento e de uma forma silenciosa, Colorado que se colocara atrás do bandido que vigiava Wisconsin, estendeu o braço. agarrou no coldre do tipo, quando este fazia intenção de puxar o revólver e aplicando-lhe o seu «Colt» aos rins, murmurou ao seu ouvido:
— Quieto, senão quer que lhe meta cinco onças de chumbo nos rins. Ao menor gesto será um homem morto.
O pistoleiro compreendeu que nada podia fazer. O seu inimigo tirara-lhe o coldre com uma pancada seca e ficara desarmado à sua mercê. Foi tudo tão calmo, tão silencioso, sem movimentos chamativos, que ninguém pareceu reparar naquele ato de valentia. Jerry que estivera a olhar para uns e outros, levantou a sua potente voz e disse:
— Doze dólares e meio é uma boa paga, segundo o meu critério. É a quantia que ofereço.
Mas Colorado, a meia voz, ordenou:
— «Puxe», senhor Wiscosin.
Este, animado por aquela ordem, pois indicava que não corria perigo, gritou:
— Treze dólares! Houve um sobressalto. Muitos olhares se cravaram nele, mas o negociante, firme, embora um pouco pálido, esperou. Jerry ficou um momento como que desorientado. Olhava para o homem destacado para sujeitar Wisconsin e via-o rígido, com a boca fechada num gesto de raiva e impotência. Jerry não sabia o que ele tinha, mas adivinhava que se passava algo de anormal. E irado, gritou:
— Parece-me que vai fazer um mau negócio, Wisconsin... Em doze e meio estavam bem pagas, mas como me aborrece que alguém me vença, ainda perdendo dinheiro, não estou disposto a que fique com essa manada. Dou catorze dólares.
— Eu dou quinze — foi a oferta de Wiscosin.
Os curiosos pareciam assombrados. Nunca tinham ouvido oferecer mais de doze dólares ou onze e meio e, embora a manada em disputa fosse excecional, o preço parecia ser mais excecional ainda.
Jerry rangeu os dentes e gritou:
— Quinze e meio!
— Dezasseis! — foi a resposta de Wiscosin.
Jerry tinha-se posto pálido de raiva. Não compreendia aquela luta e começou a suspeitar qua a «sombra» do Wiscosin, não atuava por algo especial. Isto concedera ao seu rival liberdade para «puxar» e fazia-o dum modo louco, somente para o humilhar, embora levando a humilhação para diante o fizesse perder dinheiro.
Mas o seu amor-próprio não lhe permitia ficar por baixo dele. Ia perder dinheiro oferecendo mais, mas cobrá-lo-ia de qualquer maneira, pois Wiscosin não ficaria a rir. Considerava a situação ridícula pois era o único que puxava depois da cifra inicial.
Os demais permaneciam calados e estavam pendentes daquele estranho duelo entre o «amo e senhor» de Dodge e um simples negociante. Jerry tentando aparentar serenidade, exclamou:
— Senhor Wiscosin, já pensou, que pagando a esse preço nunca atingido, vai perder bastante dinheiro?
-- Os meus assuntos dizem-me respeito, Jerry. Se perder ou ganhar, é coisa minha. Mantenho a oferta: dezasseis dólares!
--Dezasseis e meio! —rugiu Jerry, fora de si.
-- Dezassete! — gritou Wiscosin, entusiasmado pelo calor da luta.
Jerry apertou as mandíbulas e, após um momento de hesitação bramou:
— Ainda pensa ir muito longe oferecendo? Sabê-lo-á se tem curiosidade. «Puxe» ou retire-se.
Jerry esteve a ponto de fazer uma oferta bastante maior, para obrigar Wiscosin a ultrapassá-la, mas conteve-se. E se fosse uma manobra do negociante para o obrigar a «puxar» e depois o largava com a oferta, ocasionando-lhe uma perda de muitos milhares de dólares? Esta podia ser a manobra e não estava disposto a fazer o jogo do seu rival. E, sorrindo duma maneira estranha, disse:
— Retiro-me... A manada é sua, pois não deve ter competidor.
O leiloador olhou para todos e, como ninguém falasse, começou a contar:
—Dezassete dólares, à uma!... Dezassete dólares, às duas!... Dezassete dólares, às três! Não vai mais! Fica adjudicado ao senhor Wiscosin por essa quantia.
Mas Jerry, adiantando-se impetuoso, exclamou com mal contida raiva:
— Um momento! Tenho direito a verificar que o meu rival paga essa quantia e deposita todo o dinheiro nas mãos do leiloador.
— Porque não? — disse Wiscosin, adiantando-se para a mesa. — Vou encher um cheque com a quantia que representam as quatro mil e quinhentas reses.
Jerry olhou em volta e viu o homem que devia ter evitado aquilo. Estava rígido no seu lugar e pôde ver que não tinha o revólver.
Ao mesmo tempo, viu outro homem por detrás dele, como se lhe fizesse sombra. E o mais curioso do caso é que viu todos os seus homens desarmados como por artes de magia. Wiscosin assinava o cheque, enquanto Slayton, com os olhos brilhantes de alegria, não perdia o mais leve movimento de Jerry.
Este, que por fim adivinhara as causas da impotência dos seus homens, retrocedeu, e aproximou-se do seu guarda-costas, que permanecia rígido e disse-lhe qualquer coisa em voz baixa. O pistoleiro afastou-se dele, tentando aproximar-se pela retaguarda de Colorado. Este adivinhou a manobra e deixou-o ganhar terreno.
Mas quando o tipo, julgou que podia disparar sobre o capataz e puxava o revólver com velocidade inusitada, o «Colt» de Colorado troou por duas vezes e o bandido deixou cair a arma que acabava de sacar, para levar as mãos ao peito e vacilar, tentando manter o equilíbrio.
Os tiros, a queda do pistoleiro, e vários rugidos de ira e desespero, brotando das gargantas dos outros bandidos, produziram o pânico na praça.
Os curiosos, que nada tinham a ganhar e muito a perder se permanecessem ali, deitavam a correr. Os negociantes, sem saber a que obedecia aquilo, faziam o mesmo, e os bandidos ao serviço de Jerry, acometiam os seus inimigos a murro, tentando recuperar as suas armas.
Desenvolveu-se uma terrível luta, enquanto Jerry, dando conta do «complot» que se formara para derrotá-lo, no cúmulo do furor puxou do revólver e voltando-se para Wiscosin que estava de costas assinando o cheque, tentou disparar sobre ele. Slayton, ao reparar nisso, agarrou o negociante por um braço e empurrando-o brutalmente, atirou-o ao chão e caiu na sua companhia, no momento em que Jerry, cego de furor, disparava.
A bala, com o caminho livre, foi atingir no peito o ajudante do leiloador, o qual, dando um gemido, caiu junto à mesa e, quando Slayton puxava do revólver e Jerry enlouquecido de raiva, procurava o negociante no solo para disparar outra vez contra ele uma voz potente, que soou aos ouvidos de Jerry como um aviso de morte, rugiu:
—Jerry! Grande bandido!... Venho por ti!
Reconhecendo aquela voz e sabendo o que significava para ele aquele aviso, torceu o braço; abandonou a sua presa e tentou fazer frente ao perigo que lhe caía em cima. Mas já era tarde; quando disparou o seu revólver de uma forma imprecisa já o «Colt» de Virgil troava seis vezes seguidas e todo o mortífero conteúdo da arma se alojava de modo inexorável no corpo do indesejável. Este caiu como fulminado por uni raio e Virgil, com o revólver ainda fumegante na mão, bradou:
— Cobarde!... Seis onças de chumbo ainda são poucas para desfazer as tuas carnes apodrecidas. Mas... não tinha mais nada para te oferecer.
Ainda soaram mais dois tiros, por conta dos vaqueiros de Slayton, que se viram obrigados a disparar. Os outros bandidos acabaram por ser reduzidos à impotência, enquanto Wiscosin, pálido como um morto, se levantava do solo, dizendo:
— Obrigado, senhor Slayton. Salvou-me a vida!
—Era o meu dever, Wiscosin.
E deixando-o, correu ao encontro de Virgil.
—Julguei que chegava tarde, Virgil.
— Entretive-me mais do que devia, mas… nada se perdeu. Cumpri o meu juramento e vejo que o senhor venceu. Acabou-se a chantagem em Dodge.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

PAS816. Um encontro macabro

De costas para ele, frente a um grande espelho, estava uma bonita mulher, alta, esbelta, com um lindo cabelo loiro, que lhe caía em cascata sobre as espáduas. Procedia ao arranjo do rosto, pois tinha urna borla de pó de arroz na mão. O seu bonito rosto via-se ao espelho e Virgil reconheceu-a imediatamente. Era a mulher que procurava e, apesar de todo o tempo que se passara, ainda lhe parecia mais atraente. Mas assim corno o rosto e o busto dela se via no espelho, também lá apareceu a garbosa figura de Virgil. Ao vê-lo, ela deixou cair a borla e a caixa de pó de arroz no solo e emitiu um grito de angústia ao mesmo tempo que voltava o rosto para ele, os seus olhos mostravam o espanto que lhe produzia tão inesperada aparição.
—Tu! Tu... aqui!... — exclamou ela, com voz rouca. Virgil fechou a porta com o pé, sem perder Elizabeth de vista, e exclamou, tentando pôr serenidade e frieza na voz:
--Sim... Não me esperavas, claro...
— Talvez sim e talvez não. Disseram-me que andavas à minha procura para me matar... Se foi para isso que vieste podes disparar quando, quiseres. Talvez seja melhor eu desaparecer do mundo...
— Isso é contigo. Eu passei três anos no Inferno, mu tive sempre gosto na vida, pois tinha urna dívida a saldar quando saísse.
—E vieste até mim para a saldar. Há outra pessoa que está à frente da lista. Depois não sei o que farei. Mas há algo que eu gostaria de saber. Quem te disse que eu te procurava para matar-te?
— Ele.
—Jerry?
— Sim, Jerry e não compreendo como pudeste entrar em Dodge sem te encherem de tiros.
— É assim tão difícil entrar aqui?
— Para ti, pelo menos parecia. Jerry tem montado um serviço de vigilância para quando chegarem as diligências. No caso de apareceres faziam de ti um crivo.
—Um ruidoso acolhimento. Mas, como me reconheceriam?
— Jerry apanhou o retrato que me ofereceste e ficou com ele. Este retrato conhecem-no de memória os dois homens que te esperavam. Não consigo explicar como passaste despercebido.
— Foi porque não vim na diligência.
— Então, como vieste?
— Como vaqueiro, conduzindo uma manada de bois através dessa infernal pradaria.
—Tu? Tu conduzindo reses?
— Muito baixo para mim, não é isso? No entanto, era o único meio de chegar até aqui. Quando um homem é acusado de ladrão e está inocente, quando o metem num cárcere e lhe confiscam o que ganhou trabalhando honestamente e o põem no dilema de ter que se esconder para não ser apedrejado como criminoso, que outra coisa pode fazer? Ela que parecia ter recuperado um pouco a serenidade, olhou intensamente para Virgil e respondeu:
— Se a tua ideia é tirares informações antes de tomares uma medida drástica comigo, não vejo inconveniente em satisfazer a tua curiosidade:
«Quando te prenderam e te acusaram de ter roubado o dinheiro do cofre do patrão e mostraram as provas que tinham encontrado no teu aposento, confesso sinceramente que acreditei que tinhas sido capaz de fazê-lo.
— Era essa a confiança que depositavas em mim?
—Julguei que desejando solucionar quanto antes o problema da nossa boda, foras tão insensato que recorreras a semelhante façanha para o resolver rapidamente. E confesso, que embora considerasse que descera bastante para unir a minha vida a um jogador profissional, não estava ainda tão corrompida para me casar com um ladrão marcado pela justiça.
«Não me importa que não acredites naquilo que te vou dizer, mas posso jurar que foi para mim um golpe demasiado rude. Criara ilusões acerca do futuro, julgava que podias ser o homem capaz de me redimir e sair do poço dos saloons e sofri a terrível amargura de ver desfeitas todas essas ilusões e saber-me enganada no amor que já sentia por ti, pois que a realidade mostrava que eras tão vil ou mais que muitos outros que conhecia.
«Passei dias terríveis, segui o processo com angústia, esperando algo que demonstrasse que a acusação era falsa, que aquelas provas não existiam... Não sei, algo que te libertasse da acusação e te ilibasse dessa culpa. Mas o «júri» não aceitou mais que as provas tangíveis e foste condenado e encarcerado como ladrão. «Na minha solidão, no meu desvairamento e na minha raiva, somente surgiu uma pessoa que tentou consolar-me. Foi Jerry, um homem que até então nada significara para mim, pois nunca demonstrara que eu lhe interessasse.
«Foi quem me consolou, me distraiu, quem pôs uma nota de compaixão na minha alma e era tal a minha angústia, que me deixei prender naquelas demonstrações de afeto.
«E foi ele quem acabou de tirar-te do meu pensamento, quando um dia me disse que se inteirara de algo que justificava a tua ignóbil ação. Garantiu-me que tinhas uma amante mexicana, a quem davas inúmeros presentes e por ela cometeras aquele roubo, já que aquilo que ganhavas era insuficiente para satisfazer os seus caprichos.
— Ele disse isso? E quem era essa afortunada que valia mais do que tu?
— Deu-me o nome. Disse-me que se chamava Esperanza, que trabalhava no «Dólar de Prata» e, que ao saber da tua prisão, fugira de Austin, temendo ver-se envolvida no caso.
«Feria-me imenso saber que eras um ladrão, mas como mulher, feria-me mais o meu amor-próprio saber que tinha sido enganada.
«Isto fez com que te desprezasse; e pensei noutro homem para me distrair e me ajudar a esquecer-te. «Esse homem foi Jerry. Mostrou-se amável, carinhoso, apaixonado. Mais tarde e após declarar-me o seu amor, prometeu que se casaria comigo e tornar-me-ia feliz como eu o merecia.
«Deixei-me levar pelo meu estado de alma; aceitei as suas relações, e se bem que não sentisse por ele um amor que não sonhara, confiava em que, com o tempo, me afeiçoasse de verdade. Um dia, aborrecido, disse-me que tivera urna luta com o irmão. Garantia que o irmão lhe devia uma quantidade enorme de dinheiro, e que não lho queria pagar.
«Jerry disse que exigira o dinheiro porque tinha grandes projetos. Com aquele dinheiro e com o que economizara, pensava em que nós fôssemos para Abilene, onde durante a temporada de verão podíamos ganhar dinheiro em abundância. A sua ideia era montar um saloon, mas desde o momento que o irmão não lhe pagava a dívida, tinha de trabalhar como gerente até arranjar a quantia necessária.
«Como as relações com o irmão eram impossíveis decidira abandonar Austin; pensara em mim para o acompanhar a Abilene onde trabalharíamos os dois, para reunir o suficiente para nos estabelecermos. Tanto se me dava estar num sítio como noutro; e julgava também que, afastando-me de Austin, mais facilmente te esqueceria e para não te ver quando saísses em liberdade.
«No dia seguinte partimos para Abilene. Eu ignorava o motivo que levava Jerry a querer sair de Austin, com tanta pressa. Só mais tarde é que soube a razão, mas já era tarde, e não tinha remédio.
«Trabalhámos os dois em Abilene. Ele conseguiu arrendar uma mesa de roleta, em que, segundo disse, ganhava todos os dias uma boa maquia e eu trabalhei num saloon onde ganhei o dinheiro que quis, pois corria em abundância.
«Ao terminar a temporada, quando Abilene voltou a ser uma povoação tranquila, falámos em voltar a Austin ou a Santo António, até à temporada seguinte. Foi então que disse que preferia trabalhar em Santo António, pois um amigo contara que tinhas saído em liberdade da prisão do Austin e te gabaras que havias de matar os dois, por estarmos juntos. «Garantiu-me não ter medo de ti e só queria evitar que eu não fosse maltratada, no caso de ele não estar presente.
«Propôs-me então a nossa vinda para Dodge, pois esta temporada seria o paraíso dos ganadeiros. Com tempo, antes de chegar a primavera, podia ultimar os seus projetos. Ia montar aqui um bom saloon e queria tê-lo a funcionar antes de chegarem as primeiras caravanas. Perante estas palavras, tive medo de voltar para o Sul, pois podia encontrar-te, e aceitei a proposta.
«Quando chegámos aqui, isto tinha o aspeto duma povoação sem importância. Era muito triste e aborrecido e Jerry não teve dificuldades em alugar este local, onde pensava estabelecer o saloon.
«Contou-me então, que embora tendo dinheiro, não possuía o suficiente para instalar o melhor saloon de Dodge e que necessitava da minha ajuda.
«Não sei que impulso me levou a negar. Não a negar, aias sim a entregá-lo sem garantias, e honestamente expôs-lhe a minha ideia. Ninguém sabia o que podia acontecer no dia seguinte, e não queria expor-me a ficar sem um dólar, depois de ter trabalhado tanto.
«Ele aborreceu-se pela minha desconfiança e, num acesso de orgulho, disse:
«—És uma estúpida em tratar-me assim e para que vejas que sou leal, faço-te uma proposta. Vou instalar o saloon e vou pô-lo em teu nome. Mas o benefício será a meias para os dois. Está bem?
«Ao ouvi-lo, arrependi-me do que dissera, mas o meu amor-próprio impediu-me de voltar atrás e aceitei. Julgo que foi a única coisa boa que fiz com respeito a ele. Montou-se o saloon, entreguei-lhe as minhas economias contra um documento assinado e tudo ficou pronto a funcionar.
«Mas antes que chegassem as primeiras manadas, já isto parecia uma Babel. Chegavam mais jogadores, abriam-se mais estabelecimentos e começavam a afluir mulheres dispostas a explorar os vaqueiros.
«E um dia, alguém me informou de que Jerry andava metido com uma rapariga chamada «Rosa, a Mexicana», artista de muita fama. Esperava um contrato e não se decidira ainda por nenhuma das várias ofertas recebidas.
«Não falei a Jerry acerca disto. Podia ser má-língua, e eu é que tinha de verificar a veracidade dos factos. Ele não me deu tempo a investigar, pois passados poucos dias disse-me:
«— Temos que ir pensando em contratar raparigas. Chegaram bastantes e há por onde escolher.
«— Bem — disse eu. — Se já são precisas, contratam-se.
«—Então, vou recomendar-te uma. Chegou uma artista mexicana que traz um grande cartel, obtido em todo o Oeste, e seria uma boa aquisição. «Revoltei-me ao ouvi-lo e respondi:
«— Boa aquisição, para ti, não é isso?
«— Que queres dizer?
«— Que sei da tua grande intimidade com ela e que st te agrada mais que eu, não o posso evitar. Mas não me julgues tão falta de sensibilidade que possa admitir aqui as tuas amantes.
«És uma estúpida! — gritou. — Acreditas em tudo o que te contam e eu não tolero isso. A mexicana é uma boa atração para o saloon e é do meu gosto que ela seja contratada. «Furiosa, gritei por minha vez:
«— Esqueces que sou a dona e também a gerente? Tu tens os teus grandes negócios de gado que te rendem bastante dinheiro; eu tenho esta casa para garantia do meu futuro; com o teu dinheiro a rapariga não precisa de trabalhar. Não tem nada a fazer aqui. Quem manda aqui sou eu.
«Aquilo exasperou-o. Ameaçou-me em pôr-me fora, apesar da casa estar em meu nome, mas não me assustou. Se ele é duro, eu não lhe fico, atrás quando é preciso.
«A partir de então, cessaram as nossas relações. Vem, fica, vai, mas como se fosse um estranho, na casa; não levou nada para diante, porque teve medo do escândalo e das minhas reações. Talvez isto não fosse o pior. Um desengano mais na vida, talvez porque o meu destino é viver enganada e o mais longe possível da felicidade. O trágico foi não há muito tempo, quando apareceu no saloon um cliente que frequentara a «Estrela de Prata» em Austin. Quando me reconheceu, disse-me muito sério:
«— Pequena, tu que podias viver uma vida independente, ou pelo menos encontrar um homem relativamente digno, foste cair tão baixo, unindo-te a esse bandido do Jerry?
«Quem me falava assim, era um rancheiro muito estimado, que tem um rancho nas proximidades de Austin.
«Nervosa de ouvir aquela afirmação, perguntei:
«— Que quer dizer com isso, senhor Milton? Não sei porque Jerry há-de ser alcunhado de bandido.
«— Quer isso dizer que ignoras as patifarias feitas por Jerry antes de sair de Austin?
«— Patifarias? Ignoro o que quer dizer.
— Nesse caso informar-te-ei de tudo o que se passou. Quem me contou foi o ajudante que Virgil tinha na «Estrela de Prata» antes do sucedido.
«Segundo me contou, Jerry tentou assassiná-lo uma noite, porque sabia de mais. Jerry chegou a Austin na noite anterior ao roubo do cofre e entrou e saiu furtivamente do saloon. O ajudante de Virgil viu-o e não disse nada, mas no dia seguinte, quando se descobriu o roubo e Jerry apareceu, dizendo que chegara nesse dia à cidade, o homem suspeitou de qualquer coisa e foi tão imprudente que lho disse. Jerry ameaçou-o de morte se desse com a língua nos dentes e uma noite deu-lhe três tiros, deixando o ajudante às portas da morte. Quando este saiu do hospital, procurou Jerry, mas não o encontrou.
«Em troca, soube que Jerry discutira com o irmão, desaparecendo em seguida e mais tarde soube-se da existência dum cheque falsificado, recaindo as suspeitas sobre Jerry.
«Foi isto que ele me contou. A patifaria causou quase a ruína do irmão de Jerry que teve de traspassar o saloon.
«A revelação foi para mim um autêntico choque. Então comecei a ver claro em muitas coisas e a mais cruel vergonha se apoderou de mim. «Compreendi que o patife manobrava assim para se apoderar duns milhares de dólares e para se meter na minha vida. Era esta a situação desesperada em que eu me encontrava e que já não tinha remédio.
«Com toda a raiva que me dominava, lancei-lhe em cara as suas patifarias. Ao princípio, tentou negar, gritando que lhe dissesse quem me informara. Mas neguei; não queria prejudicar quem me abrira os olhos e, no fim, irado, disse que não lhe importava a minha opinião. Convencera-se que eu não era a mulher que lhe convinha, pois não nascera para a podridão em que me queria lançar.
«E por fim, digo-te que aqui goza duma• fama péssima e é odiado de morte, mas ninguém se atreve a meter-lhe uma bala na cabeça. Rodeou-se duma quadrilha de pistoleiros com a qual impõe o terror na cidade e manobra contra os negociantes, a quem ameaça de morte, quando algum quer comprar gado que ele pretende.
«Quebrámos toda a intimidade. Vem aqui, mas não passa do bar e exige os seus lucros. Estou desesperada e a minha ideia era, quando acabasse a temporada, traspassar o saloon, e fugir para longe, onde ninguém me conhecesse.
«Esta é a história. Para mim, é indiferente que acredites ou não. Se vieste para matar-me, livra-me do fardo da vida, que te agradeço, mas jura-me que o matarás também a ele.
Elizabeth, pálida, transtornada pela dor e pela raiva, deixara-se cair no tamborete, e com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cara entre as mãos, chorava em silêncio. Ele, rígido, contemplava-a com mais dó que raiva. Compreendia os desgostos dela, do engano, das misérias e amarguras vividas junto daquele miserável e os seus braços lutavam por estender-se e enlaçá-la com paixão.
Mas algo os detinha, talvez a recordação, talvez a vergonha duma entrega tão rápida e conteve-se. Por fim, aproximou-se dela e, com voz rouca, disse: /
— Levanta essa cara, Elizabeth.
— Deixa-me, Virgil, mata-me ou foge do meu lado. Sou uma mulher indigna e é melhor que te esqueças de mim. Se vieste para castigar Jerry e o conseguires, ficarei a dever-te essa consolação, mas não te poderei pagar, porque nada digno de ti te poderei oferecer.
— A morte de Jerry está decretada e os minutos de vida que lhe restam estão contados. Agora, se pensas que podes fazer algo por mim, só te peço uma coisa.
— Diz qual é.
— Vou matar, Jerry, mas quero ter uma justificação para mostrar ao xerife, quando tenha de ir à presença dele, se for esse o caso. Quero que escrevas num papel tudo o que o rancheiro te contou de Jerry e o assines. Se não o fizeres... o final será o mesmo. Ela levantou-se, abriu a gaveta dum pequeno móvel e tirando papel e caneta, escreveu durante alguns minutos. Depois, entregou o papel a Virgil, dizendo:
—Diz se está bem assim. Ele leu e respondeu:
—Está muito bem. Era o que necessitava. Retrocedeu.
Ela, angustiada, exclamou:
— Aonde vais?
— À praça, presenciar o leilão. É lá que Jerry acabará a sua carreira de bandido.
— Não, pela tua vida, não vás lá! Tem junto dele todos os seus pistoleiros!
-- Não tenho medo. Também tenho lá oito homens decididos, dispostos a ajudar-me, e talvez a estas horas, esses pistoleiros estejam convertidos em simples borregos. Está tudo pronto para a grande final.
— Se é assim... Desejo-te mais sorte que aquela que tiveste até agora e a ele todo o sofrimento que merece... Adeus, Virgil, perdoa-me se te fiz tanto mal, mas foi inconscientemente; como tu, fui vítima da fatalidade e bem o tenho pago.
Mas ele, com voz fremente, disse:
— Vou, mas... voltarei, Elizabeth. Ainda temos muito que falar. Mas não é este o momento de fazê-lo. Quando tudo tenha terminado, voltarei.
E saiu ao corredor, para abandonar o saloon, não por onde entrara, mas sim pela porta principal.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

PAS815. A história de Pecos Bill

Quando desembocaram naquele terreno, Virgil que parecia conhecer alguma coisa a respeito dele, exclamou, dirigindo-se a Colorado:
— Aqui não é Panhandle?
— Exatamente.
— Ouvi dizer que um tipo chamado Pecos Bill transformou isto como por artes de magia. Quer dizer-me quem foi esse tipo com tanto poder?
— Um homem que preferiu nascer no Texas em vez de nascer no Kentucky, pois se nascesse lá não os aturaria de maneira nenhuma.
— Vai dizer-me que valia mais que o nosso cavalo «Dominó»?
— O seu cavalo era um pigmeu em comparação com Pecos Bill, meu conterrâneo.
«E já que parece desconhecer a sua história, contar-lha-ei, nem que seja para não tornar a presumir sobre cavalos, «whisky» e outras ninharias.
«Pecos Bill é o avô de todos nós, os «cow-boys». Dizem que nasceu no Texas e que um dia, viajando no carro de seu avô, caiu dele e não puderam encontrá-lo. «Foi encontrado pelos coiotes, os quais o criaram e fez-se tão temível que até os répteis mais venenosos fugiam aterrados dele, quando o viam aparecer, porque as suas mordeduras eram mais perigosas do que as da serpente cascavel.
«Para montar, desdenhava os cavalos e montava os mais ferozes pumas e, como se aborrecia sozinho, inventou os escorpiões e as tarântulas que tão frequentes são no deserto.
«Conta-se, que por aposta, um dia montou num ciclone procedente de Oklahoma e, sobre ele, atravessou três Estados. À sua passagem, as montanhas metiam-se pela terra dentro para lhe dar lugar e os bosques transformados em erva quando sobre eles passava no seu estranho carro. Até o ciclone, aterrado daquele alucinante cavaleiro, não sabendo como libertar-se do seu jugo, se converteu em chuva e desfez-se precisamente aqui, dando origem ao Panhandle.
— Uma bela história. E que foi feito desse infeliz Pecos Bill?
— Desapareceu. Deve ter morrido afogado quando caiu.
— Teve sorte, porque suspeito que se tivesse vivido e casado... teria apanhado muitas tareias da mulher por ser rebelde e travesso. Pergunto a mim mesmo para que serve esta enorme extensão de terra coberta de erva, se ninguém a aproveita.
— Até agora não, mas está em vias de ser aproveitada.
— Vão mudar-se para ela todos os rancheiros do Oeste?
— Nada disso. O ano passado, o Estado do Texas ofereceu três milhões de acres de terras a quem, em troca; se comprometesse a erigir por sua conta um edifício destinado ao Governo de Austin. «Dois comerciantes de Chicago muito ricos, chamados John e Charles Farwell, apressaram-se a aceitar a oferta sem sequer terem vindo lançar uma vista de olhos para isto e mandaram o dinheiro para a construção do edifício. Entretanto, organizaram uma sociedade, com quinze milhões de dólares para fundar o rancho mais fabuloso do mundo, só com a ideia de guardar todo o gado do Texas.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

CLF110. Homens no inferno


 
(Coleção Califórnia, nº 110)

O jovem Virgil que explorava um saloon com um sócio e namorava uma das meninas que atuava neste, foi enviado para a prisão com a acusação de ter morto o sócio e foi desprezado pela sua prometida que se juntou ao irmão do sócio.
Ao sair da prisão veio a conhecer uma verdade diferente e quis lutar pela reabilitação iniciando um longo percurso pata apanhar o verdadeiro assassino que julgou encontrar-se em Dodge. Chegou a esta cidade integrado numa equipa de vaqueiros conduzindo uma manada de gado destinada a ser negociada. Mas, depois de a jornada s ter revelado um Inferno, também Dodge se via convertida num local sujeito à vil chantagem de um homem. E Virgil reconheceu nesse indivíduo o que lhe havia estragado a vida e roubado a futura esposa
Esta obra de Fidel Prado ilustra bem a técnica de escrita do autor. Diálogos em que o monólogo se sobrepõe em extensas tiradas, tornando-se um pouco cansativo. Tudo explicadinho até ao último pormenor…
Vamos ilustrar usando algumas passagens uma das quais é uma referência a Pecos Bill.
A capa é excelente, mas nada tem a ver com o livro e tenho a sensação que já a vi associada a outro livro.