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segunda-feira, 23 de maio de 2016

KNS060. Uma luz nas trevas

(Coleção Kansas, nº 60)
 
Este livro da coleção Kansas já tinha sido editado na Coleção Búfalo com o mesmo título. Eis as nossas palavras, nessa altura:
 
Eis mais um livro de Raf Segrram na coleção Búfalo.
Desta vez, é a história de um médico que também sabia disparar e vivia sob o desgosto de a sua amada se ter comprometido, na sua ausência, com o amigo que o ajudara a custear a formação.
Mas quis o destino que a jovem, bela e arrogante, que tanto dano lhe causara no coração, fosse assediada pelo imbecil, mais endinheirado, tosco e prepotente da povoação e acabasse por lhe dar um tiro, enviando-o deste mundo.
A defesa da jovem, comprometida por um xerife e um juiz corruptos que dependiam do pai do imbecil, acabou por se transformar em formidável ação para a sua libertação e contribuiu para um final imprevisto…


domingo, 13 de outubro de 2013

PAS117. Uma luz nas trevas

Donald, arrogantemente, passeava o olhar altaneiro de um lado para o outro, quase desejando que alguém se excedesse, dando motivo a um prólogo da tragédia. Mas ninguém se moveu, ainda que as expressões se tornassem mais duras e hostis.
Um rumor surdo, vindo do alto da praça, começou a ecoar: «Vem aí… Já a trazem…»
Todas as cabeças foram girando naquela direção.
Rodeada pelo xerife e não poucos pistoleiros, apareceu Vivian sobre um pequeno carro desmantelado, puxado por um anémico cavalo. Trazia as mãos atadas às costas. O cabelo caía-lhe como uma cascata de negruras sobre os ombros. Uma densa palidez espalhava-se-lhe pelo rosto. Os seus olhos, desmesuradamente abertos, exprimiam uma amargura sem limites. Era mais uma estampa de assombro que de terror. Tudo aquilo lhe parecia monstruoso, inconcebível. Iam matá-la por ter defendido a sua honra!; matá-la em frente do povo, para maior ignomínia, sem que uma só voz se elevasse em seu favor, sem que uma simples mão amiga se lhe estendesse!
Onde estavam os que disseram um dia amá-la? Por que ninguém ao menos se aproximava para lhe levantar o espírito?
Os pensamentos galopavam numa vertigem desenfreada pelo seu cérebro febril.
Não, não era possível que a tivessem abandonado. Seguramente, se não vinham em sua ajuda era porque a força de Donald Grant o impedira. Talvez até já nem pertencessem ao número dos vivos aqueles que a poderiam amparar.
De entre todas as ideias persistia em realce a esperança posta em Turban. Não o tinha voltado a ver, mas custava-lhe admitir que o tivessem conseguido eliminar.
Naqueles dramáticos momentos percebia – como Bradley noutros semelhantes – uma pequena luz a quere furar as trevas do seu cérebro e do seu coração.
O carro deteve-se ante o patíbulo. Grimme e outro tipo da mesma ferocidade, sem consideração pela infeliz, empurraram-na para tablado.
Dir-se-ia que, na praça, ninguém respirava.
O juiz Durking adiantou-se, com as pernas a tremer, e deu uma ordem que mal lhe saiu dos lábios. Grimme, nas funções de «executor da justiça», examinou o nó corredio. Um sorriso gelado entreabriu-lhe a boca. De repente, o sorriso converteu-se numa última careta dolorosa: do meio da multidão acabava de surgir uma bala que lhe furou os miolos. Girou sobre os pés e caiu, produzindo um ruído surdo.
Vivian, que tinha fechado os olhos, abriu-os não podendo dar crédito ao que via. A sua luzinha interior, quase a apagar-se, adquiriu nova chama.
(Coleção Búgfalo, nº 36) 

sábado, 12 de outubro de 2013

PAS116. Um patíbulo para Vivian

Ouviram-se as últimas lúgubres marteladas. O patíbulo ficou firme, como uma pincelada sinistra. Entre o povo, cada vez mais numeroso, os ajudantes do xerife, bem como os sequazes de Donald, passeavam lentamente, mantendo com a vista todos os que iam ser espetadores daquele crime mal coberto de legalidade.
Nem todos se encontravam indefesos. Os vaqueiros de «Os Perfis» e «O Limonal», Peter, Patrick e alguns outros amigos tinham revólveres ocultos; mas não sabiam o que fazer, nem se atreviam a tomar a iniciativa. Faltava-lhes a presença de Bradley ou, pelo menos, de Fairbanks. Este deixara-lhes o recado de que o esperassem até ao último momento, e que só então, se eles não tivessem regressado, entrassem em ação.
Entre as pessoas dispostas a tudo perder, achavam-se Georgina Ford e Edna Don. Tanto uma como outra sentiam admiração pela mulher que, ao defender-se, as tinha vingado.
Grimme, disposto a atuar como verdugo, apresentou-se no domicílio do seu amo, junto ao qual o juiz andava de um lado para o outro.
- A forca está pronta – anunciou.
(Coleção Búfalo, nº 36)

PAS115. Uma esmolinha para «Sansão»

Andi resolvera divertir-se com uma das suas brincadeiras favoritas.
Havia na povoação um rapaz, atrasado mental, que não se metia com ninguém, e ao qual chamavam «Sansão». Quase todos sentiam pena dele, ajudando-o a viver por meio de esmolas.
Era sabido que «Sansão» não podia cheirar sequer o álcool. Prová-lo equivalia a ficar meio louco. Certa noite, Andi Quersboll quis distrair-se e obrigou-o a beber, entre os olhares e palavras reprovadoras de todos quantos assistiam.
«Sansão», frenético, lançou-se sobre o «gracioso», cravando-lhe os dentes com tal afinco no ombro que pouco faltou para lhe arrancar um bocado. Foi difícil separá-los. Quando Andi se viu livre, arremeteu contra o infeliz, dando-lhe uma tareia fenomenal.
Turban chegara nesse momento À taberna em que se havia desenrolado a cena. Ciente desta, prestou os seus cuidados a «Sansão». Quersboll chamou-o:
- Eh, Bradley! Deixe esse idiota e ocupe-se de mim. Veja como ele me deixou!
Como se não tivesse ouvido, o médico prosseguiu no tratamento da verdadeira vítima. Andi insistiu:
- Está surdo? Terei de o obrigar a cumprir o seu dever?
Turban olhou-o com dureza:
- És uma besta e eu não sou veterinário!
O pistoleiro apontou-lhe a arma.
- Tens cinco segundos para obedecer à minha ordem.
Bradley teve um sorriso e um olhar desdenhoso. Voltando ainda mais as costas a Quersboll, continuou a curar «Sansão».
Talvez a ideia do «gun-man» não fosse outra senão amedrontar o médico; mas mesmo que o fosse nunca a teria podido levar a cabo: cinco homens caíram-lhe, atacando-o pelas costas, e reduziram-no à impotência. O interesse despertado pelo novo doutor era imenso para se resignarem a uma tragédia. Andi foi atirado lá para fora, intervindo nisso todos os fregueses.

PAS114. Médicos idiotas

Salvar  a mulher e o filho de Peter foi tarefa difícil, longa e trabalhosa, pois o parto apresentou-se cheio de complicações; mas triunfou na empresa.
Enquanto se lavava, depois de tudo terminado, ouviu o recém-nascido chorar ao pé da mãe e pensou, sem querer, no seu colega Davis. Estava certo de que, se a operação tem caído nas mãos deste, o panorama daquele casebre seria agora bem diferente.
Peter murmurou, a medo:
- Bom, doutor… o senhor dirá quanto lhe devo. Não lhe poderei pagar agora, mas…
- Imaginas que me alimento do ar?
- Não, claro que não.
- Alimento-me de satisfações, principalmente, e esta é uma delas. Parece mentira que um tipo como tu possa ser o pai de uma criança tão formosa.
Os olhos do interessado brilharam.
- É verdade que sim?
- Mais formosa do que tu e a tua mulher juntos. Dizes que não me podes pagar, hem? Gostaria de saber o dinheiro de que dispões.
- Oito dólares. As coisas andam mal. Fiquei sem trabalho… mas ofereceram-me emprego para a semana que vem.
- E entretanto o que fazes? Pensas que com oito dólares poderás alimentar a tua mulher sem que vocês morram de fome?...
- Bem…
- Toma! – estendeu-lhe umas notas. – Isto fazem os médicos idiotas de que falam as novelas sentimentais. Eu devo ser um deles. Mas não julgues que te dou o dinheiro! Depois mo devolves quando tiveres de sobra e então saldaremos a conta.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

PAS113. A hora da partida

- Pensarei muito em ti, Vivian…
Sem pensar no que fazia, pôs toda a alma no que dissera. A rapariga olhou-o como nunca até ali e ele sentiu-se confuso.
- E eu recordar-te-ei sempre – respondeu ela, mas sem se atrever a mirá-lo, como se estivesse envergonhada.
- Obrigado, Vivian. Isso vai fazer-me estudar com mais afinco.
- Avisa-nos do dia em que partes. Iremos à despedida…
- Assim o espero. Quero que a tua imagem seja a última coisa a verem os meus olhos, ao afastar-me daqui.
Vivian corou. Turban, vermelho por sua vez, picou de esporas o cavalo, lançando-o a galope.
Nos dias seguintes, as reações do rapaz chocaram-se entre si. Tão depressa pensava que se sentia na obrigação de saltar sobre todos os sentimentos e consagrar-se à sua obra, como se deixava dominar pela angústia que lhe produzia ter de voltar as costas a tudo que construira a sua existência de sempre. Teve de ser Somerset, o tutor, a animá-lo diversas vezes.
Chegou por fim a hora. Cerca de metade do povoado acompanhou-o à estação. As manifestações de afeto sucediam-se ininterruptamente.
O comboio, para não fugir à regra, surgiu com atraso. Repetiram-se as despedidas. O maquinista disse ao revisor:
- Creio que temos tempo para tomar um copo.
- Sim. Pelos vistos parte hoje o sobrinho… ou lá o que é… do Somerset. – levantou a voz, dirigindo-se ao grupo numeroso: - Vejam lá se se despacham! Partimos dentro de momentos!...
Com a maior naturalidade, como se abandonassem uma carroça, saltaram em terra e dirigiram-se ao pequeno bar.
Já doía a mão de Bradley por ter apertado tantas. Teve que fazer um grande esforço para que no momento de abraçar Somerset e Teddy as lágrimas não lhe saltassem dos olhos. Também abraçou Nicholas. Sem saber porquê, deixara Vivian para o fim.
- Bom… pequena, não te esqueças da tua promessa… Pensa em mim.
Num impulso irreprimível, a rapariga beijou-o, sem se importar absolutamente nada com a presença de tanta gente. Ele ficou aturdido, sem ânimo para responder Àquela carícia.
O maquinista e o revisor voltaram:
- Estão prontos?
-Para o comboio! Para o comboio! Depois queixem-se que chegamos atrasados!
O montão de sucata pôs-se em movimento. Turban, assomando a uma janela, não se cansava de dizer adeus a todos com a mão, se bem que os seus olhos permanecessem fixos em Vivian, realizando assim o seu desejo de que fosse aquela imagem a última da partida.

PAS112. Uma missão sublime

Correu para a casa que a Morte ensombrara. O quadro era desolador. A mulher e os órfãos soluçavam abraçados ao corpo sem vida, cujo rosto, contraído pelo último sofrimento, parecia implorar vingança.
Também ele chorou, sem que lhe ocorressem palavras de consolo. Maldisse o doutor Davis, pensando que os verdadeiros homens de ciência não teriam fracassado naquele caso.
Não pôde resistir ao angustioso espetáculo e retirou-se em silêncio.
Deambulou várias horas. Se encontrasse o pistoleiro Grimme naquele dia ter-lhe–ia descarregado em cima todo o tambor do revólver.
- Quando me vais mandar estudar, tio? – foram as sua primeiras palavras mal se achou na presença de Somerset, o tutor.
- Rapidamente, rapaz. Na verdade, tenho tantas ocupações que não me dediquei ainda ao assunto. Mas… a que propósito vem essa pergunta agora? Estás transfigurado. Sucedeu-te alguma coisa desagradável?
Deixando.se cair sobre uma cadeira, o jovem articulou:
- Max Brety morreu. O velho Davis não foi capaz de o curar. Eu tê-lo-ia salvo se soubesse o que um médico deve saber.
Tolerante, persuasivo, Clak replicou:
- Imaginas que no dia em que tiveres o teu curso já não morrerá mais gente? Pensas que a tua ciência poderá alterar a marcha do mundo? Que será o bastante encarregares-te de um enfermo para que esteja certa a sua cura?
Bradley declarou, com admirável firmeza:
- Não, não sou nenhum néscio! Do que estou convencido é de que a Medicina deve ser uma espécie de sacerdócio, no qual não devia ser permitida a entrada a quem não a considerasse assim. O médico é obrigado a estudar, estudar sempre, nos doentes e nos livros, consagrando-se a arrebatar vidas À morte, missão sublime e que perde a sua grandeza quando se lhe não rende o tributo que merece.

PAS111. A missão do médico

- Olha, filho – dizia o velho e destreinado médico – a natureza é sábia. Nós médicos não temos outra missão do que sair ao caminho das várias espécies de estupidez com que os homens esbanjam a saúde: achaques, resfriamentos, feridas… O resto, as coisas que vêm por si só curam-se por si só também, a menos que àquele que as sofre tenha chegado a hora de ir para o outro mundo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

BUF036. Uma luz nas trevas



Eis mais um livro de Raf Segrram na coleção Búfalo.
Desta vez, é a história de um médico que também sabia disparar e vivia sob o desgosto de a sua amada se ter comprometido, na sua ausência, com o amigo que o ajudara a custear a formação.
Mas quis o destino que a jovem, bela e arrogante, que tanto dano lhe causara no coração, fosse assediada pelo imbecil, mais endinheirado, tosco e prepotente da povoação e acabasse por lhe dar um tiro, enviando-o deste mundo.
A defesa da jovem, comprometida por um xerife e um juiz corruptos que dependiam do pai do imbecil, acabou por se transformar em formidável ação para a sua libertação e contribuiu para um final imprevisto…