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terça-feira, 21 de julho de 2015

PAS509. Um rosto belo na hora da vingança

-- Vim saldar uma dívida de Justiça.
— Pois bem, por que esperas? — desafiou Growell, sem se mover, o mínimo. — Pretendes que suplique e implore misericórdia? Julgas que vou oferecer-te a minha fortuna para reparar o mal que então pudesse ter feito?.
-- Não necessito de um só dólar da tua porca fortuna — exclamou Chuck, irritado. — O sangue do me pai só pode ser vingado com o daqueles que conjuraram para a derramar.
Growell guardou silêncio. Evidentemente, pensava na sua trágica situação ou talvez tentasse ganhar tempo.
— Creio que eu também tenho de dizer algum coisa — quis intervir a mulher que tinha aberto, a porta a Chuck.
— Cala-te! — exigiu Growell com energia. — não imploro piedade, nem quero que outros a solicitem para mim. O teu pai foi morto por Donally em união com Jansen. Para que me serviria mentir, se estou nas tuas mãos?
— Uma última tentativa para salvares a tua repugnante pele.
— Você não pode disparar! — exclamou agora aquela mulher, intervindo para se situar entre Growell e Chuck Aliston. — Isso é o que menos lhe importa a ele. Dar-se-á o caso de não ter dado conta do seu estado? — acrescentou, estendendo um braço para o apontar. — Olhe bem para ele. Inutilizado para o resto dos seus dias e sem poder fazer um único movimento! Já reparais que, apertando o gatilho, não faria senão conceder-lhe um bem?
— Quem te manda a ti falar, velha intriguista? — gritou Growell, sem se poder mover daquele cadeirão. E olhando para Chuck, gritou: — Dispara de uma vez para sempre! Não foi isso que vieste fazer? Vai tremer agora a tua mão, porque sentes medo de descarregar o teu revólver sobre um inutilizado?
A surpresa impediu Chuck de dizer qualquer coisa. Estava surpreendido e abatido. Toda a sua animosidade e sede de vingança que o abrasava se tinham dissipado num momento, em virtude das palavras que acabava de proferir a mulher que estava com eles. Agora, compreendia a atitude de Growell e o seu aspeto tão diferente do que foi sempre.
Retrocedeu uns passos, lentamente. Considerava-se já suficientemente satisfeito pela forma como, aquele homem expiava todas as suas faltas. Uma Justiça superior à administrada pelos homens tinha-o condenado a uma sorte dura, mil vezes pior do que a prisão, pois a paralisia de que Growell sofria reduzia-o- à inutilidade para o resto da sua vida.
Retrocedeu até sentir a porta nas suas costas. Sem se voltar, fez correr o fecho e os seus dedos puxaram o trinco.
— Encontraste o inferno que merecias, Growell — foi a sua despedida. — De que te serviu amontoar dinheiro e mais dinheiro?...
Fez girar o trinco e empurrou a porta, mas esta não cedeu. Tentou novamente para sair dali. A madeira resistia aos seus esforços. Irritado, deu um grande pontapé, mas não obteve melhor resultado.
Compreendeu imediatamente que tinham fechado por fora e que se encontrava encerrado numa ratoeira. Começou a correr para a janela, mas retirou-se prontamente, assim que verificou que em baixo, no jardim, havia alguns homens armados.
O próprio Growell e a mulher pareciam surpreendidos pelo que se estava a passar.
— Vais ordenar que abram imediatamente ou...! — exigiu, apoiando o cano do revólver nas costas do paralítico.
— Ou quê? — troçou. o própria Growell. — Vais disparar se não o fizer? Convences-te, Alston, de que não tens outro remédio senão matar-me?
Growell continuava a troçar dele, da impotência de levar adiante a sua ameaça e do nervosismo que dava mostras, ao ver-se encerrado numa armadilha.
Naquele momento, reparou numa porta lateral, meio oculta atrás de uma cortina e que, até então, não tinha visto. Correu para ali e já estava quase a alcançá-la quando a viu abrir-se e uma mulher entrar no escritório.
Era uma rapariga de uns vinte e dois ou vinte e três anos. Vestia um fato de corpinho justo e saia rodada de veludo vermelho. O seu cabelo negro e caindo-lhe em brilhantes caracóis., pelas costas, era apanhado atrás par uma fita da mesma cor.
— Você é um louco e um irreflectido — reprovou com dureza. — Sabe que podia custar-libe bem caro o que fez?
— Também você faz parte da conjura? — atirou-lhe Chuck, à cara, sem poder conter a sua irritação.
— Se chegasse a tentar alguma coisa contra esse homem, teria passado um mau bocado — acrescentou ela. — Tenho estado a vigiá-lo por aquele postigo. E na minha mão estava um revólver.
Chuck viu que ela apontava um buraco que se via no artesoado do tecto, mesmo por cima de um quadro.
— Sim; teria disparado contra si. Mas qualquer coisa me conteve. E é tudo quanto acaba de dizer. É por isso que tentarei ajudá-lo a sair daqui sem que Blod e os seus homens se apercebam.
Ela desviou-se para um lado e Chuck ;abandonou o compartimento.
— Que é que pretende? — perguntou o rapaz, olhando-a com curiosidade.
— Ajudá-lo. Não lho disse claramente?
— Pata mim não é muito claro. Quem é você e que traz aqui?
— Stanton Growell é meu tio — disse ela — e a mulher que está agora com ele é minha mãe. Há um mês que viemos para Phoenix, porque ele nas mandou chamar. Sentia-se doente e necessitava de nos ter a seu lado. Ao princípio, a minha mãe opôs-se. Conhecia a espécie de vida que Stanton tinha levado; mas ao fim ao cabo, era seu irmão e acabou por aceder.
Tinha atravessado um segundo compartimento e a rapariga adiantou-se para examinar a escada de saída.
— Duvido que possa voltar para onde deixou o seu cavalo — disse-lhe. —  Bloyd deve ter imaginado qualquer coisa, pois está com os seus homens a vigiar a saída. Não há dúvida de que estão à espera que saia.
— Obrigado — disse Chuck, porque não lhe ocorria outra coisa.
— Você veio com um fim que depois se desvaneceu — a jovem sorriu-lhe. — Obrigada estou eu..
Chuck afastou-se, correndo entre as árvores, mas não tinha dado uma dúzia de passos, quando da esquerda partiram uns tiros. Sentiu um forte golpe nas costas, sentindo uma dor aguda. Voltou-se para responder à agressão, mas um tropeção fê-lo perder o equilíbrio e cair de bruços sobre a areia.
Instintivamente, arrastou-se até à protecção de um canal de rega. Ouviu um grito de mulher e viu a mancha avermelhada de vestido da rapariga oscilar de um lado para o outro, aproximando-se de onde ele estava.
Alguém gritou do outro lado do gradeamento e a rapariga respondeu, indignada. Chuck ouvia a sua voz bem timbrada e melodiosa, mas não podia compreender uma única palavra. Sentia que a cabeça se enchia de um crescente zumbido e que uma angústia mortal começava a invadi-la.
Ainda antes da vista se lhe turvar, viu aquele rosto muito pálido e com olhos dilatados pela surpresa e terror, olhar para ele, de muito perto. Era uma agradável visão e Chuck pensou que valia a pena morrer, com a imagem de um rosto tão belo.
Depois, de uma maneira súbita, a visão desvaneceu-se e um mundo de sombras fez-se em seu redor.
 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

PAS508. O agente implacável

Um homem, um desconhecido, apoiava-se na sela do seu cavalo. Observava-a, intrigado, percorrendo o se olhar até pelos mais insignificantes pormenores da sua indumentária. Empunhava um revólver, mas não apontava para ela; talvez lhe repugnasse apontar a uma pessoa indefesa sendo, para mais, uma mulher.
— Interessa-lhe o que acaba de ler? — perguntou com voz fria, embora fosse evidente que tentava ser cortês.
— Parei..., parei para saber quem era esta pessoa — Sally tentou sorrir, ao mesmo tempo que apontaa o corpo do foragido pendurado da árvore.
— Esse foi Jed Kissey — confirmou o desconhecido — Um sujeito que não podia acabar senão, num local como este. Mas por baixo, há outro escrito que se refere a outras pessoas. Leu-o?
Sally confirmou, fazendo um esforço para se dominar. Pensava em Chuck o qual, de onde estava, não podia ver o homem que lhe falava. Mas assim que saíssem das árvores, daria conta de que ela não estava só. Então...
— Sabe alguma coisa dos irmãos Alston? — perguntou-lhe aquele homem.
Sally negou, mas tinha a certeza de que a sua perturbação a denunciava.
— É possível que um deles não ande longe. Esteve em Boswell e lá comprou umas peças de roupa de mulher. Umas peças... muito parecidas com as que você tem.
Sally compreendeu que tinha de se entender com uma pessoa astuta e que conhecia sobejamente a sua identidade.
— O meu marido esteve em Boswell e comprou esta roupa para mim — disse com calma. — Mas ele não se chama Alston.
— É uma estranha coincidência — sorriu o desconhecido. — Como é o facto de você e a menina Foster se parecerem extraordinariamente.
— Não sei quem é essa mulher.
 — É possível -- admitiu aquele homem; mas necessito de me convencer de que o seu... seu marido — repetiu maliciosamente — não é, na verdade, um dos Alston. Onde se encontra, neste momento?
Sally olhou para as montanhas.
— Do outro lado do caminho — disse, procurando que a sua mentira não fosse descoberta. Saí para dar uma volta e aproximei-me daqui, atraída por este espectáculo.
— Nesse caso, peço-lhe que tenha a gentileza de me levar até junto dele. Agradar-me-á saber que o seu marido não tem nada que ver com o cartaz que acaba de ler nesse poste.
Pegou na rédea do cavalo e aproximou-se da rapariga.
— Suba para aí.
Sally não se fez rogar. Não se podia opor às pretensões do desconhecido, porque seria inútil. Por outro lado, pretendia não despertar os seus receios e obedeceu para facilitar a Chuck salvar tão melindrosa situação.
Conduzindo sempre à rédea o cavalo, o homem foi até um sítio, entre as árvores, onde estava a sua montada. Saltou para a sela e, com um gesto, indicou a Sally que fosse à frente.
— Espero que não dará ocasião a que suceda qualquer coisa desagradável — avisou-a, não obstante.
Saíram da espessura das árvores e atravessaram espaço descoberto que os separava das montanhas. Sally estava certa de que Chuck já a teria visto e que estaria a adoptar as necessárias medidas para resolver a situará em que se via envolvida.
Sem hesitar, dirigiu o cavalo para o caminho. Sentiu fixos, nas suas costas, os olhos do desconhecido que, nem por momentos, tinha voltado a guardar o revólver no coldre.
Desta forma, chegaram ao pé da montanha. Sally dirigiu o seu cavalo para a abertura que deixavam entre si as duas elevações.
— Não se esqueça de que, para minha segurança, tenho de apontar as suas costas com o meu revólver — recordou-lhe o homem. — Não queria ter de o fazer, mas não tenho outro remédio.
Sally nem se voltou. Tinha a certeza de que, em qualquer ponto daquela espessura, Chuck estaria aguardando como uma pantera à espreita.
Tudo aconteceu muito antes do que esperava. Ouviu um ruído atrás de si e, ao voltar-se viu que dois corpos rolavam no chão. O revólver que o seu apreensor empunhava disparou-se, mas a bala perdeu-se, silvando entre os ramos que se entrelaçavam sobre a sua cabeça.
Chuck tinha surgido de entre uns arbustos e acabava de saltar sobre a sua presa, surpreendendo-a desprevenido. O primeiro objectivo do ruivo Alston tinha sido alcançado, ao desarmar o seu adversário. Agora tornava-se necessário subjugá-lo.
Sally bem depressa se apercebeu de que Johnnie também estava ao facto do que se passava. Surgiu do lado oposto e dirigiu-se para ela, com o fim de a afastar do campo da luta.
— Temo pelo que possa acontecer a Chuck — balbuciou, assustada.
— Não conheces o meu irmão — Johnnie sorriu. — Podia ter-se livrado desse homem em poucos segundos, mas Chuck gosta de brincar conto faria um gato com um ratinho.
Mas não tardou a convencer-se de que o adversário do seu irmão estava muito longe de ser o inocente ratinho que imaginara. Numa das alternativas da luta, viu-o ficar por baixo do ágil e musculoso corpo da misteriosa personagem. Foi de tal forma, que Johnnie começou a pensar seriamente se não teria chegado o momento de intervir em auxílio de Chuck. Mas, com um poderoso esforço, este livrou-se do seu adversário, lançando-o por cima da sua cabeça e fazendo-o cair de costas.
Chuck refez-se rapidamente e Johnnie foi em seu auxílio. Os dois revólveres apontaram o corpo do homem que tinha caído e que, aturdido pela pancada se esforçava por se levantar, apoiando-se numa árvore
Então, puderam ver que, debaixo do colete, brilhava uma estrela de prata com o distintivo dos Guarda Rurais.
O que haviam receado acabava de suceder. A lei, seguindo os seus passos por mil caminhos diferentes e invisíveis, tinha chegado até eles para os avisar de que não podiam mover-se, sem denunciar a sua presença a, todos os que tinham um enorme empenho em os prender.
— Que vieste fazer aqui? — perguntou-lhe Chuck com voz agressiva.
O homem olhou para um e outro, alternadamente acabando por esboçar um sorriso. irónico.
— Não me enganava, certamente— disse. -- Os dois Alston, em carne e osso, e o seu fiel e abnegado cúmplice, a menina Foster.
— É isto tudo que tens para dizer? — continuou Chuck, impassível.
— Nada mais posso dizer. Estou desarmado e pode dar-me um tiro, quando lhes apetecer. Na nossa profissão, morre-se de qualquer maneira e nos lugares que menos se pode imaginar. Por vezes, perde-nos uma pequena frase, um erro insignificante. E o meu foi acreditar que uma mulher dizia a verdade.
Ele envolveu Sally num olhar expressivo que fez corar a jovem..
— Quem te mandou seguir-nos? — perguntou Johnnie.
— Isso importa muito, porventura? Enviarão outros e, tarde ou cedo, acabar-se-ão as vossas fugas.
— Nós não somos pistoleiros nem criminosos de profissão.
— Não duvido. Antes de matarem Sterling, eu tinha interesse em evitar o irremediável. Reconheço que a razão estava do vosso lado. Mas Sterling não devia entrar nos vossos planos de vingança.
— Tive de disparar para impedir que ele o fizesse sobre nós.
— Era seu dever.
— E o nosso consistia em evitar que se culpasse uma mulher inocente. Na altura, ninguém acreditou nisso e não acreditaram nela, porque necessitavam que alguém respondesse pela morte de Donally. Se a Justiça se preocupasse em proteger o homem honrado e em castigar o delinquente, tanto Jansen como Donally e Growell estariam, há muito tempo, a apodrecer atrás das grades de qualquer penitenciária. E, em vez disso, que se passa? Desfrutam ilegalmente os seus roubos, enquanto as pessoas honradas são perseguidas para evitar que o seu ódio as alcance. É essa a espécie de Justiça que tanto te empenhas em fazer resplandecer?
— O polícia não respondeu. Havia um brilho no seu olhar que, certamente, não refletia animosidade nem ódio por aqueles que procurava.
— Eu não julgo os homens — respondeu. — Limito-me a dar-lhes caça, quando me ordenam isso.
— Não duvido — redarguiu Johnie. — Mas, desta vez coube-te a sorte de perder. Aceitarias renunciar seguir-nos se te deixássemos ir em paz?
— É uma proposta estúpida, Alston — respondeu.
— Já pensaste que estás nas nossas mãos e que podemos matar-te e cavar aqui mesmo a tua fossa? No teu expediente poriam uma simples anotação: «Desapareceu sem deixar rasto».
— Ninguém desaparece sem deixar rasto — o agente sorriu. — E ainda que assim fosse, outros seguiriam as minhas peugadas. Tarde ou cedo, dariam com os dois. Além disso....
— Além disso... o quê?
— Os Alston não são assassinos.
Chuck começou a rir.
— Estás a pretender tocar a nossa corda sensível.
— Não — negou o Rural. — Sei o que os impulsionou a matar Jansen e Donally. Eu, no vosso lugar, talvez tivesse feito o mesmo. Inclusivamente, fiquei aborrecido por me designarem para vos perseguir. Pensei apenas que vos poderia ajudar, impedindo que derramassem mais sangue numa vingança cuja justificação não discutirei. Mas, em Tucson, compreendi que tinha chegado tarde. Talvez... talvez haja uma possibilidade de atenuar a morte de Sterling, alegando que foi defesa própria.
— Nunca cairei nessa cilada, amigo — Chuck sorriu, movendo a cabeça. — Todavia, não tenho o praze de saber quem decidiu amargurar-nos a existência.
— O meu nome é Falker. Sargento Falker da Divisão 16.

domingo, 19 de julho de 2015

PAS507. Uma forca no cruzamento

Sally esporeou o animal e partiu rapidamente, em direcção ao grupo de árvores que se destacavam como uma mancha escura na planície ocre e amarelada. Uma vez, voltou-se e levantou a mão, dizendo adeus a Chuck Não o via, pois a vegetação do acampamento o ocultava mas sabia que ele a estaria a ver e seguia com atenção a sua carreira.
A rapariga depressa chegou às imediações de um dos caminhos. Nele estavam marcados os sulcos que as diligências e outras carruagens traçavam na terra poeirenta. A estrada seguia a direcção sudeste-noroeste e perdia-se nas colinas longínquas. O caminho que ali se cruzava com ela era de menor importância. Ou melhor, tratava-se de um atalho que seguiam os cavalos procedentes do rio e que se dirigiam para as montanhas.
Sally, atraída por uma estranha curiosidade, fez avançar o cavalo até às árvores que davam, no meio da planície, uma sombra protectora aos caminhantes, nos ardentes dias de Verão. A silhueta lúgubre do enforcado destacava-se na dourada claridade que precedia o crepúsculo. Um silêncio solene envolvia aquele local. Nem o menor sopro de brisa movia uma só folha. Parecia que a vida se tinha ausentado daquele lugar destinado à morada da morte.
Por instantes, Sally sentiu-se sacudida por um estranho estremecimento; mas reagiu e continuou a avançar. Ao chegar a poucos passos do condenado, parou e apeou-se do seu cavalo.
Tratava-se de um homem de uns cinquenta anos, com o rosto meio oculto por uma emaranhada barba. Tinham-lhe atado as mãos atrás das costas e as suas feições estavam contraídas numa horrível careta.
A menos de cinco jardas, havia um poste branqueado pelo sol, chuva e ventos agrestes do deserto. Nele tinham prendido uma folha de papel e, logo por baixo, um segundo escrito avisava os caminhantes que por ali pudessem passar.
Atraída pela sua crescente curiosidade, Sally foi até lá e leu:
«Jed Kissey. Julgado e condenado por ladrão e homicida. Assassinou Bill Breehane e sua esposa, para depois os roubar. Os criminosos não escapam à Justiça. Deus tenha compaixão da sua alma.»
O segundo escrito tinha sido colocado ali posteriormente, pois estava preso sobre a borda inferior do precedente. Era mais longo e dizia assim:
«Procuram-se Johnnie e Chuck Alston de 25 e 28 anos de idade. Ambos de elevada estatura. O primeiro de cabelo escuro e o outro ruivo. Estão acusados de três assassínios, um deles na pessoa de Sam Sterling, ajudante do xerife de Tucson. É provável que vá com eles uma mulher de 21 anos, cabelo escuro e cujo nome é Sally' Foster. Dirigem-se de Tucson para Phoenix e podem oferecer resistência a quem tente detê-los São oferecidos dois mil dólares a quem conseguir a sua captura.»
Imediatamente, Sally retrocedeu um passo. Um medo repentino acabava de se apoderar do seu coração. Voltou-se para ir buscar o cavalo e, no mesmo instante parou, como se estivesse cravada no cruzamento dos dois caminhos.

sábado, 18 de julho de 2015

PAS506. Um pouco de luz para almas atribuladas

Chuck colocou a mão sabre os olhos, à maneira de pala, para contemplar a gentil figura de Sally que subia já a encosta, com uma vasilha de água.
— Pensando bem, eu não seria um mau partido para Sally — comentou, como se falasse sõzinho. — Sou tão elegante como tu, talvez não tão atractivo, mas sou mais inteligente e não me assusta o facto de me encontrar junto de uma mulher. Será questão de pensar no caso, devagar, e decidir-me.
Calou-se, porque Sally já estava perto. A rapariga dirigia-se para eles e o próprio Chuck saiu ao seu encontro para lhe pegar na vasilha que trazia.
— Envergonho-me de a deixar trabalhar tanto, enquanto nós ficamos a olhar para si —disse-lhe, como se reprovasse o que ela estava a fazer. — Johnnie é forte e necessita de gastar as suas energias. Deve pedir-lhe que a ajude.
— Como pode dizer semelhante coisa, Chuck? — Sally ficou corada. — Não pretenderá que viva à vossa custa, sem fazer alguma coisa para os ajudar.
— Cuide de Johnnie, enquanto eu vou à procura de algumas provisões à aldeia que vimos lá em baixo.
— Pensas ir lá? — perguntou-lhe o irmão, estranhando a sua decisão.
— Só temos tabaco. E também gostaria de ter qualquer coisa para molhar a garganta e que seja um pouco mais suave do que a água.
— Abre bem os olhos — recomendou-lhe Johnnie.
Sally aproximou-se dele e apertou-lhe o braço.
— Confio que será cauteloso.
— Sê-lo-ei — Chuck sorriu com simpatia. — Você pede as coisas de uma maneira tão diferente de Johnnie, que não saberia negar.
Sally riu-se. Era a primeira vez que a via rir e Chuck sentiu-se feliz por poder levar um pouco de luz à sua alma atribulada.
Montou a cavalo e afastou-se, embora dando urna volta para entrar na aldeia pela parte norte. Os dois jovens permaneceram silenciosos uns minutos, vendo-o partir. Quando Sally se voltou, reparou que Johnnie a estava a observar com expressão preocupada.
— Teme pelo seu irmão? — triste sorriso.
--Não — negou Johnnie. — Chuck sabe livrar-se bem de qualquer perigo. Temo
—Por mim?
—Sim; pergunto a mim próprio constantemente, se a nossa chegada a Tucson não terá servido senão para lhe criar complicações.
Sally moveu a cabeça, negando', enquanto se deixava cair ao pé da árvore em que Johnnie se apoiava.
—Teria sido pior — disse. —Sem o apoio do seu irmão, ter-me-ia visto à mercê de Donally e da sua pandilha de velhacos. Creio que a Providência vos enviou no momento preciso.
— Espero que na Califórnia seja mais feliz do que foi em Tucson.
— Deseja isso, na verdade, Johnnie? — perguntou ela, olhando-o fixamente.
— Dar-se-á o caso de duvidar?
Sally sorriu e voltou a negar.
— Porque não abandonam essa vida perigosa e escolhem outros caminhos para dirigir os vossos passos?
— Resta ainda bastante para fazer.
— É assim tão importante para vocês que esse Growell continue ou não a viver?
Johnnie não respondeu durante os primeiros momentos. Inclinou a cabeça e, durante uns segundos, ficou pensativo.
— Não poderíamos ter um momento de calma, sabendo que esse miserável continua a maquinar contra muitos inocentes. A sua morte é tão necessária como a das feras que entram nos currais e aniquilam o gado.
— Compreendo-o, Johnnie — insistiu Sally, levantando os olhos para ele. — Mas existe um perigo muito grande para os dois. E pode acontecer que não seja Growell o mais prejudicado.
— Não importa — respondeu, secamente. — A sorte de Growell já está decidida. Parecer-me-ia ver, a cada momento, o espectro do meu pai apontando-me com o dedo, por não ter sabido fazer justiça aos muitos crimes desse homem,
— E se eu lhe pedisse que renunciasse a essa vingança, Johnnie? Atrever-se-ia a fazê-lo... só por mim?
Ele olhou-a, com assombro.
— Assusta-me pensar que lhe possa suceder qualquer coisa má, Johnnie — continuou Sally com voz de súplica. — Sinto por si... pelos dois, um verdadeiro afecto. Creio que não poderia separar-me e deixá-los na incerteza de que algum mal lhes viesse a acontecer.
Johnnie atirou para um lado a machada que tinha na mão e sentou-se no chão, junto da rapariga que tanto desejo tinha de o convencer.
— Não volte a falar-me assim, Sally — disse com voz alterada. — Ando a manter comigo próprio uma dura luta e pressinta que as forças me começam a faltar. Não posso atraiçoar o meu irmão nem a memória do meu pai.
Sally levantou-se e encaminhou-se para onde tinha ficado, o balde da água. Pegou-lhe para se dirigir ao local onde estavam as brasas da fogueira meio consumida. Mas antes de lá chegar, Johnnie alcançou-a e pegou-lhe por um braço.
— Sei que é inútil negá-lo — disse apressadamente. — Você fez de mim um joguete, ao seu capricho. Será porventura isto o que pretende?
Salily olhou para ele e os seus lábios entreabriram--se para negar a acusação do rapaz.
— Não; juro-lhe que não foi essa a minha intenção.
— Que é, pois, o que pretende?
— Nada — balbuciou' com voz (trémula.
Johnnie apertava-a com força. Tinha o rosto dela tão perto, que um ardente desejo o envolvia, desvanecendo do seu espírito a força de que tentava rodear-se.
E, de repente, atraiu a rapariga com força e uniu a sua boca à dela, numa ânsia infinita de acalmar aquele desejo que o devorava.
Sally ensaiou uma tímida resistência que, no mesmo instante, abandonou. As suas mãos levantaram-se numa tentativa de o recusar, mas acabaram por subir até aos ombros do rapaz e enlaçar o seu pescoço, num abraço cheio de amor.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

PAS505. Depois da liberdade, um grito de horror

Enquanto Hunt se afastava da sua esquadra, dois homens observavam-no na sombra, de uma ruela escura..
— Reparaste Chuck? — dizia um deles. — Deixou a rapariga ali fechada. Metemos a pobre num bom sarilho.
— E vamos agora preocupar-nos por isso? — respondeu o companheiro.
— Não gosto que inocentes paguem as culpas de outros. Isso foi o que nos aconteceu e tiveram-nos presos durante muito tempo.
— Bah! É uma mulher e todas as mulheres têm habilidade suficiente para se escapar das mãos de juiz. Ela culpar-nos-á a nós. Acreditarão nela e, antes de amanhecer, já estará de novo na rua.
Johnnie Alston negou, sem se deixar convencer.
— Esses bandidos procurarão uma vítima fácil para lhe lançarem as culpas da morte do velhaco do Donally e continuarem a viver dos seus rendimentos.
— Melhor para nós.
— Não me satisfaz — respondeu Johnnie Alston, olhando para o irmão, com um certo desdém. — Não pretendo ocultar a minha vingança nem necessito que uma pobre mulher sofra as culpas de uma morte que não cometeu.
— Vais dizer isso ao xerife? — Chuck olhou para ele, com um sorriso de troça.
— Não, mas sinto-me na obrigação de tirar essa infeliz do sarilho em que a metemos. Ou dar-se-á o caso que vamos tornar-nos tão canalhas corno foram todos eles?

quinta-feira, 16 de julho de 2015

BIS089. O implacável Falker

~
(Coleção Bisonte, nº 89)

Uma jovem, a quem a vida corria mal, meteu-se em monumental sarilho ao procurar Frank Donnaly no dia da inauguração do bar deste «Belle Sophie», com o objetivo de lhe pedir os documentos da sua propriedade que estavam na posse daquele indivíduo como garantia de uma dívida de jogo assumida pelo seu irmão Rod. Perante a incompreensão do dono do bar, Sally ameaçou-o com uma pistola, mas este acabou por dominar a situação. Quando se julgava perdida, o espaço foi invadido pelos irmãos Alston, Chuck e Johnnie, que abateram Frank para vingar a morte do pai. Aterrorizada viu estes indivíduos fugirem e, quando a lei chegou, foi tomada por assassina de Frank levada para a prisão.
Chuck e Johnnie não eram tão maus como se pode pensar e libertaram Sally provocando mais uma morte e levando-a com eles.
Ao mesmo tempo chega à cidade o agente federal Falker com o objetivo de evitar a vingança dos irmãos Alston. Não o conseguindo, partiu em sua perseguição, procurando chegar antes deles ao último alvo…
Como se vê, trata-se de uma novela muito movimentada e bem contada pelo senhor Lindsmall. A pobre Sally num pequeno espaço de tempo passou por situações incríveis e acabou por encontrar alguma paz junto dos irmãos que, apesar das mortes provocadas, acabaram por encontrar um rumo para a Califórnia sempre ameaçados pela perseguição do implacável agente. Aqui ficam algumas passagens…