terça-feira, 31 de março de 2015

PAS451. A morte por encomenda

Abriu os batentes e saiu para a exterior. O pó acumulava-se no solo. Alguns cavalos afastavam as moscas com a cauda. Uma mulher apareceu a correr vinda de uma das casas, deu uma volta e entrou de novo em casa, lançando um olhar apreensivo a Logan. Não se via ninguém rua acima. Rua abaixo, alguns homens estavam parados nos passeios, falando entre si, e calaram-se quando o viram aparecer.
Esboçando um sorriso, Logan desceu para a rua, metendo as botas na espessa camada de pó que amortecia o ruído das pegadas do gado, quando atravessava a povoação. Olhou para o saloon de Mortimer, e viu um homem que desceu para a rua calmamente.
Logan não se sentia nervoso. Não era aquela a primeira vez que se enfrentava com outro homem. Não sentia nenhuma apreensão quanto ao resultado, como nunca o sentira anteriormente. Na realidade, Vance Logan tinha fama de bom atirador. A sua reputação era tão má, quanto a sua pontaria era boa. Agora não havia muita gente em Dodge que se sentisse feliz ao pensar que ele podia sair vivo daquele duelo. Por isso, o xerife Smith estava decidido a dar-lhe um prazo para abandonar a cidade, se vencesse...
Avançou calmamente sob o sol. Thomas vinha também devagar ao seu encontra. A rua principal tinha sido cenário de muitos duelos, mas nem por isso deixava de carregar-se de eletricidade, cada vez que dois homens se dispunham a resolver a tiro as suas questões.
Questões...

segunda-feira, 30 de março de 2015

CLT036. Alma de pistoleiro

(Coleção Pólvora, nº 36)
 
 
Vance Logan é um pistoleiro, um homem que aluga o seu revólver ao melhor preço para abater o seu semelhante. Não é um vulgar assassino, pois tem a particularidade de desafiar ou provocar as vítimas para um combate com armas iguais.
Ferido num desses combates, Logan é encontrado por Andy Terrel que o trata e perante o qual contrai uma dívida de gratidão.
Terrel cruza-se com a família Danvers, impressionando-se com a jovem e bela Betty a quem protege dos Colton, três irmãos que lhes cobiçam as terras das quais os querem escorraçar. Atraído pela bela Stela Colton, Terrel em breve demonstra a fidelidade aos Danvers, tornando-se em mais um alvo para aquela família de abutres.
Logan acaba por ser contratado pelos Colton, mas ao reencontrar Terrel resolve respeitar a dívida de honra que contraiu perante aquele que o salvou.
Eis uma obra que dá gosto ler e reler. Aqui deixamos algumas passagens que ilustram a enorme capacidade do autor para nos trazer uma novela do Oeste com uma intensidade dramática fora do vulgar. Para os que quiserem mais, deixamos um ficheiro para download


CLT035. Quando falha a lei

(Coleção Pólvora, nº 35). Capa e texto indisponíveis

sábado, 28 de março de 2015

PAS450. Passos que traziam o castigo

Era já noite, quando Rund Bakersham ouviu passos no vestíbulo. Até então tinha permanecido sentado num cadeirão, acabrunhado pelo desgosto. Mas ignorava o pior ainda. Saiu do escritório. Ben Hillman estava frente a ele olhando-o fixamente.
Ben não tinha vindo só. O cadáver de Gloria estava nos seus braços.
Os longos cabelos loiros da rapariga caíam acompanhando o braço esquerdo, cuja mão balanceava ligeiramente ainda. O corpo da rapariga conservava ainda as mesmas roupas que vestia no momento da sua morte.
Bakersham soltou um rugido de fera ao ver a sua filha morta.
— Foi você que a matou, Hillman!
Ben não se alterou.
— É possível ---,concordou. — Eu disparei os meus revólveres. Também Blythe, Smith e Gomez dispararam os deles. Quem pode dizer agora qual foi a arma da qual partiu o tiro fatal? Na rua soaram também muitos tiros, dezenas deles. Mas — a voz do jovem elevou-se de repente—, mesmo que fossem muitas as armas que dispararam, só uma mão movia todos os gatilhos ao mesmo tempo. A sua, Bakersham!
Ben fez uma curta pausa. O rancheiro não tinha forças para replicar.
— A sua mão movida pela ambição e pela inveja sem limites — prosseguiu —, foi quem matou a sua própria filha. Fui eu? Foi Blythe? Smith? Endicott ou Gomez talvez... ? É igual, tanto faz. O verdadeiro assassino é você, Bakersham, e esse é o seu castigo.
Ao terminar de falar, Ben deu uns passos lateralmente e depositou o corpo da rapariga num divã, cruzando-lhe os braços sobre o peito. Contemplou-a uns instantes com imensa ternura e depois enfrentou pela última vez o dono da casa.
— Você reclamou Gloria. Aí a tem. É sua para sempre... e esse é o seu castigo. Saber que foi você mesmo que a matou.
— Esse não é castigo suficiente! — exclamou uma voz.
Ben voltou-se rapidamente em direção daquele que tinha falado. Era um vaqueiro com o rosto cheio de costuras, as quais lhe davam um especto horrível. Coxeava muito e o seu braço esquerdo estava torcido para fora. Mas na mão direita sustentava um revólver.
— Lembra-se de mim? — disse o recém-chegado — Chico Vallez, Bakersham. Olhe a minha cara, contemple o que fez ao meu braço e à minha perna quando me atirou pela janela depois de me ter coberto de injúrias e insultos qual deles o mais atroz. Pode ser que esse homem considere que a morte da sua filha seja castigo suficiente para você, mas a minha opinião não é a mesma.
— Vallez, pare! — gritou o jovem.
Já era tarde. O revólver do mexicano começou a saltar na sua mão, saltando como se tivesse vida própria. E a cada salto que dava, cuspia uma língua de fogo acompanhada de uma estrondosa detonação.
Bakersham não fez o menor gesto de defesa. Permaneceu em pé, estremecendo a cada tiro que recebia, até que finalmente com o peito coberto de sangue, caiu de bruços. O seu corpo agitou-se um pouco, e depois ficou imóvel.
Chico Vallez olhou para o jovem com ar de desafio.
— E agora — disse —, prenda-me se quiser. Não penso defender-me.
Ben olhou pensativamente para o chão durante uns segundos. Depois levantou os olhos e disse:
— Declararei que se tratou de um caso de legítima defesa.

sexta-feira, 27 de março de 2015

PAS449. Apresentação de um bandido

Rund Bakersham era um homem alto, muito forte e dono de uma vitalidade espantosa, que o fazia aparentar dez anos menos dos quarenta e sete que já contava. Ainda era capaz de dobrar uma ferradura com as mãos e de se manter na sela do seu cavalo o dobro do tempo que os seus cavaleiros, sem sentir necessidade de dormir ou de comer. Possuía um apetite equivalente à sua formidável compleição, mas esse apetite não estava somente limitado à simples alimentação, ele desejava possuir tudo e de tudo em limites incalculáveis, tal como a sua insaciável ambição o exigia.
Bakersham estava furioso naquele momento. Um dos motivos da sua cólera era Coral Fenner ; o outro era um indivíduo a quem um grupo dos seus vaqueiros tinham aprisionado por andar junto de uma pequena manada de reses.
Sem hesitação, os vaqueiros levaram o homem à presença de Barkersham. O rancheiro naquele momento não se sentia indulgente.
— Os ladrões de gado não têm senão uma pena nesta comarca! — gritou colérico, batendo com o punho sobre a mesa do escritório. — Levem-no lá para fora e enforquem-no sem mais contemplações.
— Sim, senhor Bakersham --responderam ao mesmo tempo os vaqueiros.
O desventurado indivíduo foi arrastado para fora da casa apesar dos seus protestos. Com uma ânsia mórbida de ver morrer o homem -que tinha ousado assaltar uma das suas manadas, seguiu o grupo até o local onde devia efetuar-se a execução.
Ficava a uns trezentos metros do edifício principal do rancho, junto de um precipício que caía quase na vertical. Naquele ponto, o despenhadeiro fazia uma entrada em forma de ferradura, muito estreito, três metros quanto muito, e em cada um dos bordos estava cravado profundamente no solo um poste vertical.
Uma sólida viga transversal unia ambos os postes, ficando a uma altura de dois metros e meio do chão. Mas por baixo, até ao fundo da garganta do despenhadeiro, havia mais de trezentos metros de profundidade.
O homem foi conduzido até àquela forca, com as mãos amarradas às costas com uma corda que um dos vaqueiros lhe tinha posto. Os seus gritos faziam estremecer, mas os homens que o sujeitavam, não pareciam impressionar-se demasiado com os seus protestos; Pelo contrário, riam e respondiam com piadas aos alaridos de espanto do desgraçado.
A viga transversal já tinha a respetiva corda a qual passava por uma ranhura praticada na parte superior da mesma, enquanto o outro extremo estava atado a uma barra solidamente fincada no chão. Agarrando-se a um dos postes, com uma mão, um dos vaqueiros estendeu a outra e agarrou o extremo que tinha o laço.
— Esperem,--disse alguém. — O senhor Bakersham vem aí.
— Está bem, mas entretanto, podemos ir preparando tudo, não? — respondeu o que segurava o laço, passando-o à volta do pescoço do prisioneiro.
Os olhos deste desorbitaram-se desmedidamente, ao mesmo tempo que os seus dentes se entrechocavam. Naquele momento já não se sentia capaz de coordenar as suas ideias.
Bakersham chegou junto ao poste de execução. Olhou friamente para o homem.
— Ninguém rouba nas minhas terras uma vaca sem sofrer o castigo correspondente— disse com acento feroz. — Se tens alguma mensagem para cá deixar, ainda estás a tempo; concedo-te um minuto para que digas o que quiseres.
Grossas gotas de suor caíam pelo rosto do desgraçado. Este fazendo um esforço conseguiu falar.
— Estou inocente — disse. Um dia também te hão--de enforcar a ti. Isto é tudo o que tenho para te dizer, Bakersham. Pretendes ser um homem justo e não consegues ser mais do que um criminoso e um foragido, que anseia ser o personagem mais importante desta comarca. Mas alguém virá um dia e cortará os teus sonos de grandeza. Isto é tudo o que tenho para dizer... se algum destes vir algum dia a minha mulher, quero que lhe digam que morri estando inocente do delito que me acusam.
Bakersham não se impressionou com o vaticínio que acabavam de lhe dirigir.
— Isso é tudo, McGary ? — perguntou friamente.
O prisioneiro não lhe respondeu. Então, Bakersham levantou a mão.
— Acabem com ele — ordenou.
Um dos vaqueiros deu um forte empurrão a McGary. Este vacilava espantosamente à medida que se aproximava do precipício. O seu grito repercutiu-se de rocha em rocha.
De repente caiu, afogando-se o grito na sua garganta quando se apertou a corda em torno da mesma. O ranger da corda soou de uma maneira assustadora.
Imediatamente ouviu-se outro ranger. Como consequência do peso recebido, a corda acabara de se quebrar e o infeliz McGary foi lançado no espaço que ficava sob si mesmo e que descia uns trezentos metros de profundidade. O seu corpo descreveu uma ampla parábola, antes de chocar com a primeira saliência, que ficava a uns sessenta metros mais abaixo.
Fascinados pela cena, os vaqueiros presenciaram os saltos do corpo do desgraçado, que se destroçava a cada choque que sofria ao embater na parede de rocha, Por fim, parou na base do despenhadeiro, completamente embutido no solo.
Um enorme silêncio se registou no local da execução. Um dos vaqueiros limpou o suor que lhe escorria pelo rosto.
Bakersham foi o primeiro a quebrar aquele silêncio, e a sua voz soou fria, sem emoção.
— É preciso mudar a corda --disse. — Sem dúvida tinha apodrecido devido às últimas chuvas.