segunda-feira, 3 de junho de 2019

BUF011.18 Um lenço vermelho, cor de sangue

Capítulo XVIII
Já o eco dos cascos dos cavalos dos dois homens se tinha extinguido nas sombras, quando alguém entrou na missão do padre Miguel. Era um homem corpulento, coberto de pó. Os seus passos eram firmes ao entrarem na sala onde se reuniam três pessoas. Collins e Tana olharam-no com curiosidade, enquanto tratavam da ferida que o padre tinha na cabeça. Foi este quem perguntou ao recém--chegado:
— Quem é você, meu filho?
O homem com um gesto cansado tirou o chapéu.
— Chamo-me Grunther, major Grunther.
A simples cerimónia havia terminado. O padre Miguel abençoou o novo casal e Ted Collins beijou a mulher. Mais tarde, os quatro estavam sentados à mesa, comendo do que havia na casa do bom sacerdote.
— Recebi um telegrama — declarou o major Grunther, enquanto sorvia calmamente o café. —Smith estava em apuros e precisava que alguém interviesse por ele... mencionaram somente que era o homem que me havia salvo a vida em Vicksburgo.
Collins perguntou:
— Mas afinal quem é ele?
— Que nome usou entre vós?
— John Smith.

domingo, 2 de junho de 2019

BUF011.17 Duelo na casa do padre Miguel

Capítulo XVII
Skeleton Pass era um estreito e comprido corredor de trevas, quando os carros de Collins penetraram nele. A lua não havia aparecido ainda. De vez em quando ouvia-se ao longe o uivar dos lobos ou os pios do mocho. Nem Collins nem Tana tinham dado demasiada importância ao facto de que, em contradição ao prometido, John Smith não tivesse aparecido até eles entrarem naquele escuro desfiladeiro. Ambos tinham mais em que pensar... A ilusão do seu amor perdia-os para quaisquer outros pensamentos. Tinham a certeza que o padre Miguel os abençoaria de boa vontade e os uniria para a vida pelos laços do matrimónio.
Marchando à frente dos transportes, o rapaz sentiu uma profunda emoção ao divisar entre as trevas a casinha pequena do padre Miguel. As suas duas janelas estavam iluminadas. O jovem olhou para trás. A cinco metros, avançava Tana, por certo embevecida nos mesmos pensamentos.
Quando chegaram ao planalto onde estava instalada a missão, Collins soltou um grito de saudação. A resposta, porém, não chegou. Collins sorriu. Sabia que o padre Miguel era um pouco duro de ouvido. Conduziu os bois para o curral e alinhou os carros. Tana correu ao seu encontro.
— Ted! — exclamou ela. — Chegou o momento!

sábado, 1 de junho de 2019

BUF011.16 Cânticos pelas almas dos guerreiros mortos

Capítulo XVI
Algo se movia na pradaria plana a perder de vista, como uma mosca caminhando sobre um tapete verde. Smith semicerrou os olhos e colocou a mão em forma de pala. O ponto ganhava volume e o texano não pôde deixar de estremecer ao verificar que aquele ponto era um cavalo índio trazendo no dorso a figura de «Grande Águia».
Dominando a sua cólera, o texano observou que, aparentemente, o feiticeiro se reintegrava no caminho, acabando por tomar um atalho. Smith ia retirar-se quando descobriu algo insólito por debaixo de si.
Deixou-se cair ao solo, estendendo-se ao comprido. O seu rosto mostrava uma expressão de perplexidade. Um a um, foram surgindo duas dezenas de índios guerreiros perfeitamente armados e escondidos nas irregularidades do terreno. Smith ficou atónito. Que significaria aquilo? Quem eram aqueles apaches? Estariam revoltados contra Collins e esperavam-no numa emboscada? E por que razão «Grande Águia» atraiçoara o jovem armazenista?
Não restavam dúvidas. Os guerreiros eram traidores a «Nuvem Negra» e obedeciam às ordens de Bates. A sua surpresa atingiu os limites ao distinguir, ocultos por detrás duma rocha, os seus dois amigos: Spain e «Corvo Louco».