segunda-feira, 21 de outubro de 2013

PAS138. Investida de reses enlouquecidas

Naquele entardecer, chegou ao rancho dos Mikel um estranho viajante. Montava um cavalo malhado, de grande porte, e trazia cruzada nas costas uma guitarra adornada de belos arabescos. Na montada, em vez de espingarda, trazia um cavalete e, num saco de mão, como puderam comprovar mais tarde, pincéis, tintas e paletas… Vestia roupas de vaqueiro, muito gastas e, à cintura, trazia um imponente «Colt 45».
Aproximou-se de Una Mikel, que saia naquele momento, precipitadamente, do interior da casa e cumprimentou-a levando a mão ao largo chapéu coberto de pó.
- Boas tardes, senhora… É a senhora a proprietária? Queria falar consigo…

PAS137. Recuperar o tempo perdido

Jameson olhou a rapariga. Ela estava a  seu lado com o olhar perdido no horizonte. Mas o jovem percebeu que Una não via nada do que tinha na sua frente.Parecia estar na expetativa de algo muito mais belo ainda. Talvez uma palavra de amor…
- Una…
- Que é?...
Ela voltou-se e os olhos de ambos encontraram-se
- Queria dizer-te…
- Não me digas nada, Gary, não mo digas!...
Passou-lhe um braço pela cintura e atraiu-a a si… Com os olhos muito juntos, olharam de novo o horizonte.
- Cinco anos perdidos! – murmurou ele cheio de ternura.
E ela, com lágrimas nos olhos:
- Cinco anos! Deus meu, quanto, quanto tempo!
Ela ofereceu-lhe os lábios…
Foi então que viram três cavaleiros que, de modo suspeito, se aproximavam do rebanho…
(Coleção Pólvora, nº 15)

ARZ033. Um dia será enforcado


(Coleção Arizona, nº 33)

domingo, 20 de outubro de 2013

PAS136. Uma sombra na noite

Quando o ruído das ferraduras do cavalo deixou de ouvir-se na noite, estranhamente silenciosa após a borrasca, ela fechou a porta e trancou-a. Depois, foi às janelas e fez-lhes o mesmo. Quando chegava à última, precisamente a dos seu quarto, deteve-se, como se tivesse ficado pregada ao solo. Lá fora, do outro lado da vidraça, havia uma sombra mais escura que as outras. Aquela sombra nunca estava ali, ela sabia-o bem.
O coração começou a pulsar-lhe em ritmo acelerado e ela levou  a mão ao peito. A sombra movia-se, aproximando-se cada vez mais. Frances Lowrie sabia que as janelas fechavam mal, a não ser que se tivesse muito cuidado ao fazê-lo, e ignorava se o mexicano teria tido essa precaução. Precipitou-se para a janela, num ímpeto que não provinha da sua vontade consciente, e fechou-a. Do outro lado, a sombra imobilizou-se. Então, as nuvens separaram-se e deixaram passar um pálido raio de luar.
A sombra tinha um rosto triangular e as pálpebras pesadamente caídas sobre as comissuras exteriores dos olhos o que dava a estes um aspeto oblíquo e particularmente maligno.
(Coleção Pólvora, nº 14)

PAS135. Uma mulher na tempestade

Os relâmpagos rasgaram as trevas. Ainda não começara a chover, mas o vento trazia o cheiro a terra húmida do alto dos montes. Quando as rajadas abrandavam, um peso sufocante desabava sobre todas as coisas.
A mulher elevou os olhos no céu e cerrou-os quando um novo raio abriu passagem entre o negrume. O vento chegou de novo até ela, que apertou o colarinho da camisa que vestia. Por fim, nervosamente, sentou-se no tronco caído de uma árvore.
A paisagem, ao clarão dos relâmpagos, parecia um confuso amontoado de pedras e árvores. Uma fonte cantava perto dali e o solo estava coberto de erva espessa. Um lugar ideal para encontros amorosos, quando o luar derramasse sobre ele a sua poalha prateada. Porém, naquele momento tornava-se sinistro, soturno.
- Meu Deus! Meu Deus! – repetiu várias vezes a rapariga, em voz baixa.

ARZ032. O gun-man do fato preto


(Coleção Arizona, nº 32)