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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

PAS530. O rancho roubado torna à dona esfarrapada

-- Que aconteceu?
Foram estas as primeiras palavras que Rod pronunciou, após muito tempo, e a pergunta surgiu, olhando o belo rosto de Vera.
Ao lado desta, Lina, Sinclair e todos os outros.
— Dayton morreu, querido. Os teus homens tiraram-no do saloon, mas não foram muito longe com ele. Lincharam-no. Foi horrível — estremeceu com a recordação. — Depois, tudo foi simples. Os poucos homens que lhe restavam fugiram. Agora Mayer é um mar de rosas. Jim Delano declarou tudo o que tu afirmaras, e as coisas voltaram à normalidade.
Com um sorriso divertido, Rod voltou a fitar Lina. A rapariga não suportou o olhar e desviou os olhos, corando vivamente.
— Devo entender que me arrebataste o «Arizona», Lina? — perguntou.
— Mister Burke! Como pode dizer isso? Não sabe? Não sabe que eu soube sempre, qual era o rancho dos meus pais?
Rod olhou-a com assombro.
— Então por que não mo disseste quando te perguntei?
Ela sorriu suavemente.
— Não podia, mister Burke. Não devia fazê-lo. O senhor... o senhor foi o único que me estendeu a mão. O único que nada me pediu em troca da ajuda que me deu. Poderia eu, arrebatar-lhe o que de boa fé comprou?
— No entanto, o rancho é teu, Um.
— Não o quero. Não o posso fazer.
— Terás de aceitá-lo. Como presente de casamento.
Ela olhou Sinclair.
— Creio que mister Burke perdeu um parafuso — disse. — Não achas, Teci?
Sinclair, ia para responder, mas a alegre gargalhada de Vera, obrigou-o a fitá-la.
— Não discutam mais — disse suavemente. — A questão do rancho «Arizona», já está solucionada por mim. Esqueceis que tenho plenos poderes para isso? — olhou-os um a um e disse: — O rancho pertence-te por completo, desde o dia em que o médico declarou Rod fora de perigo, Lina. Assinei uma cessão em teu nome, diante do juiz.
— Vera!
— Cala a boca, Lina! É... é o nosso presente de casamento.
Disse-o olhando Rod. Este por sua vez, também a fitava. Logo, lentamente, como que atraída por uma força misteriosa, Vera foi inclinando a cabeça para ele.
O beijo surgiu espontâneo, cheio de paixão. Quando ofegante se separou dele, Vera murmurou:
—Rod... estão observando-nos...
Mas não era assim. Silenciosamente, todos se tinham ausentado da habitação.
Ao compreender, Vera sorriu, e depois deixou-se cair nos seus braços.
E nenhum dos dois se lembrou de mencionar Liz, a qual fugira de Mayer, sem esperar novo aviso.
Tinham-se esquecido de tudo, que não fossem eles próprios.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

PAS529. Compraste um rancho que tinha sido roubado

Só quando divisaram o rancho que pertencera a Sullivan, Vera deteve o cavalo.
Barrou-lhe o caminho, e olhou-o com valentia nos olhos.
— Pensaste bem, Rod?— perguntou.
— Sim. Muito calmamente, querida. Se não fosse assim, não te teria pedido.
— Eu… Tenho medo de que algum dia chegues a pensar, que o fiz pelos teus dólares. Que algum dia me deites à cara a minha condição de...
— Cala-te, Vera! Tem cuidado com a língua, que será melhor!
Ela sorriu levemente ante as secas palavras.
— Terás de obrigar-me tu, Rod. És o único que me pode fazer calar.
E aproximou o cavalo, até os animais se tocarem. Rod estendeu os braços e arrancou-a da sela como se fosse uma pluma. Começou a beijá-la, antes de poisá-la no seu cavalo, à sua frente.
Assim arrulhando, chegaram frente à entrada do rancho «Estrela». Rod desceu primeiro do cavalo e depois ajudou-a. Acabara de fazê-lo, quando na soleira da mesma, se destacou a silhueta de Sullivan.
— Olá, pombinhos — saudou. — Há já um bom bocado que estou à vossa espera.
Conduziu-os ao escritório.
Especado à frente de Rod, olhando-os alternadamente, explicou:
— Agora vou buscar o seu homem, rapaz. Creio que mais não se pode fazer. Digo, sem receio de enganar-me, que com a declaração de Jim Delano, há o suficiente para levar à forca, Dayton.
— Traga-o, está bem?
Sullivan demorou pouco em voltar com Jim Delano.
Velho, mais velho ainda que Sullivan. De rosto duro, coberto de rugas, de cabelo cinzento e espesso bigode.
Alto, muito alto. Isso notava-se à primeira vista, apesar de agora, sob o peso dos anos, andar recurvado.
Campesinamente, estendeu a mão a Rod, que a estreitou com um estranho sorriso na boca.
— Mister Sullivan falou-me de si e do que pretendia, mister Burke — disse. — Estou disposto a dizer o que vi.
— Fale, Jim. Não sabe quanto lhe agradeço isso.
O antigo e velho vaqueiro sorriu.
— A coisa começou...
Ponto por ponto, relatou tudo o que Sullivan já lhe dissera. Ao terminar a narrativa, Jim Delano tinha os olhos fixos em Rod.
— Jurará isso diante dum tribunal, Jim?
— Agora sim, mister Burke. Foi horrível, sabe? Portanto, vou fazê-lo. Se o não fiz antes, foi por medo. Pelo receio de que alguma bala acabasse comigo. Agora é diferente. Ainda que você não viesse, ainda que tivesse sido outro, também teria falado — riu com um riso ainda mais achocalhado do que o do velho Sullivan, e acrescentou: —  Estou com um pé na sepultura. Se antes de ir para o inferno, posso fazer algum bem, estou disposto a fazê-lo. Declaro-o aqui ou onde quiser, mister Burke.
— Obrigado, Jim — olhou-o pensativo alguns segundos e depois perguntou: --- Como se chamava o rancho dos pais de Lina Hendrix?
O riso trocista de Sullivan interrompeu-o. Rod encarou-o, mas antes de que pudesse abrir a boca, Sullivan sempre rindo, disse:
— O seu, rapaz. O rancho dos Hendrix era o «Arizona».
Vera soltou uma exclamação sufocada, e Rod cravou silenciosamente os olhos no velho vaqueiro.
— É verdade, mister Burke —afirmou aquele. Agora já sabe tudo. Se quiser restituir tudo a Lina, creio que fez um negócio ruinoso ao comprá-lo.
Rod ficou pensativo durante alguns segundos. Depois perguntou a Sullivan:
— Como se explica isso, Sullivan? Eu comprei o rancho «Arizona» a...
— Eu sei — interrompeu Sullivan. — Isso também é certo. Mas Dayton vendeu-o a Pop Benson. Tenha em conta, que este último veio para cá alguns anos mais tarde. Desejava estabelecer-se, e Dayton vendeu-lhe o «Arizona» por alguns milhares de dólares, com intenção de se apoderar de novo dele. Começou a fazer pressão sobre ele, e quando já tinha quase tudo conseguido, apareceu você a estragar-lhe os planos. Que pensa fazer agora, mister Burke?
Rod não respondeu. Ergueu-se e olhou pela janela. O sol declinava.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PAS528. Há sempre alguém que conhece uma história macabra

— Você viu? Pode apresentar-se diante dum tribunal como testemunha da ocorrência?
Sullivan sorriu, movendo a cabeça dum lado para o outro.
— Não, mister Burke. Não posso porque eu não vi nada. Mas sei, com a mesma certeza de que se o tivesse visto. Sei como tudo aconteceu.
— Então?...
— Não se impaciente, rapaz, que vou iniciar esta curta e sangrenta história. Chick Dayton era o capataz dos Hendrix, naquela época. Homem ambicioso e sem escrúpulos, que logo forjou planos para se apropriar de um dos melhores ranchos da região. Por diversos motivos, pois gozava da inteira confiança dos seus patrões, foi despedindo alguns bons elementos do rancho, substituindo-os por outros da sua igualha. Resultado: Dayton rodeou-se de alguns insurrectos, e unia noite, entrou na habitação do casal, agarraram na pequenita, Lina, e ameaçaram matá-la se não acedessem ao que pretendia.
«O resultado foi a assinatura de um documento, pelo qual John Hendrix fazia constar que vendera o rancho a Dayton por determinada quantia. Depois ocorreu a morte deles. Isso é tudo, rapaz.
— Por que não mataram Lina?
— Ela era apenas uma criança de tenra idade. Talvez Dayton julgasse ou tivesse medo de liquidá-la também, receoso de que fosse aberto um inquérito. Não é o mesmo matar duas pessoas que matar urna criança.
— Sim, pode ser. Mas como diabo prova isso tudo, Sullivan? Sei que o posso matar, talvez esta noite mesmo. Mas isso não adiantaria nada. Nada pelo menos que beneficiasse Lina. Ela vai casar com o meu lugar-tenente. Ted Sinclair é bastante parecido comigo. É certo que eu poderia oferecer-lhe o suficiente para comprar dois ranchos, mas ele não o aceitaria.
— As provas disso tudo, posso dar-lhas eu, rapaz afirmou Sullivan com um divertido sorriso nos lábios.
Rod ergueu-se de um salto. Pela primeira vez em alguns anos, perdeu a sua impavidez de pedra.
— Raios, Sullivan ! — exclamou. — Fale de uma vez ! Está bem?
O velho riu bastante divertido.
— É isso que vou fazer, rapaz — disse depois. — No «Estrela», tenho um dos velhos vaqueiros do rancho dos Hendrix. Ele assistiu a tudo o que aconteceu. Conseguiu escapar a coberto das sombras da noite, sem que Dayton e os seus sequazes, lograssem reconhecê-lo.
— Vamos lá, Sullivan.
Este fez um gesto com a mão.
— Um momento, mister Burke — pediu. — Vou ao banco depositar estes quinze mil dólares. Depois espero que os seus homens me acompanhem ao «Estrela». Mais tarde, pode você sair de Mayer, como quem vai dar um passeio. Também é melhor que tome o caminho do «Arizona». Esse suíno não suspeitará de nada.
O plano era bom. Rod sabia-o. Mas falaria o velho vaqueiro?.

domingo, 6 de setembro de 2015

PAS527. Desenterrar uma história macabra

Bateu com os nós dos dedos, e Rod convidou-a a entrar, com a mesma voz de sempre. Fecha a porta, sim? Ela assim o fez, e depois olhou-o com os olhos brilhantes.
-- Senta-te, Vera — disse. — E não precisas de bater na porta para entrar — esperou que ela se acomodasse, e então acrescentou: — Diz-me, que sabes tu acerca de Lina Hendrix? Quem é? Que história é essa de não ter pais? Tens ouvido alguma coisa?
O coração de Vera paralisou-se por momentos, devido ao aparente interesse que Rod mostrava por aquela rapariga esfarrapada.
Olhou-o de frente, durante mais de uni minuto, e logo com a voz um pouco rouca, respondeu:
— Tenho ouvido alguma coisa, mister Burke. Creio que a coisa ocorreu há muitos anos, quando Lina era ainda uma criança de cinco ou seis anos. Os seus pais tinham um rancho. Segundo dizem, venderam-no, e ao cabo de algum tempo ficaram na miséria. Depois, a mãe dela morreu, e meses mais tarde foi o pai. Disseram que o seu cavalo se tinha precipitado por uma abertura da «Mesa do Mogollon».
— Como se chamava o rancho deles, flor?
Era a primeira vez que lhe dirigia um galanteio, e Vera sentiu que o coração lhe batia descompassadamente no peito.
— Não o sei. Nunca consegui averiguar.
— É estranho. Se o rancho estava cá situado, como é de supor, alguém deve saber.
 Ficou alguns momentos pensativo, e Vera tirou um cigarro.
Aspirou o fumo sem ousar interrompê-lo, mas ficou pendente dele, dos seus mais pequenos movimentos, da expressão hermética do seu rosto, como nunca estivera por ninguém.
Nem sequer pelo homem que tempos atrás a seduzira.
— Lina deve saber, não é verdade?
— Não. Pelo menos foi o que ouvi dizer. Era muito pequena, quando isso aconteceu. Depois, a a vida que tem levado até agora, não foi a mais indicada para se falar disso. Há muito tempo, antes de eu vir para cá, que começaram a fugir dela, todos a repudiam, como se tivesse peste. Agora, com você, mister Burke, será outra coisa.
Rod olhava-a atentamente. Pela primeira vez, desde, havia já algumas horas. Vera surpreendeu um estranho relâmpago naqueles olhos frios e mortais.
— Que te faz supor isso, Vera?
Vera lançou ao ar uma baforada de fumo.
— O que você fez por ela. Mas não se esqueça que Lina ainda é uma criança.
Podia ser que assim fosse, ainda que a visão do regato, não era a de uma criança propriamente dita.
Rod absteve-se de o dizer. Depois, perante a admiração dela, disse, erguendo-se e aproximando-se:
— Creio que estás um pouco ciumenta, e isso não é bonito, Vera.
Pegou-lhe no queixo, e ela levantou a cabeça com um brilho alegre e prometedor nas suas grandes e misteriosas pupilas.
Ouviram então, atrás deles, uma risada.
Lentamente, separou-se dela, e ambos se voltaram para fitar a porta.
Vera não se moveu, mas conteve o alento. Rod mostrava-se completamente inexpressivo, mas a visão do regato, acentuou-se com a presença de Lina.
Estava na companhia de Sinclair, junto à porta, com os olhos brilhantes e um sorriso meio trocista nos lábios.
Trajava de mulher. Um vestido justo no busto e comprido, até aos pés, estes calçados com sapatos de salto alto.
O cabelo recolhido na nuca, numa artística banana. Uma mulher, não uma criança como dissera Vera.
Uma mulher completa.
Ainda mais bela que quando se banhava no regato, mais desejável.
Rod fez um gesto.
— Entra, Lina — olhou para Vera e Sinclair. — Deixem-me só com ela — disse à laia de ponto final.
Vera ergueu-se, atirou ao chão o cigarro meio consumido e seguiu Sinclair.
— Fecha a porta, Lina. Quero falar contigo.
Lina fitou-o nos olhos.
— Ao diabo! — explodiu. —Se tem algo para me dizer, faça-o, mas com a porta aberta. Não julgue que por quatro farrapos que me deu, eu me deixo beijar. Como essa...
Rod limitou-se a avançar, passou por detrás dela e fechou a porta. Lina impacientou-se e lançou-se contra ele.
— Deixe-me! Abra essa porta! Abra ou gritarei!
Segurou-a pelos pulsos, segundos antes das suas afiadas unhas chegarem à sua cara, e durante algum tempo, ambos estiveram lutando.
Lina caiu sobre um dos maples, respirando ofegante e com o rosto afogueado.
Mas nada disse, a expressão dele assustara-a.
— Maldita sejas mil vezes, Lina Hendrix ! — exclamou com voz rouca. — Isto não sucederia se não fosses tu. E não voltará a acontecer.
Depois, como se a desculpa o magoasse, fez um trejeito com a boca e sentou-se.
Sem nada dizer, Lina viu-o enrolar um fino e comprido cigarro, corno o acendia, e como depois cravava os olhos nela.
Sentiu-se incapaz de resistir àquele faiscante olhar Os minutos passaram céleres para ambos. Finalmente Rod começou a falar:
— Quero perguntar-te uma coisa, Lina. É referente a uma história que ouvi contar e que te diz respeito. A ti e aos teus pais. Sei que ficaste sem eles quando eras ainda uma criança. Qual era o rancho que te pertencia?
— Que me pertencia, não, mister Burke, que me pertence ainda, o que não é o mesmo
Rod franziu o sobrolho.
— Porquê, ainda te pertence? — perguntou.
— Porque tenho a certeza que o meu pai nunca o chegou a vender.
— Explica-me isso, queres?
O rosto de Lina toldou-se.
— Não lhe posso explicar, mister Burke. Mas tenho as minhas suspeitas. Veja: se esse rancho não continuasse a pertencer-me, se esse rancho não foi roubado ao meu pai, de qualquer modo que eu ignoro, como se explica que a população de Mayer, nunca me tenha ajudado? Desde criança que me repudiam, em todas as partes, como se eu tivesse lepra. Porquê? — mirou-se dos pés à cabeça e acrescentou: — Estas são as primeiras roupas de mulher que envergo. Sim... creio que mereceu a pena receber o meu primeiro beijo em troca deles —levantou os olhos, e encarou-o. — Têm medo de alguém. Alguém que deve saber toda a verdade e temem as suas represálias. Isto é uma povoação de cobardes, mister Burke. Por isso sempre me desprezaram. Por isso me desprezam ainda. E teve que ser um forasteiro quem...
Inclinou a cabeça, incapaz de continuar a falar.
— Suspeitas que essa pessoa possa ser Dayton ?
Respondeu sem o fitar:
— Não sei. É estranho, mas é verdade. Nada sei, mister Burke. Nada! Nem sequer o nome do rancho que foi dos meus pais! Esta colectividade de cobardes, nunca fala na minha presença. Para eles, eu sou uma esfarrapada. Uma desgraçada que não tem onde cair morta.
Rod olhou-a durante alguns instantes em silêncio. Depois perguntou:
— Queres trabalhar para mim?
— Onde? No saloon? Confesso que sei cantar e dançar, talvez melhor que algumas das suas canto-ras, mister Burke. Mas a ideia não me seduz.
— Não é isso. Mas se sabes escrever e fazer contas, podes ajudar Vera. Vera é a minha secretária, e creio que terá bastante trabalho, para nem ter um momento livre. Que respondes?
 Rod surpreendia-se poucas vezes, mas desta vez, teve de fazer um esforço, sobre-humano para que o seu rosto não deixasse transparecer a sua emoção, quando Lina levantou os olhos para ele e disse:
— Que tenta esquecer, mister Burke? Há alguns segundos vi-o beijar essa cantora... Vera. Depois beijou-me a mim. Vera é a sua secretária, quanto a mim...
— Cala-te!
A ordem soou como um disparo. Lina encolheu-se no maple, e aos seus olhos assomou o temor.
— Agora sai, Lina —acrescentou. —Põe-te de acordo com Vera. Ganharás cem dólares semanais.
Nada mais disse. Voltou o rosto para a janela, Lina, sem deixar de o fitar, retrocedeu de costas

sábado, 5 de setembro de 2015

PAS526. Uma visão de uma rapariga envolta em farrapos

Chegaram a Mayer cerca das cinco da tarde. A expectativa crescia em torno deles. Mas havia uma extraordinária diferença na forma como agora o olhavam. Em todos os olhos dos que se cruzavam com eles, homens na sua maioria, e uma ou outra mulher, havia uma muda pergunta.
Rod não teve dificuldade em adivinhar qual era. Toda a povoação de Mayer, interrogava-se sobre o tempo que ele duraria vivo.
Encolheu os ombros, e Vera observando-o, perguntou a si própria, em que diabo estaria ele pensando.
Como habitualmente, também à porta do saloon, Rod ajudou-a a desmontar. Mas desta vez não a beijou.
Entraram.
O saloon estava quase deserto. No palco, Liz e as suas maravilhosas pernas, com o seu «tudo», admirável e provocante, movia-se de forma endiabrada ao compasso do piano.
Ao balcão, Dayton, o seu capataz e Spencer Talbot.
Vera não necessitou de indicar-lhe quem era o primeiro, porque ele adivinhou isso ao primeiro olhar.
Dayton era alto e forte. Maciço. A sua idade oscilaria entre os sessenta e os sessenta e dois anos. Os olhos eram cinzentos, e o cabelo completamente grisalho.
Rod fitou os outros dois.
Spencer Talbot era delgado, de cintura estreita e ancas descaídas. Trazia dois colts 45, com as coronhas voltadas para fora, era louro e de olhos sombrios.
O capataz Don Culvert era de estatura normal, moreno, de olhos negros e bastante cuidadoso no trajar. Apenas um colt 45, repousava na sua cartucheira gravada, trabalhada à mão.
Rod afastou o olhar deles, para lançar em redor. Sinclair estava no extremo do balcão diante de um copo de whisky, com os olhos cravados no trio.
Olhou mais além, e então viu-a. Lina estava ali.
Trajando os seus andrajosos farrapos de homem, e esfregando o chão com um pano e um balde cheio de água.
Rod avançou para ela, observando-a.
Sugestiva, não, pelo que tinha visto no regato.
— Que fazes aqui?
Ela ergueu o olhar para fitá-lo.
— Agora esfregando o chão do seu estabelecimento, mister Burke. Um espectáculo menos interessante, que o do regato.
— Quem te contratou para este trabalho?
— Liz.
Rod trocou um olhar com Vera, e logo fitou Sinclair.
— Venha cá, Ted.
Executou a ordem com lentidão. E quando chegou ao seu lado, Rod pontapeou o balde que voou até ao outro extremo do saloon.
Lina ergueu-se com os olhos reluzentes fitos nele.
—  Que... que diabo significa isto, Mister?...
— Que não gosto do espectáculo — replicou Rod friamente. — Prefiro o outro — e acrescentou, encarando Sinclair: — Leva-a a qualquer estabelecimento onde vendam roupas e calçado. Depois trá-la para cá, mas não o faças antes de escurecer.
Os olhos azuis faiscaram.
— Que diabo imaginou você, mister Burke? Por quem me toma?...
— Cuidado com a língua, Lina, que agora quem fala sou eu! Vais fazer o que te mandei. Isso, ou preferes que os meus homens te acompanhem para fora de Mayer, até ao centro da «Mesa do Mogollon» ?
— O senhor não se atreverá a fazer isso! Não, não o fará! — olhou-o nos olhos, e baixou os seus, os que estavam mais próximos ouviram-na murmurar:— Era capaz de o fazer ! Te... tenho a certeza disso. — olhando para Sinclair. — Vamos, querido — acrescentou—, mister Burke quer ver-me como uma dama.
Dirigiu-se para a rua sem olhar para ninguém. Sinclair deitou um olhar para o balcão.
— Mister Burke, eu...
— Vá com ela, Ted. O tom com que foi dada a ordem, foi como sempre frio. Frio como o gelo. Ted vacilou ainda, mas apena um segundo, deu meia volta e saiu no encalço de Lina.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

PAS525. De como a bela cantora de saloon chegou a contabilista

Encontrava-se embebido na leitura dos documentos do rancho. O tempo pareceu voar. Pois quando o capataz o chamou, para dizer-lhe que os vaqueiros acabavam de chegar, teve a impressão de que apenas haviam decorrido cinco minutos, desde a sua entrada no escritório. Abandonou a papelada e saiu ao pátio do solar. Dos degraus, onde se deteve, passou o seu olhar frio e cortante, sobre aqueles rostos cobertos de poeira e suor. Um a um, lentamente. Finalmente, falou:
— Suponho que o capataz Travis, já os tenha informado, que sou o novo proprietário do «Arizona» começou. — Não creio que isto constitua qualquer problema entre nós. E certo que costumo exi-gir muito dos meus homens, mas também é certo que procuro sempre pagar melhor do que ninguém, e dar a cada um o tratamento que merece. Chamei-os apenas para apresentar-me e dizer-lhes isto. Agora, se alguém não estiver de acordo com a mudança de proprietário, que se manifeste, e receberá dois meses de salário. Depois, tem à sua frente a pradaria. Há alguém?
Ninguém respondeu. Todos permaneceram sobre as selas, de semblantes carregados, olhando-o, como se aguardassem que ele dissesse mais alguma coisa. Mas Rod não o fez. Limitou-se a falar com o capa-tas:
— Creio que existe no rancho uma adega, não é verdade?
— Assim é, mister Burke.
— Óptimo, distribua whisky aos rapazes.
Fez menção de se dirigir para o edifício, quando os seus olhos por casualidade, se fixaram na nuvem de pó que avançava a todo o galope em direcção ao rancho. Franziu as sobrancelhas, quando reconheceu o cavaleiro, e, de pernas abertas, com os polegares metidos entre o duplo cinturão e a camisa, aguardou que este chegasse.
Vera deteve o corcel diante do pátio, com expressão ofegante, motivada pela corrida. Sobre a sela contemplou Rod, que não se moveu nem fez nada para aproximar-se dela, enquanto, por sua vez, os vaqueiros a admiravam, possuídos de assombro e perguntando, que iria ali fazer ao rancho a cantora do saloon.
Também a contemplavam por outros motivos.
Vera estava mais bela do que nunca, sobre a sela do animal. A sua saia, larga e curtíssima, mostrava grande parte das suas maravilhosas pernas, e a blusa de desenhos garridos, com um grande decote em forma de V, não era o presente mais adequado para um homem poder pensar com clareza ao seu lado. Em nada disto reparava Vera. Os seus maravilhosos olhos, não se apartavam um momento da silhueta de Rod. Indecisa, ignorando como devia portar-se com ele em público. Sem saber, se descer do cavalo ou permanecer sobre a sela. Sem saber como teria de cumprimentar aquele homem enigmático, que em poucas horas e sem uma frase de amor, havia adquirido direitos sobre ela.
Vera acabou por remexer-se inquieta sobre a sela, um pouco nervosa, perante o silêncio quase opressivo que reinava à sua volta. Rod pareceu aperceber-se disso, e então desceu os degraus. Aproximou-se do animal e estendeu os braços para a ajudar a desmontar. Vera deixou-se cair neles, e Rod depositou-a suavemente no chão.
— Vamos para dentro — disse.
E encaminhou-se para a entrada. Junto à porta deteve-se para fitar Travis. — Amanhã haverá festa no «Arizona».
— De alguma forma os rapazes têm de celebrar a mudança de patrão.
Sem dar tempo a Travis para responder, entrou acompanhado de Vera. Afastou-se para dar-lhe passagem, e depois fechou a porta atrás de si. Olharam-se de frente sem dizer uma palavra.
Sob o mesmo silêncio, Rod aproximou-se e cingiu-a pela cintura. Vera empinou-se sobre as pontas das suas botas texanas e ofereceu-lhe os lábios. Pouco depois, e enquanto compunha os cabelos, sentada num dos cómodos maples, Vera iniciou a conversação:
— É... é muito importante, mister Burke — disse.
— Bem, desembucha. Por que vieste?
— Estava explicando. Mister Dayton está em Mayer. No «Mogollon». Disse que não sairia dali sem falar consigo.
— Apenas isso?
—Não... não é só isso, e tenho medo. Há dois homens com ele. O seu capataz, conceituado como um dos seus melhores pistoleiros, e Spencer Talbot, um dos seus guarda-costas.
Rod não pareceu impressionar-se nada com a notícia.
— Sabes o que pretende?
— Não... não sei, embora adivinhe.
— Sim... E o que é?
-- Por favor, mister Burke, não brinque. Esse homem tentará matá-lo. Deu a entender que não quer a sua presença em Mayer.
— Bom — disse —, isso é o que veremos. Anda, senta-te e descansa. Depois partiremos.
— Não estou cansada, mister Burke. Podemos ir quando quiser. Mas... não se enfrentará com ele, não é verdade?
— Estamos já frente a frente, Vera.
Era a verdade. Vera não sabia o que responder àquelas palavras, e enquanto pensava, Rod estendeu o braço e segurou-lhe o queixo. Suavemente, beijou-a nos lábios, e logo, pegando-a ao colo, obrigou-a a sentar-se no maple. Cruzando uma perna sobre a outra, Vera sorriu-lhe timidamente.
— Estou cá a pensar...
Rod suspendeu-a com um gesto.
— Deixa de imaginar coisas na tua linda cabecita e escuta, Vera. A partir de hoje, vais ficar também encarregada da contabilidade do rancho.
— Mister Burke!
— O quê? É muito trabalho?
— Não... não é isso.
— Então?
— Não, nada. O senhor manda.
Olharam-se durante algum tempo, enquanto Rod acendia um cigarro. Depois, ele levantou-se.
— Vamos.
Ela saiu à frente. Pensativa, como sempre que se encontrava na sua presença. No pátio, Rod ordenou a um dos vaqueiros que fosse buscar o seu cavalo. Quando o vaqueiro chegou com o animal, vinha acompanhado de Travis, que veio perguntar-lhe se necessitava de alguma coisa, ajudou Vera a montar, e depois auxiliou Rod a subir para o seu cavalo. Sobre a sela, fitou o capataz.
— A partir de hoje, — disse. — Miss Perkins cuidará da contabilidade do «Arizona». Tem poderes meus, para pôr ou dispôr, como se fosse dona dele. Na minha ausência, desejo que ninguém discuta qualquer decisão sua.
Não esperou pela resposta, meteu as esporas nos flancos do animal e partiu a galope. Vera fez rodear o cavalo, e partiu no seu encalço, enquanto nos seus belos olhos, brilhava um olhar estranho. Decorrida meia milha, Vera emparceirou com ele, e durante algum tempo galoparam em silêncio. E quando mais convencida estava de que iam directamente para Mayer, Rod desviou o cavalo em direcção ao regato onde conhecera Lina Hendrix. Deteve o animal junto à margem e olhou-a.
— Comeste antes de vir, Vera?
— Não. Porquê?
Rod desmontou e aproximou-se, fixando o olhar na curta saia.
— Levo qualquer coisa para comer na sela — disse estendendo-lhe os braços para a ajudar a desmontar. — Podemos merendar aqui. Vamos, desce.
Vera deixou-se cair, e por momentos Rod conteve-a contra o seu peito. Depois beijou-a fugazmente, e ela foi sentar-se junto do regato. Do bolso da sela, Rod retirou um embrulho, e sentou-se ao seu lado. Os dois comeram em silêncio, e já haviam terminado quando Vera disse:
— Pensei que íamos directamente para Mayer, mister Burke.
Perante o seu mutismo, voltou-se para observá-lo. Os olhos dele estavam fitos nela, brilhantes como dois diamantes.
— Iremos mais tarde, Vera — continuou fitando-a de maneira insistente, e ela suportou esse olhar. — És uma mulher diabolicamente bela, Vera. Nunca to disse antes, mas pensei-o. Sim, terrivelmente fascinante.
— Foi só por isso, que fez tudo isto por mim?
Como resposta, Rod cingiu-a pela cintura, atraindo-a contra o seu peito.
— Sim, muito formosa — disse com voz rouca. — Maldito eu seja, quando digo isto!
Vera não teve tempo de analisar o sentido da frase final.
— Oh, Rod... eu !...

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

PAS524. O homem que tudo podia comprar

Trajava roupas simples de vaqueiro, que apesar de boas, em qualidade, quase o não distinguia dos outros. No entanto, o cavalo era outra coisa.
Bastava vê-lo, para adivinhar quem era o seu dono. O animal, um soberbo alazão de magnífica estampa, branco, sem uma única mancha, com os arreios cheios de incrustações de ouro e prata. Até nas rédeas e nos estribos, que eram também de ouro.
A sela mexicana, gravada à mão, de couro trabalhado e com incrustações dos mesmos metais preciosos.
Uma joia.
Coisa nunca vista em parte alguma. Tanto assim, que mais de um patusco, duvidara se seria o cavalo o verdadeiro dono dos dólares de Rod Burke, ou este.
Alto, loiro e de olhos cinzentos, frios como um bloco de gelo.
O queixo, quadrado e agressivo. Cintura estreita e ombros largos, pernas compridas, fortes, como duas colunas de granito. A boca, de lábios finos, e um pouco cruéis. Rod Burke sorria poucas vezes.
Os seus negócios, os contratempos da vida, as suas relações com gente da pior ralé, haviam-no tornado sisudo, seco, frio. Diziam que ele era destituído completamente de sentimentos, e que a sua única paixão, era continuar, amontoando dólares.
Mas ninguém, nem sequer os seus inimigos, podiam dizer que ele fosse um cobarde, e muito menos capaz de atirar pelas costas, ou de frente, sem antes dar uma oportunidade ao seu inimigo.
No arção da sela repousava uma carabina «Winchester», com as suas iniciais a ouro.
Trazia dois colts calibre 45, negros, com coronhas de madrepérola.
Era o único luxo que trazia sobre o seu corpo.
Viajava completamente só, e na noite anterior havia acampado perto das pastagens do «Rancho Arizona», agora de sua propriedade.
Nesse instante, sobre a sela do belo alazão, Rod contemplava lá longe, à distância, com um franzir das fartas e loiras pestanas.
Lentamente, servindo-se da mão esquerda, enrolou um cigarro, acendendo-o pelo processo de friccionar a cabeça do fósforo contra as calças, e fez avançar o cavalo.
A bela e imponente contração do rancho, foi-se destacando, cada vez com mais nitidez. Começou a distinguir as reses pastando nas imensas e ricas pastagens, e alguns grupos de cow-boys vigiando as manadas.
Impeliu o animal em direcção a Mayer.
Ted Sinclair, um dos seus homens de confiança, havia-o informado de que o rancho se encontrava em boas mãos, o mesmo não acontecendo com o saloon. Ali, sem dúvida, era necessária a sua presença.
Por isso, e não obstante encontrar-se mais próximo da sua propriedade, que da povoação, Rod preferiu dirigir-se a esta, em primeiro lugar.
Sem pressa, cavalgando a passo, como se não tivesse outra intenção, que não fosse passear sob aquele ardente sol, com expressão dura, como um falcão, e completamente impenetrável.
Repentinamente, o cavalo desviou-se do caminho. Rod apercebeu-se disso, mas nada fez para o corrigir. O animal tinha sede, era isso apenas.
Na realidade, não tardou a embrenhar-se por entre o espesso arvoredo, e não menos espessa vegetação.
A primeira coisa que avistou, foram uns peque-nos sapatos masculinos, quase desfeitos pelo uso, uma blusa que outrora havia sido de alguma cor, e que agora se encontrava esfarrapada, e umas calças de vaqueiro, cheias de remendos e costuras.
Rod olhou em redor, sem conseguir descobrir o dono daqueles objectos, perguntou a si próprio quem seria o intruso, pois se a memória não lhe falhava, esse local pertencia às terras do seu rancho.
Foi então que se apercebeu, que podia dar-se o caso de o encontrar a tomar banho. Aproximou o alazão da água, e, enquanto o animal bebia, esquadrinhou as águas.
Nos primeiros momentos nada viu, pois o banhista encontrava-se sob a líquida superfície. Mas depois sim. Uma formosa cabeleira acaju, uns ombros resplandecentes, morenos e nus.
Por segundos, até se esqueceu de respirar, perante tal beleza selvagem. Depois, sem poder frustrar-se ao influxo daquela maravilhosa visão, continuou olhando.
Mas nada no seu semblante de granito, denunciou o que estava sentindo interiormente, nem o efeito que a deliciosa visão lhe produzia.
Finalmente, a rapariga voltou-se. Até ele, chegou um grito sufocado, e notou, como no mesmo momento ela mergulhou, para reaparecer pouco depois, mais perto, e assomando apenas a cabeça.
 Rod desviou o olhar das águas, tranquilas, quase transparentes.
— Por que não deixa de olhar, e se vai embora com vento fresco, vaqueiro?
Rod não replicou, mas fez rodar o cavalo, e avançou em sentido contrário ao riacho. Porém, não foi muito longe. Ela também não esperava isso, pelo que saiu rapidamente da água.
Muito perto, ele ouviu o ruído da roupa que ela vestia, e esperou. Foi pouco, apenas alguns minutos.
— Volte-se, se quer admirar-me melhor, vaqueiro.
Ele voltou-se. Era jovem e muito bonita. Mas coberta com aquelas míseras roupas masculinas, ninguém, por mais esperto que fosse, poderia adivinhar o que se escondia sob aqueles farrapos. Nem por sombras. Nem pela ideia mais descabida.
— Quem é você?
— E a si que diabo lhe importa? Acaso já lhe perguntei eu, quem era?
Rod franziu uma sobrancelha. –
— Creio que estás nas minhas terras, pequena — disse, enquanto continuava a observá-la, tratando-a por tu. — Que fazes aqui?
— Tomava banho, como viu... demasiado bem — fitou-o abrindo muito os seus grandes e rasgados olhos azuis, enquanto franzia a boca de lábios vermelhos e carnudos. — Então, você é Rod Burke... Mister Rod Burke, não é verdade?
Apesar da pergunta final, era uma afirmação. Rod franziu o sobrolho.
— Realmente, sou Rod Burke. E tu?
— A essa pergunta, já respondi antes. Quanto ao que faço nas suas terras, nada de mal. Costumo vir de vez em quando a este regato. Está sempre solitário. Por outro lado, quem pretende algo de Lina Hendrix?
— Só para isso?
— Não. Há mais algumas coisas. Mas são assuntos que também não são da sua conta, mister Burke.
— Esqueces que estás nas minhas terras?
Olhou-o, de queixo levantado. Mais do que uma mulher incomparável, como o era na verdade, naquele momento parecia um malandrim.
Um desavergonhado e atrevido malandrim.
— Sei isso perfeitamente! Sei quem é você, mister Burke. Um homem como qualquer outro. Uma das pessoas que eu mais odeio no mundo. Um empedernido. Um cacique. Um homem que tudo compra, ou julga poder comprar, com os seus dólares. Enganei-me?
Seguiram-se segundos de silêncio, que se tornaram de tensão. Mas nem por isso ela pareceu assustar-se pela expressão daquele rosto, daqueles frios e implacáveis olhos cinzentos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

COL042. O homem do Wyoming

(Coleção Colorado, nº 42)


"Toda a população de Mayer se encontrava na expectativa. O ambiente era de tensão. Pairava electricidade no ar. Era como se uma tempestade horrível estivesse prestes a desencadear-se sobre a população.
Havia já alguns dias que se comentava, em todas as partes, os prós e os contras de um assunto que parecia ser absurdo, mas que, no entanto, não o era.
Essa questão já havia causado algumas desordens, e, em mais de uma ocasião, os contendores tinham saído para cruzar as armas de fogo. E tudo isto por uma insignificância.
Um homem que viera do longínquo Wyoming, para terras do Arizona. Um homem que, através de terceiros, e sem qualquer pressão, tinha comprado o melhor rancho da região, e o melhor saloon de Mayer."
Assim começa esta narrativa de Joe Mogar num livro em que, no final, quase se pode dizer: "tudo acabou em bem".
Mas foi difícil chegar lá. Imaginem que este melhor rancho da região tinha sido extorquido por um indivíduo sem escrúpulos e que uma filha dos verdadeiros donos, então abatidos sem piedade, ainda residia na povoação. Miseravelmente... porque a partir de então todas as portas se lhe fecharam. Como iria reagir o "homem do Wyoming" a todas estas contrariedades, a todas as mulheres que o lascivo autor lhe lançou ao caminho?
A capa, de autor não identificado, nada tem a ver com o livro, não existindo qualquer passagem de que seja ilustração.
As passagens que selecionámos mostram o desenvolvimento da relação do «Homem do Wyoming» com essa rapariga vestida de farrapos que um dia encontrou a banhar-se num regato nas terras que lhe pertenciam…

domingo, 21 de julho de 2013

PAS022. O homem de Wyoming


Toda a população de Mayer se encontrava na expectativa. O ambiente era de tensão. Pairava eletricidade no ar. Era como se uma tempestade horrível estivesse prestes a desencadear-se sobre a população.
Havia já alguns dias que se comentava, em todas as partes, os prós e os contras de um assunto que parecia ser absurdo, mas que, no entanto, não o era.
Essa questão já havia causado algumas desordens, e, em mais de uma ocasião, os contendores tinham saído para cruzar as armas de fogo. E tudo isto por uma insignificância.
Um homem que viera do longínquo Wyoming, para terras do Arizona. Um homem que, através de terceiros, e sem qualquer pressão, tinha comprado o melhor rancho da região, e o melhor saloon de Mayer.