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domingo, 19 de junho de 2016

PAS637. Encontro no panteão

Contexto da passagem: Amos, o velho vaqueiro que servia Rosemary e tinha assassinado a mãe desta, assassina o banqueiro Sutton e o rancheiro Stag, procurando ficar com o tesouro guardado no panteão. Mas após o seu vil ato, tem uma surpresa


Amos riu de maneira horripilante, ao ver os dois cadáveres estendidos no solo. Empurrou-os com os pés, verificando a sua definitiva Imobilidade. Meneou a cabeça.
— Tenho tempo — disse. — O narcótico que que lhes pus na ceia fá-los-á dormir doze horas a fio. Amanhã por estas horas estarei muito longe daqui, com meio milhão na bolsa.
Tirou do colete a chave do panteão e introduziu-a na fechadura, fazendo-a depois rodar. Ato contínuo, empurrou com as duas mãos os batentes da grade.
Permaneceu uns momentos imóvel sob o umbral da entrada. No interior do jazigo havia um túmulo de pedra, destinado evidentemente a conter o ataúde com os restos mortais da mãe de Rosemary.

sábado, 18 de junho de 2016

PAS636. Por vezes, a ajuda chega exageradamente cedo

A fazenda de Sage estava a umas vinte milhas, de modo que chegariam lá ao anoitecer, pelo que deveriam pernoitar ali antes de regressarem.
Mal tinham começado a caminhada, Henry viu, com não pouca surpresa, que a rapariga, vestindo roupas masculinas, se lhes juntava.
-- Pensei que talvez possam necessitar de ajuda — disse Rosemary.
Henry não fez o menor comentário, facto que pareceu dececioná-la. Todavia, também ela nada disse.
Era já cerca de meio-dia quando, de repente, ocorreu algo inesperado.
Cutts e Amos cavalgavam atrás da manada. Subitamente, duas reses espantaram-se e afastaram-se correndo.
— Vou alcançá-las — gritou Rosemary, picando esporas ao cavalo.
Henry separou-se uns metros das reses e logo se deteve. Contemplou a cavalgada de Rosemary atrás dos animais tresmalhados.
Os outros dois iam à cabeça da manada, um de cada lado. Continuaram o caminho, sem se preocuparem demasiado. Incidentes como aquele eram frequentes numa condução de tal natureza.
De repente, Henry viu que as duas vacas fugitivas se separavam, tomando direcç5es divergentes. Rosemary hesitou, decidindo-se enfim pela da direita.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

PAS635. Ataque ao rancho

O tiro soou para os lados das traseiras da casa. Ambos voltaram, simultaneamente, o rosto naquela direção.
Repentinamente, um clarão vermelho penetrou pela janela desse lado.
— Estão a arder os telheiros! — gritou a rapariga, correndo para a janela.
Henry saltou para a frente. Por sobre as suas cabeças voltou a soar outro tiro.
Em baixo, dos currais, elevou-se subitamente um coro de mugidos.
— As vacas! — gritou o rapaz. — Vão ficar queimadas! Vou soltá-las!
E desatou a correr.
Saiu de casa, movendo as pernas com toda a velocidade possível. Mais dois disparos soaram por sobre o tumulto das reses.
Desceu a vertente a toda a velocidade. Um dos alpendres ardia já do chão ao telhado, iluminando a casa fantasmagoricamente.
Subitamente surgiu diante dele um cavaleiro. Os dois contemplaram-se alguns instantes, com maior surpresa por parte do homem montado que por parte do rapaz.
O cavaleiro levava na mão uma tocha, com a qual tencionava incendiar os outros edifícios adjacentes ao rancho.
Ao ver Henry lançou-lhe o archote à cara, tirando depois um revólver do coldre.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

PAS634. Um fantasma visita o panteão

A claridade do luar permitia vê-lo em todos os detalhes. A uns quarenta ou cinquenta metros de distância, uma sombra branca passeava em frente do edifício.
Henry passou a mão por diante dos olhos. No primeiro momento julgou tratar-se duma ilusão de ótica, porém, uma nova observação, convenceu-o de que a silhueta branca era algo positivo e real.
— Pois bem — murmurou — o que é necessário determinar é se se trata de um espectro ou de uma pessoa em carne e osso.
Observou a silhueta uns segundos, vendo-a afastar-se em direção ao panteão. Caminhava lentamente, como se quisesse fazer uma demonstração da sua presença naquele lugar.
— Será a alma de Rosemary Jullien? —perguntou a si próprio, estremecendo de horror, mau grado seu.
Não se demorou mais. Procurou a porta de saída e, iluminando-se com fósforos, chegou à cozinha, saindo depois.
Olhou para o panteão. O fantasma continuava a andar, mas era evidente que o alcançaria em poucos minutos.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

PAS633. O primeiro dia de um vaqueiro no rancho panteão

Henry olhou em redor. O teto, inclinado, era interrompido de vez em quando pelas saliências de três ou quatro janelas do tipo das de águas furtadas. Assomou a urna delas e distinguiu ao longe, destacando-se obscuramente à luz da Lua na lívida brancura da planície, a sombria massa do panteão.
Acudiu-lhe imediatamente uma pergunta aos lábios, mas, por prudência, absteve-se de formulá-la. Estava cansado e desejava dormir, de modo que, escolhendo um catre, despiu-se e deixou-se cair pesadamente, adormecendo no mesmo instante.
Despertaram-no quando o sol não tinha ainda nascido. A um canto, havia um lavatório com um jarro e uma bacia. Lavou a cara, passou o pente pelo cabelo revolto, descendo em seguida à cozinha para tornar o pequeno almoço.
Quando terminaram, Amos conduziu-o á cavalariça, onde selaram os cavalos, O velhote, para a idade e defeito que possuía era bastante ágil, o que demonstrou ao montar sem ajuda. Saíram do rancho a passo rápido. Amos indicou a rota e durante meia hora cavalgaram em silêncio. Ao fim desse tempo, depararam com urna manada de reses, cujo número o rapaz calculou em cerca de trezentas. Estava no fundo de uma ribanceira, pastando em ambas as margens dum riacho que corria entre frondosas árvores.
— São estas -- disse Amos, detendo o cavalo.
— Para onde as temos de levar?
— Para o rancho. Quando lá chegarmos, dir-nos-ão o que temos a fazer.

terça-feira, 14 de junho de 2016

CLF070. Rancho Panteão

 
(Coleção Califórnia, nº 70)


Será humor negro atribuir a designação de Panteão a um rancho? Neste caso, há razões imediatas, atendíveis, já que os anteriores proprietários tinham sofrido uma morte trágica e foram sepultados num local no seu interior que muito apreciavam.
Clark Carrados inicia mais uma vez uma obra a partir de um acontecimento que terá desencadeado a terminação de uma era ou geração e entretém-se em procurar as causas com as novas personagens.
A capa, não assinada, mostra o encontro destas com uma fera. E que assombro se revela em todas as expressões! Estará ali a chave do mistério?