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sábado, 18 de janeiro de 2014

PAS227. Um anjo baleado

Durante mais de meia hora galoparam em silêncio, subindo e descendo colinas, atravessando vales, rodeando grandes penhascos, atravessando ribeiros. O longínquo fragor de tiroteio atraiu-lhes a atenção. Os sons partiam de uma colina rochosa.
Dirigiram-se para lá num desenfreado galope, mas, antes de lá chegarem, as detonações cessaram subitamente.
Por fim divisaram um cavalo que pastava mansamente, mesmo ao lado de uma pessoa que se encostara estendida no chão pedregoso.
Com uma exclamação de assombro, de maravilhada surpresa, Clifton Kennedy saltou para terra e ajoelhou perto da mulher formosíssima, a estátua carnal do cabelo de fogo.

PAS226. Um funeral muito agitado

Contexto da passagem: Orozco, dono do «Cerco de Ouro» aparece morto. A causa da morte é atribuída a suicídio embora não se reconhecessem razões para tal. Mas em breve se descobriria que alguém tinha apertado o gatilho. E nem no funeral as pessoas estiveram em paz



A maioria das pessoas seguia a pé. Só os componentes do grupo do «Cerco de Ouro» o faziam a cavalo, a ambos os lados do ataúde. Era uma escolta bizarra, de uma grande beleza e plasticidade. Tinham ficado para trás as últimas casas de Austin e o cemitério já se distinguia sobre uma colina, com as cruzes recortadas de encontro ao azul do céu, braços abertos numa súplica.
Subitamente, um grupo de cavaleiros surgiu de um pequeno bosque próximo e começou a disparar. Traziam os chapéus deitados sobre os olhos e tinham a cara tapada com um lenço.

PAS225. O segundo aviso do anjo da guarda

Kennedy entregou o papel à noiva que leu, em voz alta:

«Vão para longe de Austin, amigos, para onde a vida lhes seja mais favorável. Aqui não poderão encontrar nada de bom. No «Estrela Mary» estão a planear-se dias muito sangrentos e é melhor que não se encontrem nesta região quando soar o primeiro tiro.»

Tal como anteriormente, a misteriosa mensagem era assinada por «um amigo» e a letra parecia propositadamente disfarçada.
Kennedy preguntou a si próprio, uma vez mais, quem podia ser aquele desconhecido, aquela espécie de Anjo da Guarda que vigiava os seus passos.
(Coleção Búfalo, nº57)




Mal sabia este Anjo da Guarda que seria uma das primeiras vítimas das lutas sangrentas de que queria livrar os nossos amigos…
 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PAS224. Encontro na noite

Afastou-se da cabana, procurando dar uma volta e passou a duas milhas e meia do edifício do «Estrela Mary». A Lua, em quarto minguante, ainda não surgira e as estrelas iluminavam suavemente os caminhos, os desfiladeiros e as colinas.
Numa destas apareceu, de improviso, recortando-se no horizonte, um cavaleiro que fez caracolear a sua montada. Kennedy levou a mão ao cabo do revólver. Mas retirou-a imediatamente. Uma voz feminina pedia-lhe que se aproximasse. Reconheceu, pela entoação, a misteriosa e bela dama da carruagem.
Lançou o cavalo na sua direção e alcançou-a rapidamente.
- Olá, rapaz! Que fazes por aqui, a estas horas da madrugada?

PAS223. O primeiro aviso do anjo da guarda

Olhou novamente com imensa desconfiança para a noite escura. Num rápido reflexo, o «Colt» apareceu na sua mão direita.
Não viu ninguém, embora tivesse ouvido à distância o ruído dos cascos de um cavalo que se afastava. Bastante preocupado entrou na cabana e leu o que estava escrito no papel.

«Vão-te submeter a uma prova, rapaz. Afronta-a com serenidade e não lhes dês a conhecer o teu bom caráter. Acabarão por te matar. Depois, vai-te quanto antes do «Estrela Mary». Este sítio não é para ti. Um amigo».

Kennedy releu o escrito e depois, pensativamente, queimou o papel com um fósforo. Procurou situar aquele «amigo» que tão oportunamente o prevenia em relação aos homens que conhecera desde a sua chegada ao rancho.
(Coleção Búfalo, nº 57)

PAS222. O beijo de um anjo

Clifton Kennedy montou a cavalo e afastou-se do rancho mas não regressou à granja da sua tia, situada no outro lado da cidade.
O dia estava agradável e convidava ao passeio, embora os raios de sol começassem a caldear a terra de uma forma que não era habitual numa recém-nascida Primavera.
O jovem sentia-se feliz. Feliz por ter encontrado um trabalho remunerado que o podia tirar e a Edna Breman de apuros e mercê do qual pensava juntar o dinheiro suficiente para se casar com ela. Feliz porque, depois de tantos anos, se encontrava ali de novo, na planície onde brincara em menino, onde pela primeira vez montara a cavalo e manejara um cavalo e um laço. Era feliz por causa de um mundo de pequenas coisas de grande valor sentimental.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

PAS221. Um desafio ao xerife

Clifton Kennedy pôs uma moeda sobre o balcão, ergueu-se em sua alta estatura e puxou, com gesto maquinal e experiente, o cinturão. Depois, lentamente, como se não quisesse a atenção, dirigiu-se para a porta do estabelecimento. Mas, antes de o alcançar, esta tornou a abrir-se e entrou Charles Brent, o xerife de Abilene.
- Um momento, Clifton.
O pedido do representante da lei ecoou no salão.
- Quero falar contigo.
O homem que saía respondeu, com secura:
- Que deseja? Diga-o quanto antes porque tenho muita pressa.
Clifton Kennedy disse estas palavras olhando o xerife com os olhos semicerrados, como era seu costume.
Este não respondeu. Fitava-o também, como se procurasse a expressão adequada.
O outro voltou a inquirir:
- Que me tem a dizer, Brent?
O xerife começou a falar pausadamente.
- Larry Carlisle está em Abilene. Eu sei que toda a gente sabe e suponho que tu também…
Fez uma pausa em que o fixou com ar de desafio.
-Advirto-te de uma coisa. Se intentares disparar contra ele, terás de te haver comigo. Pode ser que arranje maneira de te balançares numa boa corda. Está percebido? Estás a ver claro?
O outro sorriu com sarcasmo.
- Como à luz do dia, xerife.
Clifton Kennedy recomeçou a andar em direção À rua. O representante da lei gritou-lhe:
- Aonde vais?
- Prepare a corda, Brent! – gritou-lhe também Kennedy, sem s deter. – Volto em seguida.
(Coleção Búfalo, nº 57)

BUF057. Seu anjo da guarda


(Coleção Búfalo, nº 57)


Imagine o amigo do Passagens que tem alguém que surge para o proteger em momentos difíceis, mantendo, no entanto, a sua identidade desconhecida.
É vulgar em Murphy a personagem central de uma novela não actuar sózinha. Geralmente, socorre-se de um irmão, de um ou vários agentes da lei, mostrando quão pequenino é o homem neste mundo tão difícil. Mas, nesta novela, só no final vem a descobrir o autor da preciosa ajuda, nada mais nada menos uma pessoa a quem tinha salvo a vida numa situação difícil para ela. É caso para dizer: "os anjos bons acabam por se encontrar".
A capa, um pouco desfigurada, pirosa, de autor desconhecido, reflecte um pormenor da novela, mas podia adaptar-se a qualquer outra do Oeste