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sexta-feira, 29 de maio de 2015

PAS475. A bela e o foragido separam-se

Mike fez uma careta.
— Quando volta para Taos?... — perguntou.
— A diligência sai amanhã à tarde. Voltarei a vê-la, com certeza.
— Com certeza, não. Tenho várias coisas que fazer. Creio que o melhor seria despedirmo-nos agora.
A senhora Holcombe olhou-os alternadamente, e logo pareceu descobrir qualquer coisa de muito interessante no passeio fronteiro. Com uma vaga desculpa, atravessou a rua e os dois jovens ficaram sós.
— Muito discreta, mas a única coisa que temos a dizer é adeus... — disse Mike, um tanto duramente.
— Vieste para me ver, Mike?... — perguntou ela directamente, olhando-o nos olhos. Ele hesitou por momentos.
 — Sim... — disse, por fim.
— Porquê?
— Porque... Porque te amo e queria ver-te pela última vez. Nada mais... — disse Mike. — E agora, adeus.
Ela segurou-o pela manga.
— Escuta, Mike. Se é por causa do dinheiro... Bem, eu tenho o suficiente para os dois. De sobra para os dois.
Ele olhou-a. Havia nos seus olhos uma expressão de fome, de tão autêntica fome que ela se assustou.
— Mike... — disse, em voz trémula.
— Adeus, Alice. Que Deus te abençoe.
E começou a andar. Ela ficou atrás, olhando-o com uma censura muda que lhe fez muito mais dano do que qualquer palavra que tivesse podido dizer.
 

quinta-feira, 28 de maio de 2015

PAS474. Fuga ao vale da morte

À frente seguia Crumy, levando atrás do seu cavalo, segura pelas rédeas, uma mula nova e forte, muito carregada. Depois ia a jovem e Mike, e por fim outra mula. Durante toda a manhã tinham caminhado, afastando-se do vale da morte — como o chamou Alice — pelo caminho da montanha. Por último, quando já não havia caminho, continuaram, guiando-se pelo sol.
Ao meio-dia pararam para comer.
— Conservas... — disse Mike, fazendo uma careta, Bem, pior seria não as ter. Mas estou desejoso de um bom guisado de carne, com cebolas e temperos.
— Quando chegarmos... Prometo-lhe para quando, chegarmos... — respondeu a jovem, subitamente.
Mike olhou para ela, mas nada disse. Quando acabaram de comer, puseram-se novamente a caminho.
— Onde vamos?... — perguntou Alice, a certa altura — Pode dizer-mo?
— Com certeza. Vamos a Las Vegas. Quando lá chegarmos... bem, isso já não sei. Mas suponho que lá haverá alguém que possa ajudá-la a voltar a Taos. Eu... eu lhe darei dinheiro para isso, caso contrário.
— Oh, lá há-de haver alguém que possa ajudar-me... — respondeu ela. — Por isso não tem que preocupar-se. Além disso... além disso eu não tocaria num só dólar desse dinheiro.
— Compreendo... — respondeu Mike.
Houve um silêncio.

PAS473. Quero reparar uma falta

Billy aproximou-se da barraca. Mike e Crumy estavam à porta, a fumar.
— Tu... —  disse Billy a Crumy —...Vai ao armazém para que te deem um rifle, e depois procura Morrison. Ele te dirá para onde deves ir.
Voltou-se para Carmichael.
— Liston disse-me que tens de ocupar-te da pequena. Não quer comer. É preciso fazeres com que ela coma.
— Eu, armado em ama seca... Quem diria uma coisa destas ao filho da minha mãe?... — perguntou Mike —  Não me arranjas outro serviço melhor, Billy?
— Não. As ordens de Liston são estas.
— Bem, bem... não é que eu não queira obedecer, mas realmente... Se alguma vez tiveres coisa melhor para mim, Billy, gostaria que mo dissesses.
Encaminhou-se para a barraca onde estava a rapariga. De passagem espreitou para aquela que Crumy lhe tinha indicado. Com efeito, um homem armado de espingarda estava de guarda em frente da porta. Os outros estavam na cantina, ou nas suas casotas.
Entrou na barraca e a jovem levantou-se, ao vê-lo.
— Sente-se... — disse-lhe Carmichael. — Por que não comeu?
— Não posso... —  respondeu ela, com uma expressão de repugnância.
Tinha profundas olheiras, mas arranjara-se e penteara os cabelos. Parecia muito nova e desvalida.
— Tem de comer. Escute, «miss» Leroy. Esta tarde poderá dar um passeio, e até amanhã não haverá ninguém a esta porta, a não ser eu. Estou encarregado de velar pela sua segurança, e de não a deixar fugir... embora não saiba para onde poderia ir. O caso é que, de agora em diante, sou eu quem vai ocupar-se de si. Mas preciso da sua ajuda.
— Da minha ajuda? Para quê?
— É muito simples. Amanhã vou tentar tirá-la daqui. Sabe servir-se de uma arma?
— Sei manejar um rifle ou um revólver. Porquê?
— Oh! Acabe com os porquês e os para quês! Vou precisar de quantos braços puder reunir. Mas saiba que vou tirá-la daqui. Continua a ter confiança em mim?
Ela hesitou ligeiramente.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

PAS472. Uma árvore caída na rota da diligência

A diligência corria pelo caminho, levantando uma nuvem de poeira. As cinco parelhas de cavalos arrastavam-na à máxima velocidade, porque já estavam um pouco atrasados devido a que, em Ribera, tinham sido forçados a parar durante mais tempo do que o previsto.
O cocheiro levantava o chicote e deixava-o cair brandamente sobre o dorso dos guias, enquanto acompanhavam a marcha com sonoros brados.
O caminho deixava para trás a pradaria e um pouco mais adiante internar-se--ia entre dois taludes de terra. As rochas começavam a aflorar.
Ao chegar aos taludes, os cavalos afrouxaram um pouco a velocidade. O cocheiro voltou-se para o seu companheiro. Este, com um rifle sobre os joelhos, agarrava-se ao banco, para não ser cuspido da boleia.
— Se continuarmos assim, chegaremos à hora... — disse. — Eia, cavalos! Auch! Que tal vão os passageiros?
O guarda voltou-se e olhou pela janela.
— Esses dois vão a dormir... — disse. — A rapariga não.
— É valente, essa rapariga... — disse o cocheiro — Ainda não há quinze dias que mataram o pai, e já me disseram que ela tomou a seu cargo a parte dele no negócio.
— Gostaria de estar já em Las Vegas... — disse o guarda. — Tanto dinheiro aí dentro não me agrada.
— Ora! Pouco ou muito, nunca aconteceu nada.
Os alcantis eram cada vez mais altos. Alguns pinheiros solitários, cujas raízes espreitavam da terra, cresciam nas escarpas, de ambos os lados do caminho.
Dobraram um cotovelo da estrada, e o cocheiro, soltando uma exclamação, puxou as rédeas com toda a força, enquanto com a mão esquerda fazia girar a roda do travão. As juntas chiaram, e os cavalos-guias encabritaram-se.
No caminho, atravessada de lado a lado, estava uma grande árvore caída. E não tinha sido abatida por um raio, porque eram perfeitamente visíveis, no tronco, os sinais de um machado.
O guarda, que quase tinha caído da boleia, crispou as mãos no rifle, olhando para todos os lados. Não se via vivalma.

PAS471. Senhor bandido, passe uns dias connosco

A  chefe da quadrilha interrogava Mike.
— Você pareceu-me ser o mais inteligente dos três. E é por isso que quero falar consigo. Antes de mais... que pensava fazer com o dinheiro roubado em Taos?
— Atravessar a fronteira e gastá-lo.
— Em quê?
— Posso fazer uma observação?
— Sim.
— O que eu pensava fazer com o dinheiro, é comigo.
— Cuidado, rapaz, responde à senhora... — disse Liston, baloiçando um dos seus braços compridos e fortes.
— Não, Liston. Ele tem razão. O caso é lá com ele. Mas quando um homem rouba para ter dinheiro, sempre gostará de continuar a tê-lo, não é assim?
— Pelo menos no meu caso, é.
— Bem... que me diria de conseguir mais dinheiro?
— Roubando-o?
— Talvez sim.
— Pois diria... — respondeu Mike Carmichael lentamente, sem afastar os olhos dos da mulher — ...que sim, que me interessa a proposta.
— Bem. Onde pensa que está e quem julga que nós somos?
— Devo responder a verdade, ou é preciso mostrar-me delicado?
— A verdade... --- respondeu ela. E, pela primeira vez desde que a conhecia, Carmichael viu-a sorrir. Muito de leve, mas um sorriso que lhe iluminou a cara como se tivessem acendido urna luz à sua beira.
— Então dir-lhe-ei que julgo estar num sítio do qual ouvi falar uma vez, mas que eu pensei existir apenas na imaginação da pessoa que me falou.
— Prossiga. Não se interrompa.
— Essa pessoa disse-me que havia um lugar onde todos aqueles que tinham contas pendentes com a Justiça podiam encontrar um refúgio. Um lugar onde refazer forças para tentar depois fugir de novo.
— Nada mais lhe disse, essa pessoa?
— Sim, disse-me que o dono desse... refúgio era uma mulher.
Ela inclinou a cabeça, confirmando.
— Não estava enganada essa pessoa. Esse lugar é este. Um lugar onde todo aquele que foge pode encontrar asilo. Naturalmente que isto não é uma instituição de beneficência. Recebemos dinheiro por alojar essa gente

terça-feira, 26 de maio de 2015

ARZ083. Uma mulher perigosa

(Coleção Arizona, nº 83)


Na sequência do assalto a um banco, durante a fuga, três foragidos, Mike, Crummy e Allyson, foram intercetados por uma quadrilha que lhes prometeu guarida se lhe entregassem metade do produto do roubo. Sem outra opção, aceitaram e o seu espanto foi enorme quando descobriram que a quadrilha era comandada por uma formosa mulher.
Nesta altura, já algumas contradições começavam a manifestar-se entre os assaltantes do banco, destacando-se a natureza selvagem de Allyson que contrastava com uma certa nobreza de caráter de Mike. Integrados na nova quadrilha, vieram a sequestrar uma jovem por quem Mike passou a sentir viva estima. E a fuga ao refugio da quadrilha passou a estar na ordem do dia.
Conseguiria Mike libertar a jovem? E como se comportariam os seus ex-companheiros? E não teria a chefe da quadrilha uma vida dupla que levasse a reencontrá-la mais tarde entre gente de bem?
Eis uma novela plena de ação e emoções pela pena brilhante de Frank Mc Fair.