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quarta-feira, 30 de abril de 2014

ARZ066. Regeneração Contrariada


(Coleção Arizona, nº 66)



Tex «Gatilho» Brady era um homem com um passado não muito pior do que o de outros homens do Oeste, criados na violência e na luta constante… que intentava regenerar-se e devolver o que não lhe pertencia: cerca de quatrocentos e vinte mil dólares roubados no banco Mineiro de Redlands. Mas alguém que conhecia os seus propósitos resolveu converter-se em dono de todo esse dinheiro e atacou-o na sombra, depois de ter morto a sua fiel noiva que esperou anos e anos pelo seu regresso…
Trata-se de um livro cheio de ação de Johnny Garland, um autor que também usa o nome Donald Curtis. As sequelas da guerra perpassam a sua narrativa, vendo-se a personagem principal sistematicamente envolvida em incidentes que não esperava num ambiente que era bem diferente daquele que conhecera naquela terra até sete anos antes, altura em que, não tendo sido possível condená-lo, fora, apesar de tudo, expulso do estado da Califórnia por sete anos…
Chamamos ainda a atenção para o disparate de título que a capa apresenta. A Coleção Arizona parecia não colher todas as atenções das pessoas da APR, apesar da qualidade de alguns livros.


Passagens selecionadas:


PAS248. Regresso ao passado
PAS249. No rancho «Duas Ferraduras»
PAS250. Chegada a um mundo diferente
PAS251. Morta por não trair
PAS252. Caído aos pés de uma mulher
PAS253. Uma fuga carregado de notas


 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PAS253. Uma fuga carregado de notas


Chegou em frente da sepultura de «Satã»… onde uma vez o corpo de «Satã» tinha sido substituído, enquanto Nelly dormia, por quatrocentos e vinte e dois mil dólares em moeda corrente. Tinham decorrido sete anos. Agora o dinheiro ia sair de novo à superfície. Para não voltar a ser enterrado em parte alguma. Para fazer, com aquele dinheiro, o que o destino de Tex Brady dispusesse.
Quase sem dar-se conta, cavava já, em silêncio. E quase sem dar por isso a caixa saiu da cova, agarrada pelas suas mãos. Que importava a dor aguda no seu ombro esquerdo, se aquilo era uma coisa que tinha de ser feita depressa?
Conduziu a caixa até junto do seu cavalo. Rebuscou os bolsos. Entre os seus dedos, apareceu uma velha chave, pequena e ferrugenta. Arrancou as tábuas apodrecidas que cobriam a caixa metálica do Banco Mineiro, ainda com as iniciais marcadas sobre o aço.

Introduziu a chave na fechadura. Girou, guinchante, abriu a tampa e surgiram os maços de notas. Os olhos de Brady, os mesmos olhos que uma vez tinham olhado com cobiça aquele dinheiro, observavam agora os retângulos coloridos e alongados das notas. Uma fortuna nas suas mãos. Uma fortuna manchada de sangue…
Começou a meter as notas no alforge da sela, num cantil vazio, nos forros da manta, onde calhava… Trabalhava febrilmente, com uma rapidez da qual talvez dependesse a vida de Paula e do pai.
Quando a caixa ficou vazia, voltou com ela para o coval que fora de «Satã», cobriu-a com terra que alisou rapidamente e depois ergue-se, olhando para casa. Esteve tentado a deixar umas linhas escritas, justificando a sua ação.
Mas não. Era preferível deixar atrás de si uma recordação má. Que Paula o recordasse sempre com ódio. Era melhor assim. Devia abrir um abismo entre ela e ele… não criar qualquer sombra de amizade, de afeto… de amor.
Com uma expressão de raiva, voltou para junto do seu cavalo. Montou, pegou nas rédeas, bateu com os tacões nos flancos do animal e lançou-o a galope.
Seguiu na direção norte, através de terreno seco e duro, a caminho de San Bernardino, sem deixar uma pista atrás de si. Supondo que era possível, a um homem como Tex «Gatilho» Brady, passar por algum sítio sem deixar rasto…



Comentário do Passagens: Inadvertidamente, Tex deixa rasto já que algumas notas saem de uma abertura mal fechada. Mas o rasto que deixa pode orientar inimigos, mas também orienta amigos…

PAS252. Caído aos pés de uma mulher


Irritado, esbofeteou repetidas vezes a bela face da rapariga, evitando que as suas lindas pernas o alcançassem com intenções nada delicadas. Paula lutava com tal ímpeto, sob o domínio dele, que a sua blusa se rasgou de alto a baixo. Mas Tex não se deixou abrandar por isso, continuando a dominá-la tal como se lutasse com um homem.
Paula gritou magoada pela pressão dele sobre o seu ombro direito. Os dedos de Tex fincavam-se na sua carne morena, prendendo-a contra o chão. Por fim ele ergueu-se, ofegante, e obrigou-a a levantar-se também, sem se preocupar com o seu lamentável aspeto.
- Vamos, fera… - rouquejou ele, com cólera. – Teve sorte em encontrar-me ferido, ou teria levado a maior tareia da sua vida…
~- Bruto! Selvagem!... gemeu ela, retorcendo-se sob a férrea pressão da mão dele. – Largue-me, assassino!

- Não sou um assassino. E repito-lhe que nada fiz contra vocês. Alguém, em Redlands, está apostado em culpar-me de tudo o que acontece. E consegue-o, ao que parece. Agora fale, criatura! Onde está o seu tio?
- Escondido, perto daqui… porque os assassinos podem voltar… Que vai fazer-lhe, a ele?
- Dar-lhe dentadas… Vamos, não seja estúpida e ajude-me… - sentiu que lhe fraquejavam as pernas e que, no decorrer da última hora, a febre tinha aumentado consideravelmente. Olhou para o braço ferido. Sangrava de novo, com abundância, decerto em consequência do esforço feito. Paula Higgins olhava a camisa ensanguentada, com um olhar inexpressivo. Tex acrescentou, em voz mais fraca: - Tem de chamar o seu tio… e tratar-me… tratar-me esta maldita ferida… ou não irei… muito longe…
- Não farei nada por si. Nada, a não ser entrega-lo à lei, Brady.
- Não cometa esse erro… Esconda o dinheiro… at+e que eu possa…
Cambaleava cada vez mais. Queria manter-se lúcido, mas a cabeça pesava-lhe, as fontes latejavam, parecendo arder, e um intenso arrepio, pertindo do ombro ferido, sacudia-lhe todo o corpo.
- Ajude-me até que eu possa devolv^-lo… e descobrir… os meus inimigos… Por… por favor… «miss» Hig… Hig…
Não pôde continuar. Subitamente a sua mão saltou do ombro nu da rapariga, a cabeça vergou-se-lhe para a frente. Todo o seu corpo oscilou e Tex Brady caiu inerte aos pés de Paula.
(Coleção Arizona, nº 56)