terça-feira, 30 de dezembro de 2014

BUF078. Encontro marcado com a morte



(Coleção Búfalo, nº 78)
 
 
 
É o encontro  a que ninguém consegue escapar. Só que, no velho Oeste, por vezes, ocorria demasiado cedo. Neste caso, há a considerar a heroicidade de um homem que se sacrificou pelos companheiros.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

BUF077. Vingança sem quartel



(Coleção Búfalo, nº 77)
 
 
Butte era uma povoação dominada pelo medo a um rancheiro que se soubera rodear de pistoleiros para impor a sua lei e executar os roubos com que fazia crescer o seu património.  O próprio representante da lei, o velho xerife Leo, sabia que era melhor ignorar a atividade do bandido do que fazer-lhe frente e morrer calçado.
A Butte chegou precisamente o jovem Creig. Acompanhavam-no quinze anos de desejos de vingança e a esperança de chegar ao local onde esta se poderia consumar. Os pais de Creig tinham sido assassinados por Goodman e a sua quadrilha que, para além disso, tinham raptado a sua irmãzita.
O livro de Tarif é assim a narrativa da vingança de Creig e da regeneração do povo cobarde de Butte que pegou em armas contra os bandidos quando se sentiu acompanhado por ele. E, tal como diz o título, foi uma vingança sem quartel. Um a um os bandidos caíram às mãos de Creig.
A capa, excelente, quase faz lembrar um filme com Gary Cooper e alguma bela estrela da década de cinquenta.

domingo, 28 de dezembro de 2014

PAS417. Cobarde!

A escuridão, era completa. Phil cavalgou toda a noite sem parar. Chegou à cidade ao amanhecer. Foi direito à casa grande de Ben. Desatou o corpo do irmão, tirou-o de cima do cavalo, pô-lo aos ombros e subiu as escadas. A porta da casa estava fechada, mas Phil abriu-a, com um pontapé e entrou no vestíbulo. Com muito cuidado pôs o corpo no chão e esperou.
Uma porta do fundo abriu-se e apareceu Ben. Deteve-se ante o estranho, espetáculo. Viu o corpo de Frankie e olhou para Phil que continuava em pé, observando-o tranquilamente. Desde o primeiro instante, Ben compreendeu que a sua vida estava em perigo.
— Tentou trazer-me aqui e matei-o — explicou. Phil sem afastar os olhos do juiz.
— Porquê? É terrível o que fizeste — gritou Ben em tom que pretendia ser amável
— Sim, é terrível! E você vai fazer-lhe companhia — disse PhiI, tirando o revólver do coldre.
— Não! Espera um momento — implorou Ben, suplicante. — A culpa não é minha! Eu...
— Eu não sou Frankie! Não vim aqui para falar.
— Tem calma, rapaz. Não deves pôr-te assim. Além disso, lamentarias bem depressa o teu acto pois prender-te-iam logo! A morte de um juiz não pode ficar impune.
— A única coisa que me podem fazer é enforcar-me. Nada mais.
— Pensa no teu irmão! Ele nunca faria isso...
— Já falámos de mais — interrompeu-o Phil, sem fazer caso dias palavras desesperadas do juiz, que procurava ganhar tempo a todo o custo. — Eu não sou tão inteligente nem tão valente como Frankie, mas nada me impede de levar até ao fim o meu intento.
 -- E porque o mataste? Porquê? — perguntou Ben, tentando distrair o rapaz. 
— Por sua causa. Não podia permitir que mais ninguém, além de mim, fosse iludido por si. Não, não podia consenti-lo.
--- Mas eu... — tentou desculpar-se o juiz.
— Cala-te já, maldito, canalha!
Ben fez um último esforço,
— Está bem, mata-me. Um estúpido como tu não sabe o que faz. Posso dar-te tudo o quiseres, podes viver mais cinquenta anos e ter junto a ti Janette. Mas não; tu és teimoso. Vais perder tudo para fazer que desejas, tu não pensas. Vá, dispara e vê se ficas satisfeito.
Phil olhou-o, furioso.
— Sim, é melhor. —  E, dizendo isto, apertou o gatilho.
Ben foi de encontro à parede e caiu. Levantou as mãos; os seus olhos estavam aterrorizados.
— Espera! —  gritou. —  Eu posso explicar-te...
Phil descarregou todo o tambor da arma no corpo de Ben. O vestíbulo encheu-se ide fume e as detonações ecoaram por toda a casa.
O rapaz olhou em volta, esperando que alguém aparecesse mas a casa continuou tranquila e em silêncio. Sentiu um estranho desassossego, como se os acontecimentos das últimas horas  tivessem sido um sonho.
Carregou, com custo, às costas, o corpo de Frankie, saiu e atou-o ao cavalo. Desatou os dois animais, e, depois de tirá-los da cerca, montou e dirigiu-se para a loja de Pete Lunge. Enquanto o rapaz ia pela rua principal, alguns homens que o viram, largaram os seus trabalhos para o observar. Quando chegou à loja de Pete, este estava à porta', esperando-o. Phil desmontou e, entregando-lhe as rédeas do cavalo, de Frankie, perguntou:
— Sabe onde foi enterrado o índio?
— Sim, sei — respondeu Pete, assombrado.
— Faça-me um favor. Enterre Frankie a seu lado.
— Pois sim, rapaz.
Phil ia a afastar-se, quando Pote deteve:
— Que sucedeu? — inquiriu, curioso.
— Meu irmão foi ajustar contas com o juiz Fisher! Creio que já não voltará a roubar mais ninguém.
— Que dizes? — perguntou Pete, muito excitado,. -- O teu irmão Frankie matou o juiz?
— Sim — afirmou Phil, imperturbável.
— E quem matou o teu irmão, rapaz?
— Foi o juiz Fisher. Frankie pensou que estava morto e, ao sair, o juiz ainda teve forças para disparar sobre ele e feri-lo de morte. Também podes enterrar Fisher...
Dito isto, Phil esporeou o cavalo com energia e seguiu rua abaixo, perdendo-se ao longe. Nos seus ouvidos, ainda ressoavam as últimas palavras do irmão moribundo:
— «Phil! És um cobarde!...»

sábado, 27 de dezembro de 2014

PAS416. O último passeio a cavalo

Era quase noite quando Frankie abandonou a cidade à procura de Phil. Cavalgou toda a noite através da planície extensa, em direção ao norte, pois calculou que seu irmão voltaria para casa.
Encontrou-o no dia seguinte. Viu-o de longe, sentado à sombra de uma árvore, com a cabeça entre as mãos, absorto.
Apeou-se do cavalo e, levando-o pela rédea, foi-se aproximando do rapaz.
— Foste um cobarde, Phil — disse Frankie já perto dele. Phil levantou a cabeça e olhou-o, como que idiotizado. — Como pudeste acusar Adam para te salvares a ti?
— Custou-me muito, mas fi-lo.
— Porque és um cobarde! Também o índio, como tu, tinha gosto pela vida. Cumpriu-se uma injustiça, mas tu não quiseste ser a vítima dela e descarregaste toda a tua responsabilidade sobre Adam.
— Já tudo está acabado! — volveu o rapaz.
— Toda a tua vida sentirás o remorso da tua cobardia.
— Deixa-me, Frankie! Vim para aqui para estar só.
— Deves reparar a tua cobardia, voltando, à cidade e pedindo ao juiz Justiça pela sua precipitação em condenar um inocente.
— Não, não irei — negou-se Phil, com decisão.
— A tanto chega o medo, tanta é a tua cobardia, que não me queres acompanhar à cidade?
— Já te disse que não quero sair daqui. E vai-te de uma vez. Estás a aborrecer-me com a tua impertinência — respondeu ameaçador.
— Quero que venhas, e se não vens a bem, levar-te-ei a mal.
— Experimenta! — exclamou Phil, levantando-se e empunhando o revólver. 
— Vá, pelos vistos gostas do brinquedo que te comprei! Não me assustas. Guarda a arma, porque vou levar-te, quer queiras quer não.
— Frankie, rogo-te, suplico-te, ordeno-te: deixa-me em paz.
— Não, tens de vir comigo. E, a passo e passo, ia-se aproximando, olhando-o fixamente na cara.
— Não dês nem mais um passo, Frankie! Não avances mais! — ameaçou Phil desesperadamente.
Frankie viu-o indeciso e tentou atirar-se sobre ele.
Quando deu o salto, ouviu-se uma detonação.
Frankie estremeceu caiu sobre o_ Phil.
— Irmão!... — exclamou corre voz sumida. --- Que fizeste...?
Phil, assustado, separou-se, pouco a pouco do corpo do irmão, que caiu para o solo, coberto de sangue.
Olhou-o, aterrado.
— Frankie! — gritou.
— Cobarde! Fos…te... um cobar… de… a… té para me ma… tar… —  sussurrou num fio de voz.
— Avisei-te que não te aproximasses, Frankie!
Phil, entre choroso e assustado, correu a socorrê-lo.
— Dei... xa-me. Não... me... to... ques. — E um novo vómito de sangue subiu-lhe à boca.
— Frankie! Frankie! — gritou Phil, aterrado,. — Frankie! Não queria matar-te! Só queria assustar-te! Vou-te levar para a cidade! Sou teu irmão e não posso deixar que morras assim!
— Não... és meu... ir... mão. Um... cob... bar... de... é... o... que... tu... és!
E outro vómito calou-o. O moribunda _lançou um gemido tão terrível que ressoou na vale.
— Frankie! Chorou Phil, que caiu aniquilado, arrepelando os cabelos, de desespero.
Depois, levantou--se lentamente, dirigiu-se para os cavalos e levou-os piara a local onde estava o irmão. Atou o cavalo ele Frankie a uma árvore próxima do lugar onde este repousava. Dobrou cuidadosamente uma manta e pô-la sobre o dorso do animal. Em seguida, pôs o irmão sobre a sela.
— É a última vez que o levas. Tem cuidado! — A solidão obrigou Phil a falar com o animal.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

PAS415. Execução

Frankie cavalgava a toda a brida a caminho da cidade. Tinha decidido ir a Saryvillla e correr a mesma sorte do índio e do seu irmão. Tinha de comunicar também ao sacerdote Griver a notícia da mudança da reserva índia antes que fosse demasiado tarde,
Quando chegou aos arrabaldes da cidade, pressentiu que algo de anormal se passava. Não viu ninguém. Esporeou o cavalo, obrigando-o a correr ainda mais. Um pressentimento estranho apoderava-se dele. Quando se aproximava dia praça, ouviu o rumor de grande multidão. Um medo indescritível percorreu todo o seu corpo. Esporeou mais uma vez o cavalo. Dobrou a esquina da rua principal e viu o que tanto temia. A população inteira dia cidade estava reunida à porta do ferrador. No centro, de pé, mais alto que os presentes, viu Adam com as mãos atadas. Vários homens tinham acabado de colocar a corda na trave do estábulo, e ajustavam-na paira que não escorregasse.
Frankie deteve a sua montada e gritou:
— Adam!
O índio levantou as mãos para o saudar. Frankie saltou do cavalo como um louco. Na sua cega fúria abriu passagem por entre a multidão, descarregando com violência os seus punhos. Chegou junto de Adam. Vários homens contiveram-no. Soluçando e gritando lutou com toda a força para se soltar. Alguns afastaram-se, assustados com energia ide Frankie, que dava pontapés, esquivava-se e mordia, lutando como um animal selvagem, até que por fim o dominaram e retiveram a uns dez pés do índio, que tinha assistido à luta com selvagem prazer...