terça-feira, 4 de dezembro de 2018

BIS170.11 Assalto ao quartel dos bandidos

Os coiotes uivavam no descampado e o ulular dê um mocho fez-se ouvir entre os algodoeiros próximos. A noite era escura e tranquila, com um céu repleto de estrelas brilhantes e um vento brando do sul. A madrugada ia adiantada e faltariam cerca de duas horas para o alvorecer quando Rand Allen desmontou com extrema cautela, deixando o cavalo em liberdade.
Aquele animal havia pertencido a um dos homens do rancho e o dono nem soubera do empréstimo. Rand havia-o encontrado ao anoitecer, preparando o jantar, apenas a umas quatro milhas do lugar onde o tinham torturado. Estava só e bastara uma bala para resolver o assunto. Mais tarde, quando encontrassem por ali o animal, de manhã, fariam muitas conjeturas, mas, sem dúvida, ninguém adivinharia a verdade.
Entretanto, ele ia introduzir-se no rancho dos seus inimigos e ajustar as contas com eles.
Chegou facilmente junto da cerca alta, feita de adobe, que rodeava as construções. Aquela hora da madrugada não deviam ter grandes desejos de vigiar, certos de não existir nenhum perigo imediato. Havia-se recomposto quase totalmente da sova brutal recebida pela manhã e, inclusivamente os pulsos, cuidadosamente curados, tinham recuperado a elasticidade, apesar de ainda lhe doerem muito.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

BIS170.10 Prisioneiro por traição e pronto para a vingança

Caminharam juntos na direção do «saloon», com o companheiro de Douglas — a quem este apresentou laconicamente como Stubbs — indo do outro lado de Rand.
Douglas ia curiosamente excitado pela situação, causando a Rand a impressão de um leopardo que sente o cheiro de sangue. Mostrou-se muito cortês deixando-lhe a passagem livre para entrar no estabelecimento e, por um instante, Rand temeu que fosse um truque para lhe disparar pelas costas. Contudo, não tardou a abandonar tal ideia.
Frankie Douglas era, segundo parecia, um pistoleiro nato e o que ora suspeitava sobre a sua habilidade com uma arma de fogo na mão levá-lo-ia a provocá-lo para um duelo de morte, no lugar e momento previamente escolhidos, mas nunca o levaria a matá-lo pelas costas nem permitiria que outros o fizessem. De certo modo havia-o marcado como sua presa privativa.

domingo, 2 de dezembro de 2018

BIS170.09 A desconfiança é a melhor aliada

Rand cavalgou para o Norte diretamente durante algumas léguas. Mas uma vez que passou para além dos últimos pastores e se internou nos bosques que formavam como uma barreira fronteiriça entre Valle Hermoso e os terrenos circundantes, modificou o seu rumo, procurando o rio Braços, o qual atravessou num ponto onde as águas, na estiagem, eram pouco profundas.
Na outra margem cavalgou na direção do Oeste, através dum terreno de colinas onduladas cheias de vegetação e de caça e, segundo parecia, também de índios, a julgar pelos sinais que ia encontrando.
Contudo, não se encontrou com nenhum pele-vermelha e apenas viu um caçador na margem de um regato, ocultando-se antes de que ele o visse. Não estava nos seus planos ser visto por alguém.
Caminhou durante todo o dia, descrevendo um arco de círculo que, ao anoitecer o deixou a sudoeste da povoação de Waco e a uns vinte quilómetros da mesma. Dormiu abrigado numa gruta profunda até ao nascer do sol e não se apressou a partir, parando também ao meio-dia durante várias horas.
Começava a entardecer quando avistou a primeira granja, onde um homem e um rapaz que trabalhavam num milheiral o olharam com desconfiança.

sábado, 1 de dezembro de 2018

BIS170.08 Casa comigo ou irei para freira

— Sairei daqui amanhã.
Rand, Barclay e os Cortés estavam a comer na espaçosa sala de jantar da fazenda. Lá fora anoitecia lentamente após um longo e quente dia de Verão. Dom Pablo colocou o seu copo sobre a mesa e Isabel ficou com o garfo no ar. Os outros também deixaram de comer.
— Amanhã ?
— Sim. Quero chegar ao limite das terras de Seth Markham ao anoitecer.
Houve um breve silêncio. Dom Pablo quebrou-o com a sua voz calma.
— Muito bem. Darei ordem para lhe prepararem um cavalo e tudo o necessário para a viagem. Não se falou mais sobre o assunto durante o jantar.
Mais tarde, no alpendre cheio de luar. Rand sentou-se a ouvir o planger das guitarras e as canções dos vaqueiros no pátio. Isabel Cortés e sua irmã ocupavam pesadas cadeiras de balouço à sua direita, e dom Pablo ocupava outra à sua esquerda. Pedro Cortés estava encostado à balaustrada e Marclay fumava sentado nos degraus, com as costas apoiadas contra um dos pilares de adobe.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

BIS170.07 Elogio do pele-vermelha

Os dois feridos de Markham haviam sido atados a pesadas argolas numa cave do edifício, ficando ali à mercê da febre e da dor, sem mais que uma cura sumária, sem delicadeza. Estavam assim há setenta e duas horas quando Rand Allen, coxeando e apoiado no ombro dum vaqueiro entrou no sombrio calabouço. Um deles estava quase agonizante, com a cabeça caída sobre o peito. O outro olhou-o com expressão alucinada, ofegando roucamente:
— Malditos sejam! Matem-nos de uma vez…
— Agua... água...
Rand esperou que lhe colocassem a cadeira que outro vaqueiro trazia e que entrasse dom Pablo Cortés. Sentaram-se os dois vagarosamente sem fazerem caso dos pedidos, maldições e súplicas dos prisioneiros. Dois vaqueiros trouxeram uma pequena mesa e uma toalha sobre a mesma. Depois, ele e um dos vaqueiros colocaram sobre a mesa comida apetitosa, uma cesta repleta de fruta fresca, uma garrafa de vinho, uma jarra de água... Depois de a mesa estar pronta dom Pablo fez um sinal com a mão e os criados saíram, fechando a porta. A luz de um cadeeiro iluminava a expressão ávida e febril dos dois presos.