segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

ARZ129. O "amigo" traidor

 
(Coleção Arizona, nº129)
 
Sem se perceber bem porquê, Hardy Marsh é procurado na cidade de Chacal City quando se preparava para cear com a bela Sarah Loman, a pedido de um amigo a quem o rancheiro Sam Delicado queria enforcar como ladrão de gado por o ter apanhado depois de ele ter abatido uma vitela para comer.
Hardy era um homem duro e conseguiu salvar o amigo que não o quis acompanhar e partiu com três mexicanos de má catadura. Hardy acabou por ser contratado por Sam e veio mesmo a convencer-se que o seu amigo era um bandido acabando por lhe dar combate apoiando o rancheiro.
Nesta história, contada na primeira pessoa, Hardy acaba por voltar aos braços de Sarah, recusando os encantos da filha do rancheiro.

domingo, 22 de janeiro de 2017

ARZ128. Choque de ambições


(Coleção Arizona, nº128)

 Os irmãos Karen e Stan Webster chegaram a Lansing com o objetivo de tomarem posse da herança deixada por um tio recentemente falecido, mas, mal deram os primeiros passos nessa cidade, puderam concluir que a sua estadia não seria fácil, dado que a rapariga foi humilhada e o irmão sovado por um par de brutos. Valeu-lhes um terceiro indivíduo, um verdadeiro homem do Oeste, rápido com as armas e exímio lutador que pôs os dois homens em fuga depois de lhes dar uma lição. Lex Burton era um homem que procurava não matar aqueles com quem se defrontava, mas inutilizava-lhes as mãos e tinha por isso a alcunha de «Hands».
Vieram então saber que havia uma terceira pessoa a competir com eles para a partilha da herança o qual ainda por cima os informou que esta não era a mais desejada: o rancho assentava sobre pedra, a casa estava destruída e a principal riqueza visível era uma nascente de água (a qual era utilizada por rancheiros das redondezas para as suas terras).
Karen não se importou muito com o assunto e em breve exigia aos rancheiros mil dólares por mês pela água que lhes fornecia. Depois, com o conhecimento progressivo da propriedade, vieram a saber que havia gado dos vizinhos nas suas terras a aproveitar os seus pastos.
Desenhou-se assim monumental conflito de interesses que acabou por ser resolvido a tiro, embora Karen tivesse uma fase em que parece ter traído os seus sócios para se juntar a um dos inimigos.
Enfim, uma novela um pouco chata, com algumas passagens engraçadas e que não merece referência de maior…

sábado, 21 de janeiro de 2017

PAS713. Patriotismo de salteador

Dois dias depois do frustrado atentado contra Morélia, a fazenda dos Benitez era arrasada pelos saqueadores. Os cadáveres dos seus habitantes foram enviados para Santo António, e a sua chegada provocou a indignação geral. Formaram-se imediatamente grupos de voluntários que se lançaram numa batida pela comarca. Mas os assaltantes não deixavam vestígios da sua passagem, e não havia, pelo contrário, gente suficiente para proteger todas as fazendas e ranchos.
Sara Carlisle estava na rua quando chegaram as novas vítimas. Pôs-se muito pálida, tentando retroceder. Ao fazê-lo, deu de caras com alguém que estava atrás dela. Era Edison Ware, o lojista.
— Menina Carlisle, preciso de lhe falar.
— E eu não tenho o menor interesse em fazê-lo, senhor Ware. Faça o favor de se afastar.
— Dissimule e não se volte — disse ele, sujeitando-a por um braço. Quero dizer-lhe que você tinha razão. É preciso acabar com Terry Charles.
— O senhor avisou-o contra mim e recomendou-lhe que matasse Morélia.
— Sim, julguei que fosse esse o meu dever. Não se vá embora. Continue a olhar para a rua. Não convém que nos vejam a falar. Ouça: acabo de receber resposta de Houston à mensagem que você lhe enviou.
— Meus Deus! Diga-me que respondeu ele.
— Que detenhamos Charles, e que ele dissolva o seu grupo. Já lhe mandei recado. Esta noite virá visitar-me, pelo que esta foi a sua última carnificina.
— Obrigada, senhor Ware. Muito obrigada. Olhe para essa pobre gente e observe qual é a reação de todos. Não estão nada aterrorizados. São demasiado orgulhosos para isso. Começo agora a conhecê-los...
— Talvez por intermédio de Manuel Morélia, não? Alguém o avisou de que iriam atacá-lo. Cuidado, menina Carlisle. Embora sem estar ao lado de Charles, você tem de considerar-se sua inimiga.
— Eu sei. Engana-se a respeito de Morélia. Não me interessa esse fantoche, que se julga irresistível.
— Ainda bem. Não saia de Santo António. Houston enviará novas instruções para si.
Edison Ware retrocedeu, misturando-se entre a multidão. Atravessou a rua e dirigiu-se à sua loja de tecidos. Durante toda a tarde esteve muito ocupado e quase esqueceu o resto. Quando o armazém fechou, mandou embora os empregados e subiu à sua residência, onde vivia sozinho.
— Terry Charles não deixará de vir. Satisfaz-me acabar com esse bandido disfarçado de patriota.
Tinha deixado aberta a porta de casa. Mas, de qualquer modo, surpreendeu-o a aparição de Terry Charles junto da poltrona em que se sentava.
— Terry! Entrou sem fazer o menor ruído. Quase me assustou!
Terry riu-se, sentando-se noutra poltrona.
— Silencioso como os animais noturnos. Qualidade Indispensável para ser um bom saqueador. Que lhe pareceu o trabalho de ontem à noite? Sei que os trouxeram para aqui. Chegaram apenas a tempo de recolher os cadáveres. Mas os resultados não foram tão bons como da vez anterior.
— Você causa-me asco — disse Ware.
— Sim? Não será por não ter participação nos despojos, senhor Ware?
— É asco instintivo. Não poderia evitá-lo, mesmo que quisesse, e não quero. Lamento-o ou, melhor dizendo, alegro-me muito. O seu negócio acabou. Ordens de Sam. Houston. Você evitou que Sara Carlisle fugisse, mas, pelos vistos, não evitou que a sua carta chegasse a Houston. Ordens de cessar com os assaltos. Houston reconhece que o enganaram ao julgar a gente de Santo António. Não pretendia aniquilá-los, mas sim assustá-los. Agora sabe que isso não é possível e suspende os ataques. Terá de dispersar a sua gente.
Terry Charles tinha-se posto em pé. Os seus lábios estavam roxos e o seu rosto muito pálido.
— Isso não pode ser verdadeiro! Quero ver essa ordem!
Ware sorrindo, estendeu-lha. Charles leu-a rapidamente, tremendo-lhe as mãos.
-- Como vê, é verdade. Mande embora os seus bandidos, pois não haverá mais assassínios.
-- Nem mais dinheiro — murmurou Charles.
— Isso é o que você mais lastima. Você pensava unicamente no que iria obter com esses sangrentos assaltos, não é isso?
Terry Charles voltou a sentar-se. Tinha ainda a carta na mão e parecia já tranquilo.
— Não é assim tão simples, senhor Ware. Prometemos a esses homens substanciais compensações, e para isso temo-los entretido muito tempo.
— Isso foi ideia sua. Você pretendeu que não se lhes pagasse, a não ser com o que encontrassem nas fazendas, a fim de serem mais «eficazes». Mas era em si mesmo que você pensava. Você era quem sonhava com a riqueza dos mexicanos! Mas acabou-se. E Houston saberá o género de patriota que você é.
— Lamento muito, Ware. Você é um pobre lunático. Eu nunca fui um patriota, como diz. Acho graça até aos indivíduos como você. Chamam ser patriotas a conseguir que os governe um seu amigo, a fim de obterem melhorias e benefícios que não têm agora. Pois é o mesmo que eu penso. Em mim e nos benefícios que possa obter. E o dinheiro dos fazendeiros tornar-me-á rico, pois ficarei com quase todo! De modo que continuaremos a cair sobre as fazendas como um castigo do inferno, enchendo sacos de ouro e joias.
— Houston não o consente!
— Refere-se a esta carta? — Terry Charles rasgou-a lentamente em pequenos pedaços, ante o olhar espantado de Ware. — Já não existe. Não chegou a Santo António. Talvez fossem agentes do governador que a interceptas-sem. De qualquer modo, a verdade é que não chegou.
Deixou cair os papéis no solo. Ware seguiu-os com o olhar.
— Mas eu sei que chegou! Vou...
Inclinou-se para recolher os fragmentos do documento. Charles inclinou-se também, aproximando-se dele.
— Tem razão. Você sabe-o, com efeito. E essa é a sua desgraça.
Edison Ware ergueu a cabeça, olhando espantado para Charles. Quando viu a faca que este empunhava, procurou gritar e afastar-se. A mão de Terry Charles subiu velozmente, e a faca, com um ruído seco, mergulhou no peito do comerciante.
«Sim, é uma boa ideia não deixar estes papelinhos aqui. Alguém poderia reconstituir a carta.»
Apanhou-os sem olhar para Edison Ware, que, caído aos pés da sua poltrona, estremecia cada vez mais suavemente. Quando Terry Charles acabou de recolher os pequenos fragmentos, já Edison, Ware deixara de mover-se' e o seu sangue se estendia pelo tapete.
 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

PAS712. Oração sobre a capacidade de resitência do povo mexicano

Em dois carros foram conduzidos a Santo António os cadáveres da gente da fazenda Ramos. Sara Carlisle estava no quarto do seu hotel quando ouviu. os gritos na rua. Abriu a janela da varanda precisamente quando os carros passavam em frente do hotel, detendo-se ali.
— Meus Deus, mataram mulheres e crianças — murmurou horrorizada.
Cobriu a boca com a mão, retrocedendo. Os carros continuavam parados.
— Por que não continuarão o caminho? — inquiriu a meia voz.
— Fi-los deter para que você pudesse vê-los — ouviu dizer atrás.
Voltou-se. Um homem vestido de preto, de cabelos encanecidos e olhos muito escuros, estava junto da porta. Vestia com elegância e a sua voz era suave e educada.
— Quem é o senhor?
O homem atravessou o quarto e assomou à varanda, fazendo um sinal. No mesmo instante os carros fúnebres continuaram o seu caminho. O homem voltou-se então para Sara Carlisle.
— Sou o ajudante do senhor governador. Perdoe-me que tivesse entrado sem me fazer anunciar. Supus que não lhe agradasse contemplar por muito tempo o espetáculo dessa pobre gente assassinada pelos seus amigos.
— Vá-se embora daqui! Não sei a que amigos se refere.
— Oh, sabe-o muito bem! Refiro-me ao senhor Terry Charles e à sua missão de provocar o pânico. Bem como à sua, menina Carlisle. Estamos convencidos de que não se deve ter advertido do seu alcance. Talvez que nem mesmo o senhor Houston. Vocês não conhecem o nosso povo. É possível que tenham imaginado que, perdidas algumas famílias, pediríamos o auxílio do senhor Houston, já que as nossas tropas estão longe de mais. Mas não será assim. Mesmo que matassem todos os habitantes da comarca menos um, esse sobrevivente não pediria auxílio aos ianques. Quero que você o saiba: não podemos destruir esses assassinos a soldo, não temos forças suficientes para tanto, mas não se produzirá o pânico que pretendem. Terão de carregar as vossas consciências com centenas de mortos, e não com duas dezenas. Compreende?
— Vá-se embora! Está a insultar-me! Ainda não o verificou?
— Vou deixá-la, menina. Mas não estou a insultá-la. Pelo contrário. Acreditamos que você não se tenha advertido ainda da realidade. Acreditamos que sentirá viva repugnância por este processo de fazer a guerra. Bons dias, menina Carlisle.
Sara correu de novo à varanda. Os carros já iam longe. Uma silenciosa multidão rodeava-os. Em frente do hotel estava Jorge Saltillo, apoiado a uma coluna, e que a olhava. Sara fechou a janela a toda a pressa.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

ARZ127. Os conspiradores do Texas


(Coleção Arizona, nº127)

 Sam Houston foi uma figura chave na história do Texas, tendo uma grande participação na independência desse estado do México. Após a independência, passou a ocupar diversos cargos no Texas, incluindo os cargos de Presidente da República do Texas, Senador e, também, Governador desse estado depois de sua união aos Estados Unidos, tendo a cidade americana de Houston recebido esse nome em sua homenagem.
A ação deste livro insere-se nesse processo complexo e sanguinário que foi a independência do Texas. Houston terá contratado uma jovem e bela mulher para se insinuar entre alguns comerciantes brancos residentes em Santo António no sentido de os aliciar para a causa. Em simultâneo, um conjunto de salteadores desencadearia um conjunto de ataques cujo objetivo era semear o pânico e pedir a própria intervenção das tropas de Houston dada a distância e impossibilidade de recurso às tropas mexicanas.
Acontece que a ação desses homens foi tão violenta que a mulher, Sara Carlisle, acabou por abandonar a causa o mesmo acontecendo a um dos homens de referência na cidade. Os homens eram, tal como denuncia o título da novela na origem «Los saqueadores», comportando-se mais de acordo com essa designação do que como «Conspiradores do Texas».
Esta novela de Cesar Torre é bastante interessante, tem a graça de fazer surgir um mascarado mexicano por quem a jovem se apaixona e que a segue e protege por todo o lado, mas no final perde-se em cavalgadas e tiroteio que a tornam um pouco menos conseguida.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

PAS711. Beijo de «Furacão»

Quem passasse pela rua principal de Mannpyn, poderia testemunhar que o candeeiro se manteve aceso no gabinete do xerife pela noite fora e se espreitasse pela janela veria Winston Orwell a falar voltado para Elizabeth O'Casey's, que ocupava uma das cadeiras, de costas para o assassino do pai, sentado a um canto do compartimento, visivelmente sem interesse cm tomar parte no diálogo.
Ninguém, no entanto, tinha conhecimento do assunto tratado naquela conferência à porta fechada.
Não se via vivalma na rua deserta, quando o xerife saiu do seu gabinete, precedido pela filha de O'Casey's e pelo forasteiro.
Elizabeth aparentava uma maior calma. Desprendeu as rédeas da sua montada e ajudada por Winston subiu para o cavalo.
Na sua retaguarda, o forasteiro fazia o mesmo na sua montada e, facto curioso, empunhava a arma com que ela desejara matá-lo.
Assim que Elizabeth se apercebeu que ele se dispunha a acompanhá-la, advertiu-o:
— Não preciso de companhia. Sei bem o caminho!
— Nunca gostei que minha irmã andasse sozinha de noite — retorquiu o cow-boy. — Não vou permitir que vá só e, quer queira, quer não, ver-se-á livre da minha detestável companhia apenas à entrada da sua propriedade.
Elizabeth olhou-o e compreendeu que a sua decisão era irremovível.
O xerife levantou a mão a despedir-se deles quando se afastaram, mas nem um nem outro corresponderam. As sombras da noite assenhorearam-se dos dois vultos e Winston Orwell retirou-se.
O «Furacão» seguia alguns metros atrás da jovem e não reparou nos dois vultos que, encobertos pela sombra dos edifícios à saída do povoado, pareciam espiá-1 os.
A distância entre Mannpyn e o rancho O'Casey's foi vencida em breve tempo, sem que qualquer dos dois proferisse uma palavra.
Elizabeth deixou a montada seguir no mesmo andamento, depois de atravessar o pórtico que assinalava o começo das suas terras, sem sequer se voltar para ver a reação do pistoleiro.
Bem contra a sua vontade, a voz deste obrigou-a a parar:
— Espere!
Pelo ruído dos cascos do cavalo, adivinhou que o cow-boy se aproximava dela.
— Esqueceu-se disto!
— Não aproveite agora esta oportunidade para me matar. Tirei-lhe todos os cartuchos...
A proximidade da jovem que, à luz difusa da noite parecia ainda mais bela, era perturbadora.
Num gesto instintivo, o «Furacão» agarrou-a pelos ombros e, puxando-a a si, colou os seus lábios nos dela.
Elizabeth libertou-se rapidamente e esporeando a montada afastou-se a galope veloz.
O cow-boy ficou só com a noite envolvente. Obrigou o solípede a descrever meia volta e retornou para MannPYn.