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quinta-feira, 10 de julho de 2014

PAS354. Nunca confies numa rapariga bonita despida

— Não continues! — atalhou Francis. — Se pretendes que me defronte com eles, deixa de sonhar. Não sou nenhuma criança, é...
— Mas portas-te como se o fosses — afirmou Boston, com ar desdenhoso. — Um homem procurava divertir-se como se divertiram ontem à noite os teus amigos.
— Que queres dizem? — perguntou o bandido, com voz rouca.
— O que te diriam Brenann e os outros, se não fosses mestiço. Mas vê-se que há coisas que reservam só para eles, e...
— A que te referes?
— Deita uma vista de olhos para o interior da cabana!
 Obrigando-o a continuar de costas e com os braços no ar, Lone Francis voltou a cabeça por um instante. O que viu deixou-o sem fala. Nem queria acreditar no que via. Era impossível que fosse real, não só a beleza esplendorosa da rapariga, mas que tivesse despido a blusa e o olhasse com aquele gesto de triste resignação.
— Admiras-te? — perguntou Carvett, adivinhando o que se passava na mente do outro. — Pois se os outros aproveitaram, tu...
O mestiço não o ouvia. Nos seus olhos brilhava o fogo de todas as paixões inconfessáveis. A rapariga era a mais bonita que contemplara em toda a sua vida. E, além disso, branca e pura! E tinha-a ali, ao alcance da mão, sem pensar em oferecer resistência!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

PAS353. O último recurso

— Por que não me deixas liquidar já este? — perguntou Francis, apontando para Boston.
— Cada coisa a seu tempo — replicou Brenann. — Serás tu quem o liquida, naturalmente. Mas quando trouxermos o outro. Voltaram a encerrar os prisioneiros na cabana. Doretta pôs-se a chorar, perdida a última das suas esperanças. O plano dos bandidos estava perfeimente claro. Matá-los a eles e assassinariam seu pai. Trigger os seus amigos dividiriam entre si os vinte mil dólares, e Willard Usher ficaria com o «Empire Ranch».
Como fera enjaulada, Boston passeava dum lado para o outro, enquanto o seu cérebro trabalhava num ritmo acelerado. Aparentemente não tinham salvação possível mas a realidade podia ser diferente das aparências. Não disse nada até ouvir afastarem-se Brenann e Lubell para irem ao encontro de Leonard. Por uma das frinchas viu Lote Francis, sozinho, com os revólveres na mão. Então aproximou-se da rapariga e falou-lhe ao ouvido, num leve sussurro:
— Ainda podemos escapar — Presta toda a atenção ao que vou dizer-te. Talvez te pareça indigno e vergonhoso. Mas é a nossa única possibilidade.
Exprimiu-se com rapidez, materialmente colado ao, ouvido da rapariga. Doretta estremeceu ao ouvi-lo, e todo o seu sangue pareceu subir-lhe às faces. Sem atrever-se a olhar para o seu companheiro de infortúnio, com os olhos cravados no chão, perguntou hesitante:
— Mas... tudo?
— Não respondeu Boston lentamente. — Espero que seja suficiente só a blusa. Eu não olharei. — prometeu solene. — Lone Francis, sim, esse verá... mas não poderá dizer a ninguém, o que chegou a contemplar um décimo de segundo!...
(Coleção Pólvora, nº 3)

PAS352. Sentimentos ofuscados por uma emboscada

A rapariga despertara em seu peito sentimentos até ali desconhecidos. Confusamente, pressentia que a seu lado poderia ser plenamente feliz. Mas quem era ele, um modesto «cow-boy», um homem sem fortuna nem outros méritos que o rígido conceito da honradez e a facilidade de manejar os revólveres, para aspirar à mão duma rica herdeira? E isto, na melhor das hipóteses; porque na pior — o caso de Leonard Mimms ser o companheiro de Sid Latham na noite do crime — teria de fazer justiça na pessoa de seu pai, o que abriria entre ambos um abismo intransponível.
Desejava que Mimms estivesse tão inocente como o desejava sua filha. Mas aquilo não passava duma remota esperança, pouco mais que o seu desejo.
Todos os indícios eram contra ele. Até a acusação que Lone Francis começava a formular e fora interrompida pela inoportuna chegada do xerife. O mestiço não chegou a dizer o seu nome, é certo; mas falou do dono de qualquer coisa, corno sendo o empresário do assassínio perpetrado por ele. De que seria dono aquele indivíduo, que tanto interesse tinha em desmascarar? Podia ser de alguma mina, estabelecimento ou rancho.
— E o rancho não pode ser outro senão o «Empire»... 
Chegava a tão desoladora conclusão, quando ouviu ao longe o tropel dum cavalo. Vinha do lado onde se erguia o imponente edifício dos Mimms, e era apenas um cavaleiro; embora estivesse ainda muito longe para o identificar, Carvett não teve a menor dúvida de quem se tratava. Doretta cumpria ao pé da letra a palavra dada!

terça-feira, 8 de julho de 2014

PAS351. Planos para uma emboscada

Já depois da meia-noite, quando Linda atuava pela última vez no palco, e o mestiço se consolara das amarguras da derrota e da prisão com repetidas libações, Trigger Brenann entrou no «saloon». A poeira que o cobria dos pés à cabeça indicava que cavalgara durante as últimas horas uns bons quilómetros. Mostrava claros indícios de cansaço no rosto, mas sorria satisfeito e contente.
—Desejava que falássemos a sós um minuto, Usher. Tenho algo de interesse para ti.
De má vontade, Willard dirigiu-se para o seu escritório, e o pistoleiro seguiu-o. Uma vez fechada a porta nas suas costas, Trigger não esteve com grandes rodeios.
— Quanto estás disposto a pagar pela vida de Boston Carvett? — perguntou. -- Quem te disse que eu tenho algum interesse pessoal em que esse criminoso pague duma vez as suas culpas? — replicou Wiillard, pondo-se automaticamente em guarda.
— Não é preciso que alguém me diga o que sei — afirmou Brenann, com segurança absoluta. — E não finjas comigo, Usher! Nem consegues enganar-me, nem convém tentá-lo.

PAS350. A infância dum assassino

— Francis quer fazer-me sua esposa. Podes avaliar o que isso representa para uma mulher como eu? Usher deu uma risada trocista. Com ironia referiu-se à ansiedade de regeneração que sentia quem, depois de ganhar a vida por qualquer procedimento, procurava a respeitabilidade que lhe faltava e o esquecimento do seu turbulento passado, no Jordão do matrimónio.
— Mas — acrescentou, mudando de tom, — eu não vou comprometer-me por um teu estúpido sentimentalismo.
— Enganas-te redondamente, Willard. Não o farás por mim, mas por ti. Também tu tens duas razões, decisivas para a tirar do perigo em que se encontra. Uma é que, se ele falasse, e fala com certeza se se via perdida, e eu confirmarei as suas palavras, saberiam que foste tu o indutor da morte do juiz. Agrada-te a perspetiva?
— Não — reconheceu Usher, que começava a compreender que não teria outro remédio senão ir em socorro do pistoleiro; depois, movido pela curiosidade, perguntou: — Qual é a outro motivo?
— A história é longa, complicada e à primeira vista incrível. Contém uma série longa de estranhos acasos. Todavia, é verdadeira e vale a pena contar-ta.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

PAS349. Uma chegada de xerife inoportuna

Lone vira morrer muitos, e rira-se, desdenhoso, das suas angústias e terrores. Até então considerara-se tão valente como o maior. Mas uma coisa era ter os revólveres na mão e ver cair os demais, e outra muito diferente era encontrar-se desarmado e esperar que os negros Canos que estavam apontados ao seu peito cuspissem a mensagem da morte. As pernas negavam-se a sustê-lo de pé como se fosse feito de farrapos, e urna mão• de ferro parecia apertar-lhe o pescoço, impedindo-o de respirar: Viu que o seu adversário ia pronunciar a palavra «cinco» e todo á seu aprumo caiu estrepitosamente.
— Não! Por Deus, não dispares! Falarei! Direi tudo o que quiseres...
— Mataste o velho Fasvcett? — perguntou Boston com os olhos fixos no mestiço.
Ainda aterrado, o primeiro impulso de Lone foi abanar a cabeça em sinal negativo. Conteve-se a tempo, receoso de receber urna bala. Não disse nada, talvez porque não conseguia falar. Mas levantou e baixou a cabeça num rotundo gesto de afirmação. Não quero gestos, mas confissões gritou Carvett mal-humorado e ameaçador. — Vais responder a outras perguntas, mas dizendo com clareza nomes e apelidos. Como se chama o que te pagou para assassinares o juiz de paz? Onde está e que interesse tinha no crime?

PAS348. Entalado pela própria filha

— Como soube o seu nome e que matara Sid Latham? — perguntou o xerife.
— Porque lho disse ele próprio — respondeu Mimms. — Parecia interessado em que se soubesse — acrescentou, contrariado. — Pelo menos que o soubesse eu.
— Porquê?
— Bem sei eu! — ripostou Leonard fora de si. — Não sou nenhum assassino, e não consigo perceber as suas reações.
A Pat pareceu-lhe estranha a resposta e excessivo o mau humor do seu interlocutor. Mas lembrou-se da sua recente conversa com Homer Croy e encontrou nela uma clara justificação. Prudentemente não quis insistir sobre aquele especto. Ouviu com atenção o que Mimms quis dizer-lhe sobre o encontro da rapariga com o forasteiro e no, final fez apenas uma pergunta: — Boston reconheceu ter matado também Aldo Fawcett?
— Não — antecipou-se Doretta a seu pai. — Negou-o redondamente, e tenho a certeza de que dizia a verdade.

domingo, 6 de julho de 2014

PAS347. A vingança dos humilhados

(Após ter assassinado o velho juiz Fawcett a mando de Willerd Usher) Lone Francis parecia abstraído na sua conversa com Linda. Encontrara na cantora muitos pontos de contacto com o seu próprio temperamento, e o prazer de encontrar uma mulher que compartilhasse as suas paixões e sentimentos fazia-o experimentar uma sensação desconhecido para ele até então.
— A minha vida não é limpa nem exemplar — dissera-lhe a rapariga na noite anterior, brilhando-lhe nos olhos um profundo ódio,— mas não é minha toda a culpa. Gostaria de ser muito diferente; por infelicidade, tive de ser o que me deixaram e me obrigaram a ser os que, desprezando-me pelo sangue que me corre nas veias, sentiam os mais torpes desejos ao contemplarem a minha beleza. Ofenderam-me e humilharam-me centena de vezes, cobrindo-me de lama e vergonha. Agora, que posso fazê-lo, pago-lhes na mesma moeda.
Lone Francis falou com idêntica sinceridade ao expor o seu caso. Nas linhas gerais eram iguais. Ambos foram desprezados e feridos; ambos feriam e desprezavam per sua vez. A única diferença eram as armas utilizadas: ela a sua beleza, ele os, seus revólveres.

PAS346. Corrida por um «cow-boy» em perigo

Doretta ouvia-o com um terrível desassossego. Como Boston lhe recomendara, fixou o rosto de seu pai quando lhe repetiu, ligeiramente alteradas, as suas palavras. Doía-lhe ter de o reconhecer, mas o forasteiro parecia ter razão. Não era possível que fossem certas as acusações contra o autor dos seus dias, mas tinha de pôr de lado a ideia de que nelas só havia a fantasia de um desequilibrado.
Que aconteceria se Mimms e os seus homens o surpreendessem em «Saguaro»? Não era difícil imaginá-lo. Carvett estava só e não dispunha senão dos seus revólveres. Nada poderia em frente de quatro homens armados de espingardas, a que depressa se juntariam outros tantos, pelo menos, conduzidos pelo xerife.
— Matá-lo-ão, e toda a culpa será minha.

sábado, 5 de julho de 2014

PAS345. Versão diferente para uma noite de terror

Ia alto o sol quando voltou a abrir os olhos. Notou que devia já ser meia manhã e apressou-se a abandonar aquele local. Tinha de voltar a Tucson para saber se o xerife conseguira descobrir o assassino de Fawcett. Antes ou depois tinha de se entrevistar com Mimms e era muito provável que a conversa terminasse com a morte de um, deles ou de ambos.
Foi ao riacho lavar-se um pouco. Acabava de o fazer e de vestir a camisa e apertar a cinturão, quando ouviu um ruído de passos nas suas costas. Voltou-se rápido, com as mãos fechadas sobre as coronhas dos revólveres. Uma voz feminina, que soava entre assombrada e colérica, chegou aos seus ouvidos, perguntando:
— Que faz aqui, forasteiro? Não viu o aviso, ou não quis vê-la?
Boston contemplou-a surpreendido e admirado. Tratava-se duma rapariga jovem, que possivelmente não teria ainda feito vinte anos. Era alta, esbelta, cabelo louro encaracolado, preso com simplicidade na nuca, olhos grandes o azuis, nariz ligeiramente arrebitado e urna boca pequena de lábios intensamente vermelhos, apertados num trejeito de enfado. Vestia calças e botas de montar, e uma blusa branca ligeiramente decotada.

PAS344. Recordação duma noite trágica


— E foi isso o que conseguiu à custa dum duplo crime -- disse para consigo.
Parado a uma centena de metros, sem se apear, ficou um bocado entregue às suas dolorosas reminiscências. Recordou o seu, despertar naquela noite trágica, quando o ruído duns tiros o arrancou do seu profundo sono e o medo, lógico e natural para os seus nove anos, o fez saltar por uma janela e ir esconder-se entre uns arbustos próximos. Oculto atrás deles, pôde ver sair os culpados e reconhecer Sid Latham.
Quando eles se afastaram e se atreveu a voltar a casa, encontrou o trágico espetáculo de seus pais estendidos no meio dum charco de sangue. A evocação humedeceu os seus olhos e fez-lhe crescer no peito uma onda de indignação. Fez um esforço para serenar e apeou-se. Deixando que o cavalo pastasse onde quisesse, avançou lentamente para a casa. Não havia dúvidas que estava abandonada há bastantes anos. Mas mesmo assim, junto à entrada, viu uma tabuleta com uma clara e expressa advertência. Leu-a duas vezes sentindo crescer a sua cólera. Dizia: «Proibido acampar aqui. O rancho e as terras são propriedade de Leonard Mimms.».
— Maldito ladrão! — exclamou, furioso.
Com um movimento arrancou a tabuleta, partiu-a aos bocados e espezinhou-a. O mesmo que fez à tabuleta fá-lo-ia a Mimms, logo que o tivesse na sua frente. Porque já não duvidava agora de que o companheiro de Latham, naquela noite, era ele e não outro.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

POL003. Assassino de Aluguer


(Coleção Pólvora, nº 3)


No mesmo dia, chegaram três indivíduos estranhos à cidade de Tucson. Um deles era um ex-presidiário condenado pelo juiz Fawcett a alguns anos de prisão quando todos diziam que merecia a forca. Outro, um mestiço, Lone Francis carregado de ódio pelos outros humanos e disponível para alugar a arma ao melhor preço. Finalmente, um jovem, antes criado pelo juiz Fawcett, cujos pais tinham sido assassinados numa noite trágica, imputando a responsabilidade a índios, mas ciente de que um dos que tinham cometido tal acto era Sid Latham, capataz do rancho Empire. As terras do pai deste jovem, Boston Carvett, acabaram por ser integradas naquela propriedade.
O juiz Fawcett conhecia alguns pormenores comprometedores da vida de Williard Usher, dono de um bar em Tucson, e este resolveu contratar um dos três chegados para o abater: Lois Francis. Ao mesmo tempo, Carvett desafiou Latham e abateu-o.
Tucson não era uma cidade pacífica mas tinha um xerife activo e honesto que imediatamente sentiu necessidade de atuar. Tratava-se de descobrir qual dos três forasteiros tinha sido responsável pela morte do juiz e apurar as condições da morte de Latham.
Para complicar a questão, Edward Goodman, autor deste interessante livro, provocou um encontro entre Carvett e a filha do dono do «Empire» o que lhes fez despertar sentimentos antes nunca experimentados e a belíssima jovem deu grande ajuda no esclarecimento do problema de Carvett.
Ao fim de alguns sequestros, ameaças, chantagens tudo se veio a resolver e Tucson ficou livre de um assinalável número de pessoas sinistras.

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