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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

PAS390. Nunca voltes a pronunciar esse nome!

Escurecia depressa. Charly chegou onde o aguardava «Alud», e de um salto colocou-se na sela.
— O que te disse, Jenny. Pergunta a teu avô. E em último caso, ao velho Row... Até outro dia, «Orgulho a cavalo»!
E com a sensação de que deixava o mote com uma flecha cravada no coração cheio de soberba daquela criatura, Charly partiu disparado, e encaminhou-se para o rio para o mesmo sitio onde um dia tinha atirado a espingarda dum desconhecido...
Quando um momento mais tarde, já completamente de noite, Jenny enfrentou o seu avô, este acolheu-a dando mostras de enfado:
— Que diabo tens nas mãos? Fazes que fale com esse repugnante Rodgers. Indicas-me que prolongue a conversa, sem comprometer nada, ate que tu apareças, e passa o tempo sem acudires. Pode saber-se o que pensas? O avô mudou em seguida a expressão ao ver a atitude em que permanecia a jovem.
— Que tens, Jenny ?
Os grandes olhos da rapariga pareceram ainda maiores, por se aproximar o momento de dizer:
— Avô, quem era Noska Ghadock?
Primeiro, James Keyes pareceu não ter ouvido. Depois, refletindo no seu rosto uma poderosa fúria procurou a saída, estendendo os braços e colhendo fortemente os ombros da rapariga, disse-lhe com incontida dureza:
— Nunca na tua vida voltes a mencionar esse nome!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

PAS389. O segredo da colina

Jenny sentia-se furiosa contra si mesma, vendo que não tinha tido o poder suficiente para fazer falar aquele homem. Estava convencida de que com um pouco menos de altivez, por um pouco que as tivesse esforçado por ser amável, Charly teria dito pela certa o que ia fazer no refúgio do velho Row.
Havia outro meio para retê-lo. Era mais perigoso, mas ia melhor com o seu carácter. Esse recurso era irritá-lo, feri-lo no mais profundo. Não lhe seria difícil. Apesar da serenidade que Charly tinha demonstrado, a jovem tinha-se dado conta de que picava-o em vivo.
— Falhou-lhe a manobra, senhor Garner. Sinto muito.
Quando Jenny disse isto, Charly já estava metendo o alazão pelo caminho cercado de rochas. Não se voltou sequer.
— Depois de tudo, talvez seja melhor — prosseguiu a rapariga, em tom de cómica compulsão. — O meu avô, se chega ao caso, também sabe castigar, talvez com mais dureza que os Rodgers.
Um rugido escapou-se da garganta de Charly. Jenny viu que tinha conseguido o seu propósito mais depressa do que esperava. Mas nesse momento arrependeu-se daquele triunfo. Foi ao ver voltar-se o homem.
O rosto de Charly tinha-se transformado. Louco de fúria, os seus olhos despediam centelhas. O seu peito permanecia ofegante, como se necessitasse de maior quantidade de ar para livrar-se duma ameaçadora asfixia.
— Sabes o que fizeste, boneca?
 Não lhe deu tempo a que ela respondesse. Quando a rapariga se deu conta, viu-se no ar, arrancada da sela por um dos poderosos braços de Charly.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

PAS388. A chicote e a murro

Antes que pudesse evitá-lo, aquele anel obrigou-o a andar de costas uns passos. Estrangulava-o. Com ambas as mãos quis tirar a argola, mas nesse momento o laço desapareceu. Ouviu-se outro barulho, e a estranha cobra enrolou-se-lhe nas pernas e derrubou-o.
Ao mesmo tempo que rolava no chão dava-se conta do que acontecia. No centro da ampla rua, um indivíduo de brilhantes polainas de couro e trajo de veludo azul, com uma fivela de prata, manejava um chicote. O seu rosto, intensamente moreno, mostrava uma dentadura branquíssima, um bigode negro, cuidadosamente tratado. Ouviram-se alguns risos. A Charly pareceu-lhe que era a dona dos cães que exclamava:
— Muito bem, Rodgers! Obrigado!...
O indivíduo vestido de veludo azul pareceu erguer-se mais na sua esbelta figura. De novo, com um sinal lânguido, cheio de segurança, levantou o chicote e descarregou-o sobre o corpo caído de Charly. Este parecia aturdido. Não obstante, observava atentamente, o seu agressor. Viu que não levava revólver, e não quis saber mais. Fazendo como se intentasse cobrir-se, curvou o corpo, adotando uma atitude quase grotesca. Os risos aumentaram. Uma vez mais caiu o chicote, confiado... E, subitamente, como impulsionado por uma mola, Garner saltou, apreendeu no ar aquela inquietante serpente, e puxou-a.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

PAS387. Um «cow-boy» que domava cães

Charly acabava de fazer um cigarro e acendeu-o. Foi ao levantar a cara para lançar uma nuvem de fumo, que reparou nos cães.
Na carruagem havia dois soberbos mastins cruzados de lobo. Ali estavam com o seu corpo macio e gordo, peito largo, e pelo comprido e macio, e umas patas magníficas. Tinham a boca entreaberta, um bocado de língua de fora, que estremecia, como uma bandeira flutuando. Os seus olhos húmidos, cheios de luz, olhavam um pouco adormecidos, ausentes.
Ali estava a armadilha do azar que Charly não soube ver. O Destino tinha jogado limpo. Tinha-lhe dado dois avisos. Sabia o que tinha acontecido ao «Patas». Não ignorava o que sucedeu a um tal Karker.
Também podia ser que o azar lhe tivesse dado o incentivo do perigo para que Charly se sentisse tentado a provar a sorte. Na realidade, ele conhecia demasiado os cães para saber como devia atuar. Mas o que Row lhe disse depois: «E aos seres de duas «patas», conhece-los bastante?»
Quando Garner se aproximou do «buggy», deteve-se, e sem vacilar, estendeu uma mão e aproximou-a da cabeça dum dos mastins. Alguém gritou detrás deles:
— Cuidado!
Mas Charly continuou avançando a mão, com segurança, enquanto murmurava:
— Olá, amigos! Belos! Belos!

domingo, 26 de outubro de 2014

PAS386. A campa duma mulher que amou os cães

Afastou os arbustos que cobriam a pedra e leu:

«Aqui descansa
NOSKA GHADOCK
Amou os cães
e aos homens, nem sequer os odiou»

Charly Garner, depois de ficar quieto uns momentos, pensativo olhando a inscrição, soltou os arbustos e estes voltaram a cobrir a pedra. Ao levantar-se, puxou o coldre que se tinha desviado para trás, pondo-o mais ao alcance da sua mão. Voltou-se com os olhos secos, a olhar o vale. Além, ao longe, os pastos verdejantes e amarelos. A planície parda, com o raio de prata de um rio... Por um momento, sentiu-se aturdido por uma avalanche de recordações que lhe caíam em cima. Encontrava--se no alto duma colina, donde se dominava uma imensa paisagem.
Voltou-se rápido para a pedra, e afastou de novo os arbustos. Mas agora fê-lo tão violentamente, que alguns troncos quebraram. As letras daquela inscrição estavam gravadas com bastante profundidade, e todas tinham um traço seguro.
 «As mãos do velho Row eram duras e seguras — pensou. — Talvez já não o sejam. Os anos passaram sobre ele».
Só havia uma inscrição muito débil. A última linha, situada quase na base da pedra. Era só um risco feito com a ponta dum machado.
«Ano mil oitocentos e oitenta e...»
Nem sequer estava terminada. Charly sabia porque faltava a última cifra. Olhou para a sua mão esquerda. Ainda se notava a cicatriz. Uma escapadela do machado fez com que a sua mão de menino derramasse bastante sangue sobre aquela inscrição. Vendo-o, o velho Row ficou pensativo; mas bastante preocupado. Ele, cuja atitude habitual parecia indiferente a tudo.
«Já o vês, Charly, até para gravar se necessita a vista limpa. Seca essas lágrimas. Vou ligar-te a mão.»
Instantes depois, empurrava a pedra, de forma que ficasse à cabeça donde estava enterrada Noska Ghadock, a mulher chegada da cidade com um cão tão enfraquecido como ela. Agora, sim, definitivamente soltou os arbustos. Alguns, partidos, não puderam voltar à sua posição vertical. Ficou outra vez olhando o vale, mas agora não tinha os olhos secos.
«Para ir com os lobos, é preciso que o olhar não esteja turvo, e o pulso tremente. Vale mais ficar-se em casa.»
Eram palavras do velho Row. O homem solitário, selvagem, que tinha voltado as costas aos homens para construir uma cabana num lugar afastado de toda a comunidade.

sábado, 25 de outubro de 2014

CLT023. A colina da morte


(Coleção Colt, nº 23)
 
 
Que segredo escondia aquela sepultura e qual a sua relação com a mais poderosa proprietária daquela terra?
Recém-chegado à terra natal, de onde se tinha ausentado alguns anos antes, Charly Garner deparou-se com uma jovem arrogante, proprietária de dois mastins que não hesitava em lançar às pessoas quando se sentia incomodada por estas.
Mas na vida da jovem havia algo no passado que a obrigou a reconsiderar a sua atitude e a alterar o comportamento. Isso foi o segredo que aquele local, pela voz de Charly, um dia lhe deu a conhecer. Eis uma novela com honras de primeira publicação na Coleção Bisonte e, alguns anos depois, na Coleção Colt. A sua qualidade é igual à de tantas outras, por isso, a esta distância não percebemos a razão, dada a proliferação de novelas da Bruguera e do senhor Rolcest por esta altura.
A capa, assinada por Bernal, é bem menos significativa que a da Bisonte, em clara sintonia com a novela. Aliás, a presente até é bem esquisita com os diferentes elementos numa escala que não parece a mais própria.
Vamos apresentar algumas passagens desta novela. Se preferir lê-la totalmente, eis uma versão para download