sábado, 12 de maio de 2018

BIS133.5 Dois jovens perdidos à mercÊ de meliantes

A rapariga abraçou Alfredo e soergueu-o, para apertá-lo ao peito, enquanto chamava:
— Alfredo, irmão! Responde-me, Alfredo... dize-me que não morreste... Ouves, Alfredo?
Ao notarem que, falto de direção, o carro se desviava, vários homens acorreram a tempo de verem Graça inclinada sobre o irmão. Nenhum chegou a dizer fosse o que fosse, pois Weiss ordenou-lhes:
— Não se metam nisto! O assunto diz-me respeito e resolvê-lo-ei a meu modo.
O novo chefe da caravana infundia respeito aos companheiros, e a prova foi que ninguém tentou responder--lhe nem, sequer, prestar ajuda a Graça, a qual se levantava nesse instante, com o irmão nos braços. De súbito, um dos homens apontou para longe:
— Que é aquilo?
— Fumo! Que me enforquem se não são sinais de fumo! — garantiu outro.
— Isso só pode significar que andam peles-vermelhas perto — gritou um terceiro, já seriamente alarmado.
Weiss saltou do carro, olhou na direção indicada pelos outros e decidiu sem perda de tempo:
— Adiante, adiante! Vamo-nos daqui, o sítio é mau para sermos atacados pelos índios.
Deu um passo em frente, mas um homem, talvez mais caritativo do que os outros, segurou-lhe num braço.
— Um momento, Jeffrey... E a pequena, que lhe fazemos?
Weiss soltou-se bruscamente, e replicou:
— A pequena? Que faça e que quiser! Bem vistas as coisas, se ficar aqui servirá de entretenimento aos selvagens enquanto nos afastamos. Não merece outra coisa, essa orgulhosa dos diabos!
Saltou para o cavalo e correu para o seu carro, a gritar:
— Mais depressa! Temos de atravessar ainda hoje a parte mais estreita do desfiladeiro! Enquanto não o fizermos estaremos a bem dizer nas mãos dos malditos índios.
A caravana, que havia alguns dias pisava o território de Wyoming, vislumbrara ao amanhecer os primeiros maciços das Montanhas Rochosas.
Se, como dizia o chefe da expedição, andassem depressa, antes da noite ultrapassariam a parte mais estreita de South Pass.
Entretanto Graça animara-se, ao sentir o coração de Alfredo bater. Com o garoto nos braços, correra para a parte da frente do carro e refrescara-lhe o rosto com água. Com alegria viu o irmão recuperar os sentidos. Alfredo abriu primeiro os olhos, assustado, olhou à sua volta e, como não visse o causador da sua» queda, sorriu à irmã.
Graça apertou-o ainda mais a si e rompeu num pranto sereno. O garoto conseguiu afastá-la um pouco e, enquanto lhe limpava as lágrimas, perguntou-lhe:
— Porque choras, Graça? Esse canalha já não está aqui? Se eu tivesse pensado melhor e pegado na carabina, com certeza que...
A rapariga acalmou-o com beijos e depois- dirigiu o olhar para o último carro da caravana, que ia já muito longe.
— São uns cobardes, Alfredo. Receiam que hajam índios pelas proximidades e abandonaram-nos.
— É melhor assim, mana. Quando o Franck voltar, verás como ele e eu te defenderemos de todas as tribos que nos atacarem!
Apesar da sua desdita, Graça ainda conseguiu sorrir--lhe com ar trocista. Alfredo corrigiu:
-- Bem, embora eu não faça nada, tenho a certeza de que o Franck, sozinho, chegará para todos. Franck é o guia mais valente que existe!
A rapariga teve de rir-se. Depois, ao verificar que Alfredo estava melhor e que tivera apenas um desmaio passageiro, decidiu seguir na pista dos outros carros em fuga.
Pensava em Bryce e temia por ele. Se a coluna de fumo que ela própria vira subir nos ares, atrás deles, era produzida por selvagens, o guia corria perigo, pois lembrava-se de que partira nessa direção.
 Fustigou os cavalos, para seguirem com a maior velocidade possível, a fim de não perderem de vista os carros que os precediam; apesar de saber que pouco podia esperar dos mórmones preferia ter uma sensação de companhia.
Infelizmente pouco percebia de conduzir um carroção por terreno pedregoso, como era aquele da proximidade das montanhas, e o seu, guiado pelas inexperientes mãos femininas, avançava lentamente. Além disso, os cavalos não tinham já o acicate de seguir os da frente, e isso era, na realidade, um dos motivos que os fazia andar.
Assim; uma hora depois de retomarem a marcha, os ocupantes do veículo tinham a sensação de serem os únicos viajantes das inóspitas paragens. Alfredo, como se até então o houvesse intimidado a proximidade dos mórmones, que nunca sequer o tinham acariciado, começou a mostrar-se mais jovial, mais de acordo com a sua idade; Ria, com uma alegria infantil que tentava comunicar à irmã, punha-se de pé no banco e gritava:
— Avante, irmãzinha, avante! Afinal não se veem peles--vermelhas!
Ela puxava-lhe pelas calças e obrigava-o a sentar-se outra vez a seu lado, mas passados poucos minutos o garoto levantava-se de novo e perscrutava a lonjura. Numa dessas ocasiões, a rapariga notou que a mão de Alfredo lhe pousava no ombro e lho comprimia. Levantou a cabeça e viu que o pequeno semicerrava os olhos, para ver melhor.
— Lá adiante, vejo qualquer coisa que se move —disse, desta vez muito sério.
Oprimida, Graça nem quis acreditar.
— Senta-te, por favor! Ainda acabarás por cair e...
Mas Alfredo não fez caso dos seus puxões nem das suas palavras, e continuou a observar.
— Espera... sim, é um homem a cavalo! É o Franck que volta! Viva!
A rapariga levantou-se também, a tempo de receber nos braços o irmão, que parecia atemorizado. — Que é isso, Alfredo? Que tens agora?
— Não é o Franck! São vários homens... e com certeza homens maus.
Graça viu então quatro cavaleiros que galopavam ao longe e, segundo parecia, na sua direção. Teve medo, quase tanto como o irmão.
— Porque hão-de ser maus, Alfredo? Quem sabe? Talvez até ganhemos com a companhia — disse, tentando acalmar os temores do pequeno.
No entanto, apesar das suas palavras, ela própria se sentia assustadíssima. De súbito, com um solavanco brusco, o carro pareceu prestes a tombar e ficou parado: os cavalos, sentindo abandonadas as rédeas que os conduziam, tinham metido por uma pequena vala e uma das rodas dianteiras enterrara-se na terra solta, imobilizando o carroção.
— Santo Deus, só nos faltava isto! — gemeu a rapariga.
Decidida, foi ao interior do carro e reapareceu a seguir de carabina em punho. Alfredo, tão valente pouco antes, não tentou sequer tirar-lha e agarrou-se à irmã, quase se confundindo com as pregas da sua saia.
— Que vais fazer, mana? — perguntou, a tremer. — Talvez não tenham más intenções...
Um minuto depois surgiu o primeiro cavaleiro no alto da vala por onde o carro metera.
As esperanças que Graça pudesse albergar acerca da moral dos que se aproximavam desvaneceram-se imediatamente: o homem tinha o rosto coberto de barba hirsuta e dois olhinhos quase completamente fechados, para poder observá-la melhor. A sua figura suja exalava ferocidade e malvadez. Sorriu, mostrando os dentes amarelos e irregulares, ao mesmo tempo que com um braço fazia sinal aos outros para que se aproximassem:
— Que sorte, amigos! Em vez de um mórmon barbudo, como temíamos, espera-nos uma linda pequena... Bons dias, menina, como está?
E, com um aperto das pernas, obrigou a montada a descer a encosta suave. Graça, no meio dos seus receios, estranhou o tom de voz do asqueroso personagem e pensou que devia tratar-se de um mexicano.
Atrás dele surgiram então três indivíduos de aspeto muito semelhante, chamando um deles a atenção da rapariga pois era tão gordo que quase parecia ir partir ao meio, de um momento para o outro, o cavalo que montava.
De carabina apontada, Graça, perguntou-lhes:
— Quem são? O que fazem por aqui? O que estava mais perto deteve bruscamente o cavalo, levantou as mãos acima da cabeça e respondeu:
— Oh, menina, perdão! Eu sou Gálvez e estes uns amigos meus; saímos para tomar um pouco de sol da pradaria...
Depois levou as mãos ao estômago e riu estridentemente, imitado pelos que o seguiam.
— Ignorava que o Governo tivesse nomeado polícias destes para identificar quem anda por aqui — troçou. — Bela polícia, sem dúvida!
Em seguida continuou a aproximar-se do carro, sem importar-se com a ameaça de que era alvo, tanto mais que a carabina já não apontava para ninguém e tinha o cano voltado para o chão, entre as mãos trémulas da jovem.
— Diabo, está também um miúdo com a pequena! — exclamou o mexicano ao deparar-se-lhe Alfredo, até então escondido atrás da irmã. — Que lhes parece? A este comemo-lo com batatas, não?
Graça sentiu o garoto tremer contra ela e exclamou:
— Muito engraçadinhos... e muito valentes! Deve ser divertido para uma quantidade de homens rirem-se de uma mulher indefesa e de um garoto!
Gálvez aproximara o cavalo da retaguarda do carro, por cujo interior passou uma vista de olhos, e gritou aos outros:
— Pois é verdade, rapazes, não se vê por aqui nenhum tipo!
E, como se apenas esperassem essa certeza para se aproximarem também, os outros desceram confiantemente o talude. O gordo dirigiu-se diretamente à rapariga e perguntou-lhe, muito severo:
— Que fazes por aqui, sozinha com o garoto?
— Sou Graça Knox... — respondeu, pensando que talvez fosse melhor contemporizar com os estranhos —e este é meu irmão. Seguíamos com a caravana dos mórmones, mas abandonaram-nos.
O gordo olhou um dos camaradas, a sorrir, e observou:
— Nunca pensei que o velho Josiah fosse tão miserável...
— Não foi Josiah, mas Weiss — explicou Graça. — O velho morreu ontem à noite e Weiss encarregou-se da chefia da caravana.
— Valente Jeffrey! — exclamou o mexicano, por detrás dela, pois encontrava-se já no interior do carro, certamente a inspecionar o seu conteúdo. — Sabe fazer as coisas e já se desembaraçou do velho.
O que interrogava Graça lançou um olhar de desagrado ao mexicano e prosseguiu com o interrogatório:
— Não compreendo... Porque os abandonou Weiss?
— Meu irmão desmaiara porque... Bem, vimos sinais de fumo, Weiss disse que deviam ser índios e mandou a caravana apressar-se, declarando que nós serviríamos para entreter os selvagens. Nós não somos mórmones, compreende, senhor?
Acariciando a barba, o homem parecia medir as palavras da pequena.
— Tem graça! — exclamou por fim, com uma gargalhada. — Eu, Kirby, sou tratado por «senhor» por esta franganita!
Mas não tardou a deixar de rir e a fitá-la ferozmente:
— Convém que saibas com quem lidas, pois não somos o que se chama uma instituição social, compreendes? Portanto, podes deixar esse tom melindroso e usar linguagem forte, porque gostamos mais. Se não são mórmones, que diabo faziam na caravana de Josiah?
Graça apercebia-se de que os outros homens saqueavam sistematicamente o carro, apressando-se o mexicano a atirar para os outros os pacotes de mantimentos. Apesar da ira que tal procedimento lhe causava, a rapariga respondeu:
— Josiah autorizou-nos a acompanhá-los até ao Lago Salgado, de onde continuaríamos sozinhos até Sacramento, que é o nosso verdadeiro destino.
O que a si mesmo se chamara Kirby estendeu a mão e apoderou-se da carabina que a rapariga segurava, comentando ao fim de alguns momentos:
— Uma rapariga e um miúdo... Para que queres isto se não soubeste utilizá-la? Talvez ainda te arrependas de não o teres feito...
— O Franck não tardará e matá-los-á a todos! —ameaçou o garoto, espreitando por detrás da irmã.
O gordo apeou-se do cavalo e perguntou a Graça:
— Queres descer, pequena, ou preferes que te ajude?
Graça apressou-se a descer, sempre com Alfredo agarrado às saias. Kirby agarrou o garoto por um braço e separou-o da irmã, com violência.
— Disseste Franck, não foi? — perguntou a Alfredo, que gritava e esperneava para fugir, e depois interpelou Graça: — Franck Bryce, é esse o nome completo?
A rapariga ia a negar, mas pensou que talvez fosse interessante ver como reagiriam aqueles indivíduos à invocação do guia. Tinham mostrado conhecer Josiah e Weiss, e Graça sentia curiosidade em saber que espécie de relações poderiam existir entre Bryce e os facínoras. Respondeu, por isso:
— Sim, Franck Bryce é nosso amigo.
Pareceu-lhe que a notícia não agradou ao homem, pois ouviu-o dizer aos outros:
— E esta, hem? O maldito guia é amigo destes... é capaz de surdir por aí, de um momento para o outro. Mas que azar!
— Que tem isso? — perguntou Gálvez, interrompendo a tarefa de abrir um caixote à patada. — Dá-se-lhe um tirinho e está tudo arrumado!
— Isso é o que tu julgas! Quem terá coragem de apresentar-se ao velho e dizer-lhe que...? Não, o melhor é safarmo-nos agora, antes que nos vejamos forçados a abater Bryce.
Graça estava estupefacta, pois nunca lhe passara pela cabeça que a simples menção do nome de Franck pudesse exercer tal efeito no quarteto.
Gostaria tanto de saber mais coisas acerca do rapaz, que quase lamentava que partissem assim tão depressa, como pareciam dispostos a fazer. Enganava-se, porém, ao pensar que os facínoras se iam embora com essa facilidade toda.
Kirby examinou com expressão enfadada o que os outros tinham tirado do carro, e disse:
— Ora, porcarias! Deitem-lhe fogo.
A palavra soou como uma martelada aos ouvidos da jovem. Avançou uns passos, rapidamente, e agarrou num braço do gigante, obrigando-o a voltar-se:
— Fogo? A que vão deitar fogo?
O homem observou-a com olhar trocista e não respondeu. Um cheiro inequívoco a petróleo fê-la correr para outro componente do grupo, o qual regava o carro com o conteúdo de uma lata que se encontrava entre a bagagem.
— Quieto! Que vão fazer, canalhas? Para trás!
Mas conseguiu apenas que o incendiário se livrasse dela com um empurrão que a fez cair. Alfredo atirou-se a chorar para cima da irmã e em breve uma onda de calor envolvia os dois.
A luz do dia tornou-se mais violenta, aumentada pelas labaredas que partiam do veículo, e uns braços robustos arrastaram a rapariga e o pequeno para mais longe, afastando-os da fogueira.
Os cavalos, até então imóveis e entretidos a mordiscar a erva a que podiam chegar, enlouqueceram. Com relinchos incessantes, empinaram-se e puxaram, desenfreadamente, até que por fim conseguiram partir a lança que os prendia ao carroção. E lá partiram os seis, numa corrida alucinante desigual, pois cada um pretendia seguir por direção diferente.
— Eh! Amigos, olhem para isto! Bem me parecia que estes anjinhos deviam levar alguma coisa boa! Que dizem? «Whisky», e do melhor! Com a sede que tenho!...
Gálvez, o mexicano, acabava de abrir a pontapé um dos caixotes e mostrava, alvoroçado uma garrafa aos amigos. Os homens precipitaram-se, com gritos de satisfação, e cada qual pegou na sua garrafa. O que achara o «tesouro» partiu o gargalo da sua com o cano do revólver e sentou-se no chão. Depois de saborear o primeiro golo, observou:
— Kirby, por favor não sejas desmancha-prazeres! Porque havemos de ir-nos embora tão depressa? Bem sabes que há uma semana seguimos esses tipos, sem um minuto de sossego... De qualquer modo ainda não chegou a altura de entrarmos em ação — uma ação que pouco trabalho nos dará, visto que o principal está feito...
Kirby, sentado também no chão, cuspiu um esguicho de «whisky», com o qual lavara a boca, e respondeu-lhe:
— Esqueces o Bryce? É capaz de aparecer de um momento para o outro e...
— E tu esqueces a garota... estarão cegos? Já repararam na quantidade de encantos da criatura?
Gálvez falava com os olhos fitos em Graça, a qual estremeceu ao ouvir as palavras que proferia a seu respeito. Da boca aberta de admiração escorria-lhe um fiozito de «whisky» e de saliva.
— Pois eu digo-vos que ficarei, pelo menos um bocado... Não merece menos a nossa linda menina!
— Está bem — concordou Kirby — descansaremos uma hora. Está-se bem aqui, a vala oferece boa sombra...
Quem quiser pode divertir-se com a rapariga; eu cedo a minha parte... Não é o meu tipo.
E, soerguendo-se um pouco para medi-la de alto a baixo, rematou depreciativamente, com um trejeito da boca:
— Demasiados ossos... Gosto delas mais cheiinhas.
O mexicano soltou uma gargalhada e perguntou-lhe:
— Que sabes tu destas coisas?
Graça abraçou-se mais ao irmão. Estavam caídos no chão, onde os haviam deixado depois de arrastá-los do carro em chamas. O mexicano levantou-se e disse:
— Vou ensinar-lhes como se lida com estas mulheres... Não julguem que a método é o mesmo que empregam com as índias e as piolhosas a que estão habituados... Delicadeza, amigos, é esse o segredo!
Afastou com um pontapé um fardo que lhe obstruía o caminho, passou e mão pela barba suja e fitou a rapariga com um olhar que pretendia tornar amável. Depois deu meia dúzia de passos, inclinou-se e pegou num braço de Alfredo.
— Tu, ranhoso, desanda; isto não são coisas para serem vistas por fedelhos.
Mas Graça levantou-se ao mesmo tempo que o irmão, uma Graça desconhecida, com os olhos fulgurantes de ódio. Deu um passo atrás e estendeu energicamente a mão armada com um revólver, com o qual ameaçou Gálvez:
— Larga o meu irmão! Larga-o ou mato-te! E se te atreves a pôr-me uma das tuas sujas mãos em cima...
— Ah! — exclamou o homem, ao mesmo tempo que empurrava o garoto para um lado. — Com que então a menina tem coragem, hem? Uma gatinha com as unhas escondidas... pois ainda me agradas mais assim, com os diabos! — E Gálvez avançou de mãos estendidas, com a inequívoca intenção de abraçar a rapariga.
Soou um tiro.
O mexicano fitava, cheio de estranheza, a rapariga que contra ele disparara, em legítima defesa. O chumbo atravessara-lhe o peito, como uma corrente de fogo. As mãos do homem caíram-lhe ao longo do corpo, as pernas dobraram-se-lhe e estatelou-se de cara para baixo, muito perto do lugar onde Graça se encontrava, mais surpreendida ainda do que ele.
Kirby, que bebia quando o tiro soou, engasgou-se. Olhou de lado, compreendeu o que ocorrera e levantou-se de um pulo, precipitando o corpo volumoso na direção da rapariga.
Graça viu-o aproximar-se, torceu a mão armada e voltou a carregar no gatilho. Com pouca sorte desta vez, pois, ao fim e ao cabo, era uma simples mulher nada habituada àquelas lides. A bala passou longe do alvo e o gordo desarmou-a com uma pancada na mão direita e um soco brutal nos queixos, que a atirou por terra.
 
 

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