quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PAS170. A hora de leitura do ferreiro Laplata

John Laplata, ao pé da janela, sentado  numa cadeira de braços, com uma perna sobre a outra, lia um livro. Estava em mangas de camisa, aberta pelo forte peito, e o seu perfil varonil recortava-se bem do sítio onde Casey estava a vê-lo. Não havia mais do que três metros de distância entre ele e Laplata, ainda que a grade da janela os separasse. Mas isso não era, evidentemente, obstáculo para uma bala.
Causey apontou-lhe o «Colt». Tudo estava porém a ser tão fácil que, por isoo mesmo, não o satisfazia. Matar um homem sem que este soubesse quem o matava e porquê não tinha interesse.
Observou que Laplata não estava armado; com certeza não usava armas, confiado nos seus tremendos punhos, na sua força física imponente.

PAS169. O delator

Causey suspirou, sem olhar para Morgan. Um calafrio percorreu-lhe a nuca e as costas. Aquele epíteto de Judas cravou-se-lhe como um punhal no coração. Já o xerife, ao entregar-lhe o dinheiro, o tinha feito com um desprezo que parecia equivaler a chamar-lhe Judas, e os seus ajudantes tinham-no olhado de igual modo.
Se Morgan nunca lhe tinha sido simpático, repentinamente, concebeu contra ele um ódio mortal que jamais se apagaria da sua mente. Não sabia se o seu companheiro estava suspeitando dele, se sabia já que denunciara Bouse (antigo companheiro e chefe da quadrilha), mas o medo de chegar a sabê-lo, sem lugar para dúvidas, fazia-o pensar no que podia ocorrer. Entre os meliantes, o delator, o confidente da Polícia era o ser mais execrável, o mais odiado que podia imaginar-se. Entre eles concebia-se o assassínio por ambição do mando sobre a quadrilha; a morte para disputar uma mulher, por fazer batota ao jogo, por um roubar a outro. Eram coisas normais e para todos havia uma desculpa: o ser um mais batoteiro, mais ambicioso e mais ladrão do que o outro. Mas jamais se perdoava ao que denunciava os outros companheiros de um bando e muito menos ainda se por isso cobrava dinheiro da Polícia.
(Coleção Arizona, nº 47)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

ARZ048. O vale amarelo


(Coleção Arizona, nº 48)
 
 
 

ARZ047. Alma Negra


(Coleção Arizona, nº 47)
 
 
Timothey Causey era um ser repugnante que nada tinha de bom nem de honrado. Para ganhar os dois mil dólares que ofereciam pela captura do seu antigo companheiro e chefe de quadrilha, não hesitou em denunciá-lo.
Mas a sua perdição teve origem na sua obsessão por uma bela rapariga, uma mulher honesta filha de um ferreiro que lhe deu uma lição quando se atreveu a assediá-la. Causey não gostou e, deixando desenvolver a sua obsessão, tentou matá-lo infrutiferamente.
Perseguido pelo valente xerife Everton, desprezado pelos antigos companheiros que desconfiavam do seu comportamento, empreendeu uma fuga para o México a partir de Las Cruces, mas, a dois passos daquele destino, a sua paixão por Lírio obrigou-o a voltar. Queria matar o xerife, o ferreiro e raptar a bela morena. Mas a sua alma negra encontrou aí o fim de tanta maldade.
A Coleção Arizona tem aqui um bom livro de O.C.Tavin que ilustra bem o seu tipo de edição neste momento. Muitas das obras publicadas na coleção eram sobre indivíduos à margem da lei que ou se regeneravam ou morriam com honra. Com Causey nada disso sucedeu. Apenas Lídia, uma bela loira a quem ele tinha aprisionado o filho, afirmou ao terminar a história:
«Era um criminoso, sem dúvida, mas eu sentia uma certa compaixão por ele. Que Deus lhe perdoe». A sorte que ela teve em Causey não ter concretizado os planos…