segunda-feira, 18 de abril de 2016

PAS618. O rapaz que tresandava a ovelha

Contexto da passagemAo chegarem a Burville, os dois amigos deparam-se com um rapaz a ser agredido violentamente por vários homens. Decidiram ajudá-lo e liquidaram alguns deles. O rapaz, Charlie, contrata-os para a sua equipa. Vamos encontra-los no rescaldo da luta…
 
 
 
— Por que não quiseram esses homens lutar a tiro contigo? Por que não quiseram matar-te?
— Foi por causa de meu pai — confessou o rapaz.
— Teu pai? Bravo tipo esse que, sem estar presente sequer, salva a vida do filho. Estará ele de acordo em que nos tenhas contratado por trezentos ao mês?
— Nem em acordo nem em desacordo. Está morto.
Nenhum dos dois amigos fez qualquer comentário. Charlie achava extraordinário que aqueles homens não perguntassem como um homem morto salvara a vida do filho.
— Não querem perguntar mais nada?
— Já chega. Como se chamava teu pai?
— Richard Logan, e eu Charlie Logan.
— Ajudar-te-emos, rapaz. Faremos por ti mais do que pode esperar-se por um tipo que nos paga uns dólares. Para quem trabalhavam esses homens, Charlie?
— Para um homem chamado Harold W.Masterson.
— Olha que bem — murmurou Mac Kenna.
— Conhecem-no?
— Não. Repito que te ajudaremos, Charlie.Com uma condição que depois te diremos. Quantas ove-lhas tens?
— Como sabem que tenho ovelhas? — Charlie empalideceu.
— Porque cheiras que tresandas — declarou Mac Kenna — Quem me diria que havia de trabalhar para um ovelheiro?
— Pode despedir-se, se quiser. Assim, poderei partir-lhe a cara! — respondeu o rapaz em tom agressivo.
— Ante essa perspetiva — declarou Mac Kenna, fingindo-se assustado — prefiro receber os trezentos dólares. Vamos?
— Será o melhor — retorquiu Slim, com voz rouca.
Charlie e Mac Kenna ficaram surpreendidos com o tom de Slim. Kenna voltou-se na direção que o amigo olhava.
Viu um carro que se aproximara, no qual vinham duas mulheres bonitas. Uma duns trinta e cinco anos, a outra de vinte, o máximo. Tudo nelas indicava riqueza, opulência, segurança.
Charlie também se voltou e corou intensamente, ao ver parar o carro junto dele. Cumprimentou:
— Bons dias, Nancy ... Como está, senhora Clinton?
— Olá, Charlie — correspondeu a jovem — Que te aconteceu? Encontraste mal?
— Oh, não! E que a noite passada alguém deitou veneno na água e mataram-me quase uma centena de ovelhas... Tinha a certeza de que Masterson fora o autor disso e vim procurá-lo. Pelo caminha disseram-me que viram a noite passada a cavalgar nas minhas pastagens Lam, Wilder e Morris. Quis bater-lhes, já que não vi o…
— Não parece que tiveste muita sorte — disse a senhora Clinton.
— Bom. Eles estão pior — retorquiu o rapaz.
— Mataste-os? — inquiriu a mulher, apontando para o grupo que cercava os cadáveres de Lam e Morris.
— Oh, não... Estes são Guy Mac Kenna e Slim Bronston. Foram eles que me ajudaram. Lam e Morris foram mortos por Bronston.
— O senhor Masterson vai aborrecer-se contigo, Charlie — disse a mulher que teimava em não olhar para os pistoleiros.
— Espero que seja ao ponto de vir procurar--me pessoalmente, senhora Clinton. Estou farto dos ganadeiros... e da senhora também. Se não estivesse louco pela sua filha
— És um desavergonhado, Charlie.
— Mas casarei com a Nancy, senhora Clinton.
— Veremos. Trabalham para ti estes dois homens? — perguntou Mara Clinton, olhando por fim os dois pistoleiros.
Mac Kenna olhava fixamente para Bronston, cujos olhos pareciam cravados na rapariga. Desta passaram para a mãe. Bronston e Mara Clinton fitaram-se com tanta indiferença, que Mac Kenna sentiu um calafrio.
— Sim, trabalham para mim — respondeu Charlie.
— Lamento-o por Harold W. Masterson. Adeus, Charlie.
— Senhora Clinton . , . Quando poderei ir a sua casa ...
— Quando não cheirares a ovelhas. Vamos embora, Nancy.

Sem comentários:

Enviar um comentário