Mostrar mensagens com a etiqueta CLT027. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CLT027. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 11 de novembro de 2014

PAS399. Beldade apaixonada por vagabundo

Tinha a certeza que um terrível perigo a ameaçava. E não era só o medo que a fazia aborrecer, mas também pensar que não voltaria a ver a figura de Jim, porque, talvez o jovem tivesse abandonado a cidade. Começou a andar em direção da loja, ao passar pelo poste sentiu um desejo instintivo de o acariciar.
Faltava pouco para chegar à loja, quando conteve um grito de alegria. Acabava de ver «Calamidade» Jim que vinha na sua direção, e parecia que não a tinha visto ainda, ou não prestava atenção à sua presença. Isto produziu-lhe uma grande contrariedade, fazendo morder os lábios de despeito.
A figura do jovem dava a impressão de ter sofrido uma grande transformação, não sabendo o que era, pois a única coisa a mais eram os revólveres que levava no cinto; o resto da sua indumentária era idêntica, não levando lenço ao pescoço, e a camisa desabotoada.
Sem dúvida, o seu rosto era diferente e já não tinha aquela expressão de indiferença, mas sim mostrava agora uma firmeza extraordinária. Sim, agora tinha a certeza de que Jim podia ser um excelente vaqueiro, sendo capaz de realizar todos os trabalhos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

PAS398. Uma utilidade para o vagabundo


O sheriff saiu ao seu encontro, sorrindo afável. Conhecia a jovem desde garota, e tinha-lhe uma grande amizade. Perguntou-lhe:
— A que devo a tua visita, Gladys?
— A uma nojenta questão.
— Suponho que não me vens participar outra notícia de roubo. Estes atuaram no rancho de Harry Radford.
— Não, nesta questão não fomos prejudicados. A nojenta questão refere-se precisamente a Harry Radford.
E explicou o que se tinha passado. O sheriff indignou--se perante a conduta do rancheiro, mas a jovem insistiu:
— Peço-lhe que não diga nada a meu pai. Radford é um mau inimigo, o papá enfurecia-se e não quero que se defronte com ele.
— Não te preocupes, pequena. Mas deves ter cuidado, pois, tu própria o disseste, Harry Radford é um mau inimigo. Nunca gostei desse homem apesar de se ter comportado até agora de forma impecável.
— Não se alarme, sei defender-me.
E deixou o revólver sobre a mesa. O sheriff examinou-o com um sarcástico sorriso e comentou:
— Radford não me explicou isto. Tenho curiosidade em ouvir a sua explicação.
— Aceite a sua recusa.
— Fá-lo-ei para te ser agradável, embora gostasse de lhe partir a cara pela sua maneira de proceder.

domingo, 9 de novembro de 2014

PAS397. No carro com o canalha


-- Assisti à tareia que ele deu em Pete Kinton. Pode explicar-me o que faz um homem tão perigoso em Los Hoyos ?
— Não o compreendo.
— É muito simples. «Calamidade» Jim é um verdadeiro diabo a lutar e, durante mais de um ano permaneceu no povoado bebendo sem cessar, e parece que sempre bêbedo. Não vê nada de suspeito?
— Não, só estranho. Mas conheci há muitos anos um tipo semelhante que tinha as mesmas características que «Calamidade» Jim e o seu afundamento moral devia-se a' um fracasso que teve. Estava convencido ter sido o causador da morte de vários homens. E esse pensamento jamais saía da sua mente, e atormentava-o sem cessar.
— Não creio que esse seja o caso de «Calamidade Jim— negou Radford desdenhoso. — Que sabemos da identidade do chefe dessa quadrilha de ladrões?
— Nada em absoluto. Deve ser um homem muito hábil.
— Sobre isso não pode haver a menor dúvida, pois que demonstrou conhecer a fundo a sua profissão. Mas isso dá lugar a suspeitar de «Caridade» Jim. Não pode existir maior oportunidade que fingir estar sempre bêbedo? Já ninguém se fixava nesse bêbedo, e isto dava-lhe uma série de oportunidades para inteirar-se do que se passava na região. Se permanecia alguns dias sem vir à cidade, ninguém suspeitava dele.

sábado, 8 de novembro de 2014

PAS396. Ascenção e queda do vagabundo


Durante dois dias Jim, «O Calamidade», andou pelo bosque. Agora não tinha necessidade de caçar, pois possuía carne suficiente para vários dias, mas aquele lugar acalmava-lhe os seus excitados nervos. Andar pelo bosque e tomar banho num pequeno riacho representava um sedativo para ele. Antes de regressar a Los Hoyos sentou-se numa pedra e acendeu um cigarro.
Relembrou o motivo que o fez beber sem cessar. Aquilo passou-se dois anos atrás, e sem dúvida para ele parecia muito mais tempo. Nunca poderia esquecê-lo, era como um castigo que caíra sobre ele, e não obstante estava inocente. Não pôde fazer nada para o evitar.
Encontrava-se então no Arizona, juntamente com o seu irmão Gene, trabalhando num rancho. Gene tinha três anos menos do que ele e considerava-o como um filho, tendo com ele toda a classe de cuidados.
Celebrava-se um rodeo, vencendo ele as provas de tiro e de domar, e o seu triunfo, brilhantemente conseguido foi acolhido com alvoroço pelos vaqueiros da sua equipa, conseguindo que este fosse superior aos outros ranchos. Os rapazes, loucos de entusiasmo, celebraram o acontecimento bebendo em grande quantidade.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PAS395. Encontro de vagabundo com beldade em dificuldades


Jim já se dirigia a uma taberna, quando se deteve e se apoiou a um poste, adotando uma das suas posições características. Acabava de ver chegar uma carruagem, e esta sobejamente conhecida, sendo talvez a única coisa porque mostrava interesse, embora tratasse de dissimular na perfeição.
A ligeira carruagem deteve-se e uma bela jovem saltou para o alpendre. O olhar de Jim, «O Calamidade», estava fixo nela. Talvez nem ele mesmo dava conta do seu interesse; fazia-o de forma instintiva. Franziu o sobrolho, ao ver como um homem alto e corpulento se aproximava dela.
Também Gladys Stone olhou preocupada a poderosa figura de Pete Kinton, o famoso pistoleiro que se aproximava dela, e isto nao lhe causava nenhuma alegria. Detestava aquele homem, pois sabia que nao vacilava em matar, abusando da sua habilidade com o Colt. Sempre disposto a provocar, fazendo alarde da sua potência física.
A jovem tratou de desviar-se para o lado, mas Pete Kinton colocou-se na sua frente, inclinou-se ligeiramente, enquanto levava a mão ao chapéu e dizia:
— Bons dias, menina Gladys.
— Bons dias.
Respondeu com azedume, como manifestando o seu desagrado pela inoportuna presença do pistoleiro diante dela. Kinton limitou-se a sorrir; já estava convencido de ter esta receção. Depois acrescentou:
— Menina, percorri muitos Estados, e posso garantir--lhe que em nenhum vi uma mulher tao bonita como você.
— É muito amável. Quer fazer o favor de deixar-me passar?

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

CLT027. Jim, "O calamidade"


(Coleção Colt, nº 27)

 
Jim, "O Calamidade" tinha caído no mais desprezível dos vícios. A sua forte constituição evitava que se convertesse num farrapo humano, embora ninguém duvidasse que isso não tardaria a acontecer.
Chegava à mais servil atitude a fim de conseguir um dólar para beber, embora nunca ninguém o visse pedir uma moeda. Realizava pequenos recados, pois jamais quis aceitar um emprego que os rancheiros dos arredores lhe tinham oferecido. Jim, "O Calamidade" vestia como um vulgar vaqueiro, embora no seu cinto não se visse arma alguma, coisa muito estranha naquelas regiões da fronteira...
As palavras anteriores são narrativa de Orland Garr centrada nesta figura que um dia haveria de se transformar completamente na presença de uma jovem bonita e de um pistoleiro sem escrúpulos.
É no entanto de salientar alguma facilidade do autor em fazer entrar e sair a personagem principal neste horrível vício. A história de Jim é a história dos seus encontros com Gladys e da sua progressiva regeneração.
A capa, de A. Bernal, mostra um dos aspectos da luta do ex-vagabundo para limpar a região de assassinos e ladrões.