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Paula gritou magoada pela pressão dele sobre o seu ombro direito. Os dedos de Tex fincavam-se na sua carne morena, prendendo-a contra o chão. Por fim ele ergueu-se, ofegante, e obrigou-a a levantar-se também, sem se preocupar com o seu lamentável aspeto.
- Vamos, fera… - rouquejou ele, com cólera. – Teve sorte em encontrar-me ferido, ou teria levado a maior tareia da sua vida…
~- Bruto! Selvagem!... gemeu ela, retorcendo-se sob a férrea pressão da mão dele. – Largue-me, assassino!
- Não sou um assassino. E repito-lhe que nada fiz contra vocês. Alguém, em Redlands, está apostado em culpar-me de tudo o que acontece. E consegue-o, ao que parece. Agora fale, criatura! Onde está o seu tio?
- Escondido, perto daqui… porque os assassinos podem voltar… Que vai fazer-lhe, a ele?
- Dar-lhe dentadas… Vamos, não seja estúpida e ajude-me… - sentiu que lhe fraquejavam as pernas e que, no decorrer da última hora, a febre tinha aumentado consideravelmente. Olhou para o braço ferido. Sangrava de novo, com abundância, decerto em consequência do esforço feito. Paula Higgins olhava a camisa ensanguentada, com um olhar inexpressivo. Tex acrescentou, em voz mais fraca: - Tem de chamar o seu tio… e tratar-me… tratar-me esta maldita ferida… ou não irei… muito longe…
- Não farei nada por si. Nada, a não ser entrega-lo à lei, Brady.
- Não cometa esse erro… Esconda o dinheiro… at+e que eu possa…
Cambaleava cada vez mais. Queria manter-se lúcido, mas a cabeça pesava-lhe, as fontes latejavam, parecendo arder, e um intenso arrepio, pertindo do ombro ferido, sacudia-lhe todo o corpo.
- Ajude-me até que eu possa devolv^-lo… e descobrir… os meus inimigos… Por… por favor… «miss» Hig… Hig…
Não pôde continuar. Subitamente a sua mão saltou do ombro nu da rapariga, a cabeça vergou-se-lhe para a frente. Todo o seu corpo oscilou e Tex Brady caiu inerte aos pés de Paula.
(Coleção Arizona, nº 56)
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