(Coleção Bisonte, nº 227)
terça-feira, 30 de junho de 2020
segunda-feira, 29 de junho de 2020
domingo, 28 de junho de 2020
sábado, 27 de junho de 2020
sexta-feira, 26 de junho de 2020
quinta-feira, 25 de junho de 2020
quarta-feira, 24 de junho de 2020
terça-feira, 23 de junho de 2020
BUF002. EPÍLOGO
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Mas ao encontrar-se só, notava-se, em si próprio, moralmente caído. A recordação de Georgina era a sua obcecação. Saber que continuava em Anglers inn, irritava-o; pensar que chegaria o dia em que se afastaria para sempre, causava-lhe angústias mortais.
— Enamorado dela... Eu enamorado dessa mulher!... — costumava repetir, desesperado umas vezes; cheio de infinita tristeza, outras.
Revoltava-se contra o Destino que o havia castigado de tão cruel maneira, mas, ao fim, acabava baixando a cabeça. Sim, queria-lhe, adorava-a; mas saberia consumir-se no fogo da sua paixão sem que se vissem as chamas. Nem por um momento aceitou a possibilidade de que aquele amor desse fruto: ela, era ela... e ele, era ele! Acima de tudo estavam a sua dignidade, o culto que devia aos seus maiores, o orgulho do sangue mestiço.
Uma tarde...
Regressava ao «Fortaleza» e no caminho encontrou Cindy, a mulher negra, mãe de duas mulatitas, a quem Denny se havia referido um dia ao falar com sua irmã.
— Deus o guarde, senhor Jerrigan.
Ele deteve o cavalo, sorrindo afetuoso.
— Olá, Cindy. Como vai a sua vida?
— É como vê, senhor, vou-me defendendo.
— Há muito tempo que a não via.
— Enquanto esteve doente, vim todos os dias. Quando se pôs melhor, como anda com falta de tempo... Bem sabe... aqueles diabinhos...
— Como se encontram?
— Bem. Bem, dentro do possível, claro.
— Irei visitá-las qualquer dia. Tenho vontade de brincar com Dorothy.
— Ela ficará muito contente. A pobrezinha, sem se poder mover nunca... Quando alguém a vai ver sente-se feliz. Agora, graças à menina Georgina, tem passado uma temporada feliz.
Buck julgou não ter ouvido bem. Pestanejou nervosamente e olhou fixamente a sua interlocutora:
— Que diz, Cindy?
— O que ouve, senhor Jerrigan. A menina Georgina visita-nos diariamente, leva-lhes brinquedos e doces e passa muito tempo com as pequenas. Gostamos muito dela. Mas... ficou muito sério; isto aborrece-o?
Buck tardou uns momentos a responder. Quando o fez, a sua voz era pouco firme:
— Não, porque me havia de aborrecer?... Simplesmente, me surpreendeu... Bem, Cindy, faz-se tarde. Um dia passarei pela sua cabana. Precisa de alguma coisa?
— Como posso eu precisar, se não deixam de me enviar coisas boas por sua ordem, — e a menina Georgina também se afana em nos ajudar!
Naquela noite, Jerrigan não conciliou o sono. As mais desencontradas ideias desfilaram pela sua mente.
Deixou passar dois dias. Ao terceiro, não podendo resistir mais, dirigiu-se à cabana da negra. Queria convencer-se de que aquela visita era como tantas outras; mas desde o mais fundo do seu ser, uma voz o acusava de mentiroso.
Desmontou, antes de chegar e, a pé foi-se aproximando. Através da janela descobriu Georgina sentada junto do leito de Dorothy, fabricando uma boneca de trapos e rindo juntamente com a enferma e a outra mulatita. Não muita longe, contemplando o grupo, feliz, Cindy costurava. Buck empurrou a porta. A rapariguinha sã correu para ele; Dorothy, na caminha, estendeu-lhe os braços.
— Olá, minhas queridas...
Beijou-as longamente. Cindy apressou-se a saudá-lo. Georgina havia-se levantado, retirando-se para um canto. Buck sentindo subitamente uma ânsia em fustigar a rapariga, voltou-se para ela:
— É curioso o seu comportamento, minha senhora! Não concebo que perca o seu precioso tempo descendo a entreter umas rapariguinhas mulatas.
Georgina avançou lentamente e, com voz segura, sustentando-lhe o olhar, replicou:
— Ainda não há muito comprovei, por tê-lo vertido eu própria, que o sangue dos mulatos é também vermelho e mais generoso, às vezes, que o de muitos que o não são.
— Ahn?
— Tanto assim, que estou apaixonada por um mulato... e sonha que ele me corresponda.
Jerrigan vibrou como a folha de uma árvore.
— Você...
Ela aproximou-se mais, colocou-lhe as mãos sobre o peito que havia perfurado com chumbo e foi subindo-as... subindo-as... Mas... Georgina...
— Quero-te, Buck; adoro-te, meu mulatito. Juntaram-se os lábios. Cindy e as meninas bateram palmas.
FIM
segunda-feira, 22 de junho de 2020
BUF002.10 Um mulato com sangue vermelho
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«Meu querido amigo Jerrigan: O facto que esperava deu-se ontem, ao apresentarem-se a receber esse cheque «seu» Temos de reconhecer que está perfeitamente falsificado. Atendendo às suas indicações foi satisfeito sem que a pessoa interessada notasse a mais leve vacilação pela nossa parte. Há dois empregados que atuaram como testemunhas, podendo, se assim o desejar, identificar quem recebeu o dinheiro. Com a satisfação de sempre, saúda-o o seu bom amigo,
W. H. Darton»
Buck tirou um papel da pasta que tinha na sua frente e no qual estavam anotadas várias quantias, juntou o cheque, escrevendo sobre ele a palavra «Falsificado», e mandou chamar Denny.
— Feche a porta — disse-lhe apenas o viu aparecer, empregando um tom amável que poucas vezes usava quando se dirigia a pessoas que não gozavam da sua amizade.
domingo, 21 de junho de 2020
BUF002.09 O matador mulato
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— Não está aqui.
— Onde se encontra?
— Não sei.
— Se mente, passará um mau bocado.
— Nunca menti, senhor Jerrigan. O patrão saiu esta manhã muito cedo, sem dizer onde ia e ainda não voltou.
Buck não duvidou das informações do seu interlocutor. Sabia conhecer na cara dos homens se diziam ou não a verdade.
— Está bem —admitiu —. Quando regressar, diga-lhe que o procuro para o matar; que esteja prevenido, porque onde quer que o encontre o tombarei.
O velho abriu grotescamente a boca e os olhos. Jerrigan, sem lhe dar importância, picou as esporas e afastou-se, seguindo o caminho que o conduziria ao rancho de Theodore.
sábado, 20 de junho de 2020
BUF002.08 Ladrões de gado e mortandade
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Nenhum incidente digno de menção se produziu durante duas semanas. As coisas seguiam o seu curso e quase por inércia já, desenrolavam-se como Jerrigan queria, em prejuízo de Georgina, Charles e Theodore.
Naquele lapso de tempo, Buck não se ocupou dos seus inimigos. Estava absorvido nos seus afazeres e, além disso, começava a cansar-se. Até os comentários em torno da aventura que custara a vida a Huberd depressa o aborreceram. Parecia que desejava encher o cérebro de novas ideias que expulsassem da sua mente as já existentes e, sobretudo, a recordação de Georgina.
O mulato desgostava-se ao observar que o seu ódio por essa criatura, sem haver decrescido, tomava novas e extravagantes formas. Henry Keyes observava-o com afeto e inquietação. Nunca havia visto o seu chefe tão preocupado.
— Porque não descansa um pouco, patrão? —perguntou-lhe certa tarde.
— Descansar?
— Trabalha excessivamente. Que necessidade tem disso? Esta madrugada saem os rapazes com as seiscentas cabeças de gado vendidas em Scottsdale; de Scottsdale a Phoenix é um passeio. Que lhe parece se os acompanhássemos e depois nos fossemos divertir um pouco à cidade?
sexta-feira, 19 de junho de 2020
BUF002.07 Encenação de morte
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Sobretudo desde que estava em Anglers inn e as vitórias de Jerrigan se iam tornando cada vez maiores, pensou que não poderia descansar até dar ao problema a única solução que tinha, em seu entender. Com essa finalidade, iniciou habilidosas tentativas.
Necessitava de encontrar a pessoa adequada que lhe servisse de instrumento. Havia-lhe ocorrido o mesmo plano que a Charles, em Phoenix: valer-se de um assassino profissional. E dedicava horas inteiras a deambular por Sugarloaf e Rio Verde, visitando os tugúrios e interessando-se, discretamente, pelas vidas s sujeitos de má catadura que descobria.
De entre todos, houve um que despertou a sua preferência. Chamava-se Leslie Mc Guffley, era de meia idade, alto, musculoso, forte; usava o revólver à maneira dos pistoleiros profissionais e a sua presença era acolhida sempre com demonstrações de temor.
quinta-feira, 18 de junho de 2020
BUF002.06 Para um cow-boy antes o desemprego que trair um colega
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— Parece mentira! Sempre me recebes da mesma maneira: gestos ferozes, palavras desagradáveis!
—Nem por isso deixas de me vir ver.
— Porque quero e necessito convencer-te da minha nobreza e colaboração. Apesar das minhas ameaças, és minha irmã e devo pagar o mal com o bem, esquecendo-me da tua ingratidão. Repeliste-me, deixando-me na indigência e, como reagi? Metendo-me na boca do lobo para defender os teus interesses. Não sabes a coragem que é necessária numa ação como a minha. Jerrigan é um energúmeno. A sua personalidade é tão forte que detém os mais ousados. Como maneja os punhos e o revólver! Que altivez a sua, que coragem!
— Suponho que não irás fazer o panegírico desse homem na minha presença.
— Pretendo só que aprecies o que significa o meu sacrifício. Todo o rancho «Fortaleza» é hostil para os brancos. Os mulatos, em troca, são felizes. Eles compõem inteiramente o pessoal. Começando por Henry Keyes e acabando no último «cowboy», não há um único que não tenha sangue misturado nas suas veias. E... como respeitam e veneram o seu chefe! Com gosto se deixariam matar por ele. Buck considera-os como seus irmãos mais novos. Quando se trata de beneficiar qualquer dos seus, parece outro homem. Eu já o vi, apesar de todo o seu poderio, ir à cabana de uma negra chamada Cindy, que ele protege, e brincar com um garotinho e com as mulatinhas filhas desta, uma das quais está meio paralítica. Fora desses momentos débeis, não há por onde o agarrar. No entanto, consegui ganhar a sua estima e confiança, podendo facilitar-vos, graças a isso, notícias de interesse. A culpa não é minha se não têm sabido utilizar acertadamente as informações que tenho dado.
quarta-feira, 17 de junho de 2020
BUF002.05 Um homem cede
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Buck recostou-se no sofá e olhou sorridente para o seu subordinado.
— Ou muito me engano ou começam já a render-se.
— E têm bons motivos.
Henry tinha a certeza disso. Havia motivos para que os rancheiros, a quem o mulato havia declarado luta, se encontrassem próximo do desespero. Todos eles, incluindo Georgina, haviam seguido para as suas respetivas propriedades com ânimo de afrontarem abertamente a questão e não se deixarem vencer; mas não conseguiram acertar. Tudo quanto tentavam lhes saía mal.
Os seus maiores fracassos consistiram nas manobras encaminhadas em prejudicar Buck, o qual continuava a rir manejando os fios da sua teia e fazendo com que os dardos com que o queriam atingir se voltassem contra os seus inimigos.
— Sim, têm motivos — admitiu Jerrigan Estou-me divertindo muito.
Ainda não havia dois meses que lhes declarara guerra em Phoenix e já se podia apreciar como todos e cada um permaneciam numa crispação de nervos esgotantes.
— Também eu.
— Acredito. Manda entrar o visitante.
terça-feira, 16 de junho de 2020
BUF002.04 Atentado falhado
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— Basta, Georgina. Magoas-me com esses gracejos. Reconheço que a minha atitude na frente de Jerrigan me colocou em ridículo se se comparar com o resultado: mas o fator surpresa jogou uma boa vaza no assunto. Não esperava um soco tão veloz e contundente.
Ela riu.
— Supunhas que depois do teu insulto te renderia homenagem?
— Não, mas tampouco que atuasse como o fez. Enfim, a coisa não tem arranjo. Socou-me de uma maneira fulminante, completando o efeito ao atirar-me pela janela. Grande proeza! Qualquer no meu lugar se sentiria pouco menos que desonrado para sempre. Eu, não. Eu, não... porque o jogo pode dizer-se que acaba de principiar, e tenho o propósito de que a cartada de hoje marque poucos pontos.
— Vais desafiá-lo?
— Reservo-me sobre o que penso fazer. Digo--te, unicamente, que Jerrigan não estará muito tempo celebrando a sua «heroicidade» de hoje.
A firmeza de que Jory fazia gala agradou à moça, induzindo-a a modificar a sua atitude, mostrando-se carinhosa:
— Anda com cuidado, Charles. Ernest Ryan acertou: esse mulato é muito perigoso.
— Rio-me dele. Adeus, Georgina.
segunda-feira, 15 de junho de 2020
BUF002.03 Candidato a bufo
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—O senhor Mallard deseja falar-lhe, senhor Jerrigan.
—Mallard, disse?
— Denny Mallard.
Buck trocou um olhar com Henry Reyes e autorizou:
— Mande-o entrar.
O criado saiu, e Reynes, levantando-se, disse:
— Com sua licença vou ao encontro do visitante para o guiar até aqui.
Buck sorriu, assentindo. Compreendia perfeitamente as intenções do seu subordinado, o qual abandonou a habitação, atravessou um pequeno gabinete e deteve-se na espécie de antessala alugada também pelo seu chefe naquele hotel de Phoenix. Denny, precedendo o criado, deteve-se à porta, indeciso.
— Procuro o senhor Jerrigan...
— Entre se faz favor — dirigiu-se ao criado. —Pode retirar-se.
Ficaram sós e o gigante acrescentou:
— Chamo-me Henry Keyes, para o servir, e terei muito gosto em o conduzir até onde está o meu chefe: mas antes deixará aqui todas as armas que traz consigo.
Denny fez um gesto de surpresa.
— Não compreendo...
domingo, 14 de junho de 2020
BUF002.02 Uma lição de negócio aos criadores de gado
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Eram cinco os reunidos. Todos tinham propriedades na comarca de Anglers inn, se bem que nenhum se tivesse ocupado até então em atendê-las diretamente. Residiam ali, em Phoenix, ocupados em diversos negócios e disfrutando uma vida bastante menos dura que a dos ganadeiros em toda a extensão da palavra.
Por vezes faziam visitas aos respetivos ranchos e davam instruções, voltando depressa às suas ocupações na cidade. Mas isso, que tão cómodo lhes havia sido em tempos passados, estava-se-lhes tornando impossível de sustentar.
Os assuntos do gado estavam sofrendo uma grande crise, sendo o culpado disso um tal Buck Jerrigan, instalado na comarca há questão de uns dois anos, o máximo, o qual sustentava uma concorrência ruinosa, tanto pelos seus conhecimentos na matéria como pelas suas maneiras de se desenvolver.
De início, Theodore Levinson e os seus amigos fizeram pouco caso dos toques de alerta dos seus capatazes; mas pouco a pouco, em virtude de a situação ir tomando caracter alarmante, dirigiram os seus olhares para aqueles extremos, começando a padecer dos primeiros sintomas de inquietação,
sábado, 13 de junho de 2020
BUF002.01 Uma mulher soberba
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— Não voltes a entrar dessa maneira onde eu estiver.
— Georgina!
— Se o voltas a fazer ordenarei que te ponham fora.
— Serias capaz?!
— Não o duvides. Domina os teus nervos, esses nervos que só se descontrolam para falar comigo: adota uma atitude correta e dize o que aqui te traz.
— Ainda me perguntas com essa tranquilidade! Venho do notário, que me chamou para me comunicar que me retiraste todos os meus poderes.
— Avisei-te de que o faria.
— Como outras tantas vezes; mas pensei que se tratava de uma nova ameaça.
— Já viste que não.
— Mas... sabes a transcendência que tem essa tua atitude?
— Sim. E não grites. Ouço muito bem. Foi a medida mais suave que pude tomar. A fazer aquilo que mereces, estarias na prisão.
— Rapariga! Georgina ergueu-se lenta, majestosamente, mostrando em todo o seu esplendor a maravilha da sua figura escultural. Os seus olhos negros brilhavam como se estivessem iluminados por fogueiras interiores.
— És um miserável! — disse, mordendo as palavras —. Um ladrão!
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Reencontro com «A vingança do multao»
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Apesar de tudo, essa personagem é aqui apresentada como alguém de sucesso a quem todos os outros têm de se vergar e que, por isso, vai alimentando um ódio significativo à sua pessoa que acabou por se traduzir em roubos e tentativas de assassínio.
Entre os rancheiros que detestam o mulato está uma mulher de elevada soberba e riqueza. Apesar de tudo, essa mulher é honesta.
Com o desenrolar da novela, o mulato acaba por se livrar de todos os que na região estorvavam o seu crescimento e acabou por conquistar a bela rapariga entretanto tornada uma pessoa humilde.
Esta novela parece-nos ter uma construção ainda muito primitiva longe dos pergaminhos que esta coleção viria a conseguir em publicações seguintes…
quinta-feira, 11 de junho de 2020
quarta-feira, 10 de junho de 2020
terça-feira, 9 de junho de 2020
segunda-feira, 8 de junho de 2020
domingo, 7 de junho de 2020
sábado, 6 de junho de 2020
sexta-feira, 5 de junho de 2020
quinta-feira, 4 de junho de 2020
quarta-feira, 3 de junho de 2020
segunda-feira, 1 de junho de 2020
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