quarta-feira, 13 de abril de 2016

CWB066. Tombstone, ciadade sangrenta

 
(Coleção Cow-boy, nº 66)

Este livro é um resumo de «Missão Perigosa», assinado por Cliff Bradley e publicado na Coleção Bisonte, nº 30. Nessa altura dissemos:

O marido de Louise, um engenheiro que acompanhava a exploração de minas de prata, apareceu morto o que foi atribuído a suicídio. A viúva escreveu ao seu amigo Dan Casey, com o qual tinha estado envolvida em tempos, pedindo-lhe que viesse a Tombstone para esclarecer o caso.
Casey partiu para apoiar a sua antiga companheira, escapou a um atentado na viagem e encontrou velhos rivais que não andavam pelos melhores caminhos. O desenvolvimento da novela conduz a uma trama esquisita em que aquela que pediu ajuda acaba por se ver envolvida em assassinato.
Contrariamente a muitos outros que atingem a excelência, este livro de Cliff Bradley é maçudo e excessivamente grande. Por várias vezes desisti de o ler e só a obrigação de o trazer ao Passagens me fez chegar ao fim.
 
 
Passagens selecionadas:
 





PAS101. Caída sobre o pó da cidade

A verdade é que o resumo não melhora em relação ao original. A substancial redução que levou à transformação de 145 páginas em 62 nada trouxe de bom e «Tombstone, cidade sangrenta» continua um livro pouco agradável. Acontece que as partes cortadas foram aquelas que, do ponto de vista literário, maior agradabilidade conferiam ao livro. Por exemplo, a passagem 101 não se consegue reconhecer no texto resumido. O estilo do autor está completamente descaraterizado.

terça-feira, 12 de abril de 2016

PAS617. Como podem ser diferentes os encontros à beira do rio

— Quem anda ai? — perguntou Agnes.
— Eu... — disse Alan, saindo dentre o arvoredo — Esperava o meu irmão, não é verdade?
— Que lhe importa? Seu irmão é maior. Não precisa de ama!
— Cale-se! Não consentirei que seja insolente comigo. Meu irmão não virá, porque o encarreguei dum trabalho longe daqui. Sou eu que quero falar consigo, percebe? Quero que deixe de falar com meu irmão. Você não passa de uma gata selvagem, digna filha desse velho canalha que é seu pai. Pediram para passar com esses ascorosos animais pelo Triangulo da índia Morta, e há mais de três semanas que ai estão a esgotar os terrenos. E agora seria estupendo, além de dispor das terras pescar um dos filhos do velho cego McFaden, nao é verdade?
A palidez da jovem transformou-se num intenso rubor. Ergueu a mão para desferir uma bofetada, mas Alan segurou-lhe o braço no ar.
— Não baterei numa mulher, mas também não consinto que uma gata me arranhe. Já sabe: procure não falar mais com o meu irmão.
Deu meia volta desapareceu entre o arvoredo.
— Maldito, maldito sejas! — gritou a jovem -- Juro que o pagarás!
Agnes chorou com desespero durante longo tempo. Quando se pôs em pé enxugou as lágrimas com um lenço e retomou o caminho do Triangulo da Índia Morta.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

PAS616. Encontro à beira do rio

Brewster McFaden deteve o cavalo e desmontou, sentando-se à sombra das tílias e salgueiros à beira do rio. A bebedeira da véspera, porque não estava habituado a beber muito, deixara-o flácido e com um mau sabor na boca. Além disso, Alan fora muito duro ao falar-lhe naquela manhã. Ameaçara-o de contar ao pai. E para este o pior do mundo era cair nalgum vício.
Mas porque não o deixavam viver como ele queria, continuar a estudar, engenharia, por exemplo? Ele não queria ser um rancheiro, como Alan. Entender-se-ia com o pai, pensou. Alan e Kathleen que dividissem as terras entre si, que ele contentava-se com um subsídio até terminar o curso. Diria isso mesmo ao pai...
Naquele momento ouviu cantar uma mulher. O rio ficava a uns trinta metros de onde ele estava. Espreitou por entre os arbustos. Não havia dúvidas. Era uma mulher que se preparava para tomar banho.
Brewster ficou surpreendido. Não conseguia compreender quem ela fosse. Estava muito longe para ser do rancho. Além disso, esta tinha o cabelo preto, e não havia nenhuma morena entre as escocesas. A rapariga deu um grito ao meter-se na água. Brewster pensou afastar-se, mas a curiosidade foi mais forte.
— Está fria a água? — perguntou donde estava.
Um grito foi a resposta. Pouco depois, envolta numa manta índia, apareceu a rapariga junto dele.
— Que faz você aqui? — perguntou ela, furiosa.
— Estou na minha propriedade — respondeu Brewster, rindo — Eu é que pergunto porque se banha num rio que não lhe pertence. Pediu licença? Mas não se preocupe. Vista-se e diga-me depois o que faz aqui, pois nao pertence ao rancho dos McFaden, com certeza.
— Não sairá daqui enquanto me vou vestir? Previno-o de que dispararei um tiro contra si, se fizer o contrário.
— Não será preciso. Garanto-lhe que não sairei daqui.
Pouco depois reapareceu a jovem, vestindo uma saia curta de anta, uma blusa branca e um lenço vermelho ao pescoço. Era muito morena, e tinha olhos verdes, bonitos. Trazia um cinto-cartucheira, um chicote e uma espingarda.
— Parece uma índia — disse Brewster.
— Não sou, nem pertenço ao rancho — respondeu a jovem, prontamente. — Agora tenho de me ir embora.
Naquele momento apareceram dois cães enormes, e Brewster lembrou-se... os cães... o que lhe dissera o irmão sobre uma mulher, quando o tiraram do bar...
— Você pertence aos ovelheiros, não é verdade?
— Sim, e então? Temos licença para passar por aqui.
— Nao nego que tenha autorização vara passar com os rebanhos, mas este lugar não é de passagem. Além disso, não me disse ainda que faz aqui.
— Venho todos os dias tomar banho. Mas de futuro já não o poderei fazer, porque o sabe mais gente.
— Todos os dias? Mas... Há quanto tempo estão nesta propriedade?
— Quinze dias.
Quinze dias, pensou o jovem, são suficientes para um bom rebanho devastar grandes extensões de terreno. Perguntou a si mesmo que pensariam Alan, George e Merrick de tudo aquilo. Mas, de momento, interessavam-lhe mais aqueles olhos verdes.
— Dou-lhe a minha palavra de que não estava aqui de propósito. Quando era pequeno vinha aqui tomar banho. Mas hoje não vim por isso, e apenas para estar só. Pode vir as vezes que quiser, " miss "...
— Smedley. Chamo-me Agnes Smedley, e sou filha do velho Smedley, o ovelheiro mais rico do Arizona. Neste momento levamos cinco mil cabeças para os matadouros de Tucson. E temos muitas mais... Gostaria de ver os cordeirinhos? Parecem novelos de lã — disse embevecida, com um suave e lindo sorriso — E você quem é?
— Sou... bom, um vaqueiro qualquer.
— Não fala como um vaqueiro. Bom, tenho de ir-me embora. Vamos, Rex", vamos *Tigre"!
— Espere aí. Sabe que pode vir tomar banho quando quiser. Garanto-lhe que... que chegarei depois. Não se esqueça de que tem de mostrar-me um cordeirinho. Quantos dias estarão ainda aqui?
— Não sei. Meu pai e meu irmão é que sabem. Adeus...
— Até amanhã? Estarei por aqui às onze.
A jovem encolheu os ombros e desapareceu entre o arvoredo. Os cães seguiram-na. Brewster voltou a sentar-se, mas agora sem aquela sensação de desespero de há pouco. Pensava nos olhos verdes da jovem e na sua infantil forma de se exprimir, em contraste com o seu feroz armamento. Seria a mesma que saltou como uma gata sobre as costas de Alan? Deu uma gargalhada e pôs-se em pé, para voltar ao rancho.

domingo, 10 de abril de 2016

CWB053. Valentia Escocesa

 
(Coleção Cow-boy, nº 53)
 
Este é um texto resumido de «Ovelhas da Morte», publicado na Coleção Arizona e já referido neste blog. Nessa altura, dissemos:
Nesta novela, Frank Mc Fair trata o velho conflito entre vaqueiros e ovelheiros. Desta vez, tudo se passa junto ao rancho do velho Mc Fadden, um escocês temente a Deus, cumpridor da sua palavra e fácil de ser levado em acordos. Tão fácil que permitiu aos ovelheiros, perante os olhos reprovadores da sua equipa, passar pelas suas terras.
A boa vontade do velho foi explorada pelo mais rico criador de ovelhas do Arizona e não fosse a ação do seu filho, Allain, e os seus pastos ficariam destruídos. O conflito desenvolve-se então numa verdadeira guerra entre vaqueiros e ovelheiros que terminou numa mortandade.
A novela tem ainda lugar para o desenrolar de um romance entre o filho de Mc Fadden e a bonita filha do ovelheiro Smedley tudo terminando com a integração desta naquela família.
Enfim, um livro interessante, sem passagens significativas selecionáveis, apesar de bem escrito e estruturado especialmente no início.
A verdade é que o livro não perdeu muito com o resumo e foi-nos possível selecionar duas passagens para aqui apresentar. Uma retrata o encontro da bela Agnes com um dos filhos de McFadden no lago que a este pertencia, a outra um novo encontro da jovem. embora por motivos mais graves. Para os que o pretenderem, aqui fica «Valentia Escocesa».
 

sábado, 9 de abril de 2016

PAS615. Segredo de mulher

Já era noite quando chegou às cercanias da granja de Ethel Conway. Da orla do bosque viu que havia luz na janela e portanto Ethel estava em casa. Permaneceu uns instantes hesitando antes de atravessar a clareira. Ia a fazê-lo quando um cavalo relinchou perto dele.
Alan retrocedeu uns passos. Não havia dúvida que na casa de Ethel estava alguém. E o seu cavalo, ao sentir a presença do que Alan montava, tinha revelado isso perfeitamente.
Escondeu-se para poder observar.
De repente a porta abriu-se e uma figura recortou-se no umbral. Olhou para os lados onde tinha deixado o seu cavalo. Montou rapidamente e afastou-se n um galope desenfreado .
Mas aqueles breves segundos tinham sido suficiente para que Skenton pudesse identificar o desconhecido
Easy Long era quem acabava de abandonar a ca de Ethell!
A descoberta deixara-o atónito. Que fazia Long ali e porque tinha fugido tão precipitadamente?
A sua cabeça dava voltas para ver se era capaz compreender o que tinha acontecido. Esperou uns momentos para ver se Long regressaria.
A porta continuava entreaberta, e por isso podia ver Ethel apoiada nela chorando desconsoladamente.
— Ethel! — chamou Alan, suavemente, temendo sobressaltá-la.
A jovem levantou a cabeça, e olhou Skenton, como se ante ela tivesse aparecido um fantasma. Tinha o rosto congestionado e as lágrimas fluíam-lhe abundantemente dós olhos. `
Ao ver o jovem endireitou-se e tentou apagar os vestígios do seu desconsolo.
— Alan! — balbuciou, surpreendida, levando uma mão à garganta.
— Quem era o homem que acaba de sair daqui?
Ethel não respondeu. Continuava olhando para o jovem e nos seus olhos refletia-se ainda o temor de algo que enchia a sua alma.
— Não é preciso que o digas — continuou Skenton, avançando para ela. — Reconheci-o quando saía. Era Long, o homem que encontrei nas montanhas. O que é que fazia aqui?
— Veio... entrou uns minutos — murmurou Ethel confundida. — Contou-me que te tinha perdido...
— Conhecia-lo?
— Sim.
— Foi ele quem te fez chorar?
— Não, não — negou rapidamente, demasiado até para que Alan acreditasse. — Tinha medo... por tua causa. Temi que te tivesse acontecido alguma coisa.
Alan foi até a um extremo da divisão, onde uma porta encerrava o acesso à cozinha.
— Acho que me ocultas alguma coisa — disse ao voltar-se para Ethel. — É muito estranho encontrar Long aqui. Recordo-me agora que teve muito interesse em recuperar os documentos que Cassley tinha em seu poder.
— Vai-te embora daqui, Alan ---- suplicou-lhe Ethel, fazendo verdadeiros esforços para controlar o choro.
— Só eu tenho a culpa do que te está a suceder Ainda estás a tempo...
— Já é tarde para que eu saia daqui — ne Alan enquanto agarrava a mão de Ethel.
Ela esforçou-se para a retirar, mas Alan agarrou-a com força.
— Deixa-me, Alan — rogou-lhe Ethel, angustiada. Por aquilo que tens de mais querido, volta para a tua terra e esquece-te deste pesadelo.
— Não irei sem que tu me acompanhes.
Ela ficou olhando-o fixamente, enquanto negava com a cabeça em silêncio.
— Vim para te levar comigo — insistiu Alan. — Longe daqui levarás uma vida nova e eu trabalharei para os dois. Que nos importa que Cassley e os seus abutres disputem palmo a palmo a terra e todo o petróleo que há debaixo dela?
— Não... não me posso ir embora daqui.
— Mas o que é que o impede?
— Não posso — soluçou Ethel, retorcendo as mãos com desespero. Vai-te, rogo-te — suplicou ela. — Por aquilo que tens de mais querido.
— Não, não irei! — replicou Alan, fora de si — Ou vens comigo ou ficarei aqui até abandonares tudo isto de vez!
Ethel cobriu o rosto com ambas as mãos e começou a chorar. Alan aproximou-se dela e estreitou-a contra o peito. Sobressaltada, Ethel tentou livrar-se do cerco dos seus braços.
— Não, Alan! Por favor!
— O que é que se passa contigo?
— Deixa-me... é preciso que isto não vá para diante.
Alan olhou-a fixamente.
— Já compreendo — sorriu com amargura. E estou surpreendido por não ter compreendido há mais tempo. — Long é o obstáculo que se interpõe entre nós. Que significa ele para ti? Diz-me de uma vez! — disse-lhe agarrando-a por um braço e sacudindo-a com violência. — O que é Long? O teu noivo? O teu amante. Talvez?
— Não! --- gritou ela angustiada.
— Mentes! — gritou Alan, fora de si. — Estou-o lendo nos teus olhos! Não conseguirás enganar-me por mais que tentes!
— Não continues a torturar-me, Alan — suplicou Ethel, afogada em pranto. — Volta para o lugar donde vieste...
— Não irei sem saber o que Long significa para ti.
— Não insistas...
— Assim o farei! — exclamou com decisão. —Irei à sua procura e obrigá-lo-ei a confessar! Matá-lo-ei se isso for preciso!
— Não, não farás isso! — gritou, Ethel aterrada. Nunca mais poderia perdoar-te!
— Porquê? Fala de uma vez!
— Porque Long... eu... eu sou sua mulher — confessou debilmente inclinando a cabeça.
-- Sua mulher? — exclamou Alan, como se tivesse recebido um murro em pleno rosto.
Ethel assentiu, sem sequer olhar para a cara de Alan.
— Casámo-nos pouco depois de nos conhecermos — explicou com voz apagada. -- Chegou a Walburg em busca de trabalho e o pai deu-lho. Não sabíamos nada dele e parecia trabalhador e honrado. Foi a poucos dias...
Alan soltou o braço de Ethel e deixou que ela se apoiasse na mesa.
— Não tardei a saber que o procuravam. Tinha cometido vários roubos e estava condenado por ter morto várias pessoas. A descoberta deixou-me horrorizada. Então ele riu-se do meu temor. E desde aquele momento comecei a odiá-lo, a odiá-lo, a temê-lo. Teve que fugir, mas quando lhe era possível voltava para me ter sempre sob uma constante ameaça. Até que não regressou mais. Depois, de longe em longe, os seus desmandos iam marcando a sua passagem por diversos Estados. Cheguei a pedir a Deus que lhe cortasse aquela carreira de crimes e roubos. Mas ontem... Cassley veio ver-me e disse que ele tinha voltado.
Alan escutava-a em silêncio, pasmado. Num instante tinham-se esfumado todas as suas esperanças e via cair por terra a sua maior ilusão.
— E hoje... voltou à tua procura?
— Não — negou Ethel — mas disse que trará o dinheiro que for preçiso para pagar a Cassley e deste modo livrar-me das ameaças. Assim poderei vender as terras. Ele diz que valem muito, pois tu assim lho disseste, e com o produto da venda poderemos ir para muito longe e onde ninguém pergunte quem ele é.
— Já compreendo — murmurou Alan com amargura. — Agora já não precisas de mim.
— Não é isso — disse Ethel com calor. -- Agora já não me importa de confessar que é a ti que de verdade amei, mas ele é meu marido e encontro-me ligada a ele por laços que não posso romper.
Alan voltou-lhe as costas e dirigiu-se para a porta. Não se voltou para olhar Ethel, também não chegou até ele qualquer palavra de despedida. Somente escutou os esforços desesperados que Ethel fazia para dominar os soluços.
Abandonou a cabana e montou a cavalo, deixando que este fosse para onde lhe desse na vontade, sem ter um rumo fixo. A alma de Skenton parecia despedaçada pela dolorosa descoberta que acabava de fazer.
Um coiote uivou ao longe, para lá da planície e as montanhas responderam com o eco. A noite acabava de cair sobre Alan e tudo à sua volta parecia mergulhado num manto de trevas e solidão.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

PAS614. Sombras do passado

Cassley decidiu esperar a passagem de Ethel quando esta se dirigisse para a escola, em lugar de ir a casa dela. Viu-a chegar, como todas as manhãs e esperou que ela estivesse mais perto para lhe sair ao caminho.
Ethel parou a sua montada, receosa de ver Cassley esperando-a a meio caminho de Walburg. Instintivamente a sua mão deslizou à procura do revólver, que desde havia alguns dias levava consigo, num pequeno coldre na sela.
— Que quer, Cassley? — inquiriu friamente, enquanto via que o homem atravessava o cavalo no caminho para a fazer compreender que a esperava a ela.
— Ontem à noite tive uma estranha visita, Ethel — disse Cassley, olhando-a com atenção. — Skenton e outra pessoa foram roubar-me umas coisas que eu tinha no cofre-forte.
— Não tenho nada a ver com isso — replicou ela, tentando continuar o seu caminho.
Mas Cassley, com um gesto rápido e oportuno, apoderou-se das rédeas e impediu Ethel de tornar realidade as suas intenções.
— Aguarda um momento e não tenhas tanta pressa — disse irritado. — Skenton levou os documentos que o teu pai assinou, e tu tens de saber o que ele quer fazer deles.
— Eu não sei nada do que faz Skenton.
— Mentes! — gritou Cassley, fora de si. — A desaparição desses papéis só te beneficia a ti! Diz-me o que Skenton fez com eles!
— Não sei.
Cassley olhou-a fixamente.
-- Está bem — falou, recobrando a calma. – Não te vai servir de nada o que esse homem fez. Recorrerei tribunais.
— Penso pagar até ao último cêntimo o que o meu pai se comprometeu a dar.
— Já sei — troçou Cassley. — É possível que só procures com isso demorar o pagamento, mas não penso admitir a minha derrota nem por um instante.
Ethel continuou imperturbável e tentou continuar.
— Espera — conteve-a de novo Cassley. — Ainda não disse tudo. Acho que gostarias de saber quem acompanhou Skenton na sua façanha.
— Já disse que nada tenho a ver com Skenton nem com quem está com ele.
— Enganas-te. Porque a pessoa que ontem foi roubar o meu cofre com Skenton não te pode ser indiferente. Foi Long! Easey Long acaba de voltar a Walburg! Long, o proscrito, o assassino, o pistoleiro a soldo!
— Não é possível — balbuciou Ethel, empalidecendo, enquanto movia a cabeça de um lado para o outro.
— Não duvido que depressa te irá ver, porque o motivo da sua volta tu o deves saber melhor do que ninguém.
Sem poder dominar-se, Ethel fustigou desapiedadamente os flancos do seu cavalo, que se encabritou e partiu em disparada em direção de Walburg sem que desta vez Cassley pudesse fazer nada para o conter.
Cassley não se moveu dali até que Ethel se pendeu à distância. Depois tomou uma direção oposta à de Walburg, para as montanhas que se recortavam no fim da planície ocre, banhada pelo sol da manhã.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

PAS613. Retaliação

Já perto da cabana de Ethel Conway, os dois homens apearam-se deixando os cavalos ocultos nas árvores. Cautelosamente, avançaram até à orla do bosque. Tudo parecia silencioso e dava uma sensação de estar desabitado.
— Ainda não voltou — disse Burns, fazendo um sinal para o seu companheiro.
Hicks assentiu. Não obstante, para poder prever qualquer surpresa, avançava com o revólver engatilhado na mão direita.
Foi ele quem primeiro atravessou o descampado e chegou até à entrada da cabana. Chamou, batendo os nós dos dedos na porta e, quando já tinha passado mais de um minuto sem ninguém responder, decidiu repetir o chamamento.
Então Burns aproximou-se.
— Está visto que aqui não há ninguém — disse o homem. — Não percamos tempo.
De um saco que Burns levava consigo, este tirou um bidão de petróleo. Destapou-o e verteu uma grande quantidade no barracão onde estavam as alfaias agrícolas. Em ato contínuo, o próprio Burns fez o mesmo com a escada e as paredes da casa. Depois partiu, uni dos vidros duma janela e deitou o resto para o interior.
Hicks não perdia tempo. Meteu um fósforo aceso na palha. Rapidamente o lume começou a atear, propagando-se ao barracão. Fez o mesmo com um monte de folhas secas que Burns tinha feito junto à casa. Ateou--lhes o fogo e retirou-se para agarrar numa bola de algodão a arder para a lançar para dentro da casa.
Mas não o chegou a fazer. Do bosque saiu o ruído dos cascos de cavalo que se aproximava dali. Burns tinha ouvido e, com o alarme estampado nas suas feições, retrocedeu em direção ao sítio onde tinha deixado o cavalo.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

PAS612. Um grito lancinante na cabana acolhedora

Alan Skenton refreou o galope da sua montada e fez que esta se detivesse à beira daquele plaino cinzento e ocre, salpicado de onde em onde de peque-nos e grande catos. Tudo o que o seu olhar alcançava não oferecia particularidade alguma a não ser monotonia e desolação. Nem sequer o rastro de um coiote à distância, nem a mais leve espiral de pó deixavam entrever a possibilidade de existir ali o menor sinal de vida. E, no entanto, Alan estava certo de que. em algum sítio daquela planície estava Walburg com a sua meia centena de casas e o seu acampamento mineiro, à parte as granjas que ainda subsistiam e que eram tudo o que restava dos primeiros colonizadores da região.
Em Dewberry tinham-lhe dito que podia ir até Walburg, sem necessidade de apertar o galope do cavalo, em menos de cinco horas. O dia já estava a declinar e ainda não tinha conseguido achar o menor indício da situação da povoação.

terça-feira, 5 de abril de 2016

BIS110. Tiros na noite

(Coleção Bisonte, nº 110)
 
Samuel Cassley era o dono e senhor de Walburg. Mais de metade das terras pertencia-lhe e sob as suas ordens trabalhava mais de meia centena de homens. Até cinco anos antes, a maior riqueza de Walburg era a agricultura e o gado; mas com a descoberta de petróleo tudo tinha sofrido uma grande transformação. Os terrenos que Cassley tinha arrendados a diversos agricultores foram resgatados e uma verdadeira legião de homens chegados dos mais diversos pontos do país transformaram da noite para o dia os férteis campos em terrenos onde se iam fazer perfurações por onde se extrairia o precioso líquido que enriquecia o subsolo da povoação.
Várias pessoas recusaram-se a sair das terras. Mas Cassley possuía meios mais do que suficientes para obrigar os seus ocupantes a obedecer. E uns atrás dos outros foram renunciando aos seus direitos, submetendo-se às pretensões de Sam Cassley.
Somente o velho Conway se negou a sair das sua terras. Estava em dia com o pagamento e esperava que ao fim de cinco anos as terras fossem suas. Mas a soma relativa ao ano transato não tinha sido satisfeita porque uma bala disparada da sombra sobre as costas de Conway tinha-o matado.
Cassley contratou os técnicos necessários e os trabalhos começaram em ritmo acelerado. Mas MacPearson, o engenheiro que dirigia os trabalhos de perfuração tinha sofrido um grave acidente e tinha sido transportado para Denver, e internado num hospital. O próprio MacPearson encarregou um amigo de procurar um novo engenheiro para continuar os trabalhos de sondagem enquanto ele estivesse doente. A pessoa escolhida tinha sido Alan Skenton. Skenton recebeu ordem de se pôr imediatamente a caminho e de se apresentar a Cassley para receber a confirmação do seu emprego.
Ao chegar perto de Walburg, Alan depara com uma tentativa de violentação de uma jovem que vivia numa cabana nas proximidades. Ajuda-a a libertar-se do agressor e a partir daí resolve protege-la, sentindo enorme atração por ela. No entanto, a sua surpresa foi grande ao saber que o agressor era o indivíduo que o queria contratar.
A novela desenrola-se através da luta que Alan desencadeia para ajudar Ethel, mas Ó Mallley traz-lhe mais uma surpresa na pessoa de um homem que também não era indiferente à jovem e esta vai manifestando progressivamente mais reservas à ligação a Alan. Que se passaria? Qual o segredo da linda professora?
Eis um livro da Bisonte com passagens muito interessantes, mas onde há excesso de tiroteio e situações de violência, tornando-o, no seu conjunto, um pouco inverosímil.

sábado, 2 de abril de 2016

PAS611. Senhor da vida e da morte

Ulisses Morgan, fiel ao seu programa, começou a passear na rua principal de Mesilla. O dono duma taberna correu pressuroso a convidá-lo. Ulisses tinha-lhe curado a esposa de uma doença que a fazia sofrer pavorosamente, e o pobre homem desfazia-se em gratidão.
— Doutor, desta vez tem de ser! Fico zangado com o senhor se não aceita urna bebida!
— Bem sabe que eu não bebo, Powell. É necessário que as minhas mãos não tremam.
— Oh! As suas mãos são milagrosas! O senhor seria capaz de salvar um moribundo, ainda que tivesse despejado um barril!
Morgan sorriu, entrando com o homem na taberna. Imediatamente se formou um círculo em redor dele. Toda aquela gente o adorava. Morgan começou a pensar no que aconteceria se eles soubessem das suas atividades noturnas.
«Estou convencido de que as admitiriam. Eles não ignoram que eu tenho o direito de matar. A sociedade está em dívida para comigo. Deve-me muito mais vidas do que aquelas que eu sacrifico».

sexta-feira, 1 de abril de 2016

PAS610. Pombas mensageiras da morte

Ulisses Morgan, mais elegante e atraente do que nunca, vestido de luto pesado, fazia adejar as suas brancas mãos, enquanto murmurava em tom pesaroso:
— Foi uma coisa terrível! Eu, que tantas vidas tenho salvado, nada pude fazer por ela. Impotente perante a morte, tive de ficar a contemplá-la, perdidas as esperanças de a ver novamente ao meu lado. Como a vida é dura!
Maria Bustillo sentia os olhos marejados de lágrimas ao escutá-lo. Acabavam de regressar do funeral de Helena. A rua estava pejada de gente que aguardava a oportunidade de expressar ao doutor Morgan quanto sentiam o golpe que o destino lhe vibrara.
— Não desanime, senhor doutor. Ainda tem o seu filho para o consolar.
— Pobre criança! Que passo fazer por ele; eu, um homem sozinho e sempre atarefado? Para que a desgraça seja completa, você parte, Maria, e...
— Não posso ficar, senhor doutor.
— E porque não? Por recear o que as más-línguas possam começar a dizer? Isso é uma rematada tolice, Maria. O meu filho precisa de si. Eu próprio sentirei a sua falta, se agora nos abandona. Não se preocupe com o que possam dizer. De futuro, passarei a dormir no consultório. Não quero voltar a ficar no quarto de casal, onde tudo me recorda Helena.
A rapariga estava hesitante. Como resistir a uma súplica do doutor Morgan, que sempre se mostrara tão bom?
— Posso... experimentar. Na verdade, antes de morrer, a senhora pediu-me que tomasse conta do filho.
— Não disse mais nada? — perguntou Morgan com mal dissimulada ansiedade.
— Nada mais. Morreu a pensar no filho... e no senhor — mentiu a jovem.
Morgan soltou um suspiro de alívio, e saiu de casa. Cá fora teve de apertar a mão às inúmeras pessoas que o esperavam para lhe apresentar condolências. Quando se conseguiu libertar, dirigiu-se diretamente para casa de Flamma. Este também ¡á havia sido enterrado sem que ninguém se tivesse preocupado com a sua morte.
Quando .o doutor manifestara desejo de ficar com as pombas que haviam pertencido ao falecido, responderam-lhe:
— Fique com as pombas, a casa, e o resto, se houver algum resto.
Morgan entrou na casa, lançando um olhar divertido para a cama de Flamma onde ainda se viam manchas de sangue. Tal como esperava, havia uma pomba revoluteando à entrada do pombal. Agarrou-a facilmente e tirou-lhe o anel que trazia numa das patas. Deste, extraiu um papel que dizia:
«Questão resolvida. — C.»
— E bem resolvida — comentou doutor para consigo.
As suas mãos crisparam-se sem que tivesse consciência disso. Quando os seus dedos se abriram de novo, a pobre pomba que trouxera a mensagem caiu inerte no chão, reduzida a um simples monte de penas sem vida.

Outras passagens

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