domingo, 31 de janeiro de 2016

PAS575. E, naquele momento, o cavalo tomou o freio nos dentes

No dia seguinte, Nelson Montgomery, para se familiarizar com a cidade, montou o seu cavalo e começou a percorrer as ruas ao acaso. A certa altura, num cruzamento, quase ia sendo atropelado por uma «charrete» puxada por dois belos cavalos brancos e guiada por uma jovem de estonteante beleza.
O cavalo empinara-se de súbito e, se não fosse o sangue-frio do rapaz, este teria caído e serra apanhado pelas rodas do veículo.
Furioso com o acontecimento, Nelson, depois de dominar a sua montada, pensou lançar-se em perseguição da rapariga para a chamar à ordem pela sua falta de senso em andar pelas ruas da cidade com aquela velocidade.
Foi então que reparou que alguma anormalidade se estava a passar com os cavalos que puxavam o carro.
A rapariga fazia esforços 'inauditos para parar o veículo. Os cavalos porém não lhe obedeciam e continuavam no seu louco galopar. Certamente que haviam tomado os freios nos dentes e se ninguém os conseguisse dominar 'a vida 'daquela jovem estaria em perigo. A vida dela e a dos diversos transeuntes que porventura se não desviassem a tempo.
Em face disso, não hesitou. Esporeou violentamente o seu cavalo que protestou com um relincho e se lançou em perseguição do carro que estava já a cerca de sessenta metros 'de distância.

sábado, 30 de janeiro de 2016

PAS574. Um passado pouco recomendável

Nelson Montgomery viera ao mundo vinte e sei anos antes. Precisamente naquele dia, fizera o seu vigésimo sexto aniversário. Nascera numa aldeola dos confins de Nevada e era filho de um casal de trabalhadores rurais, pobres mas honrados.
A sua infância fora, na sua quase totalidade, passada entre gente pobre e os seus companheiros andavam tão andrajosos como ele. Cedo, começara a conhecer a dureza da vida, poi o trabalho de seus pais e os seus ganhos para pouco mais davam que para comer e por vezes bastante mal.
Assim, para ajudar o sustento dos seus, começo a fazer recados, pelos quais ia recebendo algumas gorjetas que entregava integralmente a sua mãe que via obrigada a aceitá-las.
As más companhias, no entanto, perderam-no. O mal foi terem levado a cabo o primeiro roubo do qual se saíram airosamente.
Ao primeiro sucedeu o segundo, depois o terceiro e por aí fora numa rápida sucessão, até que pela primeira vez, um dos que estavam a ser assaltados reagiu travando-se uma luta violenta entre os quadrilheiro nessa altura espigadotes, o mais novo dos quais tinha quinze anos, e um grupo de honrados cidadãos que acorrera aos gritos de socorro.
Dessa contenda resultou uma morte.
Um dos companheiros de Nelson agredira com uma barra de ferro um dos cidadãos, esmagando-lhe a cabeça. Foram todos presos, menos Montgomery, que conseguira evadir-se.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

BUB105. Vida por amor


 
(Coleção Búfalo, nº 105)
 
Nelson Montgomery era um rapaz brigão e cedo teve de fugir da terra que o viu nascer devido à falsa acusação de que havia morto alguém, deixando a mãe com a tarefa de arranjar provas da sua inocência. O seu percurso não foi nada recomendável com assaltos em que procurou não ferir ninguém até que chegou a Kansas City onde viria a conhecer a mulher dos seus sonhos.
Associado a um bandido mexicano, veio a saber que este se preparava para atacar o rancho da sua amada e tudo fez para o defender. No momento da chegada da sua mãe a Kansas City com o indulto tinha acabado de enfrentar o chefe da quadrilha, matando-o, mas ficando moribundo. Foi triste o adeus de Nelson Montgmory o que deu a «Vida por amor» uma tonalidade comovente.
Tal como demonstraremos oportunamente, a capa nada tem a ver com o livro, mas com o número seguinte da coleção Búfalo, do mesmo autor, e com o titulo «Território Índio». Mas foi assim que foi publicado e assim seguiremos com algumas passagens.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

PAS573. Uma história para o filho do mistério

— É uma história muito curiosa, Fixer. Se quiseres posso contar-ta.
— Claro que quero. Não tenho nenhum sono, e a tua história sempre nos ajudará a passar o tempo.
Carrigan encheu de novo o cachimbo, acendeu-o e deu duas ou três chupadelas nele antes de começar a falar, divertido pela expectativa que lia nos olhos do companheiro.
— O princípio remonta talvez a uns vinte e cinco anos. Então tinha eu pouco mais de vinte. Era alto, forte, e tinha muita sorte com as mulheres.
Carrigan falava em voz baixa e suave, com os olhos fixos na fogueira, como se naquela dança das chamas se viessem refletir as imagens de um longínquo passado, que o ajudavam a recordar. A sua entoação tinha uma cadência atraente, que obrigava a escutá-lo. Danne reparou que até a arisca rapariga parecia suspensa das suas palavras.
— Tinha um amigo, cujo nome não interessa. Um dia estávamos a caçar nas Montanhas do Sangue, quando encontrámos um velho caçador, bastante ferido.
«Levámo-lo à sua cabana, que se erguia no meio de um pitoresco e solitário vale e tratámos dele o melhor que pudemos.
«Eu e esse meu amigo revezávamo-nos no seu tratamento e quando se curou tinha-se estabelecido entre os três uma sólida amizade. O velho caçador chegou inclusivamente a tratar-nos como filhos. Eu e esse meu amigo éramos dois rapazes novos, estarolas, que só pensávamos em jogar, beber e entrar em quantas lutas se travavam.
«O velho Danne Lindsball reprovava constantemente o nosso procedimento, mas não fazíamos o menor caso das suas recriminações. 
«Um dia chamou-nos à sua cabana e disse-nos que tinha encontrado um tesouro, num lugar pouco menos que inacessível. Segundo constou tinha sido lá escondido no tempo da dominação espanhola. Ele não tinha outras ambições do que acabar a sua vida caçando no seu formoso vale e disse-nos que aquele tesouro seria para o primeiro de nós que tivesse um filho, pois isso para ele era uma prova de que tínhamos ganhado juízo. Toda a sua ilusão era ver-nos convertidos em homens na verdadeira aceção da palavra e o tesouro seria para o primeiro de nós que o conseguisse.
«Eu não fiz muito dano das suas palavras e continuei na mesma vida, mas a partir daquele momento, o meu amigo começou a afastar-se de mim. Uns meses depois casou. Mas dois longos anos decorreram e a sua mulher não lhe dava aquele ambicionado filho que tanto esperava. Entretanto o seu rancho ia de mal a pior e sobre ele avolumaram-se um sem-número de hipotecas.
«Por fim, um dia apresentou-se muito contente na cabana do caçador e comunicou-lhe que sua mulher lhe tinha dado um filho. Depois de se certificar que o não enganava, o velho caçador entregou-lhe o mapa do local onde estava guardado o tesouro, pondo-lhe como única condição que o menino se chamasse Danne, como ele».
Danne teve um sobressalto ao ouvir as últimas palavras de Carrigan. Também ele se chamava Danne. Seria uma simples coincidência? Não estaria Carrigan contando um capitulo da vida de BOXer, no qual ele tinha um papel primordial? Entretanto o bandido continuava a falar.
— Eu não senti o menor rancor por ele. Tinha tido um filho? Bom, pois que fosse para ele todo o ouro. Eu já começava então a ser famoso e tinha todo o dinheiro que queria.
«Uns dias depois, o velho Danne foi encontrado morto na sua cabana. Tinha sido estrangulado e nunca se conseguiu saber quem o tinha feito. O meu amigo empregou bem o dinheiro recebido e em pouco tempo levantou o rancho, que se converteu na mais famosa fazenda dos
arredores».
Fixer e a rapariga seguiam fascinadas o relato da história, mas o seu interesse nada representava comparado com o de Danne. Algo lhe dizia que Carrigan ia pôr ante os seus olhos o mistério que envolvia a sua chegada ao rancho de Boxer. .,
-- Continua, Carrigan. A tua história é muito interessante — disse Fixer.
— Incomodo-a, menina? — perguntou o bandido solicitamente, e pela primeira vez a jovem não lhe respondeu agressivamente, fascinada pelo interesse que a história lhe proporcionava.
— De modo nenhum. Continue, por favor.
Era um elogio aos dotes de narrador de Carrigan e este sorriu, satisfeito com o seu triunfo.
— Passaram vários anos e um dia chegou aos meus ouvidos um estranho rumor. Não lhe prestei muita atenção, mas chegou a tal grau de insistência que não tive outro remédio senão fazer umas quantas averiguações. Com efeito, cheguei à conclusão de que esse meu amigo tinha enganado o velho caçador, como também me enganara a mim. O rapaz não era seu filho. Tinha-o roubado e apresentou-o ao velho como seu filho, para conseguir o dinheiro que tanta falta lhe fazia.
Danne sobressaltou-se, emocionado pelo que acabava de ouvir. A história ajustava-se perfeitamente ao que ele pensava e sem se poder conter moveu-se inquieto no seu esconderijo, atrás de uns arbustos.
— Quem está aí? — perguntou Fixer, levando a mão ao revólver.
— Deve ser algum animal, Fixer, não te assustes —interveio Carrigan. — Bom, parece-me que os estou a aborrecer com a minha história, e por conseguinte é melhor calar-me.
Danne esteve a ponto de sair do seu esconderijo de revólver em punho para o abrigar a continuar, pois agora tinha a certeza que a história que Carrigan contava se referia a Boxer e a ele próprio.
— Não, não, Carrigan. Peço-te que continues.
Carrigan não se fez rogado e de novo tomou a palavra.
--- Fui visitar esse meu amigo e reprovei-lhe a sua conduta. Tivemos uma azeda discussão e chegámos inclusive a vias de facto. Consegui deixá-lo sem sentidos com uma coronhada e revistei toda a casa procurando o plano do esconderijo do tesouro. Pensei que talvez ele não tivesse tirado todo o dinheiro. Seguindo as suas instruções, não me foi difícil encontrar o esconderijo, mas o tesouro tinha desaparecido. Esse meu amigo —continuemos a chamar-lhe assim — tinha retirado tudo.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

PAS572. Uma carta do homem que agonizava

Durante um segundo, Danne continuou a olhar o fundo do barranco como fascinado, depois afastou-se e só então recordou que o cavalo não levava cavaleiro.
— Onde estará? — e o pensamento de que um seu semelhante precisava da sua ajuda fê-lo reagir e empreendeu uma veloz corrida pelo caminho escorregadio, em busca do cavaleiro.
Percorreu cerca de meia milha sem encontrar o menor indicio do cavaleiro perdido e preparava-se já para regressar à gruta, renunciando à sua busca, quando um ténue gemido de dor chegou até ele.
Naquele lugar a parede do barranco perdia a sua linha vertical convertendo-se num pronunciado declive.
Danne aproximou-se do começo do declive.
— Há alguém aí em baixo? — perguntou, gritando com todas as suas forças.
Ninguém respondeu à sua voz e pensava já se na se teria enganado, quando de novo chegou até ele um lamento, mais percetível agora.
Não duvidou. Alguém precisava do seu auxílio no fundo do barranco.
Sem pensar no perigo que corria, lançou-se em seu socorro. Danne era assim: impulsivo nos seus atos, o que pensava fazer fazia-o mesmo, lançando-se para o perigo sem medir os riscos que isso lhe podia acarretar, entregando-se por completo nas mãos da Providência e da sua boa estrela.
Mal pisou a pendente, percebeu que não poderia descer tão depressa quanto seria o seu desejo. O barro pegava-se às suas botas, formando uma capa resvaladiça, que o fazia patinar e cair a cada momento, enquanto a água lhe continuava a fustigar o rosto.
Agarrando-se ao terreno com as mãos e com os pés, recorrendo aos ramos e pedras que via, conseguia ir descendo pouco a pouco. De vez em quando um gemido chegava até ele, cada vez mais próximo, e Danne gritava palavras de ânimo ao desconhecido.
Faltavam escassos metros para chegar, quando de novo resvalou. Dessa vez não encontrou nada a que se pudesse agarrar e rolou como uma bola, rebolando no barro e na água.
Esteve a ponto de ir parar à ameaçadora torrente, que rugia a seu lado sedenta de novas vítimas, mas conseguiu evitá-lo apoiando o pé direito contra uma rocha que se levantava mesmo à beira da água, e agarrando-se depois a ela, desesperadamente.
Quando de novo se encontrou em terra firme, olhou em redor. Três metros à sua esquerda percebeu o corpo imóvel de um homem que soltava lancinantes gemidos.
Tinha sem dúvida rolado pela pendente ao ser lançado ao chão pelo desenfreado cavalo e a sua cabeça teria chocado ao cair contra alguma rocha, pois tinha nela uma ferida que sangrava abundantemente. Os seus pés mergulhavam na torrente, chegando lhe a água quase aos joelhos, mas por um verdadeiro milagre não tinha sido arrastado por ela.
Danne segurou-o pelos sovacos e puxou-o para cima, transportando-o para um sítio mais seguro. Depois ajoelhou a seu lado.
O homem olhou-o com olhos falhos de expressão e os seus lábios mexeram-se.
— Obrigado...
— Não fale. Vou tentar tirá-lo daqui.
Mas imediatamente percebeu que os seus desejos não eram muito viáveis. A força da chuva parecia ter diminuído e os trovões soavam cada vez mais distantes, mas a encosta continuava resvaladiça e perigosa para se aventurar por ela e mais ainda transportando um homem às costas. Uma escorregadela, um passo em falso, poderia precipitá-lo na torrente, sem qualquer esperança de salvação.
Danne vendou com o lenço a cabeça do homem enquanto o fazia uma ideia assaltou-lhe o espírito.
Com tremendo esforço carregou o ferido às costas e começou a andar na mesma direção que a da água em vez de atacar a encosta pelo sítio por onde tinha descido, verificando com satisfação que, como calculara, encosta era cada vez mais curta e de mais suave declive.
O desconhecido não pesava muito, mas exigia um tremendo esforço caminhar com ele às costas, por cima daquele barro pegajoso que formava nas suas botas uma segunda sola de vários centímetros de espessura e que o obrigava a deter-se.
Demorou mais de trinta minutos a sair do barranco e, quando se encontrou de novo no caminho, estava muito cansado e doía-lhe todo o corpo. Tinha deixado de chover e já não se ouviam os trovões. O suor banhava-lhe o rosto e todo o corpo, misturando-se com a água que lhe empapava as roupas.
Descansou um momento, mas ao perceber que aquele homem morreria se não o fizesse reagir imediatamente, empreendeu de novo o caminho para a gruta.
Pouco depois chegava a esta. Deixou o ferido sentado no chão com as costas apoiadas contra a parede de terra e procurou nas algibeiras algo com que pudesse fazer fogo.
A faísca da pederneira permitiu-lhe distinguir no fundo da gruta uma espécie de cama de folhas secas e uns troncos. Dando graças a Deus por tão feliz encontro transportou o ferido e de novo fez lume.
Pouco depois o alegre resplendor das chamas iluminava a cena. Sem se preocupar em tirar as roupas, ia a auxiliar o desconhecido, quando este o deteve com um gesto.
— Não se preocupe comigo... eu... já não preciso.
Danne debruçou-se sobre ele, tentando animá-lo.
— Agradeço-lhe... as suas palavras de coragem... mas é inútil. Desejo que me faça um favor — prosseguiu com voz débil. — No bolso do meu casaco... encontrará uma carta. Peço-lhe que a leve ao seu destino... É muito importante para... para mim. Fá-lo-á?
Danne assentiu com a cabeça.
— Deve entregá-la a um tal Mulholland, em Las Cruces. Peço-lhe... também que vá ver... a minha filha. Diga-lhe que tudo o que fiz foi por ela. Que me perdoe... mas foi por ela.
— Como se chama sua filha?
— Lilian. Vive também... em Las Cruces. Eu...
Não pôde prosseguir. Penosos estertores impediram--no. A sua cabeça caiu para a frente e os olhos ficaram estranhamente fixos nas pontas das botas.
Passou um bom bocado antes  que Danne se apercebesse de que tinha morrido. Quando por fim se convenceu disso, procurou nos seus bolsos e encontrou a carta.
Era um sobrescrito azul, sujo e amarrotado, sem qualquer direção aposta, mas Danne recordava perfeitamente o nome da pessoa a quem a devia entregar.
— Mulholland, em Las Cruces — murmurou. — Não me esquecerei.
Ia a guardá-la quando notou que atrás do sobrescrito havia outro papel. Olhou com atenção. Era o retrato de uma jovem. Tinha-o tirado do bolso do morto juntamente com a carta. Olhou a dedicatória.
«A meu adorado pai, de sua filha Lilian», leu.
Estava diante do retrato da rapariga a quem havia de visitar para lhe transmitir as últimas palavras do pai. Que teria feito ele por ela? Por que razão ela tinha de lhe perdoar? Deu de ombros. Aquilo não era de sua incumbência.
Examinou de novo o retrato. Era um retrato muito deficiente, mas mesmo assim podia ver que representava uma bela rapariga, de grandes olhos, que sorria encantadoramente, deixando ver uma perfeita dentadura.
Guardou-o juntamente com a carta, no bolso da camisa, e olhou o empo sem vida que tinha ante si. Que fazer?
— O melhor será ir a Las Cruces e contar ao xerife todo o ocorrido para que mande buscar o cadáver.
Depois entregarei a carta e irei visitar a filha. Felizmente que este assunto não me leva a afastar do meu caminho, porque a senhora Brent também vive em Las Cruces.
A sua ideia dominante continuava sendo a de encontrar os pais e conhecer de uma vez para sempre a sua verdadeira identidade, mas não sabia que o destino o tinha metido numa verdadeira embrulhada e que teria de deixar passar algum tempo antes de poder continuar as suas pesquisas para solucionar o mistério que rodeava o seu nascimento e a sua vida.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

PAS571. Um cavalo sem cavaleiro caminha para o abismo

Montou a cavalo e encaminhou-se para Las Cruces, absorto nos seus pensamentos.
A tormenta surpreendeu-o a poucas milhas do povoado. A chuva aumentava de intensidade e em pouco tempo Danne estava totalmente encharcado. Lançou o cavalo a galope e conseguiu por fim chegar à entrada de uma espécie de gruta. Sem vacilar saltou da sela e correu para a gruta, podendo comprovar que era demasiado escura e funda. Fez entrar também o cavalo e depois, indiferente ao frio que as suas roupas molhadas lhe proporcionavam, aproximou-se da entrada do seu providencial refúgio.
A água continuava a cair abundantemente. O caminho passava junto à gruta e um metro mais distante abria-se um precipício, por cujo leito corria uma torrente que bramava ameaçadora.
Não poderia precisar o tempo que aí passou, mas de súbito o ruído dos cascos de um cavalo, que se aproximava a galope, tirou-o da sua abstração.
— Parece que vou ter companhia — murmurou com desagrado.
O ruído dos cascos soava cada vez mais próximo e um segundo depois um cavalo passava diante dos seus olhos. O ruído de um trovão afogou a exclamação de Danne.
— Tomou o freio nos dentes — murmurou. — E não leva cavaleiro!
Olhou o cavalo que se afastava. De súbito viu como patinava no barro viscoso do caminho e resvalava para o barranco. As suas patas traseiras perderam-se no abismo. Fincou as dianteiras no barro, num desesperado esforço para voltar ao caminho, mas foi resvalando pouco a pouco, até que por fim se perdeu na água da torrente, soltando um relincho escalafriante, que fez que Danne estremecesse.
Apesar da chuva, Danne aproximou-se do barranco, mas nada conseguiu ver. Só ouviu os relinchos do cavalo moribundo.
Eram uns relinchos de agonia, mas tão cheios de dor e angústia como os de um homem agonizante. Depois um leve relincho, um só mais. Por fim mais nada. Só o ruído da torrente que sepultava mais um cadáver.

domingo, 24 de janeiro de 2016

BUF103. O filho do mistério


(Coleção Búfalo, nº 103)
 
Este livro, com uma capa deplorável, até é engraçado. Um homem que não conhece a sua identidade, posto repentinamente perante a notícia de que os seus pais não são quem pensava, parte para o desconhecido procurando saber quem é.
A caminhada que encetou trouxe-lhe alguns encontros surpreendentes e um mapa. Curiosamente, este mapa levá-lo-ia até quem poderia trazer-lhe os motivos pelas quais alguém o havia adotado e lhe tinha atribuído o nome que usava.
No final, o encontro com a bela Lilian foi a sua melhor recompensa.

sábado, 23 de janeiro de 2016

PAS570. Uma vingança implacável

Mal se viu na rua, «Faro» Robinson correu para o estábulo publico, montou num dos cavalos e obrigou-o com as esporas a galopar rapidamente, dirigindo-se com desespero para os Termos.
A ideia do jovem foragido era a de apanhar o oiro que guardava no refúgio e sair precipitadamente para outro Estado. Ali, em Dakota, a vida no futuro ser-lhe-ia impossível.
Já, não se lembrava da bela Eleonor, nem de Martha, nem do homem da cara de furão, o ultimo que havia caído as mãos da Lei. Um grande pânico espicaçava-o e só desejava pôr a maior quantidade possível de terreno entre ele e Rapid City.
Chegado ao refúgio, começou a disparar contra as aves de rapina que enchiam as galerias; mas quando conseguiu chegar ao sítio onde havia escondido todo o produto das inúmeras pilhagens, carregar com ele e sair de novo para o exterior descobriu, aos primeiros alvores do dia, um cavaleiro que, decidido, avançava na sua direção. Semicerrou as pupilas amareladas, langou uma maldição ao reconhecer Tony Mitchell no cavaleiro, empunhou os revólveres quase maquinalmente e meteu-se numa das cavernas para esperar o seu inimigo e disparar sobre ele à traição.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

PAS569. Por que se morre por um foragido

— Já acabaste, filha...?
Martha entrou no quarto de Eleonor. Esta, desde que seu pai morrera, mal saia dos seus aposentos. O golpe havia sido demasiado rude, e por mais que Richard Maloney, Tony Mitchell e a própria Minetake tivessem tentado convencê-la a distrair-se, a fazer a sua vida normal, não o haviam conseguido.
— Ouvi abrir-se a porta da rua. Era Dick?
— Sim, era ele... Esta no gabinete de teu pai... que descanse em paz. Quer que vás ali. Disse-me qualquer coisa acerca de mandar fechar o estabelecimento.
— Por que razão não me veio ver primeiro? Não achas a sua atitude esquisita?
— Eu... não... Sabes que a sua opinião é a de que salas desta clausura... Uma filosofia um pouco estranha, mas... Creio que deves ir... Pode ser que seja importante o que tem a dizer-te.
— Insisto em que devia ter vindo ver-me primeiro...
— Vamos, vamos, não sejas criança...
Sobre uma mesinha, o jantar de Eleonor estava intacto.
— Direi a Susan que retire isso... Quanto a Richard Maloney, que decides...?
Sobre o roupão, Eleonor O'Brien langou um ligeiro casaco de meia estação e dispôs-se a acompanhar a tia. Desceram ambas as escadas e entraram no «saloon» pela porta que Maloney utilizara minutos antes.
Uns segundos depois, as duas mulheres penetravam no gabinete.
A surpresa e o terror deixaram a jovem paralisada. Viu Maloney amarrado a cadeira, recém-recobrado o conhecimento, com claros sinais de haver sido maltratado, e sentiu que o mundo cedia sob os seus pés... Refez-se com grande esforço e olhou fixamente a tia.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

PAS568. Procurar bandidos e encontrar formoosas meninas

A cada saraivada de chumbo que enviavam para a caverna, respondia-lhes um novo e agónico alarido.
Ao fim de algum tempo, ao verificarem que do lado de dentro já ninguém respondia ao fogo, Richard Maloney e o companheiro deixaram de disparar, embora mantivessem os revólveres em posição de recomeçar a luta ao primeiro sinal de perigo.
— Não disparem... entrego-me...
— Estás sozinho? — perguntou Mitchell. — E os teus companheiros? — Mortos... Estão todos mortos... Não disparem, por favor! — Sai com as mãos atrás da cabeça — ordenou Maloney —e muito cuidado com o que fazes.
O foragido apareceu na abertura da caverna e deteve-se. Tony Mitchell pôs-se em pé, para ordenar que o outro avançasse até eles. Nesse momento, o bandido moveu uma das mãos que trazia atrás da cabeça e nela apareceu uma arma de fogo.
Não chegou a disparar. O próprio Mitchell levantou o revólver e apertou o gatilho duas vezes consecutivas. Um dos projéteis alcançou-o no coração e o outro no estômago.
Embora tudo tivesse acontecido com grande rapidez, ambos os jovens se admiraram de que o resto da quadrilha não houvesse acudido em seguida ao ponto onde se havia desenrolado a fugaz e sangrenta peleja. Mas nem por isso perderam tempo. Saíram do seu refúgio com grandes precauções e aproximaram-se do caído.
Depois de comprovarem que estava morto, apuraram o ouvido para verificar se na caverna ainda restava alguém com vida. Ouviram uns gemidos e Richard Maloney decidiu acender a pequena lanterna que normalmente usava suspensa no cinto, como um instrumento de ajuda no seu trabalho.
Voltou para o interior da caverna e avistou quatro vultos imóveis.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PAS567. Razões para duas meninas não passearem sozinhas pelos campos

Mais propriamente para distrair a sua nova amiga, Eleonor O'Brien propôs a Minetake dar um passeio a cavalo e visitar, de passagem, a cabana que Maloney lhes havia oferecido. A manhã, soalheira e alegre, apesar de uma ligeira aragem que soprava do Norte, era propícia para a projetada excursão. Tony Mitchell tê-las-ia acompanhado de boa vontade, mas não o fez para não deixar o posto abandonado.
Montadas em magníficos animais, propriedade de Eleonor, as duas raparigas afastaram-se de Rapid City, prometendo estar de volta antes do meio-dia.
Eleonor O'Brien falou a Minetake da sua vida, dos seus amores com Richard Maloney e da leve oposição que o pai fazia às suas relações com o «rural». Segundo a sua opinião, o motivo de tal oposição residia no facto de Maloney não possuir outros meios de fortuna senão os braços e o coração.
Não contou, porém, a Minetake a absurda paixão que «Faro» Robinson nutria por ela e a insistência de sua tia Martha em favor do bandido. Sobre essas coisas tão íntimas e aborrecidas, preferiu guardar um prudente silêncio.
— Não te importes com o facto de Richard ser pobre — disse-lhe Minetake. — Se o amas como dizes, luta denodadamente pela tua felicidade e faz ver a teu pai que o dinheiro não conta em assuntos amorosos. Eu, no teu caso, não faria disso um problema.
Cavalgaram uns segundos em silêncio, contemplando a maravilhosa paisagem.
— Compreendo que sou uma tonta, Minetake — murmurou, por fim, a filha de O'Brien. — Mas é que me sei incapaz de dar o menor desgosto a meu pai... Se não fosse pelo grande amor que lhe tenho, já me teria casado com Dick. Já atingi a maioridade e posso fazê-lo se assim o entender.
— E o que pensa o teu noivo?
— Richard é bom e sumamente compreensivo. Deixou o assunto nas minhas mãos, convencido de que, por fim, o papá consentirá. Eu também penso o mesmo. Ele espera falar-lhe um destes dias... Mas... conta-me alguma coisa acerca de ti, Minetake. De ti e de Tony. Como vos conhecestes? Porque vieste até tão longe?
A filha de «Urso Prateado» explicou à sua amiga tudo quanto esta desejava saber, concluindo com a odisseia da fuga e lamentando a partida que haviam pregado a seu pai. Não obstante, afirmou:
— Mas amo Tony sobre todas as coisas e casar-me-ei com ele.
— Mas, Minetake, eu também quero muito a Dick. Daria a minha vida por ele. No entanto, falta-me a tua força de vontade. Esperemos até ver o que acontece quando ele falar com meu pai.
— Oxalá tenhais sorte. Desejo-vo-la sinceramente. No pouco tempo que te conheço, dei-me conta de que és digna de encontrar a verdadeira felicidade.
Haviam chegado à cabana. Desmontaram à porta, prenderam os cavalos e penetraram no interior da humilde construção.
— Isto está bastante bom, hem? — disse Eleonor. — De princípio não tereis grandes comodidades, mas sei que Tony é habilidoso e com o tempo porá a casa em condições. Além disso, a paisagem é magnífica.
— Agrada-te?
— Muito, Minetake. Não encontro palavras para te exprimir a minha admiração. Pena que o pobre «Pecos» Burt não possa estar convosco!
— É verdade. Acredita que lamentei a sua morte como se se tratasse de um verdadeiro irmão.
Saíram e sentaram-se sobre a erva fresca, à sombra da construção. Do bosque vizinho chegava até elas um agradável sussurro, e alguns pássaros, aninhados no beiral do telhado, lançavam para o ar os seus alegres trinados. Tudo estava impregnado de uma grande paz e serenidade. No entanto, a paz e a serenidade eram enganosas. Um perigo espreitava as duas jovens.
Eleonor O'Brien foi a primeira a dar fé dele. Havia voltado a cabeça para arrancar uma margarida e viu os homens que se aproximavam. Ao seu grito, Minetake voltou também a cabeça e levantou-se disposta a apanhar uma pedra para se defender. Mas os bandidos caíram-lhe em cima e prenderam-lhe os braços.
— Miseráveis! — arquejou a jovem índia. — Que procurais aqui? Vós sois os que fugiram da prisão!
— Como o adivinhaste, pequena? — perguntou um dos foragidos com ironia.
«Faro» Robinson adiantou-se, ignorando Minetake. Todo o seu interesse ia para a pessoa de Eleonor O'Brien.
— Voltamo-nos a ver, Eleonor, e desta vez no meu terreno.
— O que te propões fazer?
— Cansei-me de esperar, querida. Tenho a tua imagem gravada no cérebro com os contornos desenhados a fogo, e é-me impossível arrancá-la. Tu e a tua amiga virão comigo.
Fez um gesto aos restantes bandoleiros. Tratava-se, efetivamente, do grupo de fugitivos. «Faro» Robinson havia-os libertado e todos, sem exceção, haviam decidido fazer parte da nova quadrilha criada por ele. Amarraram os cavalos junto aos das raparigas e penetraram na cabana, levando Minetake.
— É um atropelo de que, apesar de tudo, o julgava incapaz — sussurrou a filha de O'Brien.
«Faro» Robinson cravou de novo as pupilas amareladas no rosto ligeiramente sufocado da jovem.
— Tu és obstinada, mas eu não o sou menos. Veremos por fim quem vence. Que viste em Richard Maloney que eu não tenha?
— Ele é um homem honrado!
O foragido levantou a mão e deixou-a cair com força sobre a face de Eleonor. Naquele momento, dentro da cabana, soou o alarido de um dos homens de Robinson, seguido por um grito de Minetake.
— Que aconteceu, rapazes? -- inquiriu o cabecilha em voz alta.
— Esta ferazinha morena mordeu-me — explicou um deles. — Eu, para me defender, vi-me obrigado a dar-lhe uma bofetada.
O homem que falara havia entretanto surgido à janela.
— Estão uns para os outros! — murmurou a filha de O'Brien, com os olhos húmidos.
«Faro» Robinson ignorou o comentário da jovem.
— Deixai-vos de brincadeiras e amordaçai-a convenientemente ordenou. Sairemos em seguida para o esconderijo.
— Vocês são infames — prosseguiu Eleonor, compreendendo o que havia acontecido com a amiga.
O cabecilha não replicou. Agarrou a jovem pela mão, arrastou-a para o cavalo e em menos de um minuto manietou-a de tal forma que não pudesse escapar. Os restantes bandidos fizeram o mesmo com Minetake, e, pouco depois, com ambas as mulheres prisioneiras, galopavam rumo ao Sul, para o esconderijo que os foragidos tinham nos Termos...

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

PAS566. Nunca faças perguntas a um homem escondido

Passados vários dias, a ferida de «Faro» Robinson estava suficientemente cicatrizada para permitir ao cabecilha dos bandidos descer a Rapid City, a fim de visitar 'William O'Brien e combinar com este a melhor forma de libertar os presos.
Morto «Maneta» Abraham, o jovem foragido tinha a certeza absoluta de que, se os tirasse da prisão, todos os homens que haviam pertencido ao bando daquele se uniriam a ele de bom grado.
O problema estava, pois, no modo de os libertar. Sabia por experiência própria que nenhum dos batedores se deixaria subornar, pelo que pensava sinceramente que a solução tinha de ser encontrada noutro lado, com a ajuda do pai de Eleonor. Ele era bom para assaltar caravanas em grupo, mas não para idealizar um plano em que a inteligência predominasse sobre a força.
Pouco depois de anoitecer, selou o cavalo e partiu para o povoado. Sabia que não se podia apresentar ali despreocupadamente e, por isso, esperou que as sombras noturnas se apoderassem da terra.
Uma vez em Rapid, conduziu a sua montada a passo por algumas ruas pouco frequentadas. Estava quase a alcançar o seu objetivo — a porta traseira do «saloon» de O'Brien — quando algo lhe chamou a atenção.
Uma das janelas posteriores da residência do seu amigo estava iluminada e, através dos vidros, percebiam--se várias figuras, que se moviam no interior. Numa dê-las reconheceu Eleonor e não teve força de vontade para passar de largo.
Aproximou-se da vidraça e pôde comprovar que a jovem se encontrava acompanhada por uma rapariga morena, de visíveis traços índios, e por um homem de uns vinte e cinco anos, vestido como os caçadores.
«Faro» Robinson não podia adivinhar que os hóspedes de Eleonor eram Minetake e Tony Mitchell.
Os dois jovens haviam sido apresentados à rapariga naquela mesma tarde e a filha de O'Brien fizera questão em que o caçador e a rapariga pele-vermelha a acompanhassem a casa para tomarem todos um refresco. Nem Tony Mitchell nem Minetake haviam sabido recusar e ali estavam os três, percorrendo os salões, sob a admiração de Minetake e os elogios de Tony Mitchell ao muito e belo que a casa encerrava.
«Faro» Robinson sentiu-se invadido pelo ódio e pela inveja só pelo fato dos jovens serem convidados da rapariga que desejava de modo doentio. Apertou os punhos com raiva.
— Que faz aí, amigo? Que observa com tanta insistência?
A voz de «Pecos» Burt soou à retaguarda de «Faro» Robinson e este voltou-se com os revólveres nas mãos. Não respondeu nem articulou a menor palavra. Tinha visto a morte demasiado perto da última vez que estivera no povoado e o medo de cair de novo ferido fê-lo premir o gatilho sem permitir ao outro o menor movimento de defesa.
Na noite, os dois disparos ecoaram lugubremente e as balas acertaram em cheio no peito do mais velho dos Mitchell. Sob todos os prismas, foi um assassínio.
«Pecos» Burt cambaleou. Quis sacar as suas armas, mas, sem forças para isso, caiu de costas. O foragido, receoso, correu para o cavalo e perdeu-se na noite. Tony Mitchell saiu à rua, atraído pelos disparos, e encontrou-se com o corpo moribundo.
Quando se aproximou e viu que era seu irmão, algo como uma forte descarga elétrica sacudiu o seu corpo. O grito que proferiu pareceu mais o de uma estranha fera.
— Burt! Quem disparou sobre ti?
«Pecos» Burt sorriu tristemente. Pela comissura dos seus lábios começou a deslizar um fio de sangue.
— Agora... fui... eu... o caçado... — arquejou. — Não... o... conheço...
Minetake e Eleonor haviam acudido também e lágrimas de verdadeiro pesar corriam-lhes pelas faces. As de Minetake pareciam de fogo.
Tony Mitchell não permitiu a «Pecos» Burt continuar a falar. Levantou-se do chão e com ele nos braços dirigiu-se para o posto de «rurais». Maloney surpreendeu-se ao avistar Tony Mitchell carregado com o ferido. Aproximou-se dos recém-chegados e urna exclamação de surpresa e dor acudiu aos seus lábios ao verificar de quem se tratava. Colocaram Burt Mitchell numa cama e tentaram por todos os meios estancar-lhe a hemorragia.
— Vou... andando... Tony — falou «Pecos» Burt, entre estertores. — Acertaram-me... bem...
— Não fales, Burt -- recomendou o irmão, com lágrimas nos olhos. — inútil... Tony... O meu assassino é... um homem jovem... com pupilas... amarelas.
— «Faro» Robinson! — exclamou Richard Maloney. — Pelos sinais não pode ser outro.
Minetake e Eleonor O'Brien choravam em silêncio. Tony Mitchell tinha os dentes cerrados e os olhos fixos no descomposto rosto do moribundo.
— Que sejais... muito... felizes... Tu, Minetake... cuida... dele...
Não voltou a pronunciar qualquer palavra. Deu um suspiro, inclinou a cabeça e morreu. No rosto ficou a pairar-lhe um leve sorriso.
Tony Mitchell mostrou-se aniquilado. Burt e ele jamais se haviam separado desde que ficaram órfãos. Haviam crescido juntos e juntos percorreram a pradaria, dedicados à sua profissão de caçadores. Quantas vezes se haviam salvado a vida mutuamente, em luta contra os índios, contra os bandoleiros, contra as feras!... E agora, um maldito cocote havia-o privado do seu companheiro de sempre. Ergueu-se perante o cadáver de «Pecos» Burt e murmurou com voz rouca:
— Eu vingar-te-ei, irmão. O sangue desse assassino pagará o teu!

Outras passagens

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...