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sexta-feira, 31 de março de 2017

PAS733. A arte de bem cavalgar um «Furacão»

—Não temes que o teu cavalo fuja? — perguntou Ales, a olhar com admiração o lindo equídeo, negro e brilhante como alcatrão, que tinha ficado solto.
— Não. Pode ser que ele dê uma corridinha, mas nunca sai do alcance da minha vista. É tão fiel como uni cão.
—Agrada-me muito. Nós tínhamos bons cavalos, mas não melhores do que este. Deixas que eu o monte? — Será melhor que não.
—Porquê?
—Bom, é que ele é muito fogoso, e pode atirar-te ao chão — respondeu Lyn a esboçar um sorriso,
—A mim? Bah! Eu montava-o nem que ele fosse selvagem — respondeu convencido o jovem.
— Não te fies na sua mansa aparência. Chamo-o «Furacão» e ele faz honra ao seu nome. É um autêntico alazão!
—Se não me deixares montá-lo, diz claramente —respondeu o rapaz furioso.
—E porque não hei-de deixar? Simplesmente aviso-te das suas manhas.
—Então, deixas...? — insistiu Ales.
—Como quiseres—disse Lyn. — Mas recorda-te do que te disse.
— Sei montar, apesar de não acreditares—respondeu o rapaz com gana.
— Muito bem.
Lyn assobiou, fazendo com que o negro cavalo se aproximasse, e então o pequeno Reynolds saltou agilmente para a sela.
O animal pareceu não notar o peso do cavaleiro, apesar de levantar a cabeça e olhar estranhamente para o dono.
— Mas ele é manso com um cordeiro! —gritou Ales alegremente.
O animal obedeceu docilmente, mas de repente, depois de andar uns metros, estranhamente, dobrou as patas como se fosse sentar-se e saltou a retorcer-se inverosivelmente para o ar, ao mesmo tempo que relinchava, como um vibrante clarim.
Ales foi projetado e rodopiou pelo solo a levantar uma grande nuvem de pó, enquanto o cavalo sacudia as crinas e relinchava a fazer troça do jovem.
Lyn parou a carroça para auxiliar o rapaz, mas pôs-se a rir ao vê-lo de pé a sacudir o pó.
— Maldito bicho! — exclamou Ales, furioso e humilhado. Parecia tão mansinho! Apanhou-me desprevenido e atirou-me ao chão. Mas não voltará a fazer isso.
— Já te disse para não te fiares nele gritou--lhe Lyn, sufocado pelo riso. Não dizias que sabias montar?
— Monta o teu, Ales — disse Elianne, indignada do alto da boleia.
Depois voltou-se para Lyne e furiosa disse:
— Diverte-lhe muito que o meu irmão tivesse podido partir a cabeça? Sabe montar, e certamente melhor do que você. A verdade é que essa sua pileca é um traidor.
Com os olhos brilhantes e as bochechas do rosto encarnadas estava muito bonita.
—Porque o deixou montar se sabia que isso ia acontecer? — interrogou indignada.
—Eu avisei-o, mas ele insistiu que podia montá-lo- respondeu o jovem, a lutar para conter o riso. —Como se pode saber a verdade sem se comprovar?
—Pois claro que posso montá-lo! — gritou Ales, furioso por ver a vontade enorme que Lyn tinha de se rir. —Veremos se esse «Furacão» é capaz de me atirar ao chão.
—Será melhor que não tentes, companheiro—disse-lhe Lyn com o mesmo sorriso disfarçado nos lábios. — Podes magoar-te, e como vês a tua irmã julgou-me responsável por isso.
Ales julgava-se um bom cavaleiro e estava furioso.
—Vou montar esse diabo! E tu não te metas nisso, Lyn.
Resolvido dirigiu-se para o cavalo, que parecia esperá-lo a pouca distância, como que a desafiá-lo.
—Deixa-o, Ales. Estou certo de que sabes montar—disse Lyn mais sério.— Não é preciso que demonstres.
Mas o rapaz já tinha as rédeas do garanhão na mão.
— Quero montá-lo —respondeu ao mesmo tempo que saltava para a sela.
«Furacão» arrancou briosamente, a trotar alegremente. Mas Ales não se fiava e cavalgava com todos os sentidos alerta, disposto a receber qualquer das veleidades do animal.
Mas não lhe serviu de nada.
O cavalo levantou subitamente as ancas, tão alto como se fosse cair de costas.
O cavaleiro foi projetado pelo dorso e caiu sentado no chão, de um modo tão ridículo que Lyn não conteve uma forte gargalhada.
— Bruto! — disse Elianne.
Lyn encolheu os ombros sem deixar de rir, ainda divertido pela fúria dela.
— Diverte-se sempre da mesma maneira? — perguntou a jovem.
--Oh, não! Vario muito.
— Que gracioso! Não vê que esse maldito animal podia ter matado o meu irmão?
— Mas se Ales é um grande cavaleiro! —gozou Lyn, sufocado pelo riso. — Não faz senão cair comodamente.
Elianne olhou-o sem saber o que fazer com ele, demasiadamente furiosa para encontrar uma resposta adequada, e voltou-se para desaparecer no interior da carroça.
Ales a sacudir o pó, deixou que o carro chegasse ao pé de si e «Furacão» chegou-se como que convidá-lo para continuar o jogo.
—Deixa-me em paz! gritou-lhe o rapaz. — Vai-te embora, não quero nada contigo.
Depois subiu para a boleia da carroça.
— Ninguém mais quer montá-lo? — perguntou surpreendido.
—Bom, também tu o montaste. Apesar de pouco tempo—respondeu Lyn.
Sentiu-se novamente acometido pelo riso, mas sem querer humilhar o rapaz.
— Eh, tu, mau peludo! Vamos a ver se deixas de dar saltos como uma rã — gritou a um dos cava-los, a restelar uma chicotada. —Vamos, mostrengo.
Ales dissimulava a sua fúria.
— Queres conduzir-nos ou preferes ir aqui? — perguntou Lyn ao rapaz uma vez contida a gargalhada. -- Um de nós deve ir à frente para abrir caminho.
—Eu irei — disse Ales mal-humorado.
Lyn olhou-o abertamente.
-- Enfadado? — perguntou sorridente.
O rapaz respondeu mais risonho.
— Não. Só um pouco dorido.
— Faz-te amigo dele, e já verás corno podes montá-lo. É um sem vergonha, mas simpático.
— Acho que não voltarei a confiar nele—disse Ales.
Olhou para o cavalo que trotava perto e viu que ele tinha o pescoço virado.
— O bandido continua a desafiar-me.

quinta-feira, 30 de março de 2017

PAS732. Irmãos de sangue

— Há pouco mais de dois anos andava eu pelas imediações das Montanhas Negras, a caçar para uma caravana de pioneiros que se dirigiam em busca de novas terras, mas nessa altura ainda não se tinha descoberto ouro, apesar de correrem alguns rumores.
Fez uma pausa para comer mais um pouco.
—O lugar era perigoso, pois os índios nunca gostaram que andássemos pelos seus territórios. De súbito ouvi disparos e fugi. Mas não eram para mim. Contudo, alguém podia estar em apuros, de modo que me encaminhei para o local dos disparos, tomando todas as precauções. Deste modo deparei com uma cena muito parecida com a que tu foste protagonista, Ales. Tratava-se só de um índio. Três tipos mal-encarados tentavam divertir-se á sua custa, mas acabaram por se impacientarem por não o conseguirem.
— «Atira-lhe à cabeça» —gritava um deles no momento que eu me aproximava de uma rocha próxima.
—Era um índio, mas apesar de tudo não me agradou o proceder daqueles tipos, de modo que os afugentei a tiros. O pele-vermelha continuou imóvel, com os braços cruzados sobre o peito, até eu chegar.
— «Que vai fazer o grande guerreiro branco com Yellow Beak? (Pico Amarelo) — perguntou-me então tranquilamente.
—Era muito jovem e fiquei surpreendido por falar inglês.
— «Que me matem se eu sei! —resmunguei. — Que teria feito Yellow Beak no meu lugar?
— «Arrancava-lhe a cabeleira—respondeu calmamente.
—Bom, o caso é que não esperava aquela resposta e não pude evitar o riso.
-- «O caso é que não sabia o que fazer com semelhante troféu— disse depois de conter as gargalhadas—, de modo que o melhor será deixar-te ir.
—Yellow Beak não pareceu surpreender-se demasiado, nem pareceu ter pressa em aproveitar os meus bons propósitos. — «Caras pálidas matar o meu cavalo. Quer o grande guerreiro levar-me até às tendas da minha tribo?
—A proposta era tão inesperada como excitante, de modo que não pude resistir à tentação. Yelow Beak era o filho do chefe e fui bem recebido entre os seus. Fiquei uns dias com eles, aceite como mais um membro da tribo, especialmente depois de! cruzar o meu sangue com o de Yelow Beak, o que nos tornou irmãos. Não sonhava que nos voltássemos a encontrar nestas circunstâncias.
— Quer dizer que desde então não o viu mais?! —perguntou Elianne, muito interessada.
—Não. Sou guia, caçador e o que aparecer. Encontrá-lo foi uma casualidade afortunada, pois ao que parece os índios estão em pé de guerra, cansados do desleal trato que recebem. Por isso temos que chegar a Rapid quanto antes.
— Mas, como poderemos ir se deu os bois aos índios? Pai...
— Eles arranjam-nos alguns dos seus cavalos — interrompeu-a Lyn. — Outra coisa de que os privaram foi da abundância de caça, e precisam de carne. Nós nos arranjaremos.
—Como se faz um irmão de sangue, Lyn? —perguntou Ales, interrompendo a conversa.
Lyn encolheu os ombros, divertido.
— Tu fazes um corte na mão, assim como o outro que vai ser teu irmão, unem as feridas ligando os braços com um lenço, e fazem então os votos de irmandade, e já está.
—E é a mesma coisa para os brancos?
O jovem riu-se.
— Bom, não é costume. Mas claro que serviria para os interessados caso estivessem de acordo. Mas nunca te fies nesses parentescos.
— Mas Yellow Beak manteve-se fiel.
—Sim. Em certos aspetos, os peles-vermelhas merecem mais confiança do que os brancos. E por falar neles, aí estão.
Levantou-se a olhar para a nuvem de pó que se levantava nas pequenas elevações circundantes.
— Pois eu gostaria de ser teu irmão de sangue —disse Ales ao seu lado. —E eu também seria fiel.
Lyn sorriu, a olhar para o rapaz.
—Sim.
E Lyn continuou:
— Prepara as rédeas. Teremos que engatar pelo menos quatro cavalos.
Mas Ales não se apressou e ficou a contemplar com temerosa admiração os cavaleiros selvagens a cujo encontro ia Lyn.
—Ales —chamou a sua irmã—, vem ajudar-me.

quarta-feira, 29 de março de 2017

RB010. Dakota

(Coleção Rio Bravo, nº 10)
 
Esta novela de Tex Taylor faz pensar que o autor a terá escrito para cumprir calendário. A tradução também não ajuda muito, existindo momentos em que o texto não faz sentido.
O argumento não é muito conseguido. O velho Reynolds abandona a sua terra pois é perseguido por um cacique local que lhe corteja a filha. Parte com os dois filhos mas não se livra da perseguição do malvado.
Lyn Chapman cruza-se com os fugitivos quando eles são atacados pelos homens do cacique Dylon. Reynolds está ferido e imediatamente providenciou socorro para o patriarca da família ajudando-os a chegar a Rapid.
Pelo meio, um ataque dos índios foi providencial para afastar os homens de Dyson e Lyn acaba por se apaixonar ela bela filha de Reynolds…
Apesar de tudo há uma ou outra passagem que nos conduz ao cerne das novelas de Taylor. Aí sente-se a verdadeira novela do Oeste. Vamos deixar duas dessas passagens.


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