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quarta-feira, 11 de maio de 2016

PAS628. Ódio sob o pó das recordações

— A culpa deste ódio! Todos o sabem! — comentou Red Haley, pausadamente —. Nem sequer posso culpar Ray de ter-me levado de casa. Fui com ele porque o admirava. Ray costumava refugiar-se, de vez em quando, na cabana que minha mãe e eu tínhamos nas cercanias de uma povoação. Quando decidi partir com ele, arranquei-lhe a promessa de que nunca voltaríamos ali. A fazê-lo, iria eu sozinho, para evitar que a minha mãe e os meus conterrâneos me vissem misturado com a sua gente. Era essa a contradição que torturava o meu espírito de rapaz. Admirava a vida de Ray, e, ao mesmo tempo, envergonhava-me dela...
Outro silêncio. Tossiu, como se o pó das recordações removidas lhe tivesse penetrado na garganta. Parecia que não ia continuar. E já Mady, presa àquelas considerações, se dispunha a pedir-lhe que prosseguisse, quando Red fez, de novo, ouvir as suas palavras frias.
— Uma vez, Ray e eu livrámos um homem de um grave apuro. Uns vaqueiros tinham-no surpreendido a cortar uma vedação, e ele debatia-se desesperadamente para escapar das mãos deles. Mas eram muitos a atacá-lo, e estava bem à vista como a cena ia acabar. «Ali temos um tipo em maus lençóis — disse Ray —. Sinto uma predileção especial por recrutar gente desta!». Foi a primeira vez que o vi salvar um condenado à morte. Depois, fê-lo muitas outras vezes. Julgava que, assim, assegurava nos seus homens uma fidelidade de cão.
— Esse primeiro condenado que viste... era o meu  irmão? — inquiriu Mady, visivelmente comovida.
— Não importa quem era!
— Não receies ferir-me. Ele próprio mo confessou ontem à noite. É daí que parte tudo. William nunca quis esquecer o que devia a ti e a Ray. E foi por isso que, quando um dia, se foi refugiar com Ray numa cabana, e ouviu dos lábios de uma pobre velha as verdades mais amargas, sentiu, pela primeira vez, o peso dessa dívida. Ray, enfurecido, esbofeteou a mulher, e William, desesperado, nada mais pôde fazer que puxar Ray e levá-lo dali. A velha foi até à porta e, com os olhos inundados de lágrimas, dirigiu-lhes palavras ásperas e amaldiçoou-os. Muita gente os observara, mas ninguém se atreveu a intervir. William e Ray montaram a cavalo e fugiram.
Fez-se novo silêncio. Red cofiava com os dedos as crinas do cavalo.
— Eu sei isso tudo — disse Hailey, serenamente — Quando estive na povoação, havia já seis meses que a «velha» tinha morrido. Mas o olhar com que todos os meus conterrâneos me acolheram foi talvez mais expressivo do que o que a «velha» me poderia ter dito. Nessa altura, eu ainda admirava Ray. Limitei-me a perguntar-lhe por que não havia cumprido a sua promessa de não ir a casa de minha mãe. Respondeu-me que fora ideia de William. Acabavam de ter um encontro com os representantes da lei, e Ray estava gravemente ferido. Foi nessa altura que perdeu a mão. William lembrara-se de se esconder ali, porque pensava que a «velha», devido ao parentesco que a ligava a mim, era a única pessoa em quem podiam confiar. Ray afirmou-me que estava meio desfalecido, e que tudo se passara quase sem ele se aperceber...
— E tu acreditaste sempre nele! — interrompeu Moly, secamente, com uma atitude quase agressiva.
— Eu nunca acreditei em nada! Ter-me-ia, sido fácil matar Ray. Tanto mais que só podia servir-se da mão esquerda. Mas decidi esperar. Verifiquei que ele alimentava contra teu irmão um fervoroso ódio, que havia de persegui-lo incansavelmente. Mas o teu irmão desaparecia como o fumo. Ninguém conseguia pôr-lhe vista em cima...
— Fugia, porque tinha a sua dívida para com Ray. E também para contigo, porque te julgava ligado a ele. William contou-me que, quando fugiram da povoação, logo que se encontraram num local solitário, pararam os cavalos. Conservaram-se calados, por uns momentos. Foi Ray quem falou primeiro: «William, podes dizer a Red que eu castiguei a sua mãe, por se intrometer na minha vida e na dele». O meu irmão limitou-se a responder: «Nada direi a Red. Se algum dia ele te procurar para te procurar para te matar, será por sua conta!». Durante algum, William pensou que se produzisse em ti a mesma mudança que se produzira nele. Depois, acabou por pensar que já não tinhas emenda.
— Como vês, parece que se enganou — replicou Red, com ironia —. O governador não hesitou em conceder-me o título de bom cidadão. Não creio que William o tenha conseguido, com os seus cinco anos a lavrar terras...
Agora era Mady quem parecia não ter pressa.
— Nunca te preocupaste em pensar porque Ray odeia o meu irmão desta maneira?
— Não é difícil encontrar o motivo. Foi William quem abriu o caminho aos desertores.
— Não disfarces, Red! Tu sabes o verdadeiro motivo. Pudeste averiguar que Ray te mentiu quando disse que William o levou para tua casa meio desfalecido. Ray não estava ferido!
— Bem… E depois? — inquiriu Red num tom quase indiferente.
— William prometeu não te dizer nada. Mas alguma coisa se passou quando ele interferiu em defesa da tua mãe. Ao ver a atitude brutal de Ray, ameaçou-o com o revólver. Ray não hesitou um segundo e puxou a sua arma. Mas não chegou a disparar. Nunca mais tornaria a disparar com essa mão…
E, depois de breve pausa, acrescentou:
— A mão que agrediu a tua mãe…

terça-feira, 10 de maio de 2016

BIS036.1 Sob o signo do ódio

«Sob o signo do ódio» é uma trama complexa acerca do relacionamento entre três homens, William, Red e Ray que tinham tido um percurso comum, no passado, no campo do crime. William escapou-se e tentou iniciar nova vida num local em que ninguém o conhecesse, mas um dia um estranho aviso soou à porta de sua casa e, com a esposa à espera de um filho, teve de se preparar para enfrentar o passado. Este concretizou-se no aparecimento dos outros companheiros embora em campos opostos.
Vamos deixar uma passagem deste livro para se compreender a razão do ódio que ligava aqueles três homens. Eis um livro do senhor Rolcest um pouco menos aborrecido que outros por que passámos.

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