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domingo, 29 de janeiro de 2017

BIS125. O rancho diabo

(Coleção Bisonte, nº 125)
 
 Este livro, com outro título, tem o mesmo texto que já encontrámos em «Isto não é contigo!». Mais uma vez chamamos a atenção para esta prática da APR de publicar o mesmo livro com nomes diferentes. Neste caso, chegou a mudar o nome do autor, aqui, A. G Murphy, na obra da Arizona, Uriah Moltan.
Aqui chegados só nos resta reproduzir o que dissemos em relação à outra obra com este pequeno elemento de precisão: o livro da Bisonte terá sido publicado uns quatro anos antes do da Arizona…
«Charles Derek é um vagabundo expulso dos rurais por se embebedar com frequência. O seu eterno deambular levou-o até Pecos onde veio a conhecer que um seu antigo companheiro ali tinha sido assassinado o mesmo acontecendo a um conjunto de madeireiros que se preparavam para desbastar um bosque.
«O próprio facto de ter sido sujeito a um processo de violência por um conjunto de indivíduos menos escrupulosos a soldo de Howard Charisse fez com que procurasse reabilitar-se e interessar-se pelo que se passava na cidade.
«Howard movia-se pelo desejo de explorar em proveito próprio uma mina de prata utilizando trabalho escravo protegido por pistoleiros e a sua ganância era tanta que não hesitava em recorrer ao crime. Mas Howard também vivia apaixonado pela sua linda prima, Tula e a sua reação quando alguém se aproximava dela não era a melhor.
«Tula era posta à margem das catividades do primo. «Isto não é contigo!» diz o título da novela, mas um dia veio a conhecer Derek e uma nova realidade lhe foi traçada relativamente à família.
«Esta novela de Uriah Moltan, autor que não conhecia, é muito interessante e bem narrada, embora um pouco precipitada na fase inicial. Da mesma deixamos algumas passagens.»
 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

PAS708. O vagabundo amrgurado encontra a bela do cavalo branco

Espicaçou o cavalo e perdeu-se a caminho do lago. Não sabia verdadeiramente a razão pela qual se dirigia para aquele lugar e não para outro qualquer. Não tinha a intenção de tomar banho, como dissera à senhora Allison, nem tão-pouco a sua caminhada poderia classificar--se de simples passeio. De qualquer modo, dirigiu-se para ali e estendeu-se de costas no solo, com os braços cruzados atrás da nuca, à sombra de alguns arbustos, enquanto o animal pastava na margem do lago.
Assim se passou um bom bocado, durante o qual Charles permaneceu pensativo, visivelmente inquieto. Qual seria a causa do seu estado de ânimo? Nem ele mesmo o sabia, embora algo lhe segredasse que podia muito bem respeitar a Tula Charisse e à notícia que seu primo lhe dera quanto aos seus propósitos de se casar com ela.
Como podia ter sucedido aquilo se a própria rapariga lhe garantira não serem as suas relações com o primo as mais cordiais? Howard Charisse afirmara haver-lhe feito uma promessa a troco do seu consentimento, mas Charles Derek não teria confiado em nenhuma espécie de promessas feitas por tal indivíduo. Desde o primeiro instante em que o conhecera, tinha-o na conta de um astuto e imundo réptil, e a anunciada transformação não lhe merecia a menor confiança.
Estava realmente amargurado.
O sol, na distância, lambia já com os seus derradeiros raios os picos das montanhas. Charles Derek olhou nessa direção e não pôde conter um suspiro.
A tarde estava muito bela. A atmosfera, limpa e transparente, cheirava a artemísias e alecrim. As águas do lago haviam-se tingido de um vermelho sanguíneo e nelas refletiam-se as árvores e os arbustos da margem.
Derek nunca imaginara que ela aparecesse num momento daqueles tão propício ao sonho. Fê-lo sobre o seu nervoso cavalo branco e de maneira que ele julgou estar sonhando. Não obstante, não era um fantasma, mas sim uma deliciosa realidade.
Ergueu-se de um salto e aguardou anelante que Tula se aproximasse. No momento de a ver compreendera que o que o seu subconsciente aguardava não era outra coisa que a rapariga.
Ela saudou-o com um movimento do seu chicote e saltou do cavalo. Estava muito corada, belíssima e o seu cabelo ruivo despedia reflexos cobreados ao ser beijado pelos últimos raios do astro-rei.
— Devia-lhe uma explicação e venho dar-lha. Um sexto sentido advertiu-me da possibilidade de o encontrar aqui.
— Talvez fosse esse mesmo sexto sentido que me obrigou a deslocar-me aqui sem qualquer razão aparente retorquiu ele docemente, embriagado com a presença da mulher e o embruxador da tarde agonizante. —Mas não tem de me dar explicação alguma. Você é senhora de agir como melhor lhe parecer.
— É que eu desejava confiar-me a, alguém. Vou-me casar com Howard, sim. Não obstante, não o amo. Pelo menos com esse amor que, em meu entender, se deve ter pelo homem com quem temos de partilhar a nossa vida para sempre.
— Como se justifica, portanto, que o tenha aceitado para marido, Tula?
— Você falou-me de coisas que me encheram de pavor. Depois soube que o culpavam a si da morte de Blucson, bem como a esses pobres madeireiros. Meu primo assegurou que era vítima dos seus próprios amigos, os quais o arrastavam às vezes para coisas que não queria. Desejei pô-lo à prova e prometi-lhe que se ele olvidasse a morte de Blucson, o deixasse a si e aos madeireiros em paz e despedisse a quadrilha de indesejáveis que tinha ao seu serviço, seria sua mulher.
— Não cumprirá a sua palavra, Tula. Vai ter ocasião de o verificar. Portanto, não se case com ele. Um dia poderia despertar para a realidade e chegar à conclusão de que se casara com um monstro. E eu lamentaria que, para me salvar a mim e a mais alguns homens, a quem mal conhece, se tivesse sacrificado. Espere algum tempo... Eu, Tula... eu também lhe quero, nobre e sinceramente. Sentiria muito ser causa da sua infelicidade.
Tula e Charles, inconscientemente, tinham-se aproximado um do outro de tal maneira que a respiração de um bafejava o rosto do outro.
— Vejo que continua a duvidar de Howard... No entanto, até este momento, não tenho nada a reprovar-lhe. Despediu o pessoal e não intentou coisa alguma contra si e esses trabalhadores.
— Ainda não é tarde. Para onde foram Fnrlow e os outros? Charisse falou-lhe do enigma da montanha? Ontem mesmo, durante a noite, ao deixá-la a si, surpreendi seis cavaleiros do seu rancho. Segui-os, mas, de súbito, desapareceram. Não me tinha ainda refeito do meu assombro quando me surpreendeu a aparição de seis homens a cavalo, «que não eram os mesmos» — sublinhou.
Enquanto falavam, a noite caíra por completo. Charles Derek prosseguiu, apontando motivos para que Tula não confiasse demasiadamente no homem com quem aceitara casar-se.
Por fim, esta prometeu-lhe que retardaria o mais possível data desse casamento, e tão distraídos estavam que não se advertiram da presença de Charisse.
Howard, ciumento e desconfiado, havia seguido sua prima a uma prudente distância e arrastara-se depois até se situar a dois passos dos jovens. Ali, com os maxilares contraídos, escutara todas e cada uma das palavras que Tula e Charles haviam pronunciado nos últimos minutos.
 Decorrido um bom bocado, Tula e o ex-«rural» despediram-se com um afetuoso aperto de mão. Ela retomou o caminho do rancho, presa de uma doce angústia e ele perdeu-se, não menos angustiado, na direção de Pecos.
Howard Charisse permaneceu ainda durante algum tempo junto dos arbustos que o tinham ocultado e foi depois em busca do seu cavalo, que deixara escondido entre um grupo de árvores não muito distante. Montou a cavalo e lançou-se a galope rumo ao bosque.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

PAS707. Isto não é comigo!

A gente voltava já do enterro. Salvo os quatro madeireiros sobreviventes, que se haviam demorado um pouco mais junto da cova comum dos seus companheiros, todos pareciam ter pressa em regressar à povoação, onde os sinos da igreja chamavam os fiéis.
Charles passou pela frente daqueles homens e mulheres e conseguiu descobrir ainda a jovem, detida na lomba onde estava encravado o cemitério. As cruzes, sob o sol ainda na sua, curva ascendente, recortavam-se como braços que implorassem clemência.
Esporeou o cavalo naquela direção, mas antes que pudesse ali chegar aconteceu algo de imprevisto que o encheu de confusão. Os quatro serradores haviam-se lançado contra ela.
A rapariga deixou escapar um grito e, apesar da resistência que oferecia, foi arrancada da sela e arrojada por terra, onde os seus atacantes procuraram dominá-la. Mas já Charles Derek se precipitava sobre o grupo.
— Que fazem vocês? — perguntou descavalgando e tratando de libertar a jovem. -- Será que enlouqueceram?
— Isto não é contigo, Derek! — recomendou Bart Shunny, cujo rosto se mostrava apoplético. .
Red Mulford atirou-se sobre Charles e este viu-se obrigado a descarregar os seus punhos no homem que procurava agredi-lo. Alcançou-o em cheio, mas nem por isso se livrou ele próprio de ser maltratado.
O madeireiro era forte como um búfalo e conseguiu derrubá-lo, ante as gargalhadas dos outros.
Charles, quase perdidos os sentidos, levantou-se e investiu contra Lanky Williams. Este, ante a tremenda cabeçada no estômago, retrocedeu com as mãos sobre a parte atingida e a boca aberta na ânsia de reabastecer os pulmões de ar.
Não obstante, a luta depressa acabou. Enquanto Bart Shunny continuava a sujeitar a jovem, Red Mulford e Jimmy Houston caíram sobre Derek. E enquanto um deles o agarrava pelas costas, o outro golpeava-o impiedosamente no rosto até o privar do conhecimento.
-- Selvagens! Selvagens! — gritou a rapariga incrustando o tacão de uma das suas botas na tíbia de Bart Shunny. — Meu primo não tardará em saber disto e podem estar certos de que o pagareis bem caro.
— Seu primo, hem? — replicou Bart, ameaçadoramente. — A esse é que desejaríamos ter agora nas mãos. De qualquer modo, temo-la a si, e isso pode ser uma boa maneira de obrigar essa raposa a sair da sua madriguelra.
A rapariga cessou de forcejar. Os seus rasgados olhos azuis quedaram-se fixos, desmesuradamente abertos, no homem que chamara raposa a seu primo.
Depois, declarou:
— Eu não tenho nada a ver com os assuntos de meu primo. Enganam-se se me julgam cúmplice nessa atrocidade, meu Deus!
Derek removeu-se no solo e escutou a réplica de Bart Shunny às palavras da jovem:
— Deixe Deus tranquilo. Jamais os assassinos e os que com eles convivem invocaram alguém que não fosse o demónio. Você e o seu amigo virão agora à povoação connosco. Entregá-los-emos ao xerife e ele saberá o que tem a fazer.
Tula Charisse olhou aterrada para Derek, que seguia no solo sem tentar levantar-se e ergueu a cabeça.
— Juro-lhes que estão em erro! Nem esse jovem nem eu sabemos nada desses assassínios. No que me diz respeito, só hoje, ao chegar à povoação, e por mera coincidência, soube do que se passara.
Os quatro trabalhadores, pendentes do que a rapariga dizia, esqueceram-se por completo de Charles Derek. Este, entretanto, foi-se recuperando lentamente. De súbito, ergueu-se e, de um salto, apontou os seus revólveres aos desprevenidos madeireiros.
— Para trás! bradou. — Não tentem nenhuma tolice, pois podem sair-se mal. Vamos, soltem essa menina e que se vá em paz. Já a ouviram dizer que está inocente!
Bart Shunny libertou a jovem. Esta, surpreendida ante o novo aspeto tomado pelos acontecimentos, ficou um momento Indecisa, olhando para uns e para outros.
— Vá-se embora, menina Charisse — aconselhou Charles. — Sim, vou... — hesitava Tula. Acho que será o Melhor. Muito obrigado, senhor...
— Já lho tinha dito antes. Chamo-me Charles Derek. A partir de hoje, você tem um amigo em Pecos.
A jovem respondeu:
Obrigada. Não me esquecerei. Tal como estão a pôr-se as coisas, é muito possível que precise da sua amizade.
—Pois não hesite em recorrer a ela. Terei muito prazer em ser-lhe útil.
Tula Charisse montou a cavalo e partiu a galope na direção do rancho de seu primo. Um enorme peso caíra sobre o seu coração. A certeza de que seu primo e quem o servia eram uns criminosos estendeu sobre o seu rosto um véu de intensa tristeza.
— Perdoem-me se intervim em favor dessa rapariga. Conheço desde ontem à noite a versão que circula acerca da morte dos vossos companheiros, mas não podia consentir que vocês cometessem um equívoco de que mais tarde teriam de arrepender-se. Terão de acreditar na minha palavra, visto que sou um homem de honra: essa pequena não sabia nada com respeito a esses assassínios até eu lho dizer há pouco, em frente da igreja, quando o funeral saía. amiga do pastor e este portar-se-ia de maneira diferente se ela fosse o que vocês pretendem.
— Você está a falar demasiado para nos convencer da inocência dessa jovem — cortou Bart. — Ela já aqui não está, pelo que só nos interessa saber quem responde por si?
— Eu mesmo — redarguiu vivamente Charles Derek. Vocês julgaram-me empregado dos Charisse, não é assim? Pois enganam-se. Trabalho na povoação, na oficina da senhora Allison, hospedo-me em casa de Maureen Cooley, com cuja amizade me honro, e sou também amigo do xerife. Intervim nisto por um dever de humanidade, embora também eu tenha as minhas contas pendentes com os homens desse rancho, especialmente com Terry Bucson o Mirky Farlow.
Fez uma pequena pausa e sorriu:
— E, agora que já lhes expliquei tudo, querem seguir à minha frente e olvidar o ocorrido? Aqui têm a minha mão.
—Na nossa situação — decidiu Shunny, de súbito—, será preferível contá-lo entre os amigos que entre os inimigos. Quem dizem vocês?
— De acordo — opinou Mulford, falando por todos.
Charles Derek, que já tinha remetido os revólveres aos coldres, apertou uma por uma as mãos dos madeireiros e regressaram todos juntos a Pecos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

PAS706. Por quem dobram os sinos

O jovem correu para o seu, montou rapidamente e esporeou duramente o animal, procurando alcançar a amazona. Tudo inútil. O corcel da rapariga era muito mais ligeiro do que o seu e ganhava-lhe terreno a olhos vistos.
Deu-se por vencido e entrou na povoação a trote, olhando para um lado e para o outro na esperança de ainda a conseguir ver. E viu-a, montada no veloz animal, em frente da igreja, em cuja porta o pastor entoava uns responsos ante seis ataúdes que encerravam os restos mortais dos madeireiros assassinados no dia anterior.
Charles aproximou-se da ruiva e observou que no seu rosto se operara uma grande transformação.
— Quem... quem são?... — perguntou entrecortadamente, assinalando os caixões com um movimento de cabeça.
— Serradores de uma companhia madeireira — respondeu Charles, contente de poder ser útil à desconhecida.
— Algum acidente?
— Não... Foram os homens de Charisse.
A palidez da jovem acentuou-se.
— Por isso é que o xerife foi ontem ao rancho... — murmurou de si para si.
— Você conhece essa gente?
A jovem não respondeu. Talvez nem sequer tivesse ouvido a pergunta. Um tanto impressionada pelo tremendo espetáculo, esporeou uma vez mais o seu níveo cavalo e deteve-o numa das esquinas da igreja, por detrás dos homens e mulheres que rodeavam as carretas com os féretros.
O pastor acabou o serviço religioso. O cortejo fúnebre pôs-se em preguiçosa marcha. A rapariga dos cabelos de fogo viu-o afastar-se e desceu a seguir do seu cavalo, dirigindo-se para a porta da igreja. O pastor recebeu-a com um sorriso e ambos entraram no templo.
Charles Derek, a cavalo ainda, hesitou entre acompanhar os madeireiros mortos à sua última morada e entrar na igreja, optando pela última hipótese.
Na nave havia uma acolhedora penumbra. Charles observou os bancos.
A princípio não conseguiu ver a rapariga. Mas depois descobriu-a ajoelhada e notou que o seu coração palpitava aceleradamente. Se ela era bela lá fora, à plena luz do dia, sob a calidez do sol, mais bela era ainda ali, naquela repousante penumbra, em atitude de recolhimento e penitência.
Passados alguns minutos, a jovem ergueu-se e começou a caminhar para a saída. Charles Derek girou sobre os calcanhares e precedeu-a, recostando-se no exterior contra a parede.
Ao surgir a mulher, decidido, procurou cortar-lhe a passagem. Ela deteve-se e olhou-o diretamente no rosto.
— Ah, você novamente!... — exclamou, mais enfastiada do que propriamente zangada.
— Desculpe, menina. Chamo-me Charles Derek e gostaria de poder ser seu amigo. Vive por aqui perto?
A rapariga encolheu os ombros e começou a caminhar de novo. O ex-federal seguiu-a.
—Sim, vivo perto daqui. Satisfeito?
— Não inteiramente. Satisfeito me sentiria se me permitisse acompanhá-la.
A mulher sorriu e subiu para o seu cavalo.
— Lamento, mas gosto de cavalgar a bom galope e o seu sendeiro não seria capaz de acompanhar o meu «Raio».
Proferidas estas palavras, meteu esporas ao animal e este partiu a galope.
Derek, apesar de ter tido oportunidade de reconhecer a inferioridade do seu corcel, não hesitou um segundo em segui-la. Ao menos, já que não podia acompanhá-la, vê-la-ia desaparecer no horizonte tal como a vira surgir na margem do lago: como uma visão pertencente a outro mundo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

PAS705. A dama do lago

No domingo, Charles Derek levantou-se ao amanhecer, selou o cavalo da senhora Allison, meteu entre o cinto os «Colts» que Maureen Cooley lhe emprestara e deixou a povoação a um galope certo. A manhã estava cálida e bela e os pulmões do jovem aspiraram com prazer a balsâmica brisa.
Não se dirigiu para o bosque do rio Pecos, onde tinham sido assassinados os madeireiros, mas sim para o lago, que ficava na direção oposta. Quando chegou ali, deteve-se, empunhou os revólveres e esteve a praticar mais de uma hora nos mais diversos e difíceis exercícios de tiro, primeiro a cavalo e depois a pé.
Corria, parava de repente, dava meia volta, deixava--se cair, disparando em todas essas posições sem qualquer preparação, quase sem fazer pontaria.
Passado algum tempo, sudoroso e fatigado, procurou uma sombra e deitou-se no solo. O sol ia já alto e a atmosfera começava a tornar-se escaldante. Semicerrou os olhos e deixou-se ficar assim um bom bocado, imóvel.
De repente ouviu o frenético galopar de um cavalo na distância e espreitou um segundo por entre a ramagem. O cavaleiro, fosse quem fosse, parecia dirigir-se para o lago. Observou-o por alguns momentos e acabou por soltar um silvo de assombro.
Não se tratava de um homem, mas sim de uma mulher, e esta dispunha-se a tomar um banho, a julgar pela rapidez com que se despojou do vestuário e caminhou para a água. O seu cabelo chamejava sob o beijo dos raios solares e a pele do seu corpo era de um puro tom cor de canela.
Charles viu-a lançar-se de cabeça sobre a líquida superfície e gozar durante algum tempo dos prazeres da natação. Depois veio para terra e correu alguns minutos sobre a alfomba macia da erva que crescia na margem e que o cavalo da mulher mordiscava entretanto.
Seguidamente vestiu-se de novo, saltou com agilidade para a sua montada e esporeou-a nervosamente. O animal relinchou, saltou para a frente e empreendeu uma vez mais o galope, mas agora na direção' do local onde Charles se encontrava deitado.
O jovem esteve quase a pôr-se em pé para chamar a atenção da 'amazona sobre a sua pessoa, mas pensou melhor e encolheu-se, por forma a passar despercebido. A ter-se levantado e feito qualquer gesto, o cavalo da rapariga, que vinha lançado, ter-se-ia muito possivelmente espantado, arrojando a jovem ao solo. Fora apenas para evitar isso que Charles se decidira a continuar atrás da ramagem que lhe servia de refúgio.
Tanto a amazona como o corcel eram uma maravilha.
Os cascos deste ouviam-se cada vez mais perto. A amazona, inclinada levemente para a frente, havia afrouxado as rédeas e animava o bruto com carinhosas palmadas no pescoço.
O alvo animal, fiel aos desejos da dona, saltava limpamente cada obstáculo que encontrava na sua passagem. Ao chegar ao talude, junto do qual Charles se encontrava, o animal saltou da mesma maneira fácil e continuou o seu galope.
Mas a amazona esticou de súbito as rédeas, obrigou o corcel a revolver-se num palmo de terreno, e antes mesmo que ele se detivesse de todo, lançou-o sobre Charles Derek. Este tinha-se levantado já e procurava sorrir um tanto forçadamente.
Ela alçou o chicote sem que entre ambos se trocasse a menor palavra e deixou-o cair sobre a cabeça de Charles. Este, um pouco surpreendido com a belicosa atitude, mal teve tempo para fazer um requebro e agarrai a tira, de couro com que a rapariga procurava castigá-lo.
A jovem, que não esperava a pronta reação do ex-federal, perdeu o equilíbrio e teria caído do cavalo se o próprio Charles a não tivesse sustido.
— Você é um... um... — proferiu ela afogada pela raiva, sem encontrar o epíteto mais adequado para o designar.
— Um quê, menina? — sorriu Charles, sem largar o corpo que tinha abraçado. — Não creio que lhe tenha dado motivos para...
---Acha que não? Ter-se-á visto já cinismo maior? Parece-lhe pouco andar a espiar-me enquanto me banho?
— Juro-lhe que não foi essa a minha intenção.
— Bem, fosse ou não fosse, quer fazer o favor de me largar? Sei aguentar-me sozinha.
Charles perturbou-se ainda mais. Retirou as mãos do corpo da rapariga e procurou encontrar uma desculpa. Mas a sua garganta não modulou o menor som.
O jovem sentia-se constrangido, coisa que, a dizer a verdade, não lhe costumava suceder em situações semelhantes, e pensou que desde a sua chegada a Pecos estava a perder faculdades ao lidar com mulheres, embora aquela fosse um caso à parte. Nunca vira nem esperava voltar a ver uns cabelos tão vermelhos, uns olhos tão azuis e uma figura tão encantadora numa mulher, enfim, tão turbulenta.
— O caso é que... — emitiu, por fim.
Derek perdera já a oportunidade de a reter. A jovem saltara de novo para o seu cavalo e voltava a lançar-se a galope, tomando, sem olhar para trás, o caminho da povoação.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

PAS704. Matar por uma mina de prata

Prata. Era uma mina de prata. Ali estava o verdadeiro segredo de Charisse e a razão pela qual os seus sequazes se opunham pela força a que o bosque fosse cortado.
Howard Charisse tinha-a encontrado casualmente algum tempo antes e, receoso de que alguém pudesse disputar-lha, mantinha em segredo o seu achado. Primeiro fora algo de instintivo, mas depois raciocinado. Se alguém podia reclamar o seu direito à mina, esse alguém era Tula, sua prima, com quem necessariamente teria de partilhar o tesouro.
A não se ter enamorado loucamente dela, não se teria importado que tal sucedesse e que ela gozasse com ele do precioso achado. Mas como estava, preso de uma avassaladora paixão, temeu que a jovem, rica e poderosa, se agradasse de outro, pedisse participação na fortuna e se separasse dele para sempre.
Que motivo havia, portanto, para que Tula dependesse sempre dele? Nenhuma melhor que simular uma ruína e, entretanto, ir acumulando prata até o filão se ter esgotado ou ela admitir que também lhe queria e estava disposta a compartilhar a sua vida com ele. Só então lhe diria a verdade, se assim o julgasse conveniente.
Simulara uma epidemia, vendera as reses e parte do produto dessa venda empregara-o na compra de material destinado à exploração da mina. O resto do dinheiro depositara-o num Banco distante. Além das ferramentas, Charisse precisava de homens, mas não de trabalhadores, que pudessem denunciá-lo.
Despediu o pessoal e rodeou-se de uma dezena de pistoleiros a soldo, encarregando-os do recrutamento dos homens necessários para o trabalho da extração do minério. Dezoito ou vinte indivíduos foram alistados à força e encerrados naquele vale, de onde ninguém sairia com vida.

domingo, 8 de janeiro de 2017

ARZ124. Isto não é contigo!


(Coleção Arizona, nº124)

 Charles Derek é um vagabundo expulso dos rurais por se embebedar com frequência. O seu eterno deambular levou-o até Pecos onde veio a conhecer que um seu antigo companheiro ali tinha sido assassinado o mesmo acontecendo a um conjunto de madeireiros que se preparavam para desbastar um bosque.
O próprio facto de ter sido sujeito a um processo de violência por um conjunto de indivíduos menos escrupulosos a soldo de Howard Charisse fez com que procurasse reabilitar-se e interessar-se pelo que se passava na cidade.
Howard movia-se pelo desejo de explorar em proveito próprio uma mina de prata utilizando trabalho escravo protegido por pistoleiros e a sua ganância era tanta que não hesitava em recorrer ao crime. Mas Howard também vivia apaixonado pela sua linda prima, Tula e a sua reação quando alguém se aproximava dela não era a melhor.
Tula era posta à margem das catividades do primo. «Isto não é contigo!» diz o título da novela, mas um dia veio a conhecer Derek e uma nova realidade lhe foi traçada relativamente à família.
Esta novela de Uriah Moltan, autor que não conhecia, é muito interessante e bem narrada, embora um pouco precipitada na fase inicial. Da mesma deixamos algumas passagens.

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